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2.1 O AGENTE PÚBLICO

2.1.1 ESPÉCIES DE AGENTES PÚBLICOS

2.1.1.5 Agentes Administrativos

Agentes administrativos são todos aqueles que se vinculam ao Estado por relações profissionais, sujeitos a hierarquia funcional e ao regime jurídico determinado pela entidade estatal a que servem. Não possuem poder

157 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p.81.

158 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p.82.

político, desempenhando suas funções no plano administrativo, com maior ou menor autonomia, mas sempre sujeitos ao controle hierárquico.

Agentes administrativos no entendimento de Meirelles159: São investidos a título de emprego e com retribuição pecuniária, em regra por nomeação, e excepcionalmente por contrato de trabalho ou credenciamento. Nessa categoria incluem-se, também, os dirigentes de empresas estatais (não os seus empregados), como representantes da Administração indireta do estado, os quais, nomeados ou eleitos, passam a ter vinculação funcional com órgãos públicos da Administração direta, controladores da entidade.

Constituem a imensa massa de prestadores de serviços à Administração Pública. São exemplos de agentes administrativos os servidores públicos, os empregados públicos e os agentes temporários. “Para efeitos criminais, são considerados funcionários públicos, nos expressos termos do art.

327 do CP.”160

São modalidades de agentes administrativos admitidos no artigo 37 da CRFB/88: servidores públicos concursados (art. 37, II); servidores públicos exercentes de cargos ou empregos em comissão titulares de cargo ou emprego público (art. 37, V); servidores temporários, contratados por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37,IX).

2.1.1.5.1 Servidores Públicos

A CRFB/88 no capítulo que dispõe sobre à Administração Pública, emprega a expressão "servidor público", diferentemente do que dispunha a Constituição anterior que usava a expressão “funcionário público”, para designar as pessoas que prestam serviços, com vínculo empregatício, à Administração Pública Direta, Autarquias e Fundações Públicas.161

159 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 80.

160 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 419.

161 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17. ed. São Paulo : Atlas, 2004. p.

430.

Preleciona sobre o tema, Meirelles162:

Os servidores públicos, em sentido restrito ou estatutários, são os titulares de cargo público efetivo e em comissão, com regime jurídico estatutário geral ou peculiar e integrantes da Administração direta, das autarquias e das fundações públicas com personalidade de Direito Público. Tratando-se de cargo efetivo, seus titulares podem adquirir estabilidade e estarão sujeitos a regime peculiar de previdência social.

Na mesma linha Di Pietro163 afirma que os servidores públicos que se submetem a regime estatutário, quando nomeados ingressam numa situação jurídica previamente definida, à qual se submetem com o ato da posse; não há possibilidade de qualquer modificação das normas vigentes por meio de contrato, ainda que com a concordância da Administração e do servidor, porque se trata de normas de ordem pública cogentes, não derrogáveis pelas partes.

Os servidores públicos em sentido estrito ou estatutários são, conforme preceitua Mello164 são “ [...] os que entretêm com o Estado e com as pessoas de Direito Público da Administração indireta relação de trabalho de natureza profissional e caráter não eventual sob o vínculo de dependência.”

2.1.1.5.2 Empregados Públicos

Para Meirelles165 empregados públicos "são todos os titulares de emprego público (não de cargo público) da Administração Direta e Indireta, sujeitos ao regime jurídico da CLT, daí serem chamados também de celetistas". Pelo fato de não ocuparem cargos públicos, não podem adquirir a estabilidade prevista na CRFB/88 e portanto são enquadrados no regime geral da previdência social.

162 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 80.

163 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p.434.

164 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 26.ed. p. 248.

165 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 419.

Bandeira de Mello166 discorreu sobre empregos públicos para se referir aos empregados públicos:

Empregos públicos são núcleos de encargos de trabalho permanentes a serem preenchidos por agentes contratados para desempenhá-los, sob relação trabalhista. Quando se trate de empregos permanentes na Administração direta ou em autarquia, só podem ser criados por lei, como resulta do art. 61, § 1º, II, "a", da Constituição.

Para Medauar167 o termo empregados públicos pode ser utilizado como analogia à expressão utilizada no setor privado para designar o vínculo de trabalho entre empregador e empregado, que atua sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, transpondo para o Poder Público a relação entre o empregador e o agente público, o empregado.

Para Di Pietro168 são considerados empregados públicos:

[...] os contratados sob regime da legislação trabalhista, que é aplicável a partir das alterações decorrentes da Constituição Federal (EC n. 19), e portanto são ocupantes de emprego público.

Desta forma, não podem estados e Municípios derrogar outras normas da legislação trabalhista, já que não têm competência para legislar sobre Direito do Trabalho, que é competência privativa da União (art. 22, I, da Constituição). Muito embora estejam sujeitos à CLT, sujeitam-se a todas as normas constitucionais referentes a requisitos para a investidura, acumulação de cargos, vencimentos, entre outras previstas no Capítulo VII, do Título III, da Constituição.

Os empregados públicos enquadram-se na categoria dos agentes administrativos, e estão subordinados ao regime jurídico celetista. Estes, com a aprovação da EC n. 19/98, podem atuar tanto na Administração direta, em funções não sujeitas ao regime estatutário, como na Administração indireta

166 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio.Curso de direito administrativo. 26. ed. p. 252.

167 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. 7. ed. São Paulo : Revista dos Tribunais, 2003. p. 286.

168 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p.434.

(fundações, autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades paraestatais). Afirma ainda Mukai, aos empregados públicos contratados sob o regime celetista, destinam-se "aquelas funções materiais de apoio às atividades funcionais próprias do estado que apenas exigem o conhecimento e a habilitação profissionais pertinentes."169

2.1.1.5.3 Temporários ou contratados por tempo determinado

A CRFB/88 estabelece no artigo 37 que os contratos temporários somente devem ser feitos tendo como base a legislação. Dispõe o artigo 37, inciso IX:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;

Meirelles170 refere-se aos temporários como contratados por tempo determinado, e os define como " servidores públicos que estão submetidos ao regime jurídico administrativo especial da lei prevista no art. 37, IX, da Carta Magna, bem como ao regime geral da previdência social”. Entende o STJ que as controvérsias relacionadas a contratação temporária é da competência da Justiça do Trabalho.

Os empregados temporários ou servidores temporários como querem alguns, são aqueles contratados para exercerem funções temporárias para atender a necessidade temporária de excepcional interesse

169 MUKAI, Toshio. Direito administrativo sistematizado.p. 153.

170 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 419.

público, mediante regime jurídico especial a ser disciplinado em lei de cada unidade da federação.171

No pensamento de Silva172 os temporários são uma forma de prestação de serviço público diferente do exercício de cargo, de emprego e de função. O contratado é, assim, um "prestacionista" de serviços temporários.

É importante observar que esse tipo de contratação somente pode ser feita por tempo determinado e com finalidade de atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. Deve estar previsto em lei de forma específica, não se admitindo hipóteses abrangentes ou genêricas.173

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