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público, mediante regime jurídico especial a ser disciplinado em lei de cada unidade da federação.171

No pensamento de Silva172 os temporários são uma forma de prestação de serviço público diferente do exercício de cargo, de emprego e de função. O contratado é, assim, um "prestacionista" de serviços temporários.

É importante observar que esse tipo de contratação somente pode ser feita por tempo determinado e com finalidade de atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. Deve estar previsto em lei de forma específica, não se admitindo hipóteses abrangentes ou genêricas.173

São impostos também aos agentes públicos deveres funcionais, que tem como objetivo assegurar a conformidade das ações administrativas e o interesse público.176

A Lei nº 8.112/1990, em seu artigo 116 traz os deveres dos servidores públicos federais, e que muitos estados e municípios já incluíram em seus estatutos:

Art. 116. São deveres do servidor: I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; II - ser leal às instituições a que servir; III - observar as normas legais e regulamentares; IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; V - atender com presteza: a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo; b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal; c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública. VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo; VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público; VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição; IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa; X - ser assíduo e pontual ao serviço; XI - tratar com urbanidade as pessoas; XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.

Em decisão de recurso extraordinário o Supremo Tribunal Federal afirma queA violação dos deveres que incumbem ao funcionário pode acarretar conseqüências legais de três sortes: penais, de direito privado e disciplinares”.177

2.2.1 Dever de Lealdade

O dever de lealdade, também denominado dever de fidelidade, segundo Meirelles178:

176 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. p.389.

177 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Órgão julgador: Tribunal Pleno Classe e nº da decisão:

Recurso Extraordinário nº 19.395. UF: DF. Data da decisão: 04/04/52.

178 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 34. ed. p. 479.

[...] exige de todo servidor a maior dedicação ao serviço e o integral respeito às leis e às instituições constitucionais, identificando-o com os superiores interesses do Estado. Tal dever impede que o servidor atue contra os fins e os objetivos legítimos da Administração, pois que, se assim agisse, incorreria em infidelidade funcional, ensejadora da mais grave penalidade, que é a de demissão, vale dizer, o desligamento compulsório do serviço público.

Segundo o art. 11, caput, da Lei Federal n. 8.429/92, constitui ato ímprobo aquele "que atenta contra os princípios da Administração Pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições."

2.2.2 Dever de Obediência

Ao agente público cabe o dever de obediência que lhe impõe o acatamento das ordens legais de seus superiores e sua fiel execução. Dever este, que advém da hierarquia funcional e fundamenta-se no princípio disciplinar que informa a Administração Pública.179

Araújo180 considera que o dever de obediência e o dever de cumprimento das ordens superiores encerram objetivos concretos, tais como o respeito à hierarquia181 e o resguardo da moralidade administrativa.

O agente público tem o dever de obediência e está obrigado ao cumprimento das ordens emanadas de seus superiores hierárquicos, no

179 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 479.

180 ARAÚJO, Edmir Netto de. O ilícito administrativo e seu processo. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1994. p.66-69.

181 “Hierarquia, recordemos [...], é a relação de coordenação e subordinação entre os órgãos e agentes da Administração, necessária ao equilíbrio e à boa ordem da realização das tarefas administrativas, atividade essa que se pressupõe contínua, racional e ordenada. A obediência do subordinado é princípio nuclear da hierarquia, pois não se compreende como possa funcionar qualquer máquina administrativa se for permitido ao subalterno antagonizar ou descumprir as ordens administrativas de seus superiores hierárquicos.” In ARAÚJO, Edmir Netto de. O Ilícito Administrativo e seu Processo. p. 66.

entanto “não está o servidor obrigado a cumprir mecanicamente toda e qualquer ordem superior, mas, únicamente, as ordens legais”.182

O dever de obediência sempre deve estar associado ao Princípio da Legalidade, sob pena de o agente responder pela ilicitude do ato. De acordo com o artigo 21 do Código Penal: “ O desconhecimento da lei é inescusável”. Principalmente se o agente atua ou se omite, quando lhe era possível ter essa consciência.

O funcionário público, no caso específico, não está obrigado a obedecer à ordem ilegal (v. os arts. 194-VII do anterior estatuto dos funcionários civis da União – Lei nº 1.711/52 – e 116-IV do atual estatuto, a Lei nº 8.112/90), assim como ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. O funcionário ou particular que dá curso a ordem ilegal assume- lhe a responsabilidade, juntamente com quem a emitiu, não tendo a seu favor a dirimente do exercício regular de direito ou do estrito cumprimento do dever legal, de que tratam os arts. 160-I do Código Civil e 23-III do Código Penal, este já é o entendimento de várias decisões judiciais.183

2.2.3 Dever de Conduta Ética

Decorre do princípio constitucional da moralidade administrativa e impõe ao servidor público a obrigação de jamais desprezar o elemento ético de sua conduta184. De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil Federal (Decreto 1.171/94), “a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público”.

182 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 479.

183 CUNHA, Sérgio Sérvula da. Conflito possessório e positivismo ético: O agente público em face da decisão legal. Revista de Informação Legislativa. p. 2. Disponível em http://www.senado.gov.br/web/cegraf/ril/Pdf/pdf_133/r133-07.PDF. Acesso em 12 de março de 2010.

184 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 480.

2.2.4 Dever de Eficiência

Preceitua Meirelles185 que o dever de eficiência é o que impõe ao agente público o dever de realizar suas funções com presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que além da legalidade, exige resultados positivos na execução do serviço público e um atendimento satisfatório das necessidades da comunidade e de seus membros.

"O Poder Público somente cuida daquilo que é essencial e fundamental para a coletividade, e que, portanto, deve ser bom, produtivo, eficaz, eficiente", afirma Dallari186, constituindo a reclamação pela eficiência da Administração Pública um direito subjetivo do administrado.

Moraes187 define o dever de eficência do seguinte modo:

[...] é aquele que impõe à Administração Pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências de forma imparcial, neutra, transparente, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade, primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para melhor utilização possível dos recursos públicos, de maneira a evitar-se desperdícios e garantir-se uma maior rentabilidade social. Note-se que não se trata da consagração da tecnocracia, muito pelo contrário, o princípio da eficiência dirige-se para a razão e fim maior do Estado, a prestação dos serviços públicos sociais essenciais à população, visando a adoção de todos os meios legais e morais possíveis para a satisfação do bem comum.

Para que a Administração Pública seja eficiente, deve aproveitar o máximo de tudo aquilo que a coletividade possui, em todos os níveis, e durante toda a realização de suas atividades. Somente será juridicamente eficiente a atuação estatal quando seu resultado quantitativo e qualitativo for

185 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 21 ed. p. 90.

186 DALLARI, Adilson Abreu. Administração pública no estado de direito. Revista Trimestral de Direito Público. N. 5. São Paulo: Malheiros, 1994. p. 33-41.

187 MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 5 ed., São Paulo: Atlas, 1999. p. 294.

satisfatório, levando-se em conta o universo possível de atendimento das necessidades existentes e os meios disponíveis.188

2.3 PODERES DEVERES DO AGENTE PÚBLICO

A ordem jurídica confere aos agentes públicos, gestores da coisa pública certas prerrogativas para que eles, em nome do Estado, gerem bens e interesses da comunidade. Neste sentido, Meirelles189 afirma que: “ Cada agente administrativo é investido da necessária parcela de poder público para o desempenho de suas atribuições. Esse poder é usado normalmente, como atributo do cargo ou da função, e não como um privilégio da pessoa que exerce.”

Não se trata de privilégios pessoais, mas de prerrogativas funcionais. O exercício dos poderes administrativos constituem-se de encargos dos agentes incumbidos da gestão da coisa pública190.

Ao serem investidos no cargo, são também investidos de competência decisória, e passam a ter autoridade, mas com poderes e deveres específicos ao cargo que ocupam. Neste sentido, verifica-se que “ [...] só se concebe esse poder [administrativo] como instrumento adequado para o exato e eficiente cumprimento das finalidades a que, segundo o ordenamento legal, se propõe a Administração Pública alcançar.”191

Desta forma, “a natureza da função pública e a finalidade do Estado impedem que seus agentes deixem de exercitar os poderes e de cumprir os deveres que a lei lhe impõe.”192

188 CARDOZO, José Eduardo Martins. Princípios constitucionais da administração pública (de acordo com a Emenda Constitucional n.º 19/98). Apud MORAES, Alexandre. Os 10 anos da Constituição Federal. São Paulo: Atlas, 1999. p.166

189 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo. 34. ed. p.106.

190 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito Administrativo. p. 95-96.

191 GASPARINI, Diogenes. Direito administrativo. 7. ed. p.130.

192 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo. 27. ed. p.87.

2.3.1 Poder-dever de Agir

Para Meirelles193 “o poder tem para o agente público o significado de dever para com a comunidade e para com os indivíduos, no sentido de quem o detém está sempre na obrigação de exercitá-lo.”

As ações intempestivas ou as omissões que causarem danos a Administração Pública e aos particulares enseja indenização nos termos do art. 37, § 5º da CRFB/88. Nesse sentido, afirma Di Pietro194:

O exercício desse poder de direção e controle constitui um poder- dever da Administração, ao qual ela não pode furtar-se, sob pena de responsabilidade por omissão. Mas deve ser exercido dentro de limites razoáveis, não podendo a fiscalização fazer-se de tal modo que substitua a gestão da empresa. A Administração apenas fiscaliza. Ela não administra a execução do serviço.

2.3.2 Dever de Probidade

O dever de probidade está intimamente ligado a ética, honestidade, integridade, caráter, honradez, vem do conceito romano de probus, ou seja, a qualidade do probo. “ O dever de probidade está constitucionalmente integrado na conduta do administrador público como elemento necessário a legitimidade de seus atos.”195

De acordo com o artigo 37, § 4º da CRFB/88 “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao Erário, na forma e gradação previstas em lei, semprejuízo da ação penal cabível.”

A legislação infraconstitucional, também trata do assunto, conforme preceitua Bruno196:

193 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p.107

194 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Parcerias na administração pública. São Paulo: Atlas, 1996. p. 79.

195 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p.108.

196 BRUNO,Reinaldo Moreira. Direito administrativo. p. 98.

a) O Estatuto dos Servidores Públicos da União, Lei n. 8.112/90, estabelece normas proibitivas de condutas ímprobas no trato de bens que são confiados à gestão, responsabilizando-os por dilapidação e mau emprego de recursos públicos;

b) A Lei da Improbidade Administrativa, Lei n. 8.247/92, estabeleçe condutas aplicáveis aos casos de improbidade administrativa, bem como condutas. Estas condutas encontram-se classificadas como ações em que: i) importam enriquecimento ilícito, no art. 9°; ii) cause prejuízo ao erário , no art. 10; e iii) atenham contra os princípios da Administração Pública, no art. 11.

Já as sanções decorrentes destas condutas encontram-se previstas no ats. 12, a partir do rol estabelecido no art. 37, § 6°, da CF – levando-se em conta a extenção do dano e proveito material;

c) A Lei de Ação Popular, Lei n. 4.717/65, elenca os atos passiveis de anulação por ilegalidade e lesividade ao patrimonio público, permitindo a qualquer pessoa, desde que demonstre a condição de cidadão, promover a competente ação para reparar a lesão;

d) O Decreto-lei n. 201/67 estabelece os crime de responsabilidade de prefeitos e vereadores, incluido, entre as condutas vedadas, as que afrontem a probidade admisnistrativa.

Os atos administrativos que lesem os bens e interesses públicos, ficam sujeitos a invalidação da própria Administração ou do Poder Judiciário, pois por ser ilegal, são nulos, sendo este um vício de improbidade.197 2.3.3 Dever de Prestar Contas

Diz o artigo 84, XXIV, da CRFB/88 que "compete privativamente ao Presidente da República prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior”. Neste mesmo sentido, tal obrigação estende-se aos Governadores de Estado e aos Prefeitos Municipais. É importante ressaltar que a obrigação de prestar contas é do Presidente da República, do Governador do Estado e do Prefeito Municipal, e não, a União, o Estado ou o Município.

197 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p.110.

O dever de prestar contas decorre do princípio da indisponibilidade do interesse público, é não alcança somente administradores de entidades e órgãos públicos, mas todos agentes de paraestatais e até os particulares que recebam subvenções estatais para aplicação determinada. É importante ressaltar que “ A prestação de contas não se refere apenas aos dinheiros públicos, à gestão financeira, mas a todos os atos de governo e da administração.”198

Para entender os conceitos da nova gestão pública, que deve contar com agentes públicos eficientes e eficazes e preocupados com a transparência e a ética, há que se falar em responsabilidades. Responsabilidades estas que perpassam pela prestação de contas dos atos e decisões, cumprimento dos prazos e procedimentos, desempenho profissional, comportamentos neutros e impessoais, tema este que será tratado no capítulo seguinte.

198 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p.111.

Nas favelas, no Senado Sujeira pra todo lado Ninguém respeita a Constituição Mas todos acreditam no futuro da nação Que país é este [...].

Renato Russo.

CAPÍTULO 3

RESPONSABILIDADES DO AGENTE PÚBLICO ENQUANTO GESTOR PÚBLICO

No ordenamento jurídico brasileiro, uma determinada conduta pode acarretar responsabilização em diferentes esferas, dependendo do seu autor e das consequências dela advindas. Neste capítulo, abordar-se-á as diversas responsabilidades dos agentes públicos, a improbidade administrativa, bem como as sansões para os atos ilícitos ou antijurídicos cometidos no exercício do cargo, emprego ou da função pública.

3.1 RESPONSABILIDADE DO AGENTE PÚBLICO

A responsabilidade é para o Direito Público a sua pedra angular, pois o Estado, como responsável pela ordem jurídica, deve responder por seus atos, e, consequentemente, devem também os seus agentes, que assumiram livremente o munus de executar as várias e distintas funções que essa mesma ordem jurídica impõe, responsabilizar-se.199

A CRFB/88 dispõe no artigo 37, § 6o que:

Art. 37 omissis;

§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

O Código Civil de 2002, também estabelece no artigo 43 que

“As pessoas jurídicas de Direito Público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros,

199 MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. A lei de responsabilidade fiscal e seus princípios jurídicos. Revista de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, n.221, 2000. p. 89.

ressalvado direito regressivo contra causadores do dano, se houver, por parte destes culpa ou dolo”. O agente público que vier a cometer um ilícito e causar um dano sujeita-se a responsabilidades na ordem civil, penal e administrativa.

3.1.1 Responsabilidade Administrativa

A responsabilidade administrativa do agente resulta de uma violação de normas internas da Administração e apresenta os mesmos elementos básicos do ilícito civil: ação ou omissão contrária à lei, culpa, dolo e dano. O ilícito administrativo, cometido pelo agente, dá ensejo a aplicação de pena disciplinar.

Apurada a falta funcional, pelo processo administrativo, sindicância ou meio sumário, o agente fica sujeito a pena correspondente.200

As infrações administrativas não são, no geral, totalmente definidas, ou seja, são limitadas à falta de cumprimento dos deveres, insubordinação grave, procedimento irregular e incontinência pública. Neste sentido, há uma dificuldade por parte dos superiores hierárquicos de correlacionar a natureza e a gravidade da infração, seus danos para o serviço público, com a pena a ser aplicada na pessoa do servidor público. De acordo com, Di Pietro201, "é precisamente essa margem de apreciação que exige a precisa motivação da penalidade imposta, para demonstrar a adequação entre a infração e a pena escolhida e impedir o arbítrio da Administração".

A responsabilidade administrativa do agente que pratica um um ilícito pode ocorrer por omissão ou comissão, de acordo com o que dispõe a Lei n.º 8.112/90 em seu art. 124. O servidor está sujeito a normas administrativas que estão em disciplinadas em leis, decretos e outros provimentos regulamentares que contêm deveres e obrigações. A título de exemplo pode-se citar os 116, 117 e 132 da Lei n.º 8.112/90 para o servidores públicos civis federais e os Estatutos do Servidor Estadual ou Municipal.

200 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p. 505.

201 DI PETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 19. ed. p. 590.

3.1.2 Responsabilidade Civil

Responsabilidade civil é a obrigação imposta ao agente de reparar o dano causado a Administração por culpa ou dolo no exercício da função. A responsabilidade do agente nasce com o ato culposo e lesivo e termina com a indenização, e é apurada na forma do Direito Privado, perante a Justiça Comum. Não há para o agente responsabilidade objetiva ou sem culpa.202

Consoante ensina Garcia203:

A responsabilidade civil consiste na obrigação de reparar um dano causado a alguém, por ação ou omissão culposa ou dolosa. Que por sua vez, tem nítido caráter patrimonial, sendo decorrente da disposição geral contida no Código Civil, no sentido de que aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.

Culpa e dolo, para Meirelles204 são conceitos diversos.

“Culpa verifica-se na ação ou na omissão lesiva, resultante de imperícia, imprudência ou negligência do agente; o dolo ocorre quando o agente deseja a ação ou omissão lesiva ou assume o risco de produzí-la.”

De acordo com a Lei n.º 8.112/90, art. 122, caput, “ A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.” Ao ocorrer o dano a Administração deve apurar a responsabilidade do agente por meio de processo administrativo, observando os princípios do contraditório e da ampla defesa.

O texto constitucional em seu artigo 37, § 5º dispõe que “ A lei estabelecerá prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as ações de

202 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p. 507

203 GARCIA, Mônica Nicida. Responsabilidade do agente público. Belo Horizonte: Fórum, 2004.

p. 56.

204 MEIRELLES,Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p. 508

ressascimento”. Neste sentido, Bandeira de Mello205 afirma que: “ [...] é imprescritível a ação de ressarcimento por ilícitos praticados por qualquer agente ao erário”. No mesmo sentido, Silva206 afirma que “ Apenas a apuração e punição do ilícito, não, porém o direito da Administração ao ressarcimento, à indenização, do prejuízo causado ao erário”.

Quando o dano for contra o erário, a Administração irá, via de regra, recorrer ao Poder Judiciário, no âmbito da jurisdição civil, propondo ação de indenização contra o servidor responsável, de acordo com o que dispõe a Lei n.º 8.112/90, art. 122, § 1.º, parte final. Quando o dano for causado a terceiros

“Art. 122, § 2º Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva”. Neste caso a responsabilidade civil subjetiva do servidor é regressiva.

3.1.2.1 Modalidades de responsabilidade civil

No Direito, há dois tipos de responsabilidade civil: a) a responsabilidade subjetiva; b) a responsabilidade objetiva. Na responsabilidade civil subjetiva, só haverá o dever de indenizar se o agente tiver causado o dano por atuar com dolo ou culpa. Diferentemente, o que caracteriza a responsabilidade civil objetiva é a desnecessidade de apreciação de dolo ou culpa do agente ao provocar o dano.

A responsabilidade civil objetiva é o tipo de responsabilidade que têm as pessoas jurídicas de direito público, neste trabalho chamaremos de Estado, e as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, segundo a imposição do art. 37, § 6.º, da CRFB/88. Nesse tipo de responsabilidade civil, não importa saber se o servidor agiu ou não com dolo ou culpa ao provocar o dano.

Em todo caso o Estado deverá indenizar ao terceiro prejudicado, se este não foi o causador exclusivo do dano. Resumindo, pode-se dizer que a responsabilidade

205 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24.ed. p.263.

206 SILVA, José Afonso. Manual da constituição de 1988. São Paulo: Malheiros, 2002. p.673.

civil do Estado é objetiva ao passo que a responsabilidade civil do servidor público é subjetiva.

3.1.3 Responsabilidade Penal ou Criminal

Para efeitos penais de acordo com o art. 327 do Código Penal “ Considera-se funcionário público, quem embora, transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública”, incluindo todas as espécies de agentes públicos, inclusive os que trabalham em entidades paraestatais.

Para Meirelles207, “ A responsabilidade criminal é a que resulta do cometimento de crimes funcionais. O ilícito penal sujeita o servidor a responder processo crime e suportar os efeitos legais da condenação (CP, arts.

91 e 92)”.

A responsabilidade penal do servidor é apurada em Juízo Criminal. “ O processo dos crimes funcionais previstos no Código Penal e em leis esparsas obedece ao rito estabelecido nos arts. 513 a 518 do CPP, ficando o réu, desde o seu indiciamento, sujeito a sequestro de bens [...].208

Além dos crimes funcionais comuns, existem ainda os crimes de responsabilidade dos agentes políticos. Os crimes de responsabilidade e os crimes funcionais são delitos de ação pública.209

Para Hungria210, os crimes contra a Administração em Geral, são os fatos que mais ofendem aos interesses da normalidade funcional, probidade, prestígio, incolumidade e decoro da Administração Pública, as faltas mais leves podem se constituir de ilícito administrativo.

207 MEIRELLES,Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p. 509.

208 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p. 510

209 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 34. ed. p. 510

210 HUNGRIA, Nelson. Comentários ao código penal. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1958. v.9, p.311.

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