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4.2.4 - “Desideologizando” o ensino elementar

de determinados setores da economia norte-americana e as perspectivas de aproveitamento dessas experiências no Brasil (Idéia Liberal, n. 8; n. 11; n. 15, 1989).

Para divulgar melhor a filosofia do capitalismo e a experiência concreta de gestão de empresas, em 1988 e 1989 foram implementados dois programas:

Empresa na Escola e Escola na Empresa, com a Faculdade de Economia e Administração de Empresas do Mackenzie, através dos quais o Instituto Liberal de São Paulo promovia, mensalmente, palestras de empresários na universida- de e visitas de grupos de alunos à empresa dirigida pelo palestrante. Com a PUC, o Instituto Liberal de São Paulo desenvolveu, em 1988, um Curso de Integração Empresa-Escola, ministrado por professores e empresários a um público selecionado. Com a Faculdade Armando Alvares Penteado, o Instituto Liberal de São Paulo desenvolveu o projeto Repensando o Brasil, no qual eram realizadas palestras e debates sobre os problemas atuais do País, para profes- sores, jovens empresários e alunos selecionados. As palestras foram reproduzidas nos Cadernos Repensando o Brasil, distribuídos também para outras universi- dades e para “ocupantes de cargos fundamentais na estrutura de poder do País”

(Idéia Liberal, n. 8; 15, 1989).

primeiro e segundo graus de ensino e de pesquisa e produção de material didático e pedagógico sob novos enfoques.

Os cursos ministrados pelo programa de aperfeiçoamento de professores visavam “(...) alargar o horizonte cultural dos profissionais da educação, aprimo- rar seus fundamentos teóricos, oferecer conteúdos alternativos contra o dogmatismo e a ideologização dos currículos e aproximar os professores dos temas da modernidade” (Idéia Liberal, n. 26, 1990). Aprovados pela Secretaria de Educação de São Paulo, os cursos eram ministrados por especialistas con- tratados pelo Instituto Liberal de São Paulo a professores de ensino básico de escolas públicas e privadas e atingiam várias cidades do interior de São Paulo e municípios da região metropolitana. O objetivo era alcançar o treinamento dos professores das 153 Delegacias de Ensino do Estado de São Paulo, em três anos, através da formação de monitores (Idéia Liberal, n. 26, 1990). O conteúdo desses cursos, preparado pela equipe do Instituto Liberal de São Paulo, abran- gia desde a revisão dos currículos das disciplinas tradicionais oferecidas nas escolas, como português e matemática, até a discussão de temas da teoria política, Filosofia, Economia e História, segundo o enfoque liberal.

O programa de produção do material didático e pedagógico sob novos enfoques era desenvolvido por uma equipe de especialistas contratados, que também prestava assessoria pedagógica a prefeituras, escolas, delegacias de ensino, etc. A equipe organizava, também, debates teóricos e metodológicos sobre disciplinas específicas, para oferecer aos professores visões teóricas al- ternativas. Em 1992, por exemplo, os seminários dedicaram-se ao debate de diferentes concepções sobre História, considerada pelo Instituto como a disci- plina em que mais se faz sentir o problema da ideologização do currículo (Idéia Liberal, n. 32, 1992).

A atuação do Instituto Liberal de São Paulo dirigida à melhoria da qualida- de do ensino básico intensificou-se ao longo da gestão de Levy (1992-95). Em 1993, o IL-SP começou a participar dos cursos de capacitação e treinamento de professores do Sesi e também dos programas de treinamento e capacitação de lideranças do Senai, além de ampliar o atendimento a delegacias de ensino do interior de São Paulo. Em 1994, o Instituto C&A de Desenvolvimento Social8 propôs ao Instituto Liberal de São Paulo o desenvolvimento de trabalho conjunto na área educacional, o que resultou numa parceria, até 1995, para financiar o

8 O Instituto C&A de Desenvolvimento Social foi criado em 1991 pela empresa C&A Modas Ltda. Seu objetivo é prestar apoio material e de serviços a projetos comunitários que bene- ficiem crianças e adolescentes carentes. O Instituto preocupa-se também em difundir entre os empresários a idéia da responsabilidade social das empresas na melhoria de condições de vida da comunidade em que atua (Cadastro..., 1998).

Programa Permanente de Capacitação de Professores do IL-SP. Os dados so- bre esse programa divulgados pelo IL-SP indicam que, em 1994, os cursos, os simpósios, as orientações técnicas e as palestras teriam atingido diretamente mais de oito mil diretores de escola, professores, coordenadores e/ou supervi- sores de ensino (Informe Liberal, jan. 1995). Segundo o Instituto Liberal de São Paulo, esse programa teria atingido mais de 10 mil educadores no ano seguin- te (IL Notícias, n. 52, 1996).

Em 1995, o Instituto Liberal de São Paulo participou de um encontro sobre O Regime de Colaboração: Governo e Sociedade, organizado pelo MEC para divulgar e estimular as parcerias na área educacional (Informe Liberal, ago. 1995).

Nesse mesmo ano, o novo Secretário de Educação de São Paulo propôs ao Instituto Liberal de São Paulo a renovação da parceria na reciclagem de profes- sores da rede pública estadual (Informe Liberal, fev. 1996), o que foi feito princi- palmente através da assessoria pedagógica às secretarias municipais de edu- cação e ao Sesi. Com a perda da parceria da C&A em 1996, o Instituto Liberal de São Paulo reduziu sua atividade nessa área, limitando-se a prestar assesso- ria a delegacias de ensino, quando solicitado (entrevista com a secretária do IL- -SP, julho de 1997).

Ainda na gestão de Fernando Ulhôa Levy (1992-95), uma outra atividade desenvolvida pelo Instituto Liberal de São Paulo na área educacional foi a cam- panha de estímulo à cidadania. Em 1993, o Instituto contratou o cartunista Maurício de Souza para produzir uma cartilha da cidadania (Figura 9), em qua- drinhos, com a Turma da Mônica. Na cartilha, Mônica e seus amigos explicam de forma didática que todos os problemas do País, da inflação às deficiências nos serviços de saúde, previdência, educação, etc., se devem à grande inefi- ciência do Estado brasileiro e à sua excessiva intervenção em todas as áreas da vida nacional.

A primeira edição da cartilha A Turma da Mônica — Cidadania teve uma tiragem de 500 mil exemplares e foi patrocinada pelo Unibanco, pelo Bradesco, pelo Citibank, pela Metalac e pelo Shopping Eldorado. Foram feitas outras edições patrocinadas por diferentes empresas. A cartilha foi distribuída na rede escolar durante a Semana da Cidadania, promovida pelo IL-SP com o apoio de outras instituições em 1993 e em 1994. Na Semana da Cidadania de 1993, foi lançado o concurso Viver a Cidadania, promoção conjunta do IL-SP, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, do MEC, do Sesi e de outras entidades, para premiar os melhores trabalhos sobre a cidadania realizados

pelas crianças das escolas que receberam a cartilha.9 Esse concurso, sob a coordenação do IL-SP, teve uma edição estadual em 1994 e outra nacional em 1995 (Informe Liberal, jun. 1995).

Em 1994, com o patrocínio da Siemens, da Nestlé e da C&A, o Instituto Liberal de São Paulo lançou outra cartilha O Cidadão (Figura 10), de autoria de Jacy de Souza Mendonça (Vice-Presidente do Instituto Liberal de São Paulo).

Nela, é explicado como é organizada a sociedade brasileira, a divisão de pode- res, o tipo de governo, as eleições, enfim, todos os problemas sociais e econômicos do País são atribuídos à má administração do Estado, à corrupção, etc. A cartilha propõe a supremacia do mercado como única forma de respeitar os direitos individuais do cidadão. Durante toda a gestão de Fernando Ulhoa Levy (1992-96), o trabalho do Instituto Liberal de São Paulo nessa área conti- nuou a se realizar através da distribuição das cartilhas para escolas, institui- ções governamentais e empresas (Informe Liberal, maio 96).10