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4.2.5 - Propondo políticas públicas

pelas crianças das escolas que receberam a cartilha.9 Esse concurso, sob a coordenação do IL-SP, teve uma edição estadual em 1994 e outra nacional em 1995 (Informe Liberal, jun. 1995).

Em 1994, com o patrocínio da Siemens, da Nestlé e da C&A, o Instituto Liberal de São Paulo lançou outra cartilha O Cidadão (Figura 10), de autoria de Jacy de Souza Mendonça (Vice-Presidente do Instituto Liberal de São Paulo).

Nela, é explicado como é organizada a sociedade brasileira, a divisão de pode- res, o tipo de governo, as eleições, enfim, todos os problemas sociais e econômicos do País são atribuídos à má administração do Estado, à corrupção, etc. A cartilha propõe a supremacia do mercado como única forma de respeitar os direitos individuais do cidadão. Durante toda a gestão de Fernando Ulhoa Levy (1992-96), o trabalho do Instituto Liberal de São Paulo nessa área conti- nuou a se realizar através da distribuição das cartilhas para escolas, institui- ções governamentais e empresas (Informe Liberal, maio 96).10

por empresas locais e por várias instituições liberais, como a Tinker Foundation e a Atlas Economic Research Foundation. Essa atividade foi sugerida aos diretores do Instituto por Anthony Fisher, criador do Institute of Economic Affairs, em reunião realizada em Londres, em 1987 (Idéia Liberal, n. 18, 1989).

Os especialistas contratados pelo Instituto Liberal do Rio de Janeiro para coor- denar essa área de atividade viajaram à Inglaterra e à França para conhecer melhor a metodologia de elaboração dos policy papers. Desde então, um resu- mo dessas propostas é divulgado através de uma publicação mensal intitulada Notas — Avaliação de Projetos de Lei (Figura 11).

Nesses policy papers, o Instituto Liberal do Rio de Janeiro propõe-se, de um lado, a avaliar os custos e os benefícios da aprovação de projetos de leis que estejam em curso no Executivo ou no Judiciário e que tenham grande impacto sobre a sociedade. De outro, o Instituto Liberal do Rio de Janeiro propõe solu- ções para diferentes problemas através de propostas de políticas baseadas nos preceitos liberais. Até 2001, foram publicadas mais de 80 edições dessas Notas, discutindo todo tipo de políticas públicas, desde a nova Constituição brasileira, as leis de greve, do inquilinato e da educação, até a privatização da Previdência Social (Quadro 11). A publicação Notas — Avaliação de Projetos de Lei tem uma tiragem de cinco mil exemplares, que são distribuídos para as associa- ções de classe, órgãos de imprensa, autoridades governamentais e parlamen- tares.11 Essa publicação do Instituto Liberal do Rio de Janeiro é patrocinada por empresas locais e pelo Center for International Private Enterprise (CIPE) dos EUA. Dedicado à promoção internacional dos princípios da democracia e do livre-mercado, o CIPE12 financia também a realização desses policy papers em instituições liberais de outros países da América Latina (IL Notícias, n. 1,1991).

11 Em 1993, o Conselho Nacional dos Institutos Liberais publicou um livro reunindo as Notas de Políticas Públicas já editadas e promoveu seu lançamento em Brasília, nos meios políticos e jornalísticos.

12 O Center for International Private Enterprise foi fundado nos EUA, em 1983, como um centro filiado à organização conservadora US Chamber of Commerce e financiado pela National Endowment for Democracy, pela US Agency for International Development e por fontes privadas. Seus objetivos são: auxiliar a promover reformas econômicas orientadas para o mercado; sustentar organizações empresariais privadas; aumentar e fortalecer a cultura do setor empresarial; auxiliar a desenvolver mecanismos que promovam o crescimento do desenvolvimento do setor privado nacional e internacional para fortalecer os princípios da liberdade de mercado e a empresa privada em todo o mundo. Essa atividade é feita em conjunto com diferentes instituições locais nas democracias emergentes, consideradas como os esteios da sociedade democrática: think-tanks, associações empresariais, institui- ções educacionais e de treinamento para os profissionais da mídia. O CIPE já financiou mais de 300 projetos em 50 países (Center for International Private Enterprise, 1997).

De 1991 a 1997, o Instituto Liberal do Rio de Janeiro desenvolveu uma série de estudos sobre a realidade brasileira, que contemplam também sugestões de políticas, que foram publicados na íntegra, na série Políticas Alternativas (Qua- dro 12). Esses estudos abrangem questões como política industrial, saúde, educação, previdência social, etc. e foram financiados pela Atlas Economic Research Foundation, Tinker Foundation e Center for International Private Enterprise (IL Notícias, n. 27, 1994 e outros). Em 1995, essas propostas foram resumidas no livro Problemas Sociais-Soluções Liberais, publicado pelo Ins- tituto Liberal do Rio de Janeiro.

O Instituto Liberal de São Paulo também promoveu discussões de políti- cas públicas entre 1990 e 1992. Essa atividade foi desenvolvida através da organização de fóruns onde as diretrizes governamentais de um determinado setor eram apresentadas por um representante do Governo e discutidas por especialistas, empresários e público em geral (Idéia Liberal, n. 28, 1991). Sob o patrocínio de empresas financeiras como a Sogeral, a Companhia de Seguros da Bahia, e a Febraban, dentre outras, foram realizados sete Fóruns Liberais sobre Políticas Públicas, que abordaram os seguintes temas: política industrial (1990), descartorialização da economia (1991), política monetária e cambial, política agrícola (1991) política de ciência e tecnologia (1991), política fiscal e tributária (1991), e política habitacional (1992). Participaram dos Fóruns minis- tros e secretários de Estado e grandes empresários (Quadro 13 e Figura 12).

Para discutir as experiências liberais em curso na América Latina, o Insti- tuto Liberal de São Paulo promoveu um grande seminário em julho de 1992: o I Fórum Liberal da América Latina: o Caminho para uma Economia de Mercado, realizado no hotel Maksoud Plaza. Dele participaram representantes da Argen- tina, do Chile, do México, da Venezuela, da Colômbia, do Panamá, do Uruguai e do Brasil. O painel sobre a economia brasileira foi apresentado pelo Ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. O fórum foi considerado um sucesso pelo Instituto Liberal, tanto no que se refere à troca de opiniões e experiências entre os liberais desses países, quanto ao efeito multiplicador de opinião, devido à cobertura dada pela imprensa nacional e internacional. Como conclusão geral, o Instituto Liberal de São Paulo aponta a mudança de perspectiva em favor do liberalismo, depois

“(...) de uma década de hesitações, em meio a uma crise econômica mundial que levou a região a um retrocesso sem precedentes (com exceção, talvez, do Chile), parece haver se consolidado um consenso amplo acerca dos objetivos prioritários da política econômica, por meio de programas severos de ajuste e liberalização da economia, além do aprofundamento da integração latino-americana” (IL Notícias, n. 9, ago. 1992).

Em 1995, o Instituto Liberal de São Paulo também dedicou sua atenção à discussão da reforma do Estado e às políticas públicas. O ciclo de palestras denominado Reinventando o Governo durou vários meses, com a participação de personalidades estrangeiras, autoridades governamentais e representantes de diferentes áreas de políticas públicas: agrícola, financeira, trabalhista, de privatização, tributária e fiscal.13 O tom dos debates foi dado pelo palestrante inicial David Osborne, consultor de políticos nos Estados Unidos e autor do livro que deu nome ao ciclo. Em Reinventando o Governo, Osborne propôs como orientação para a reforma do governo a introdução da lógica empresarial nos espaços governamentais. Assim, à centralização deve opor-se a descen- tralização; à lógica de comando e controle, a da horizontalidade da equipe; à lógica monopolista, a competitiva; à regulamentação excessiva das tarefas, a proposição de objetivos e missões; à orientação por processos, a busca de resultados; à satisfação dos interesses da burocracia, a satisfação do cliente dos serviços; à lógica que enfatiza os gastos, a que valoriza mais atenção aos ganhos; aos mecanismos administrativos, os mecanismos mercadológicos (Anuário, 1996).

4.3 - A rede de Institutos Liberais