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4.3 - Vantagens dinâmicas para a competitividade

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Gráfico 2

Vantagens relacionadas à localização da empresa na região

Custo da mão-de-obra Proximidades com consumidores

Proximidade com fornecedores de insumos

Proximidade com universidades/centros de pesquisa

Existência de programas governamentais

Qualidade de mão-de-obra

Disponibilidade de mão-de-obra

Infra-estrutura disponível

t===

0% 20% 40% 60% 80% 100%

o Sem importância B Pouco importante liJ Importante 11 Muito importante

FONTE: Pesquisa de campo.

5 - Considerações finais e proposições de políticas

A análise dos principais atores que atuam no segmento produtivo do ar- ranjo moveleiro da serra gaúcha demonstra que ele conta, no momento, com algumas das maiores e mais modernas empresas do País, particularmente no segmento de móveis residenciais de madeira. Dentre as principais empresas que estão instaladas nessa região, destacam-se, dentre outras: Todeschini, Carraro, Pozza, Madem, Delano, Florense e Madesa. A presença desse con- junto de empresas de médio e grande portes e com forte inserção no mercado externo contribuiu para a consolidação do elevado nível de atualização no arranjo atualmente. Da mesma forma, ainda que esse segmento de empresas represente menos de 5% do universo da indústria de móveis na região e no Estado, ele constitui um importante núcleo de difusão de inovações para o

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restante das empresas do arranjo, seja através da sua influéncia na formação de redes de subcontratação, seja no papel que desempenham para qualifica- ção da mão-de-obra local, seja, ainda, no estabelecimento de inovações em termos de design, que passam a ser incorporadas pelas demais empresas do arranjo. Além disso, as grandes empresas também representam um importante mecanismo de transmissão de atitudes empresariais, através do estabeleci- mento de novas firmas por trabalhadores qualificados oriundos dos quadros funcionais dessas empresas.

No Quadro 1, procura-se sintetizar o papel e a importância que assumem tanto os desenhos institucionais como as empresas-líderes na região, no de- sempenho competitivo e inovativo do arranjo moveleiro.

Quadro 1

Papel dos desenhos institucionais e das empresas-líderes no arranjo moveleiro da serra gaúcha

Papel dos desenhos institucionais e organizacionais

Existência de uma cultura associativa que propicia o ambiente necessário para o desenvolvimento de ações conjuntas e de cooperação interfirmas.

Associações e centros de pesquisa como instância de mediação (gatekeepers) entre as empresas do arranjo e fontes de conhecimento e informação externas ao arranjo.

Associações empresariais com participação ativa na organização tanto dos fluxos produtivoscomo dos fluxos de conhecimento no arranjo.

Papel de empresas-líderes no arranjo

Organização de redes de subcontratação que incorporam o segmento de PMEs da região.

Importante participação na qualificação da mão-de-obra local e na trans- missão de uma cultura empresarial.

Estabelecimento de padrões de inovação em design que são incorporados pelas demais empresas do arranjo.

FONTE: VARGAS, Marco Antonio (2001). Sistemas locais de inovação nos países em desenvolvimento: um estudo sobre o processo de aprendizagem tecnológica em arranjos produtivos locais no Bra- sil. Tese (Doutorado) - Instituto de Economia, Universidade Fe- deral do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. (Notas preliminares).

Com relação às vantagens locacionais dinãmicas do arranjo, verifica-se que, apesar de a região da serra gaúcha contar com um núcleo de fornecedo- res de insumos e equipamentos para as empresas do setor moveleiro, a maior parte dos insumos ainda são provenientes de outros estados ou do Exterior. No caso de matérias-primas como chapas aglomeradas e MOF', os principais fornecedores, como Eucatex, Cetipel e Placas do Paraná, encontram-se em São Paulo ou no Paraná. O mesmo ocorre com os principais fornecedores de acessórios plásticos e metais, como puxadores e corrediças. Nesse sentido, a localização das empresas na região não pode ser explicada pela proximidade de fornecedores de insumos. O mesmo se aplica com relação ao principal mercado consumidor para as empresas do pólo moveleiro de Bento Gonçalves, na medida em que a comercialização da produção também se encontra focali- zada em outros estados e no Exterior. Por outro lado, apesar da ausência de um núcleo forte de fornecedores especializados, a região conta com uma série de externai idades dinâmicas ligadas ao perfil de qualificação da mão-de-obra local, a existência de um segmento de empresas com elevada capacitação produtiva e inovativa e com um núcleo de instituições e organizações voltadas à coordenação das relações interempresariais, pesquisa e formação de pes- soal especializado, conforme mencionado anteriormente.

Evidentemente, a criação de incentivos para instalação de fornecedores especializados na região pode representar um estímulo importante para o de- senvolvimento do arranjo moveleiro, particularmente no que se refere a alguns dos insumos-chave, como no caso das chapas aglomeradas de MOF. Na medi- da em que os fornecedores de alguns dos principais insumos se encontram localizados fora da região, a criação de um núcleo de fornecedores especiali- zados pode contribuir para uma redução gradativa nos custos de produção e, conseqüentemente, para o aumento da competitividade do arranjo tanto no mercado externo como no mercado doméstico. Porém as perspectivas de au- mento da competitividade do arranjo não devem se refletir unicamente na redu- ção nos custos de produção, mas também através da promoção de mecanis- mos de aprendizado interativo, envolvendo os diferentes segmentos de atores no arranjo. O desenvolvimento de tais mecanismos de aprendizado tende a se refletir, também, nas estratégias de inserção das empresas do arranjo no mer- cado externo (Maskell, 1996).

5Como essa pesquisa data de período anterior ao Programa de Apoio aos SLPs gaúchos, coor-

denado pelo Governo do Estado do AS, através da 8edai, não estão mencionadas algumas ações que já estão em andamento, como éo caso, principalmente, do protocolo de intenções assinado com a empresa rSDRA para a implantação de uma unidade de MDF no Município de Glorinha, no RS.

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Os resultados da pesquisa revelaram que o Mercosul representa um im- portante mercado de exportação para as empresas do arranjo moveleiro da serra gaúcha. Além de responder por cerca de 30% das exportações nacio- nais de móveis, as exportações das empresas do arranjo têm crescido a taxas consideráveis nos últimos anos (16,5% entre 1998 e 1999). O fato de as expor- tações representarem menos de 7% do valor da produção indica a existência de um elevado potencial de crescimento para as exportações do arranjo, parti- cularmente para os paises do Mercosul. Assim, apesar de o mercado domés- tico representar, ainda, o principal canal de comercialização do arranjo, existe uma clara tendência de aumento da sua inserção no mercado externo.

Porém uma questão fundamental relativa a perspectivas futuras de desen- volvimento desse arranjo refere-se ao tipo de estratégia a ser adotada para ampliar sua inserção no mercado externo. Nesse sentido, tal estratégia tanto pode estar foca da somente na redução de custos de produção como no de- senvolvimento de processos de aprendizado interativo e localizado que permi- tam uma trajetória de desenvolvimento sustentada por inovações incrementais no processo produtivo e pela capacitação em designo

Considerando os desafios impostos pelo contexto de globalização asso- ciado com a internacionalização de mercados, podem-se apontar duas estra- tégias possiveis voltadas a ampliar a inserção de produtores locais em merca- dos globais. Um primeiro tipo de estratégia envolve uma inserção crescente das empresas em cadeias globais de distribuição de móveis. Alternativamente, um segundo tipo de estratégia remete àbusca de nichos próprios de mercado, através da qualificação em designoA análise das trajetórias de evolução em diferentes grupos de empresas moveleiras na serra gaúcha demonstra que ambos os tipos de estratégia seencontram presentes no arranjo (Vargas, 2001).

As principais implicações associadas a cada uma dessas estratégias são esboçadas no Quadro 2.

Dentre as principais sugestões para implementação de políticas especifi- cas voltadas para o desenvolvimento do arranjo local, destacam-se:

- intensificar o esforço de qualificação profissional em design através de instituições locais e da articulação com centros de design no Exterior;

- ampliar os mecanismos de acesso das PMEs do arranjo a programas de capacitação em produção, marketing edesign;

- simplificar mecanismos de financiamento para importação

e

aquisição demáquinas e equipamentos no mercado nacional;

- estimular a abertura denovos nichos de mercado para exportação, par- ticularmente no Mercosul;

- incentivar a participação de produtores locais em feiras nacionais e in- ternacionais através de programas específicos de apoio;

- viabilizar o adensamento do arranjo moveleiro através de políticas de atração de fornecedores especializados em insumos-chave para a re- gião.

Por fim, cabe destacar que a trajetória de desenvolvimento da indústria de móveis na região da serra gaúcha aponta a existência de laços culturais e valores compartilhados que contribuíram para o surgimento de importantes formas de articulação entre os diferentes atores que integram esse arranjo produtivo. A existência desses vínculos costuma ser atribuída a uma caracte- ristica intrínseca da região relacionada a uma herança cultural associativa e empreendedora.

Quadro 2

Estratégias de competição no mercado internacional

DISCRIMINAÇÃO INSERÇÃO EM CADEIAS VENDA DIRETA (nichos

GLOBAIS próprios)

Principal instância de ca- Capacidade de manufatura Eficiência produtiva com dmã-

pacitação (eficiência produtiva) mica inovatlva

Fator de competitividade Baixos custos de produção Qualidade e diferenciação em design

Estratégia de aprendiza- Passiva e limitada àesfera Ativa e associada às esferas

gem tecnológica da produção de design e marketing

Formas de coordenação Geralmente assimétricas e Geralmente simétricas e com da cadeia produtiva baseadas no poder de bar- maior escopo para ação de

ganha dos importadores atores em nível local

Design Desenhos, amostras ou pro- Desenvolvimento próprio de de- [etos predefinidos pelos im- senhas e projetos

portadores

FONTE: VARGAS, Marco Antonio (2001). Sistemas locais de inovação nos países em de- senvolvimento: um estudo sobre o processo de aprendizagem tecnológica em arranjos produtivos locais no Brasil. Tese (Doutorado) - Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. (Notas preliminares).

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Nesse sentido, a cultura associativa intrínseca ao arranjo moveleiro da serra gaúcha reflete-se em um núcleo de instituições especificas de apoio que cumprem um papel importante tanto na promoção de uma maior interação e integração entre os diferentes atores no arranjo como também na organização de processos de aprendizado interativo e inovação, Por exemplo, instituições como Movergs, Sindimóveis e UCS, que atuam ativamente na coordenação das relações interempresariais, no estorço de pesquisa e design e na qualifi- cação da mão-de-obra local. Além disso, a região conta, ainda, com um dos principais centros destinados à formação de mão-de-obra e capacitação tecnológica da indústria moveleira no Brasil, o Cetemo, vinculado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai),

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ro. (Notas preliminares).

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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

SECRETARIA DA COORDENAÇÃO E PLANEJAMENTO

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CONSELHO DE PLANEJAMENTO: Presidente: José AntonioFialhoAlonso. Membros: André Meyer da Silva, Ernesto Dornelles Saraiva, EryBernardes. Eudes Antidis Missio, Nelson Machado Fagundes e RicardoDathetn.

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