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2.2 - Alguns elementos da implementação do Programa de Apoio aos SLPs

2.2 - Alguns elementos da implementação do Programa

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Com base nesses diagnósticos, o grupo definiu estratégias e um plano de ação voltados para o desenvolvimento da cooperação e para o estímulo da efi- ciência coletiva.'

Em sua segunda etapa, foram organizados grupos de trabalho para a formulação e a implementação das ações apontadas. Em cada um dos SLPs, o Governo do Estado atuou no sentido de solucionar os gargalos detectados nos diagnósticos, além de disponibilizar uma rede pública de serviços destinada às empresas. Essa rede possui instrumentos voltados para a inovação e a qualifi- cação produtiva, para a promoção comercial, para o fomento à cooperação e para o crédito. O Programa Extensão Empresarial', por exemplo, constituiu núcleos específicos para atender aos SLPs coureiro-calçadista e moveleiro.

Nos SLPs conserveiro, de máquinas e implementos agricolas e de autopeças, os núcleos regionais do referido programa foram orientados para priorizar empresas desses setores.Todos os SLPs foram contemplados ainda com os programas Redes de Cooperação 10,Apoio à Participação em Feiras Nacionais e Internacionais", Capacitação Empresarial" e Economia Popular Solidária, que promove a implantação de empreendimentos relacionados com a organi- zação de atividades autoqestionárias'". Na área do crédito, foram liberados R$

2,8 bilhões para financiamento às exportações, através do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), até março de 2002. No caso do setor coureiro- -calçadista, cabe citar a linha de crédito especifica lançada para o setor já em

8Os participantes das oficinas e a dinâmica de funcionamento das mesmas estão descri- tos nos relatórios de trabalho efetuados pelo NITEC através de convênio com a Sedai (Zawislak,

P.e Ruffoni,J., 2000).

9 O Programa de Extensão Empresarial, através de convênios com universidades regionais, mantém 26núcleos distribuídos pelas microrregi6es do Estado, sendo que cinco estão focados nas atividades produtivas ligadas aos SLPs. Seus objetivos são os de identificação eresolu- ção de problemas técnicos, gerenciais e tecnológicos nas empresas.

10O Programa Redes de Cooperação, também em parceria com as universidades locais, tem como objetivo organizar empresas, visando à realização de ações conjuntas para facilitar a solução de problemas comuns e viabilizar novas oportunidades.

11 O Programa de Apoio à Participação em Feiras Nacionais e Internacionais está voltado, sobretudo, às micro, pequenas e médias empresas, estando também focado naquelas pertencentes aos SLPs.

12O Programa de Capacitação Empresarial visa treinar pequenos e médios empresários em planejamento, produção, custos e mercado, promovendo cursos que são ministrados atra- vés de convênios com universidades locais.

13No caso do Programa de Economia Popular Solidária, que aSeda idesenvolve através de convênio com universidades e ONGs, foram acompanhados inúmeros empreendimentos volta- dos para a organização de trabalhadores cooperados.

1999, visando, sobretudo, às empresas de pequeno e médio portes. Da mesma forma, o SLP de conservas foi contemplado com linhas de financiamento que oferecem condições especiais a esse setor.

Outra ação que cabe ser citada é a organização dos Centros Gestores de Inovação (CGls), por representarem, ao mesmo tempo, um instrumento capaz de dinamizar a difusão de inovação no tecido produtivo local e de criar o núcleo de governance de cada SLP.14No caso do SLP coureiro-calçadista, esse instrumento está focado no design, tendo sido denominado Centro Inte- grado de Inovação em Design.

Também foram organizadas oficinas com os agentes locais, integrando operadores logísticos, no sentido de definir um programa de logística para os SLPs, justamente uma das questões apontadas como uma das fragilidades sis- têmicas do tecido produtivo gaúcho. Nesse caso, os SLPs mais afetados são os de máquinas e implementos agrícolas e o de autopeças. A modernização do porto de Porto Aiegre foi uma das medidas deste governo que beneficiou o SLP de autopeças, reduzindo custos nas vendas ao Exterior. Ainda na área da infra-estrutura, esse SLP foi beneficiado pela ampliação do aeroporto de Caxias do Sul, pelo aumento da oferta de energia elétrica e pelos investimentos para disponibilização de gás natural na região da Serra. Respondendo a necessidades detectadas no SLP de máquinas e implementos agrícolas, estão sendo realizadas melhorias nos aeroportos de Passo Fundo

e

de Santa Rosa.

No quese refere ao SLP moveleiro, uma das prioridades apontadas pelo grupo de trabalho referiu-se à necessidade da implantação de uma unidade gaúcha produtora de medium density fiberboard (MDF) para resolver um dos principais gargalos produtivos do setor. O primeiro resultado concreto dessa ação será a instalação, pelo Grupo ISDRA, de unidade produtora desses pai- néis de madeira no Município de Glorinha, com um investimento previsto para a primeira planta de R$ 105.000.000,00. O setor foi igualmente contemplado com uma linha de crédito para o desenvolvimento denovos produtos através do BRDE.

14 Os CGls cujos convênios foram firmados no final de 2001 estão voltados para a organização da produção, da inovação tecnológica, produtiva e organizacional, para a aproximação das institui- ções de P&D e de educação do setor produtivo, para o estímulo àprodução eàdifusão de informações a todo o SLP, bem como para propiciar a interação e a cooperação entre os atores locais. Como objetivo geral, foi definido que deverão "( ... ) atuar na produção e difusão da inova- ção em produto, processo, gestão e comercialização, visando otimizar o uso da infra-estrutura técnica, tecnológica, produtiva e de suporte aos segmentos". Dessa maneira, devem contribuir para a modernização industrial das regiões enfocadas por meio do apoio a inovações técnicas e tecnológicas voltadas às empresas dos SLPs, com ênfase na utilização da infra-estrutura laboratorial instalada na região. Sua consecução envolveu a parceria entre a Sedai - responsá- vel pelo repasse de R$ 1.600.000,00 no primeiro ano - e os agentes locais, a quem cabe a gestão dos recursos, bem como a execução dos projetos apresentados.

61 Do ponto de vista da qualificação profissional, iniciou-se uma atividade de definição de demandas e de melhorias das escolas estaduais em conjunto com a Secretaria Estadual de Educação - em cooperação com a Superintendên- cia da Educação Profissional do Estado do Rio Grande do Sul (Suepro) - e com a Secretaria do Trabalho e Ação Social. Nesse sentido, foi encaminhado projeto ao Ministério da Educação, resultando na obtenção de recursos da ordem de R$ 7,3 milhões, para qualificação de seis escolas técnicas, contem- plando os SLPs de máquinas e implementos agrícolas, de conservas, moveleiro e coureiro-calçadista, além dos setores plástico (fornecedor do SLP coureiro- -calçadista) e cerãmico.

No SLP de conservas, foi formatado um acordo de cooperação tecnológica com o Centre de Coopération Intemationale en Recherche Agronomique pour le Oeveloppement (CIRAO), da França. Esse acordo tem por objetivo estabele- cer relações de cooperação com vistas ao desenvolvimento de programas e ao intercãmbio no ãmbito da tecnologia de processamento alimentar e das tendências dos agronegócios, bem como desenvolver atividades comuns, que possibilitarão a expansão de tal colaboração.

3 - Conclusão

o

Programa de Apoio aos SLPs, coordenado pelo Governo gaúcho atra- vés da Sedai, em sua gestão 1999/02, tem corno principal objetivo a transfor- mação de certas aglomerações produtivas já existentes em SLP. O alcance desse objetivo passa, necessariamente, pelo enfrentamento de questões rela- cionadas àpromoção eàdifusão homogênea da inovação num contexto inter- nacional de centralização do capital, no qual as principais indústrias são domi- nadas por oligopólios organizados em escala mundial.

Sua proposta parte precisamente do reconhecimento dos limites de uma administração estadual ou local em gerenciar variáveis macroeconômicas, par- ticularmente taxas de juros e taxas de cãmbio. Esses limites e vantagens reme- tem ao espaço possível de construção do capital social de cada SLP e de atuação do Governo do Estado. Somente nesse cruzamento entre macro e micro, entre instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento e empresas, entre setor público e setor privado, entre capital e trabalho é possivel construir um pacto regional que garanta a competitividade coletiva.

De certa forma, parece extremamente contraditória a tentativa de estabele- cimento de laços de confiança - base da criação do capital social - num ambiente macroeconômico e internacional adverso a uma atuação indutora das potencialidades regionais de parte do Estado. Entretanto a adoção desse programa parte justamente do pressuposto de que essa passagem só é possí-

vel pela intermediação efetiva de um governo, enquanto representante do públi- co (Johnson B. e Lundval B.,2000)'5, no sentido de democratizar as informa- ções, de ampliar as sinergias e de discutir as estruturas de poder (em todos os sentidos) no interior de um arranjo produtivo local.

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Nota técnica 10).

15Para Johnson B. e Lundval B. (2000), "( ...) capital social como expressão de um sistema local de produção só pode ser pensado e organizado a partir da esfera do público, sendo incompatível sua organização a partir da ótica do privado",

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