Nesta parte do artigo, o objetivo é realizar uma análise à luz dos conceitos de redes de empresas e SLllPs. Para isso, são descritos os elementos consti- tuintes e os dinamizadores verificados em cada uma das quatro redes de em- presas. As informações apresentadas são um resumo dos resultados obtidos nas oficinas de grupo focal e representam a percepção dos agentes envolvidos nas redes de empresas.'
5.3.1 - Conservas
A indústria de conservas vegetais no Rio Grande do Sul está situada na zona sul do Estado, mais especificamente na região de Pelotas, considerando ainda os Municípios de Morro Redondo, São Lourenço do Sul, Canguçu, Capão
6Considera-se grupo focal um determinado número de pessoas reunidas em um mesmo lugar a fim de discutir um tópico de interesse comum. Utiliza-se a técnica de oficinas de trabalho com grupo focal no intuito de buscar novas idéias para reforçar dados secundários, oriundos de cadastros, relatórios, diagnósticos e publicações em geral. Tal ferramenta fornece evidências subjetivas como, por exemplo, o conhecimento sobre o assunto abordado, tendências do setor e definição de ações.
7A primeira oficina não foi realizada para a rede de empresas de autopeças.
BTodas as informações citadas estão mencionadas nos relatórios de cada rede de empresas, de autoria do Nitec, conforme citados na Bibliografia.
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do Leão, Herval do Sul, Arroio Grande, Pedro Osório e Piratini. Éuma localiza- ção apropriada à produção de frutas e hortaliças. Caracteriza-se pelo clima temperado e pelo porte pequeno da maioria das propriedades - unidades familiares -, que fornecem matéria-prima - produtos
in natura -
para o processamento industrial.A atmosfera industrial da rede de empresas de conservas é definida como específica. Tal característica pode ser observada na produção de "pês- sego em conserva", sendo este o produto mais importante da região. Além da cultura do pêssego, outros produtos locais demandados pela indústria eque reforçam a especificidade da rede são o milho doce, o pepino, o aspargo, o morango, o figo e a abóbora.
Em relação àinfra-estrutura pública, não há uma oferta apropriada de serviços fundamentais, visto queos participantes mencionaram a necessidade de realização de investimentos em estradas, escolas, sistema de irrigação e diferentes formas de comunicação.
Há um conjunto de instituições queconstituem a infra-estrutura de apoio científico e tecnológico para as empresas dessa rede, como, por exemplo, a Emater e a Embrapa. Uma neoessidade mencionada pelos participantes das oficinas foi a criação de um centro tecnológico de alimentos, queteria o objetivo de realizar pesquisas e formar recursos humanos qualificados.
Além 61SS0, observa-se a existência de instituições, como universidades e centros tecnológicos locais, que poderiam apoiar no processo de desenvolvi- mento; entretanto, segundo os participantes, tais instituições não apresentam uma dinàmica adequada às necessidades da rede.
Noque tange à infra-estrutura privada, destaca-se a carência de profis- sionais especializados e assistência técnica insuficiente para atender às ne- cessidades das empresas.
Emtermos de infra-estrutura institucional, constatou-se que não há ne- cessidade de serem criadas muitas outras estruturas, mas, tão-somente, de serem refeitas as relações entre as instituições.
Alocalização geográfica da rede é próxima, situando-se principalmente na região de influência de Pelotas. Os agentes envolvidos com essa rede, que participaram das oficinas de trabalho, ressaltaram a localização das empresas integrantes como umavantagem para esse setor industrial.
A forma de interação é predominantemente direta. Existem relações de jusante a montante da cadeia produtiva, desde os produtores rurais até os consumidores finais, prevalecendo umacomplementaridade, principalmente, comercial.
As diferenças econõmicas entre os elos da cadeia produtiva dessa rede refletem-se na capacidade dedesenvolvimento denovos produtos, resultando na inexistência de relações para complementaridade produtiva e tecnológica.
É válido mencionar que há, atualmente, um esforço maior de "cooperação" do que havia no passado, apesar de essa atitude ainda ser incipiente.
A respeito dopadrão de coordenação da rede de empresas de conser- vas' não existe nenhum comitê-gestor, nem a coordenação via empresa-líder.
Sobre esse assunto, foi referida a criação de uma Câmara Setorial, que teria como função extrapolar para a esfera política questões referentes àcapacitação setorial. É importante mencionar que essa forma de coordenação difere da idéia da central de gerenciamento da rede, no sentido de que, na Câmara Setorial, ainda não prevalece um modelo dinâmico de coordenação, conforme explicado na seção 4.2 deste artigo.
5.3.2 - Moveleiro
A rede de empresas do setor moveleiro da serra gaúcha compreende, preferencialmente, os Municípios de Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Farroupilha, Caxias do Sul, Garíbaldi, São Marcos e Antônio Prado. Essa rede responde por mais de 70% do faturamento setorial em nível estadual, sendo que apenas o Município de Bento Gonçalves é responsável por 45% das ven- das totais da indústria moveleira do Rio Grande do Sul.
Aatmosfera industrial dessa rede é especifica. A especificidade tecno- lógica e produtiva é observada na produção de móveis residenciais, que repre- sentam 92% do total fabricado, móveis para escritório, 7%, e móveis institu- cionais, 1%.
Ainfra-estrutura privada dessa rede de empresas é a própria cidade de Bento Gonçalves, com suas escolas, seus profissionais, seu comércio, etc., que estão envolvidos com as atividades da indústria moveleira. Em relação aos serviços técnicos, verificou-se a inexistência de programas de treinamento e de capacitação direcionados a profissionais da área do varejo.
Sobre a infra-estrutura de apoio cientifico e tecnológico, os participantes das oficinas consideraram as universidades e os centros tecnológicos localiza- dos próximos a essa rede de empresas fontes de inovação. Com vistas a melhorar a estrutura existente, foi sugerida a criação de um centro de design, que deve servir para o desenvolvimento de produtos e contar com a participa- ção de diferentes instituições (empresas, universidade, centros tecnológicos, etc.).
Questões referentes à infra-estrutura pública foram pouco referidas, sa- lientando-se a necessidade de investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias.
O padrão de relacionamento estabelecido entre os integrantes dessa rede, o que representa a infra-estrutura institucional, necessita de modificações no sentido de serem estabelecidas mais relações de cooperação. Como exemplo, menciona-se o fato de que as empresas dessa rede, normalmente, buscam
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tecnologias atualizadas em mercados de outros países. Esse fato dificulta o estabelecimento de relações mais sólidas entre os elos de fornecimento e im- pede o desenvolvimento de empresas nacionais produtoras de bens de capital para o setor moveleiro.
Alocalização geográfica é caracterizada como próxima e foi ressaltada pelos integrantes da rede como uma vantagem para esse setor industrial.
A interação é predominantemente indireta. A atuação no mercado, em grande parte das vezes, ainda privilegia a competição e não a cooperação. Os participantes das oficinas de trabalho acreditam que, se as empresas formas- sem uma "verdadeira" rede, poderiam investir na busca por economias de escala na valorização dos produtos e também na distribuição destes.
Nessa rede de empresas, não exístem relações formaís para comercialização, produção e desenvolvimento tecnológico, umavez que faltam fornecedores de novos materiais (como MDF e aglomerado) e a produção nacional de máquinas e equipamentos tecnologicamente atualizados é reduzi- da, dentre outros aspectos. Portanto, não hácomplementaridade comercial, produtiva ou tecnológica. A complementaridade gerada ocorre na forma de economias de localização.
Quanto ao padrão de coordenação, de acordo com o conceito descrito na seção 3.5, é inexistente, não havendo nem um comitê-gestor, nem uma empresa-líder.
5.3.3 - Máquinas e implementos agrícolas
A rede de empresas de máquinas e implementas agrícolas está situada no noroeste do Rio Grande do Sul, na chamada Região da Produção, onde estão localizadas as cidades de Ijuí, Santa Rosa, Santo Ângelo, dentre outras.
A produção dessa rede distribui-se da seguinte forma em termos de faturamento:
colheitadeira (30%), plantadeira e semeadeira (25%), silos e armazenagem (15%), trator (10%), implementas agrícolas diversos (10%), peças (7%) e equi- pamentos para irrigação (3%).
Em relação àatmosfera industrial, a rede de máquinas e implementas agrícolas pode ser considerada específica. De forma geral, as empresas têm conhecimento dos elos que constítuem a cadeía e estão dedícadas a constítuír uma identidade industrial única. Entretanto ainda estão distantes da constru- ção de estratégias conjuntas. Há disparidades entre as empresas, como o fato de as de maior porte deterem o conhecimento dasnovas tecnologias, enquanto as menores acompanham o desenvolvimento daquelas, ou seja, são seguido- ras.
Ainfra-estrutura do tipo institucional, segundo os participantes das ofici- nas de trabalho, não se constitui como um fator relevante para o fortalecimento
da rede, sendo pouco mencionada. Já a infra-estrutura pública está aquém das necessidades do setor, especialmente no que diz respeito ao transporte rodoviário. Também foram referidas deficiências em telefonia, estradas e ener- gia. Outra dificuldade encontrada está relacionada com a infra-estrutura priva- da, pois há carência de profissionais, consultorias, serviços técnicos, dentre outros.
Em relação à infra-estrutura de apoio científico e tecnológico, existem universidades e centros tecnológicos, tendo sido destacada a necessidade de aprofundar a relação entre estes e as empresas. Além disso, foi sugerida a criação de uma "rede virtual", com informações sobre fontes de financiamento, cadastro de empresas e instituições, e que poderia proporcionar a criação de um centro de tecnologia e apoio. Tal centro teria como objetivo oferecer, por exemplo, formação de mão-de-obra, atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ievantamento das demandas do setor, organização de palestras e visitas, avaliação de projetos, etc.
A localização das empresas que fazem parte da rede é relativamente próxima, uma vez que as principais empresas estão locaiizadas na região no- roeste do Estado. Porém importantes fornecedores têm suas sedes em locall- dades mais distantes, como na Região Metropolitana de Porto Alegre. Na opi- nião dos participantes das oficinas de trabalho, a caracteristica da localização não impede o desenvolvimento do setor industrial.
Nessa rede, constata-se que a interação ainda é, na maior parte das vezes, de forma indireta. Algumas relações diretas são observadas, já existin- do, por parte dos empresários, uma conscientização da necessidade de tornar as relações tanto horizontais quanto verticais, pois é isso que permitirá a ob- tenção de complementaridade e de externalidades positivas.
Acomplementaridade é gerada através das relações comerciais. Refe- rente a esse aspecto, já existem iniciativas para serem desenvolvidas, além das relações comerciais, também relações produtivas.
Por fim, foi analisada aforma de coordenação existente na rede. Verifi- cou-se que a coordenação não é realizada nem por um comitê-gestor, nem por uma empresa-lider. De fato, a rede ainda não possui uma coordenação defini- da, estando em fase de fortaiecimento das relações entre os agentes integran- tes.
A respeito dessa questão, os participantes sugeriram uma maior coorde- nação por meio da Câmara Setorial. Uma ação proposta, que poderia ser realizada a partir de uma melhor estruturação dessa câmara, é a criação de um fundo de desenvolvimento setorial. O mecanismo de coordenação via Câ- mara Setorial difere da idéia da central de gerenciamento da rede, pois ainda não há predominância das caracteristicas de um modelo dinâmico de coorde-
nação,
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5.3.4 - Autopeças
A indústria automotiva do Rio Grande do Sul ocupa um lugar de destaque no Estado, contando com mais de 200 empresas fornecedoras de autopeças.
A rede de autopeças é composta, em sua grande maioria, por micro e peque- nas empresas que se localizam na região da serra gaúcha. mais especifica- mente em Caxias do Sul.
Assim como nas demais redes analisadas, a atmosfera industrial de auto-peças é específica. A rede de autopeças destaca-se por apresentar uma transferência de conhecimentos e de tecnologias, apesar de possuir empresas em diferentes estágios de desenvolvimento tecnológico. Foi ressaltado o esta- belecimento de parcerias entre empresas e também com instituições de ensino e pesquisa como um mecanismo de geração e de difusão de inovações. Outra questão analisada se refere ao fortalecimento do setor, pois já existe uma visão mais ampla "de rede" e do papel das diferentes empresas (elos da cadeia).
A rede de autopeças beneficia-se das condições de infra-estrutura institucional, pública e privada, sendo que as maiores dificuldades manifesta- das pelos participantes das oficinas de trabalho são quanto àinfra-estrutura pública. Nesse sentido, há necessidade de qualificar o transporte através da melhoria da malha rodoviária, dos portos e dos aeroportos, sendo desejado o investimento em transportes alternativos, como as ferrovias.
Sobre a infra-estrutura de apoio científico e tecnológico, chama atenção a preocupação dos agentes integrantes dessa rede com a tecnologia produti- va, tendo sido mencionada a necessidade de criação de centros tecnológicos e escolas técnicas. Também foi destacada a necessidade de melhorar a interação entre universidades e empresas, para, por exemplo, formar recursos humanos.
Alocalização geográfica pode ser descrita como relativamente próxima.
Muitas empresas se localizam na serra gaúcha, outras estão próximas da capi- tal do Estado, e existem aquelas que ficam em regiões mais distantes. De uma maneira geral, aquelas que estão na serra são beneficiadas pela maior possi- bilidade de interação.
Diferentemente das outras três redes de empresas, a interação nessa rede é direta, observando-se relações verticais e horizontais e também rela- ções de desenvolvimento tecnológico conjunto. A respeito dacomplementa- ridade, constata-se a existência de relações comerciais, produtivas e tecnoló- gicas, verificadas no estabelecimento de parcerias entre empresas e com ou- tros agentes - universidades, centros tecnológicos, etc. É importante ressal- tar que, nessa rede de empresas, se observa, com bastante clareza e diversa- mente das outras redes analisadas, a existência de uma cadeia produtiva.
Sobre a coordenação, assim como nas demais, não está evidenciado nem um comitê-gestor e nem uma empresa-lider. Entretanto énessa rede que se verificam, de forma explícita, condições de estabelecimento de um comitê- -gestor.
A partir da descrição das principais características das redes de empre- sas foi elaborado o Quadro 3.
Quadro 3
Características predominantes de quatro redes de empresas no RS
I
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NAÇÃO
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I
Próxima DiretaI
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cientifico e Setorial
tecnológico I regional
Movetetrc Específica Institucional e
I
Próxima Indireta [ Economias de INão háprivada (Bento localização Iempresa-líder,
Gonçalves) nem comitê-
'. i
-qestorMáquinas Específica Pública Relativa- ]Indirela e Comercial e
I
Maioreimple- mente direta produtiva icoordenação
mentes próxima I ivia Câmara
agrícolas (Região
1
ISetorial
. Noroeste) regional
AlJtppeça~ Especifica Institucional, Próxima Direta Comercial, Não há pública, priva- (Caxias do produtiva e empresa-líder
da e de apoio Sul) tecnológica Observam-se
científico e condições
tecnológico para a criação
de um comitê- -qestor (1) Estão mencionados aqui aqueles tipos de infra-estrutura que mais se destacam em cada uma das redes de empresas
Constata-se que as redes de empresas analisadas estão em níveis tecnológicos e de interação bastante distintos. Assim, é possível classificá-Ias considerando uma escala da menos desenvolvida tecnologicamente e integra- da até a mais desenvolvida e integrada. Assim, ordenam-se as redes da se- guinte maneira: conservas, moveleiro, máquinas e implementos agrícolas e autopeças, conforme a ordem exposta no Quadro 3.
Analisando-se o Quadro 3, verifica-se que as quatro redes de empresas apresentam, em geral, características adequadas nos elementos constituintes, porém não se pode concluir o mesmo a respeito dos elementos dinamizadores, os quais são essenciais para torná-Ias Sistemas Locais de Inovação e Produ- ção. Conclui-se, portanto, que as quatro redes de empresas ainda não podem
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ser classificadas como SLl/Ps. Para tanto, as questões do trinômio aprendiza- gem-cooperação-capacitação tecnológica devem ser melhor desenvolvidas por cada uma das redes, visando àgeração de inovações, além do processo de produção.
Para completar a análise, são apresentadas ações que foram relatadas pelos agentes envolvidos nas redes de empresas que participaram das oficinas de trabalho, e que refletem as necessidades de melhorias. As informações das quatro redes estão agrupadas nos tópicos de aprendizagem, cooperação e capacitação tecnológica, pelo fato de representarem os primeiros passos em direção a um SLl/P.
5.4 - Ações necessárias às redes de empresas?
Em relação àaprendizagem, observa-se que algum tipo de financiamen- to para a geração desta é necessário para todas as quatro redes de empresas, o que remete àquestão da infra-estrutura existente. Além disso, a interação entre os agentes que constituem as redes é vital para que o processo de aprendizagem se torne dinãmico. Podem-se citar as seguintes ações necessá- rias para as quatro redes: parcerias entre empresas e centros tecnológicos ou universidades, intercãmbios entra centros tecnológicos, identificação das ne- cessidades de qualificação da mão-de-obra nos diterentes níveis das cadeias de valor, qualificação dos instrutores dos cursos técnicos e oferta de cursos que reflitam a atual realidade tecnológica dessas redes de empresas.
A questão da cooperação refere-se ao relacionamento tanto entre clien- tes e fornecedores, como entre empresas concorrentes, empresas e universi- dades ou centros tecnológicos, etc. Nesse sentido, foram destacadas ações para as quatro redes de empresas analisadas, que vão desde a necessidade de estruturação da própria cadeia produtiva, como é o caso da rede de empre- sas de conservas, até a necessidade de coordenação da cadeia (já estruturada), como é o caso da rede de empresas de autopeças.
Somando-se a isso, existem ações que refletem uma necessidade de modificação da questão cultural. Em geral, observa-se que as empresas atuam de forma individual no mercado, não agindo de forma cooperativa. Assim, foram propostas açôes que dizem respeito àcriação de um canal de relaciona- mento ético, coerente e transparente, à implantação de relações de coopera- ção, àrealização de palestras e de visitas no sentido de incentivar parcerias, dentre outras.
9Todas as informações citadas estão mencionadas 'lOSrelatórios de cada rede de empresas, de autoria doNitec. conforme citados na Bibliografia.
A geração de capacitação tecnológica na rede é um processo que vai além da geração dessa capacitação nas empresas individualmente. Para que exista esse processo, os conhecimentos e as inovações tecnológicas devem fluir, permitindo que, de forma cooperativa e coletiva, todos tenham acesso às melhorias e aos beneficios. Nessa questão, foram destacadas ações como:
implantação de centros tecnológicos especificas, criação de grupos técnicos especializados, articulação para participação em feiras e eventos internacio- nais, conhecimento sobre centros tecnológicos ligados às redes e estimulo para realização de convênios com centros de pesquisas, dentre outros.
Enfim, vários são os aspectos a serem trabalhados. Entretanto é impres- cindivel compreender que a geração de redes de empresas mais competitivas não significa somente colocar as ações necessárias em prática, é preciso algo mais, é preciso haver gerenciamento da rede, ou, como explicado anterior- mente, uma central de gerenciamento da rede.
6 - Considerações finais
A análise de quatro redes de empresas no Rio Grande do Sul permitiu identificar a necessidade de transformá-Ias em Sistemas Locais de Inovação e Produção. A transformação das redes não é somente uma questão de melho- rar as relações entre os agentes integrantes, mas também de qualificar esses agentes, seja em termos de atualização tecnológica dos centros de pesquisas, por exemplo, seja em termos de modificação da cultura para a cooperação.
Considerando o ambiente de "hipercompetição" dos mercados, é inviável pensar em uma rede de empresas competitiva se não houver uma dinâmica inovativa, ou seja, um processo de geração de inovações que reverta em agre- gação de valor aos produtos e processos produtivos e. assim, em diferencial competitivo. Para tanto, é indispensável a existência do trinômio: aprendiza- gem-cooperação-capacitação tecnológica.
Essa parece ser uma alternativa apropriada para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas, principalmente para um país com as caracte- risticas industriais do Brasil, frente a processos como a penetração de gran- des empresas multinacionais no mercado interno, o aumento do poder de mer- cado das grandes empresas, via mecanismos de fusôes e aquísíções, dentre outros.
É importante destacar que as quatro redes de empresas examinadas apre- sentam aspectos essenciais para um desenvolvimento mais completo, que são:
a localizaçâo geográfica próxima (ou relativamente próxima) e uma atmosfera industrial específica. O que falta são, principalmente, aqueles aspectos refe- rentes à cooperação, à inovação e à coordenação sistêmica da rede.
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