1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.3 A elaboração do projeto
Os esforços orientaram-se na direção de que o aluno fosse capaz de definir as estratégias de que lançará mão para saber fazer o uso mais condizente com suas expectativas e objetivos. A finalidade essencial é a promoção da emancipação do leitor, bem como sua promoção à categoria de sujeito coautor do texto.
sociais mais visitadas; quanto à interatividade, foi sondada as reações dos alunos frente aos hipertextos, bem como se eles costumam se manifestar, com suas opiniões, num ambiente virtual sobre algum texto.
Os questionários pretenderam também levantar o estado em que os alunos se encontram no manejo das atividades de pesquisa escolar na internet, perscrutando a frequência com que acessam a rede para tal fim, a ocorrência desse tipo de atividade por requisição de outros professores e se costumam encontrar facilidades ou não na busca de determinado assunto a ser pesquisado.
Houve, portanto, durante o processo investigativo, a preocupação de minha parte em tentar perceber ou capturar as impressões ou visões dos alunos, isto é, os aspectos subjetivos ou o universo conceitual, tomados como constitutivos de um dado contexto socioeconômico e cultural que os alunos integram, acerca de temas por eles elegidos como relevantes para o debate.
2.3.2 Atividades planejadas para compreensão da leitura
Após levantamento com a turma, averiguei que meus alunos trazem experiências e práticas no uso de novas tecnologias e serviços da internet, onde realizam leituras de interesses próprios. Com isso, as atividades foram selecionadas e direcionadas por mim, a fim de que os alunos pudessem modificar seus hábitos e modos de leitura na internet e tornarem- se leitores mais críticos e proficientes.
Procurando seguir as orientações de Solé (1998), expostas neste trabalho, a fim de envolver e capacitar os alunos na compreensão da leitura de crônicas impressas e na internet, formulamos algumas questões voltadas para estratégias a serem realizadas antes, durante e depois da leitura. Estas estratégias de leitura ajudam os alunos no processamento de diferentes textos, tornando-os capazes de interagir com os textos, relacionando seu conhecimento com as informações textuais e assim adquirindo novos conhecimentos.
Antes, deve-se afirmar que as características do gênero crônica foram levantadas a partir da leitura de duas crônicas impressas, uma voltada, por seu próprio autor, para a caracterização do gênero. Na sala de informática, os alunos foram divididos em grupos para a leitura de duas crônicas na internet, selecionadas por mim, a partir do tema “racismo”
escolhido e trabalhado pela turma.
Com o intuito de compreender a leitura, os alunos realizaram as atividades planejadas com base nas estratégias assinaladas por Solé (1998):
Perguntas exploratórias para antes do texto:
As questões direcionadas para antes do texto remete o leitor aos seus conhecimentos prévios como forma de otimizar a compreensão de textos na medida em que aguça o leitora elaborar previsões ou hipóteses.
O que você gostaria de compartilhar conosco sobre o assunto trazido pelo título do texto?
Você tem alguma dúvida ou curiosidade sobre o assunto colocado no título do texto?
Quais são suas expectativas sobre o texto?
Qual é o autor do texto? Você já ouviu falar sobre ele?
Ao acessar o site, além do texto, o que você encontrou no conteúdo da página (links, imagens, desenhos, gráficos)? Quais te chamaram mais atenção?
Que fatos podem estar presentes numa crônica? De que forma?
Em quais meios de comunicação podemos ler crônicas?
Perguntas exploratórias para durante o texto:
As perguntas foram formuladas com o intuito de levantar informações explícitas no texto, formular previsões sobre o texto a ser lido, confirmar ou refutar aquelas levantadas previamente, e capazes de suscitar inferências pelos alunos. O leque de questões abaixo não foi necessariamente trabalhado numa única atividade, mas selecionado conforme as atividades de leitura das crônicas.
Que situação de comunicação encontramos no primeiro momento do texto?
Foram apresentados dados que complicaram a situação anterior?
O texto apresenta personagens? O que se pode afirmar sobre eles?
O texto retrata fatos do cotidiano? Quais fatos são esses?
Você já vivenciou ou já ouviu falar de uma situação parecida com a do texto?
Há palavras desconhecidas? Quais? Elas atrapalham o entendimento do texto?
O texto apresenta uma linguagem formal ou informal?
Você acessou algum link contido no texto ou na página?
O link acessado estava relacionado ao assunto do texto?
O link acessado teve importância para o esclarecimento e aprofundamento do assunto abordado no texto?
Perguntas exploratórias para depois do texto:
Segundo Solé (1998, p.75), assim como em perguntas realizadas durante a leitura, encontraremos aqui “as dirigidas a recapitular o conteúdo, a resumi-lo e a ampliar o conhecimento que se obteve durante a leitura”.
Que assunto foi abordado no texto?
Suas hipóteses foram confirmadas?
Que passagem do texto te chamou mais atenção? Por quê?
O texto confirmou as expectativas traçadas imaginadas por você anteriormente?
Você acessou outros links ou sites antes ou durante sua leitura? Por quê?
Cabe lembrar que as questões elencadas acima variam de acordo com os conteúdos e características das crônicas analisadas, sendo elas alvo de readaptações, exclusões ou inclusões.
2.3.3 Fases da intervenção
A intervenção foi calcada na realização das fases abaixo, subdividas em passos realizados, orientados e observados por mim. Importante frisar que as fases (2ª e 3ª fases) que se dedicaram exclusivamente à leitura de textos (impressos ou digitais) incluíram, em suas atividades, planejamento de leitura com base nas estratégias assinaladas por Solé (1998), ou seja, de aplicação de perguntas para antes, durante e depois da leitura.
1ª fase – Diagnose da prática com a internet
Passo – Aplicação de um questionário a fim de diagnosticar as práticas de uso da internet pelos alunos. Buscamos levantar dados a partir das seguintes preocupações:
Acessibilidade. Neste tópico a intenção foi de investigar se o aluno tinha acesso ao ambiente digital e em quais condições (suportes utilizados, frequência e tempo disponibilizado) era realizado tal acesso. Para tanto, essa parte do questionário valeu-se das seguintes perguntas:
• Você tem acesso à internet?
• Em qual período do dia você mais acessa a internet?
• Com qual suporte (celular, táblete, computador)?
Intencionalidade. Neste tópico, a preocupação foi saber quais as finalidades, as intenções ou motivações que levam os alunos a acessarem a internet. Foram elaboradas, para este levantamento, as seguintes questões:
• Quais assuntos ou conteúdos você mais procura na internet?
• Quais sites e/ou redes sociais você visita mais?
Interatividade.Neste tópico, tratou-se de levantar e/ou investigar os níveis de interação, habilidades ou expertises das relações nas quais os alunos se defrontam diante de links e hipertextos. Para tal mapeamento foram elaboradas as seguintes questões:
• Quando você está lendo um texto na internet, já aconteceu de aparecer um outro texto ou links que você tenha achado mais interessante ou que tenham te levado por outros caminhos de leitura?
• Você já deu sua opinião em algum site e/ou redes sociais sobre algum texto?
Internet e pesquisa escolar. A intenção deste tópico foi investigar aspectos relativos ao grau de envolvimento da prática de pesquisa na internet, seja dentro ou fora do ambiente escolar, e requeridos pelos professores. Procurou-se averiguar, desta maneira, a recorrência ou não da relação existente entre práticas de aprendizagem (consultas, pesquisas, leituras diversas) acionadas por outras disciplinas por meio do uso da internet. A investigação acerca do grau de recorrência e das modalidades de requisição ou fomento da pesquisa escolar na internet envolve necessariamente procurar saber sobre as habilidades dos alunos no uso de instrumentos de busca de determinados assuntos ou conteúdos. Para tal intento, elaboramos como questões as que seguem abaixo:
• Algum professor já utilizou a internet para facilitar sua aprendizagem na disciplina?
• Você costuma fazer trabalhos escolares recolhendo conteúdos da internet? Com qual frequência?
• Você consegue encontrar facilmente o assunto que deseja na internet ou algo te deixa confuso?
2ª fase – Conhecimento do gênero crônica
Passo 1 – Utilizando-se de textos impressos, trabalhamos na sala de aula com leituras de duas crônicas (a “Carta de Pero Vaz de Caminha”, no anexo A – Texto I, e o “Exercício da
Crônica”, de Vinícius de Moraes, no anexo A – Texto II) a fim de que os alunos conheçam suas características e se familiarizem gradativamente com o gênero. Como formas de introdução aos textos e motivação para as leituras, utilizamos a internet na sala de informática.
Passo 2 - Foram levantadas observações sobre os textos lidos, em comunhão com os alunos, orientando-os na identificação e arrolamento das características básicas ou comuns às crônicas.
3ª fase – Trabalhando a compreensão da leitura na internet
Passo 1 – A apresentação de seminários voltados para escolha do tema das crônicas a serem lidas na internet.
Passo 2 – Após o levantamento realizado na primeira fase, acerca dos conteúdos que os alunos procuram ou acessam na internet, escolhemos,com a apresentação dos seminários, um tema que atravessasse a leitura das crônicas. A intenção foi promover a sensibilização da leitura das crônicas a partir de temas que estão afinados com os interesses dos alunos.
Passo 3 – Na sala de informática, os alunos foram divididos em grupos. Apresentei um blogue e um site que continham cada qual uma crônica com o tema escolhido para a leitura na internet. No primeiro, trabalhamos a crônica “De Repente Descobre-se o Racismo”, de Tony Nakatani8 (anexo A – Texto III) e, no segundo, a crônica “Racismo” de Luis Fernando Verissimo (anexo A – Texto IV), trabalhada no site Geledés – Instituto da Mulher Negra,9. Nesse momento, fui observando o percurso de leitura dos grupos na internet, atentando para as habilidades dos alunos com os hipertextos. Foram realizadas, conforme os pressupostos teóricos deste trabalho, questões para antes, durante e depois da leitura.
2.3.4 Critérios para avaliação dos dados
Após a exposição dos critérios para a avaliação dos dados, farei uma análise quantitativa e qualitativa de todos os dados que foram levantados a partir do questionário respondido pelos
8Disponível em <https://ficcaoenaoficcao.wordpress.com/2014/05/06/cronica-de-repente-descobre-se-o- racismo/>.
9Disponível em <http://www.geledes.org.br/plano-de-aula-um-exercicio-sobre-o-texto-racismo-de-luiz-fernando- verissimo/#gs.null>.
alunos, assim como o relato e análise das aulas realizadas, observadas, gravadas e fotografadas (apêndice C), embasada nos pressupostos teóricos apresentados nesta dissertação.
Num primeiro momento, apresento, por meio de gráficos e tabela, uma análise quantitativa e qualitativa das respostas do questionário aplicado para diagnose da prática do uso da internet pelos sujeitos da pesquisa, com vários objetivos, a destacar a pretensão de verificar as possibilidades de acesso à internet pelos alunos, sua intencionalidade, frequência da interatividade, de realização de pesquisas na internet, dentre outras práticas. Enfim, o levantamento de dados realizado através do questionário - proposto a perscrutar as diferenciadas práticas e rotinas de leitura estabelecidas pelos alunos através do uso da rede mundial de computadores – será alvo tanto de uma exposição do seu significado quantitativo quanto de uma detida análise crítica.
Cabe registrar que esta fase revelou-se muito importante tanto para a pesquisa quanto para minha prática docente, pois, a partir dela, pude averiguar e conhecer melhor os diferentes textos acessados e lidos pelos alunos na internet, as percepções e o tratamento dispensado aos hipertextos e às suas práticas e/ou habilidades mais apuradas e frequentes no uso da internet.
Foi também uma oportunidade a mais para que eu estabelecesse uma ligação socioafetiva e cognitiva mais próxima deles, conhecendo-os de forma mais detida e particularizada, em comparação à rotina cotidiana inerente às atividades escolares.
Num segundo momento, realizo os relatos de atividades, seguidos de reflexões sobre o processo interventivo (desenvolvimento e resultados) realizado com os alunos, tanto em sala de aula quanto na sala de informática. Trata-se de um momento em que se sobressai a análise crítica qualitativa acerca do processo de ensino-aprendizagem com a leitura do gênero crônica, tanto em textos impressos quanto em textos digitais, dos diferentes temas trabalhados. Importa, nesta ocasião, situar os limites e avanços conseguidos durante o processo de intervenção, cotejando-o com a literatura teórica adotada, ou seja, procurar-se-á considerar nas análises as imbricações entre teoria e prática, ou melhor, de que forma se deram as interações entre o corpo teórico adotado e as práticas de leituras realizadas, seus limites, dificuldades ou interrupções, avanços ou conquistas, bem como a presença de contradições.
3.0 RELATOS E ANÁLISES DAS ATIVIDADES REALIZADAS
Esmiuçarei o questionário e os relatos das atividades realizadas tendo a preocupação de organizar sua exposição de acordo com as fases e os passos apresentados acima. Além disso, sempre que necessário, realçarei os aspectos teóricos que subjazem as práticas desenvolvidas na intervenção. Não se trata de replicar todo o arsenal teórico-metodológico já exposto na fundamentação teórica deste trabalho, mas sim de apenas mencionar ou indicar para qual lastro teórico as atividades atentam ou se vinculam.
Cabe registrar que as quatro atividades realizadas com os alunos (mesmo aquelas cujas leituras foram feitas em textos impressos) lançaram mão do recurso da internet, tais como vídeos, sons, imagens, isto é, diferentes semioses, a fim de enriquecer as atividades, motivar ou seduzir os alunos para os temas trabalhados e recuperar suas experiências e vivências com o uso da internet e dos computadores.
3.1 Questionário respondido pelos alunos
A análise quantitativa e qualitativa das respostas realizadas pelos alunos ao questionário aplicado se refere às preocupações desta pesquisa em aprofundar o conhecimento sobre as práticas que envolvem as relações dos alunos com a internet. Nesse sentido, levantamos informações acerca dos seguintes tópicos: acessibilidade, intencionalidade, interatividade e pesquisa escolar na internet. A cada tópico, foram produzidas algumas questões consideradas relevantes, expostas acima, quando descrevemos a 1ª fase de intervenção intitulada “Diagnose da prática com a internet”.
É necessário assinalar que, na conjuntura em que foi aplicado o questionário, participaram 28 alunos de um universo de 30 alunos matriculados na turma.
No que tange ao tópico da acessibilidade, verificamos que todos os alunos possuem acesso à internet por meio de diferentes meios eletrônicos, assim distribuídos:
• Dos 28 alunos, todos responderam que acessam a internet por meio dos aparelhos de celular;
• 18 alunos responderam que acessam a internet também por meio de computadores;
• Apenas 2 alunos responderam que acessam a internet também por meio de tábletes.
Podemos representar graficamente a distribuição dos alunos (e seu percentual) que acessam a internet por distintos meios eletrônicos da seguinte forma:
Gráfico 1 – Meios de acessibilidade à internet pelos alunos
Deve-se observar que todos os alunos envolvidos na pesquisa possuem acesso aos meios digitais com os quais eles acessam a internet. Destaca-se em tal acessibilidade a larga familiaridade ou experiência com tais mídias digitais, especialmente no trato dos equipamentos de celular, possibilitando asseverar que eles possuem não apenas a facilidade no acesso à internet, mas também, e especialmente, possibilidades de mobilidade (lugar) e de oportunidades (tempo) de acesso.
Tais constatações podem ser comprovadas quando averiguamos, nos questionários, as respostas dadas pelos alunos no que se refere à frequência em que eles acessam a internet.
Neste particular, foi possível perceber que os alunos estão diariamente conectados à rede mundial de computadores. Os acessos diários, segundo eles, se dão majoritariamente nos três turnos (manhã, tarde e noite). Ou seja, dos 28 alunos 19 deles (68%) responderam que acessam a internet em todos os turnos do dia, sendo que 9 (32%) alunos responderam que apenas acessam no período da noite. Tal situação de periodicidade está ilustrada no gráfico abaixo:
Gráfico 2 - Periodicidade de acesso à internet (percentual de alunos)
C O M C E L U L A R E S C O M P U T A D O R E S E C E L U L A R E S A P E N A S C E L U L A R E S T A B L E T E S E C E L U L A R E S
[VALOR] alunos (100%) [VALOR] alunos
(65%) [VALOR] alunos
(28%) [VALOR] alunos
(7%)
Podemos, então, apontar que a navegação no ambiente virtual proporcionado pela internet constitui a sociabilidade cotidiana dos alunos pesquisados, engendrando formas de comunicabilidade, interatividade e de aprendizagem social que possibilitam ou potencializam a formação contínua de leitores.
No que tange ao tópico sobre a intencionalidade constatamos, através das respostas dadas pelos alunos, que os assuntos ou conteúdos que eles mais acessam ou procuram na internet vinculam-se às redes sociais de relacionamentos online em que se destacam o Facebook, o Twitter, o Instagram, o WhatsApp e o Youtube. Dentre os apontados, aparecem com destaque, nesta ordem, o Facebook (100%), o WhatsApp (60%) e oYoutube (35%).
Do total da amostra pesquisada (28 alunos), 17 deles (60%) responderam que acessam a internet intencionados prioritariamente a navegar nas redes sociais. Os demais 11 alunos (40%) responderam que navegam na internet com diferentes propósitos: jogos (3 alunos), filmes e séries (3 alunos), músicas (2 alunos), pesquisas em sites de busca (1 aluno), fotos e vídeos (1 aluno) e notícias (1 aluno). Tal exposição merece um esclarecimento: entre os 40%
acima mencionados, todos eles acessam as redes sociais, mas não os fazem como motivação prioritária, segundo suas respostas.
A tabela abaixo sintetiza os dados expostos:
Tabela 1 – Leque de intencionalidades prioritárias ao acessara internet
68%
32%
Manhã, Tarde e Noite Apenas Noite
Redes sociais
Jogos Filmes e séries
Músicas Sites de busca
Fotos e vídeos
Notícias Quantidade
de alunos
17 3 3 2 1 1 1
A tabela apresentada traduz-se graficamente da seguinte maneira:
Gráfico 3 – Intencionalidades prioritárias ao acessar a internet (percentual de alunos)
Percebam que, em sua ampla maioria, em lugar de definir os assuntos ou conteúdos mais acessados por eles, os alunos responderam quais são os ambientes virtuais por onde mais circulam, isto porque, em suas respostas, preocuparam-se em salientar ou pôr em relevo os lugares virtuais onde gastam maior tempo de conectividade, atendendo suas preferências. Para muitos, os assuntos ou conteúdos que lhes interessam na internet se manifestam, em grande parte, nas redes sociais. Disto pode-se inferir que são poucos os alunos que buscam na internet a formação de uma aprendizagem diretamente escolar, dando maior ênfase às formas de interatividade, comunicabilidade, ludicidade (entretenimento), e, em diminuta dimensão, informação (notícias) e pesquisa. Não quero afirmar com isso que os alunos não se sociabilizam e, portanto, não há aprendizagem no âmbito da navegação digital. Apenas salientar que tal aprendizagem, grosso modo, não se vincula, como foco ou preocupação primordial, aos conteúdos curriculares escolares, que traduzem a bagagem científico- humanista do conhecimento historicamente constituído. Isto reflete e traz desafios diretamente
61%
11% 11%
8% 3% 3% 3%
REDES SOCIAIS
JOGOS FILMES E SÉRIES
MÚSICAS SITES DE BUSCA
FOTOS E VÍDEOS
NOTÍCIAS
ao nosso objetivo de pesquisa, qual seja, a motivação, aproximação e o desenvolvimento de práticas de leituras de textos literários (impressos ou digitais).
A interatividade dos alunos na internet foi buscada através de questões que procuraram mapear sua familiaridade no acesso de links e hipertextos. Sendo assim, atestamos que, primeiramente, todos os alunos reconhecem o que são e para que servem os links presentes nas páginas da rede. Ocorre, na amostra pesquisada, que 16 alunos costumam acessar outros links quando realizam a leitura de textos digitais. De fato, não há como comprovar se, entre estes 16 alunos, a totalidade deles se desviou completamente da leitura do texto originalmente acessado. Contudo, há alguns relatos em que os alunos deixam claro que houve um total redirecionamento da atenção para outras situações. A título de exemplos, pode-se citar:
“Sim. A partir de outros links acesso textos que me tira do caminho de leitura e depois eu tento voltar ao texto e não consigo” (2 alunos).
“Sim. Mais quando não quero ler não consigo sair”.
“Sim, quando eu estava procurando um trabalho sobre lendas, e no facebook que algumas pessoas compartilham como teste personalidade”.
“Sim. Um dia estava vendo uma coisa na internet, ai apareceu um link que me chamou muita atenção. De três mulheres batendo em um cachorrinho, e nisso me tirou completamente a atenção do outro texto”.
“Sim. Às vezes acabo me perdendo mas encontro os que eu já estava lendo”.
“Sim. Mas eu nunca deixei de ler o que eu estava lendo pra ir pros outros links que aparecem”.
Temos, então, um conjunto de 12 alunos que declararam não acessar outros links enquanto leem os textos digitais. Chamou-me atenção o fato de que 2 alunos, dentre estes 12, revelaram por escrito que, segundo as suas percepções, não leem textos na internet, sendo que outros, no momento da aplicação do questionário, revelaram a mim, em sala de aula, a mesma posição. Neste momento, pude esclarecê-los de que, na verdade, estão continuamente lendo textos e de que aquilo que eles costumam designar de textos são maneiras formalmente escolarizadas ou científicas de apresentação de textos.
Quanto à interatividade, a situação declarada pelos alunos pode ser assim representada graficamente: