2.3 O contexto social da pesquisa
2.3.1 A escola
trazem, elas são integradas mais facilmente à prática cotidiana, colaborando, assim, para a transformação da realidade em que vivem os sujeitos.
problemas existentes na comunidade escolar, discutir os erros e acertos, assim como elaborar as atividades seguintes.
O corpo discente foi formado por alunos que já estudavam na escola, desde a época em que pertencia ao Estado, e alunos provenientes de outras escolas (estaduais e municipais), incluindo muitos que apresentavam problemas como reprovações seguidas, distorção idade/série e transferências por questões de indisciplina. Quase todos apresentavam grandes dificuldades de aprendizagem – que já carregavam por muitos anos – e um nível insatisfatório de letramento7. Quatro turmas foram formadas, totalizando 80 alunos (uma de quinto ano com 20 alunos, duas de sexto ano, uma com 25 e outra com 26 alunos, e uma de sétimo ano, com apenas nove alunos). Eu atuava nas três turmas do segundo segmento (sexto e sétimo anos).
A indisciplina se fazia muito presente no ano de 2014, causando grande tumulto nas aulas. Muitos educandos demonstravam agressividade com os colegas, professores e funcionários, brigavam por motivos banais (sendo muitas vezes necessário parar a aula para apartar brigas), usavam linguagem inapropriada e apresentavam grande dificuldade de concentração. Quando eram advertidos pela indisciplina, enfrentavam professores e funcionários, causando um grande desconforto em toda a equipe.
Logo a escola percebeu que precisava desenvolver um trabalho disciplinar, criando algumas regras de convivência para tentar amenizar os problemas, desde a entrada no portão até a hora da saída, como organização das turmas em fila na hora da entrada, obrigação de manter as salas limpas e arrumadas, proibição de uso de aparelhos de celular e fones de ouvido nas dependências da escola, entre outras. Em caso de violação às regras, comportamentos inadequados ou brigas, eram feitas ocorrências em livro específico, advertências e convocação de responsáveis.
Com o tempo os alunos foram se acostumando com o ritmo da escola e a equipe percebeu uma melhora significativa quanto ao comportamento dentro da unidade, assim como o relacionamento com professores e funcionários e entre eles mesmos. Isso foi percebido com maior clareza no início do posterior ano letivo. Contudo, alguns problemas ainda persistem e merecem atenção, como alto índice de reprovação no final do terceiro ciclo e as situações resultantes dos inúmeros conflitos na região por conta da violência na comunidade.
Como complementação das disciplinas obrigatórias, a unidade passou a contar, a partir do ano de 2014, com a parceria do projeto Clin Social, desenvolvido pela Companhia
7 Foram diagnosticados, através de avaliações, e indicados em conselhos de classe e reuniões de planejamento, casos de alunos que não apresentavam conhecimentos esperados para série de referência e demonstravam considerável dificuldade em atividade de leitura e escrita.
Municipal de Limpeza Urbana de Niterói – CLIN – que oferecia aulas voltadas para a prática de esportes dentro do prédio da escola (segundo andar). Três tempos de aula semanais (45 minutos cada) foram adicionados à carga horária de cada turma, oferecendo esportes de acordo com as características da mesma (a escolha ficou a cargo dos professores vinculados ao projeto). No ano de 2015, as aulas passaram a ser oferecidas na sede do projeto, localizada em outro bairro, passando a oferecer também aulas de natação. Os alunos eram transportados em ônibus cedido pela empresa CLIN, sempre no período da manhã, uma turma em um dia diferente da semana. Saíam por volta de 8h30 e voltavam no horário do almoço, às 12h15. No início do ano de 2016, o atendimento foi descontinuado, pela impossibilidade em atender a todos os alunos, visto que o projeto passou a atender também alunos de outras unidades.
Como a equipe escolar não queria que parte dos alunos ficassem sem atendimento, optou por buscar outras parcerias para complementação da grade curricular. No mesmo ano, então, a escola passou a contar com o projeto Segundo Tempo, que também oferece aulas de esportes e o projeto Aprendiz, com aulas de violão e cavaquinho, ambos oferecidos pela Secretaria de Educação do município. Foram acrescidos dois tempos de aula semanais em cada turma para o projeto Segundo Tempo e o projeto Aprendiz começou a atender os alunos na quarta-feira à tarde.
No final do ano de 2016, a escola foi declarada oficialmente pela Secretaria de Educação como uma escola de horário integral, junto com outras quatro que atendem alunos de comunidades carentes e afligidas pela violência. No ano de 2017, a escola iniciou suas atividades como uma escola de período integral, ampliando o tempo de permanência dos alunos, que passou a ser das 8h às 16h.
Após a municipalização, foi decidido que o prédio passaria por uma reforma para que possa ter o mesmo padrão dos outros prédios de escolas municipais. A obra foi iniciada no ano de 2015, porém um ano depois foi interrompida por falta de recursos financeiros, causando um certo transtorno à comunidade escolar. Um andar inteiro foi interditado por conta da reforma, reduzindo o espaço interno ao segundo andar apenas.
Em 2017, a escola possuía a seguinte estrutura: área interna composta por cinco salas de aula, uma sala temática (que é usada pela disciplina de História), um laboratório de Ciências, uma sala de leitura, um almoxarifado, uma sala que é usada pela direção e pela secretaria, uma sala multimídia – equipada com um datashow –, uma sala pequena para a coordenação de turno, uma sala de professores – que está sendo utilizada também como sala
de informática8, dois banheiros para funcionários e dois para alunos. O espaço externo é formado por um amplo pátio descoberto, um pátio coberto e um refeitório no térreo, além de uma quadra poliesportiva coberta e dois vestiários com banheiro no terceiro andar.
O corpo discente era formado por cinco turmas: uma aceleração9 de terceiro ciclo com 19 alunos, um sexto ano com 30 alunos, um sétimo ano com 26 alunos, um oitavo ano com 35 alunos e um nono ano com 28 alunos. Havia 10 alunos especiais sendo atendidos nas turmas regulares (2 no sexto, 3 no sétimo, 3 no oitavo e 2 no nono), que são auxiliados pelos professores de apoio especializado.
Composição da grade curricular:
I) Disciplinas obrigatórias na rede municipal de educação: Língua Portuguesa (6 tempos), Matemática (6 tempos), Ciências (4 tempos), Geografia (3 tempos), História (3 tempos), Inglês (2 tempos), Espanhol (2 tempos), Educação Física (2 tempos) e Educação Artística (2 tempos);
II) Disciplinas integrantes do horário integral: Projeto Segundo Tempo (2 tempos), Educação Artística – Música (2 tempos) e Projeto Aprendiz (duas horas por semana).
Composição do quadro de funcionários: 14 professores regentes, quatro professores de apoio especializado, uma pedagoga, duas diretoras, uma secretária, uma auxiliar de secretaria, três coordenadores de turno, uma professora do projeto Segundo Tempo, dois professores do projeto Aprendiz, três merendeiras, dois auxiliares de portaria e três auxiliares de serviços gerais.
O trabalho realizado na escola é bastante prestigiado pela comunidade, sendo muito procurada, inclusive, por famílias residentes nos bairros vizinhos. Entretanto, não foi possível atender a um número maior de alunos devido à redução do espaço interno.
No início do mês de março de 2018, o prefeito anunciou à comunidade escolar que as obras seriam retomadas, o que aconteceu no mês seguinte.
8 A sala de informática possui apenas oito computadores, sendo que nem sempre todos funcionam. É comum encontrar problemas relacionados a estrutura física dos equipamentos.
9 As turmas de aceleração consistem em um reagrupamento de alunos com distorção idade/série realizado dentro de um ciclo, mesmo sendo de série diferentes. Por exemplo, a turma GR3A é composta por alunos de sexto e sétimo anos do Ensino Fundamental.