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A NTECEDENTES HISTÓRICOS

No documento karla beatriz cabral - Univali (páginas 72-77)

3.1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS

3.1.1 A NTECEDENTES HISTÓRICOS

Historicamente, ocorreram movimentos reivindicatórios visando à diminuição da jornada de trabalho, principalmente da instituição da jornada de trabalho de 08 horas.

Assim explica Nascimento [2001 p. 257]:

Na Inglaterra (1847), o Parlamento discutiu projeto cuja justificativa era a seguinte: “Para que a agitação fosse conduzida tranqüilamente, para que cessassem todas as discussões entre o capital e o trabalho, para que a mais não houvesse greves, ameaças, injurias em relação aos patrões, dentro ou fora do parlamento”, fixou-se a duração diária do

trabalho em 10 horas.

O mesmo autor continua:

A França (1848) também resolveu estabelecer a jornada de 10 horas em Paris e 11 horas nas Províncias, segundo lei inspirada por Louis Blanc, fundamentada em que “o trabalho manual prolongado não só arruína a saúde dos trabalhadores, mas também os impede de cultivar a inteligência, prejudicando a dignidade do homem”. No mesmo ano, entretanto, voltou a lei à jornada de 12 horas.

Martins [2001, p. 435] elucida que:

Na Inglaterra, em 1847, foi fixada a jornada de 10 horas. Na França, em 1848, foi estabelecida a jornada de trabalho de 10 horas; em Paris, 11 horas. Em 1868, nos Estados Unidos, a jornada foi determinada em oito horas no serviço público federal.

Em 1891, Igreja já se preocupava com limitação da jornada de trabalho, de modo que o trabalho não fosse prolongado por tempo superior ao que as forças do homem permitissem, a conquista da jornada de 08 (oito) horas, acontece com a

Rerum Novararum.

Para Süssekind et al [2000, p. 791]:

(...) a Igreja, pela voz de Sua Santidade o Papa Leão XIII, publicou em 1891 a famosa Encíclica “Rerum Novarum”, que exerceu remarcada influência, não apenas entre os trabalhadores, mas também entre os governantes e legisladores, de quem dependia a decretação das medidas de proteção ao trabalho humano.

Como ilustra Nascimento [2001, p 258], em sua obra:

A influência Encíclica “Rerum Novarum” (1891) se fez sentir na determinação desses rumos legislativos, ao declarar que

“não deve o trabalho prolongar-se por mais tempo do que as forças permitem.

A declaração de princípios feita na Conferência das Nações Aliadas, realizada em Paris, e incorporada ao Tratado de Versalhes, estabeleceu que as Nações contratantes se obrigavam a adotar a jornada de oito horas ou a semana de 48 horas de trabalho, assim elucida Martins [2001, p. 435].

Maranhão [1981, p. 88] ensina:

Para tornar efetiva a universalização dos preceitos de proteção ao trabalho, o Tratado de Versalhes criou a Organização Internacional do Trabalho (OIT). E tal era a importância que esse organismo dispensava ao problema da fixação da jornada de trabalho em oito horas ou da semana de 48, que o principal ponto da ordem do dia da primeira Conferência que realizou na capital norte- americana, em outubro de 1919, dizia a respeito justamente à “aplicação do princípio da jornada de oito horas ou da semana de 48 horas”.

Na mesma concordância, Nascimento [2001, p. 258]:

Foi, porém, o Tratado de Versailles (l919) a cristalização da jornada diária de 8 horas, com a criação da Organização Internacional do Trabalho e a promulgação da Convenção n. 1 pela Conferência de Washington.

Dessa conferência resultou a Convenção Internacional nº 1, que o Brasil, porém não ratificou. As primeiras Leis trabalhistas sobre duração do trabalho iniciaram a partir da década de 30.

Süssekind et al [2000, p. 794], relata que: “Com a vitória

da Revolução de 1930, todavia, cumpriu

Getúlio Vargas

o prometido em

sua campanha eleitoral, expedindo, entre as leis de proteção ao trabalho

(...)”.

E segue:

Com esses decretos, foi adotada a jornada de oito horas de trabalho com a possibilidade de ser elevada a dez horas mediante acordo entre empregados e empregadores e pagamento de remuneração suplementar, com um adicional sobre o salário-hora. Nas indústrias insalubres e nos trabalhos subterrâneos era vedado o trabalho além das oito horas. Durante a jornada era obrigatório um intervalo para refeição e repouso. Como trabalho efetivo entendia-se todo o tempo em que o empregado estivesse a disposição do empregador.

A Constituição de 1946 em sua artigo 157, inciso V estabeleceu que:

Art. 157- A legislação do trabalho e a da previdência social obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que visem a melhoria da condição dos trabalhadores:

(...)

V - duração diária do trabalho não excedente a oito horas, exceto nos casos e condições previstos em lei.”

Em 1967, a Constituição de 1967 em seu artigo 158, inciso VI, determinou:

Art. 158 - A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social:

(...)

VI – duração diária do trabalho não excedente de oito horas, com intervalo para descanso, salvo casos especialmente previstos”.

Martins [2001, p. 437], relata que com a Emenda Constitucional nº 01, de 1969, manteve praticamente a mesma redação:

“duração diária do trabalho não excedente a oito horas, com intervalo para descanso, salvo casos especialmente previsto (art. 165 – inciso VI)”

A constituição de 1988, promulgada em 05 de outubro de 1988, modificou a orientação que vinha sendo seguida constitucionalmente, estabelecendo em seu artigo 7º, inciso XIII que:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

(...)

Inciso XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;

(...)

Inciso XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;”

Para o doutrinador Saad [2000, p. 209], ocorreram as seguintes alterações, na Constituição de 1988: “A Carta de 88 reduziu a duração semanal do trabalho de 48 para 44 horas. Manteve a jornada de 8 horas de 2ª a 6 ª feira e de 4 horas no sábado, o que conduz ao total de 44 horas”.

Há ainda em 1943, a aprovação da Consolidação das

Leis do Trabalho que incorporou o Decreto-lei nº 2.308 e o restante da

legislação esparsa sobre a matéria.

Nascimento ratifica [2001, p. 259] que: “A CLT (1943) incorporou o Decreto-lei n. 2.308 e os regimes especiais”.

O mesmo autor continua: “A Constituição de 1988 manteve a duração diária de 8 horas e reduziu a semanal de 48 para 44 horas”.

Observamos o fulcro de estudo na Consolidação das Leis do Trabalho, em seu artigo 58:

Art. 58 - A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite”.

O artigo 58 da CLT está em harmonia com o preceito

constitucional (CRFB/88 – artigo 7º, inciso XIII), esse “outro limite” significa

ser lícito às partes estabelecerem jornada de menor duração, pois as

normas que regulam a duração do trabalho são imperativas e têm

natureza publicística, conforme Saad [2002, p. 209]

No documento karla beatriz cabral - Univali (páginas 72-77)

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