O artigo 73 da CLT estabelece o período noturno como sendo:
Art. 73 - Salvo nos casos de revezamento semanal ou
quinzenal, o trabalho noturno terá remuneração superior à
do diurno e, para esse efeito, sua remuneração terá um
acréscimo de 20% (vinte por cento), pelo menos, sobre a
hora diurna.
§ 1º - A hora do trabalho noturno será computada como de
52 (cinqüenta e dois) minutos e 30 (trinta) segundos.
§ 2º - Considera-se noturno, para os efeitos deste artigo, o
trabalho executado entre as 22 (vinte e duas) horas de um
dia e as 5 (cinco) horas do dia seguinte
§ 3º - O acréscimo a que se refere o presente artigo, em se
tratando de empresas que não mantêm, pela natureza de
suas atividades, trabalho noturno habitual, será feito tendo
em vista os quantitativos pagos por trabalhos diurnos de
natureza semelhante. Em relação às empresas cujo trabalho
noturno decorra da natureza de suas atividades, o aumento
será calculado sobre o salário mínimo geral vigente na
região, não sendo devido quando exceder desse limite, já
acrescido da percentagem.
§ 4º - Nos horários mistos, assim entendidos os que
abrangem períodos diurnos e noturnos, aplica-se às horas
de trabalho noturno o disposto neste artigo e seus
parágrafos.
§ 5º - Às prorrogações do trabalho noturno aplica-se o
disposto neste Capítulo.
Para fins legais, trabalho noturno é aquele desenvolvido dentro dos horários preestabelecidos na própria lei.
A Constituição de 1988, em seu artigo 7º, IX, assim dispõe:
(...)
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
Como visto, o artigo 73 da CLT estabelece o período noturno como sendo entre 22h de um dia e às 5h do dia seguinte, na atividade urbana, como também que seu adicional será de no mínimo, 20% (vinte por cento) sobre as horas trabalhadas.
Giusti [2004, p. 63] detalha que:
A hora noturna é considerada reduzida, ou seja, não
equivale a 60 minutos, e sim a 52 minutos e 30 segundos, de
forma que, tendo o empregado trabalhado 7 horas,
durante o período noturno, a equivalência será de 8horas.
O advogado e o empregado rural não fazem jus a essa
redução,pois sendo maior o adicional noturno compensaria
a hora noturna reduzida.
Chama-se atenção para a Súmula 60, do TST:
“Adicional Noturno – O adicional Noturno, pago com habitualidade, integra o salário do empregado para todos os efeitos. (RA 105/74, DJ, 24.10.74)
Martins [2001, p. 471] expõe:
O adicional noturno que for pago com habitualidade
integra o salário do empregado para todos os efeitos, como
férias, 13º salário, aviso prévio indenizado, DSR’s, FGTS etc.
Para os trabalhadores rurais, a hora noturna é idêntica à hora normal (60 minutos), mas o adicional devido é de 25% (vinte e cinco por cento) – artigo 7º, § único, da lei nº 5.889/73. Existe também as diferença entre os marcos de horários trabalhadores na pecuária e na agricultura.
Machado Júnior [1999, p. 253-254] detalha:
O trabalho noturno para os empregados rurais tem regras
próprias (Lei nº 5.889/73, art. 7º):
a) na lavoura, é considerado noturno o trabalho
desenvolvido das 21 às 5 horas do dia seguinte;
b) na atividade pecuária, noturno é o trabalho realizado
das 20 às 4 horas do dia seguinte;
c) o adicional será de 25%;
d) não existe a ficção jurídica da redução da jornada
noturna;
Nos casos de turno ininterruptos de revezamento, é devido o adicional noturno sobre as horas trabalhadas dentro do período noturno legal.
Gomes e Gottschalk [2004, p. 293-294]:
Nos horários mistos, assim entendidos os que abrangem
períodos diurnos e noturnos, fácil é o confronto do salário
para efeito de acréscimo: as horas noturnas serão
acrescidas de 20% no mínimo.
Na prorrogação da jornada (hora extra) do empregado que trabalha em horário noturno, o adicional de hora extra deverá incidir sobre o valor da hora noturna (art. 73, §5º da CLT).
Nesse sentido Martins [2001, p. 474]:
Não se pode falar em prorrogação de trabalho noturno se
este já terminou, pois é realizado das 22 as 5h00. o que
ocorre após as 5h00, se o empregado continua
trabalhando, é a renovação, uma seqüência àquilo que o
obreiro já havia começado: o horário de trabalho. O horário
noturno já se findou. O que se inicia é outro espaço de
tempo, pois não há descontinuidade na prorrogação.
É assim a Orientação Jurisprudencial 6 do SDI-1 do TST:
Adicional noturno. Prorrogação em horário diurno.
Cumprida integralmente a jornada no período noturno e
prorrogada esta, devido é também o adicional quanto às
horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5 º da CTL.
(convertida na súmula 60, Res. TST, 129/05 DOU 20.04.05)
A lei brasileira proíbe o trabalho noturno a menores de 18 anos, dada a nocividade. Com relação ao trabalho da mulher, a Lei.
7.855/89 revogou as proibições existentes, de sorte que as mulheres
podem trabalhar em igualdade de condições com os homens, em
trabalho noturno.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No presente trabalho foram abordados os aspectos destacados da jornada de trabalho, segundo a melhor doutrina e jurisprudência aplicadas a matéria e a estruturação prevista para esta monografia de conclusão de curso.
No que concerne aos objetivos propostos foram constatados, efetivamente, a atualidade e a complexidade do tema quando aplicado às relações de trabalho atuais, levando-se em consideração, principalmente, as pressões sofridas pelo Direito do Trabalho para “flexibilização” das suas regras para adequação das novas ordens econômicas.
A seguir serão transcritas as hipóteses apresentadas na introdução deste trabalho e realizado as, respectivas, análises das hipóteses, com base no resultado da pesquisa sintetizado nos três capítulos desta monografia.
Verificou-se que a primeira hipótese restou confirmada pois encontra-se uma definição legal para a compensação, o qual traduz que poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia.
Em relação à segunda hipótese ficou demonstrado
que as alterações no contrato de trabalho somente serão possíveis pelo
consentimento das partes, desde que não resulte direta ou indiretamente
prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente
desta garantia.
A última hipótese trabalhada na pesquisa restou confirmada, conforme súmula 60 do TST a qual dispõe que cumprida integralmente a jornada do trabalhador urbano no período noturno e prorrogada esta, devido é também o adicional noturno quanto às horas prorrogadas.
Ficou constatado, assim, que a limitação da jornada de trabalho e o respeito às regras fixadas entre patrão e empregado têm objetivo, não só jurídico e econômico, mas, também, social e sociológico, pois além da obrigatoriedade quanto ao pagamento do ônus decorrente da sobrejornada, compete ao patrão a responsabilidade civil pela saúde física e mental do seu empregado.
Esta monografia venceu o seu propósito investigatório,
analisou cientificamente as hipóteses previstas acima. Porém, na
seqüência do estudo deste tema ficou confirmada a necessidade de mais
pesquisa, análise, sugestões e debates científicos que visem o
aperfeiçoamento do controle e proteção ao trabalhador e do próprio
Direito Trabalhista. Isto, para manter a garantia do direito preventivo e
reparador, motivado por lei, e para afastar a ineficácia prática de
mecanismo que não consegue defender a aplicação da de uma jornada
de trabalho justa.
REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS
ARAÚJO, Jair. Relação de Emprego: Contrato Individual de Trabalho. Belo Horizonte: Del Rey, 2001.
AZEVEDO, Jackson Chaves de (coord). Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2001.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 36. ed. atualizada e ampliada. São Paulo: Saraiva, 2005.
BRASIL, Lei n.º 9.841, de 05 de outubro de 1999. Institui o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispondo sobre o tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido previsto nos arts. 170 e 179 da Constituição Federal. Disponível em
<https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 11 de mai. 2006
.
BRASIL, Lei nº 8.966, de 27 de dezembro de 1944. Altera a redação do art.
62 da Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em
<https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 11 de mai. 2006
.
BRASIL, Lei nº 9.601 de 21 de janeiro de 1998. Dispõe sobre o contrato de trabalho por prazo determinado e dá outras providências. Disponível em
<https://www.planalto.gov.br/>. Acesso em 11 de mai. 2006.
BRASIL, Portaria nº 1.120 de 08 de Novembro de 1995. Dispõe sobre o controle da jornada de trabalho. Disponível em
<https://www.mtb.gov.br/>. Acesso em 11 de mai. 2006.
CARRION, Valentin. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. 29ª
edição. São Paulo: Saraiva, 2004.
CUNHA, Maria Inês Moura S.A da. Direito do Trabalho. 2 ed. atual. e ampl.
São Paulo: Saraiva, 1997.
DALLEGRAVE NETO, José Affonso. Contrato Individual de Trabalho: uma visão estrutural. São Paulo: LTr, 1998.
DELGADO, Mauricio Godinho. Introdução ao Direito do Trabalho. 2 ed. ver.
atual. reelaborada. São Paulo: LTr, 1999.
FUHRER, Maximilianus Claudio Americo; FUHRER, Maximiliano Roberto Ernesto. Resumo de Direito do Trabalho. 15.ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2005.
GIUSTI, Miriam Petri de Jesus. Sumário de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho. 2 ed. São Paulo: Rideel, 2004.
GOMES, Orlando e Elson Gottschalk. Curso de Direito do trabalho. 15ª ed.
Rio de Janeiro: Forense,1999.
GOMES, Orlando e Elson Gottschalk. Curso de Direito do trabalho. 16ª ed.
Rio de Janeiro: Forense, 2004.
GRAVATÁ, Isabelli e MORGADO, Almir. Direito do Trabalho para Área Fiscal:
Teoria, Legislação e Provas Comentadas para Fiscal do INSS e do Trabalho.
2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
MACHADO JUNIOR, César Pereira da Silva. Direito do Trabalho. São Paulo:
LTr, 1999.
MARANHÃO, Délio. CARVALHO, Luiz Inácio Barbosa. Direito do Trabalho. 9ª
ed. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas.