3.1 Introdução
3.2.1 A primeira rede científica de Erich Wasmann
404 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.63.
405 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.61.
406 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.63.
407 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.72.
408 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.206. Cabe notar que Wasmann descobriu um grande número de espécies mirmecófilas em suas pesquisas de campo, como se viu. Contudo, ele já havia publicado suas descobertas em artigos, de modo que apenas a descoberta de duas espécies novas é publicada no seu catálogo.
166 No prefácio da obra, Wasmann agradece a mais de cinquenta naturalistas que haviam colaborado com a obra enviando material de estudo (espécimes) e a diversos outros que o ajudaram encontrando e enviando material bibliográfico, especialmente a aqueles que trabalhavam em bibliotecas e museus entomológicos como Max Wahnschaffe e o bibliotecário da Sociedade Entomológica Holandesa, Cornelius Coenraad Ritsema.409 A necessidade de auxílio para obter livros e artigos especializados, considerando o volume e variedade de proveniência geográfica e temporal do material analisado por Wasmann, certamente seria comum a outros pesquisadores, mas o fato de não trabalhar em um centro de pesquisa, ou uma universidade poderia agravar sua dificuldade de obter esse tipo de material.
Wasmann constituiu pessoalmente sua própria biblioteca especializada em insetos, especialmente mirmecófilos, graças aos contatos com naturalistas de todo o mundo. Os pedidos eram feitos pelo próprio jesuíta a seus colegas, como se pode ver no bilhete (Figura 5) enviado a Jacques Huber, botânico do Museu Paraense e posteriormente seu Diretor, solicitando o envio dos últimos volumes do Boletim no Museu Paraense.410
409 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.VI-VII.
410 Bilhete de Wasmann a Huber (29/08/1907). Fundo Jacques Huber / Arquivo Guilherme de La Penha / Museu Paraense Emílio Goeldi / Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Belém, Pará, Brasil. Agradeço ao professor Nelson Sanjad pela localização e envio da cópia do documento.
167
Fig. 3.1 – Bilhete de Erich Wasmann a Jacques Huber (1907)
Fonte: Fundo Jacques Huber / Arquivo Guilherme de La Penha / Museu Paraense Emílio Goeldi / Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Belém, Pará, Brasil.
Evidente que, não tendo renda pessoal e, como qualquer jesuíta, tendo proferido o voto de pobreza, os eventuais custeios deveriam ser financiados pela Companhia de Jesus. O resultado de suas aquisições foi a formação de uma vasta biblioteca que acompanhava Wasmann ao longo de suas mudanças. Ao fim de sua vida, a biblioteca de Wasmann contava com cerca de 50.000 volumes.
Além da aquisição de material bibliográfico, o envio de espécimes teve grande importância na elaboração da obra “Kritisches Verzeichniss”. Considerando que o número dos que enviaram espécies novas para Wasmann é de treze colaboradores, é possível que os demais tenham enviado ou material bibliográfico, ou espécies já conhecidas. O intuito desse trânsito de conhecimentos e de material biológico era que Wasmann pudesse fazer uma revisão crítica dos dados apresentados na literatura científica ou analisar espécimes de classificação ainda não determinada para confirmar ou infirmar seu caráter mirmecófilo ou termitófilo. Alguns espécimes cuja classificação
168 já era conhecida pelos entomólogos foram enviados para Wasmann com o intuito de permitir que ele fizesse estudos comparativos entre espécies conhecidas e as que ainda estavam para ser definidas. Esse último caso é representado pelo envio de besouros do gênero de Thorictus feitas por dois entomólogos espanhóis, Martinez y Saez e Peres Arcas, e um entomólogo francês, Fairmeire, para que Wasmann pudesse determinar se um espécime enviado por Auguste Forel de Oran, na Argélia, seria ou não pertencente a uma nova espécie. Estudando comparativamente esses indivíduos, Wasmann determinou que o inseto enviado por seu colega suíço deveria ser classificada em uma nova espécie, dando-lhe o nome de Thorictus Foreli.411
Como os investigadores que colaboraram com espécimes que se mostraram novas espécies são mencionados nominalmente por Wasmann, é possível, em alguma medida, reconstituir a rede científica que possibilitou a elaboração do seu catálogo. Os investigadores que colaboraram com Wasmann estavam em situações econômicas, sociais e científicas as mais diversas. Alguns eram viajantes em expedições patrocinadas por museus europeus, outros eram funcionários dos seus governos, trabalhando no combate a pragas que atingiam plantações, outros eram professores universitários viajando em férias e coletando insetos e alguns eram ricos entomólogos que compravam espécies em catálogos comerciais. Não é possível abordar todos os casos, de forma que alguns deles servirão de exemplo da diversidade de situações que configuraram essa primeira rede científica de Wasmann e possibilitaram a realização do seu catálogo das espécies mirmecófilas e termitófilas.
Um dos colaboradores de Wasmann nesse período foi Eugene Amandus Schwarz. Schwarz nasceu em Liegnitz, Silésia, em 21 de abril de 1844 e morreu em 15 de outubro de 1928 em Washington, D.C., Estados Unidos. Segundo o testemunho de um amigo seu Walther Horn, também entomologista, cursou Filologia e foi professor dessa matéria. Em 1872 abandonou a docência e foi estudar ciências naturais em Leipzig, se tornando aluno de Rudolf Leuckart e colega de Edouard Bugnion, cunhado de Auguste Forel. Em meados da década de 1870, Schwarz desapareceu da Alemanha e foi morar nos EUA.412 Sempre foi muito reservado sobre sua vida na sua terra natal e as razões pelas quais mudou de país.
411 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.219.
412 HOWARD, L.O., BARBER. S. Herbert, BUSCK, August. Memorial to Dr. E. A. Schwarz.
Proceedings of the Entomological Society of Washington. vol.30, Dec.1928, n.9, p.154.
169
Fig. 3.2 – Mapa das localidades onde E.A. Schwarz coletou insetos.
Fonte: HOWARD, L.O., BARBER. S. Herbert, BUSCK, August. Memorial to Dr. E. A.
Schwarz. Proceedings of the Entomological Society of Washington. vol.30, Dec.1928, n.9, p.165.
Trabalhou primeiramente como curador das coleções entomológicas de H.G.
Hubbard e com ele coletou coleópteros nos estados do Michigan e Flórida. Depois de trabalhar para alguns entomólogos, normalmente organizando suas coleções, Schwarz conseguiu um cargo no Department of Agriculture dos EUA, já no final da década de 1870.413 Como muitos entomólogos nos EUA, Schwarz dedicou-se à Entomologia Econômica, o estudo dos insetos relevantes para a economia, ramo bem desenvolvido naquele país, em consonância com sua grande produção agrícola.414 Schwarz investigou certas espécies de lagarta que atacavam as plantações de algodão no sul do país, ganhando boa reputação nesse setor e assumindo a liderança de diversas pesquisas promovidas por aquele órgão do governo.415
413 HOWARD, L.O., BARBER. S. Herbert, BUSCK, August. Memorial to Dr. E. A. Schwarz.
Proceedings of the Entomological Society of Washington. vol.30, Dec.1928, n.9, p.159.
414 SLEIGH, Charlotte. Six Legs Better: a cultural history of Myrmecology. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 2007, p. 2-4
415 HOWARD, L.O., BARBER. S. Herbert, BUSCK, August. Memorial to Dr. E. A. Schwarz.
Proceedings of the Entomological Society of Washington. vol.30, Dec.1928, n.9, p.160.
170 Schwarz fez diversas expedições entomológicas em vários pontos dos EUA, do México, bem como em Cuba, Panamá, Canadá e Guatemala, nas quais coletou inúmeros insetos. Essas viagens de pesquisa ocorreram tanto devido ao seu cargo, quanto em suas férias. O entomólogo alemão também trabalhou na organização de museus e sociedades entomológicas ao longo dos EUA. Foi nomeado curador da secção de Coleópteros do National Museum em 1898, implementando uma nova organização das coleções.
Publicou mais de cem artigos, muitos relativos aos besouros norte-americanos. No início do século XX, já era considerado um dos principais entomólogos dos EUA, recebendo homenagens de associações e universidades, incluindo um doutorado Honoris causa pela universidade de Maryland em 1916. Faleceu em 1928.416 Schwarz enviou para Wasmann quatro novas espécies de insetos mirmecófilos coletadas em Ohio e Columbia: Myrmecochara debilis, Myrmoecia picta, Myrmedonia Schwarzi e Myrmedonia cremastogastris.417
Alguns entomólogos serviram como uma espécie de atravessadores, como foi o caso do abastado Jacob Neervoort van de Poll (1862-1924), colecionador de obras de arte e entomólogo holandês. Van de Poll enviou a Wasmann duas novas espécies, sendo uma delas (Ctenodonia inclyta) descoberta por Albert Mocquérys junto ao Termes bellicosus em Rhobom, Serra Leoa e a outra, Macrodonia van de Polli, descoberta por Doherty em uma região montanhosa da ilha de Sambava, nas Índias Orientais Holandesas.418
A forma pela qual essas espécies chegaram até van de Poll esclarece um importante aspecto das relações sociais que possibilitavam a prática entomológica.
Haviam alguns naturalistas que se especializavam em obter espécimes de animais, plantas e mesmo objetos de valor etnológico para a posterior comercialização. Esse era um campo de trabalho importante e reconhecido e Albert Mocquérys fazia parte dele.
Albert Mocquérys (1860-1926) foi um cirurgião dentista, como seu avô Simon e seu pai Émile, e um entomólogo, também como seu pai e o pai de seu pai. Mas, diferente de seu avô que concentrou sua atividade coletora na região da Normandia,
416 HOWARD, L.O., BARBER. S. Herbert, BUSCK, August. Memorial to Dr. E. A. Schwarz.
Proceedings of the Entomological Society of Washington. vol.30, Dec.1928, n.9, p.161-162.
417 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.207.
418 WASMANN S.J., Erich. Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden. Berlin: Verlag von Felix L. Dames, 1894, p.208.
171 Albert Mocquérys seguiu e ampliou os passos do seu pai, que além de muitas explorações na França, viajou para descobrir insetos no Brasil e finalmente na Tunísia, onde veio a falecer em 1916. Ao contrário de seus antepassados que coletavam insetos e outras espécies animais para fins exclusivamente científicos, Albert Mocquérys se notabilizou como um coletor comercial. Com esse objetivo, empreendeu uma série de viagens a regiões que hoje correspondem aos seguintes países Gabão, Gâmbia, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, Venezuela, Azerbaijão, Madagascar, São Tomé, Príncipe, Angola, Cabo Verde, Argélia e Brasil, especificamente no Pantanal, onde coletou aves.419
Em algumas situações, naturalistas como Mocquérys eram contratados por museus ou universidades para empreender coletas em lugares distantes e completar as coleções dessas instituições e de pessoas interessadas no colecionismo naturalista.
Mocquérys foi coletar insetos na Venezuela entre 1893 e 1894 contratado pelo zoólogo e magnata Walter Lionel Rotschild. Aparentemente, o 2º Barão de Rotschild tinha interesse especial em certas aves raras venezuelanas descritas por Humboldt um século antes e também por insetos (Lepidópteros e Coleópteros) daquela região.420 Da mesma forma, Mocquérys empreendeu uma viagem a Madagascar entre 1897 e 1898 patrocinado por instituições interessadas em suas coletas.421
Esses naturalistas também empreendiam viagens de coleta com seus próprios meios, gastando consideráveis recursos financeiros com a esperança de obter um retorno com a venda de suas coleções. Esse parece ser o caso da viagem de Mocquérys à África na qual a espécie de Van de Poll foi descoberta. O caminho de uma espécie, do seu habitat natural até um pesquisador como Erich Wasmann poderia, portanto, passar não só pelo naturalista que a recolheu, como também pelo comerciante que se dedicava ao negócio com plantas e animais. Haviam empresas dedicadas a esse tipo de comércio, como a de Otto Staudinger.
419 DORR, Laurecen J.; STAUFFER, Fred W.; RODRÍGUEZ, Leyda. Albert Mocquerys in Venezuela (1893-1894): a commercial collector of plants, birds, and insects. Harvard Papers in Botany, Vol.22, No.1, 2017, p.17-18 e 23.
420 DORR, Laurecen J.; STAUFFER, Fred W.; RODRÍGUEZ, Leyda. Albert Mocquerys in Venezuela (1893-1894): a commercial collector of plants, birds, and insects. Harvard Papers in Botany, Vol.22, No.1, 2017, p.18 e 21.
421 DORR, Laurecen J.; STAUFFER, Fred W.; RODRÍGUEZ, Leyda. Albert Mocquerys in Venezuela (1893-1894): a commercial collector of plants, birds, and insects. Harvard Papers in Botany, Vol.22, No.1, 2017, p.23.
172 Otto Staudinger (1830-1900) foi um comerciante de insetos de renome, mas começou como um simples naturalista viajante. Nascido em Treptow (Mecklenburg), cedo mostrou grande interesse em borboletas. Cursou Medicina na Universidade de Berlim, formando-se no início de 1854, mas acabou voltando-se para a História Natural.
Com uma carta de recomendação do já idoso Alexander von Humboldt (1769-1859), viaja à Sardenha no mesmo ano e consegue coletar borboletas consideradas raras. Daí em diante, Staudinger viajará intensamente, sempre coletando espécies de insetos.422 Em 1856 está na Islândia, em 1857 é celebrado seu casamento, fazendo parte de sua lua de mel busca de insetos na Espanha, onde fica um ano e meio. De volta a Berlin, decide vender os espécimes duplicados de suas coleções para pagar os custos de suas viagens.
Staudinger faz um catálogo de suas espécies à venda (367 espécies de diversos países) e assim deu início a um próspero negócio.
Desde então continua viajando para recolher insetos e vive de vendê-los, apesar de manter um interesse propriamente científico nesses animais, como provam suas várias publicações entomológicas. Em 1874 comprar terras em Blaswitz e dez anos depois constrói um grande prédio especialmente para receber suas coleções. No auge do seu sucesso comercial, Staudinger calculava que suas vendas anuais girariam em torno de 200.000 ou 300.000 espécimes comercializados para todas as regiões do mundo. Por isso "o nome de Staudinger é conhecido, até nas Cordilheiras da Colômbia, por todas as pessoas que se ocupam da Entomologia423."
A empresa de Staudinger era uma entre dezenas que atuavam em todo o mundo, especialmente na Europa e nos EUA. Essas empresas costumeiramente publicavam anúncios em revistas especializadas oferecendo seus produtos, isso é, seus insetos. A revista Entomologischen Rundschau chegou a criar um suplemento semanal chamado
"Insektenbörse" no qual breves notícias e anúncios eram publicados. Nesse semanário um naturalista poderia oferecer serviços, anunciar interesse em comprar determinado tipo de inseto e acompanhar os produtos oferecidos pelas emprestas especializadas na venda de insetos e produtos entomológicos. As propagandas dessas empresas preenchiam as páginas da publicação, algumas bem discretas, outras usando de chamativos recursos visuais. Eram comuns os anúncios de livros sobre Entomologia e
422 SEEBOLD, T.L.F. Notice Nécrologique sur le Dr. Otto Staudinger. Annales de la Société entomologique de France, vol 70, (1901), p.5.
423 SEEBOLD, T.L.F. Notice Nécrologique sur le Dr. Otto Staudinger. Annales de la Société entomologique de France, vol 70, (1901), p.7.
173 mesmo sobre Biologia em geral, além de pedidos de assinatura de periódicos especializados, tanto alemães quanto ingleses e franceses.
Fig.3.3 – Capa do jornal Insektenbörse
Fonte:Insektenbörse n.º 4, 1909.
Em uma de suas páginas encontramos um chamado de certo Prof. Dr. O.
Schmiedeknecht de Blankenburg convocando naturalistas interessados em uma viagem de investigação entomológica pela Palestina e Egito. Na mesma página, certo Robert Mensel oferece o envio gratuito de sua lista de Hemípteros a venda; Julius Stephan divulga vários insetos que seriam "Monstruosidades!"; Paul Ringler, de Halle, anuncia estar vendendo "etiquetas especiais" para a catalogação de espécies e 80 espécies de Coleópteros africanos por 10 marcos.424 Em outra edição vê-se um anúncio da companhia de Friedrich Schneider de Berlim (Figura 8) interessado em comprar besouros exóticos e Ch. Gerings vendendo besouros da Riviera.425
424 Insektenbörse, n.3, 1909, p.2
425 Insektenbörse, n.4, 1909, p.1
174
Fig.3.4 – Anúncio de Cincidelas e Carabídeos raros, vindos da África Oriental, a venda pela firma de Friedrich Schneider em Berlim. As novas espécies têm um valor maior do que as já
conhecidas.
Fonte: Insektenbörse, n.9, 1909, p.1
A espécie enviada por van den Poll a Wasmann, poderia ter sido adquirida em uma dessas empresas especializadas na venda de insetos, ainda mais considerando que o entomólogo holandês era uma pessoa de muitas posses.
Kritisches Verzeichniss der Myrmekophilen und Termitophilen Arthropoden pode ser considerado um ponto de inflexão na carreira de Erich Wasmann e nos estudos mirmecológicos e termitológicos. Quanto ao jesuíta, essa afirmação se dá em vista do processo de preparação da obra e das suas consequências imediatas. Pela primeira vez, Wasmann mobiliza um grande número de naturalistas para a realização de uma publicação sua. Seus estudos que até então se concentravam espécies europeias das regiões germânicas agora englobam insetos americanos e africanos. Concomitantemente com a “internacionalização” do seu objeto de estudo, vem o reconhecimento e a internacionalização de seus estudos, no sentido de que Wasmann passa a ser procurado por naturalistas de várias regiões para estudar e determinar espécies possivelmente mirmecófilas ou termitófilas. Exemplos desse reconhecimento são os diversos convites que Wasmann recebeu para estudar insetos provenientes de expedições científicas e o auxílio que outros naturalistas pedem ao jesuíta para resolver problemas de taxonomia de espécies mirmecófilas e termitófilas, assuntos que serão explorados nesse capítulo.
Após a publicação do seu catálogo, grande parte do trabalho entomológico de Wasmann será a análise de novas espécies mirmecófilas vindas de todo o mundo, seja por meio de seus contatos mais próximos, seja através de instituições, como museus,
175 que ofereciam ao jesuíta a possibilidade de estudar espécies recém-descobertas nas expedições que patrocinavam. Esses novos elementos nos levam a continuar retecendo a rede de colaboradores científicos de Erich Wasmann, considerando-se desde aqueles presentes na obra “Kritisches Verzeichniss”, até os naturalistas que, a partir de tal publicação, tomaram o Pe. Wasmann como referência na entomologia dirigida para espécies mirmecófilas e termitófilas.