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Adequar a Rede para melhor gerenciar

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 113-116)

Verificamos que, antes mesmo do anúncio do Plano de Metas, a Secretaria de Educação já colocava em curso transformações do aparato da secretaria – mudanças que em nossa avaliação, viriam a ser fundamentais para a implementação e o sucesso do Plano na rede. Ainda em 2010, na gestão de Tereza Porto, a criação do Projeto Conexão na SEEDUC, que usou a internet para interligar escolas, profissionais e comunidade escolar, inaugurou práticas que favoreceram o acompanhamento e o controle das escolas e de seus profissionais.

Tanto na questão administrativa – com o quadro de horário dos professores, que oportunizou à SEEDUC um conhecimento da rede e um maior domínio materializado no controle e no gerenciamento dos recursos humanos– como o da lotação de cada professor da rede; ou ainda na questão pedagógica e administrativa, com o lançamento dos conteúdos e das notas dos alunos no sistema, pelos docentes, possibilitando o monitoramento dos resultados constantemente pelo órgão central da Secretaria de Educação.

Os novos reformadores corporativos demonstram sua precária compreensão da educação construindo falsas analogias entre a educação e o mundo empresarial. Eles pensam que podem consertar a educação aplicando princípios de negócios, organização, administração, lei e marketing, e pelo desenvolvimento de um bom sistema de coletas de dados que proporcione as informações necessárias para incentivar a força de trabalho – diretores, professores e estudantes – com recompensas e sanções apropriadas. (RAVITCH, 2011, p. 26)

Além destas mudanças on-line, as escolas receberam a visita de técnicos da Empresa de Obras Públicas (EMOP), que avaliou a infraestrutura a partir de um questionário denominado “Instrumento Gerencial de Avaliação do Imóvel – IGAI”. Para cada item de infraestrutura do imóvel, atribuiu–se uma nota de 1 a 5, que dependia da existência ou não do item analisado e de seu estado de conservação.

Foram avaliados 25 itens classificados em oito grandes grupos: (1) as instalações, (2) a cobertura do prédio, (3) os revestimentos, (4) as esquadrias, (5) a estrutura do prédio, (6) quadra de esportes, (7) condições de acessibilidade e (8) obras externas ao prédio. Os resultados por escola foram agregados formando o “Indicador Geral do Estado do Imóvel – IGE”, que é obtido pela média ponderada dos diversos itens avaliados. As ponderações dependem da centralidade do item para o funcionamento diário da escola. O IGE pode variar de 0 a 13,9, sendo que quanto mais baixo, melhor o resultado. Este índice compõe um dos quatro indicadores considerados para efeito do cálculo da bonificação por resultados118.

Assim, no início de 2011, a Secretaria de Educação do estado do Rio de Janeiro obteve um diagnóstico da situação geral da rede. A partir desse diagnóstico, as escolas que receberem avaliação mais crítica deverão avançar na escala até o patamar das regulares119. O objetivo é ter somente unidades escolares em situação boa e ótima em 2013. Só para essas obras houve uma previsão, para o orçamento de 2011, de um investimento de R$260 milhões.

A atual disposição das Diretorias Regionais também segue a lógica de adequar a estrutura da rede estadual de educação para a implementação do Plano de Metas. Foi regulamentada pelo Decreto nº 42.837, de 04 de fevereiro de 2011, que transformou a estrutura básica da SEEDUC e deu fim à antiga organização, que possuía 30 Coordenadorias Regionais e uma Coordenadoria Especial de Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas.

As alterações também buscaram uma nova configuração da rede para garantir a implementação das mudanças necessárias para a aplicação do Plano de Metas, possibilitando melhor acompanhamento e monitoramento das unidades escolares. Observa-se nessas ações a necessidade de aumentar a eficiência do Estado trazendo uma abordagem gerencial numa forte preocupação com o controle dos resultados.

As Diretorias Regionais são unidades subordinadas à SEEDUC responsáveis por atender às necessidades pedagógicas e administrativas da educação, em áreas geográficas específicas do estado, e a implementar as determinações definidas pelo governo estadual, monitorando o cumprimento das normas, resoluções e decretos. A reestruturação determinou

118 Os indicadores que são considerados para efeito de cálculo do bônus são os seguintes: IDERJ-Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado do Rio de Janeiro, ID–Indicador de Desempenho do SAERJ, IF- Indicador de Fluxo de Aprovação e o IGE-Índice Geral do Estado do Imóvel. Informações disponíveis na cartilha organizada e distribuída nas escolas pela SEEDUC. Disponível em:

<http://www.rj.gov.br/c/document_library/get_file?uuid=91a3a20c-99b3-4756-8b40- 2364045b773d&groupId=91317>. Acesso em: 10 jul. 2013.

119 “70% das escolas obteve IGE entre bom ou regular, 22% IGE ruim, 7% ótimo e 1% péssimo. Sendo que estas avaliações foram executadas pela equipe da EMOP, empresa vinculada ao governo do Estado do Rio de Janeiro.” (SEEDUC, 2012, p. 50)

a criação de 14 Regionais, cada qual com uma Diretoria Pedagógica e outra Administrativa, garantindo–se, ainda, uma décima quinta unidade, que responde pelas Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas, DIESP.

Das 14 Regionais, sete são atuantes em municípios da Região Metropolitana e sete em municípios do interior fluminense. A DIESP, por sua vez, coordena as unidades escolares em espaços da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (DEGASE/SEEDUC). As unidades escolares estão ligadas às diretorias Regionais e cada uma abrange de 5% a 10% das escolas, com exceção da Diretoria Especial de Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas (DIESP), que concentra 1% das escolas.

As maiores regionais, considerando-se o número de unidades escolares sob sua responsabilidade, são aquelas localizadas na capital. A Metropolitana III trabalha com 143 escolas (10% do total), seguida pelas Metropolitanas IV (com 9%), VI (com 8%) e VII (com 8%). As três primeiras abarcam o município do Rio de Janeiro, enquanto a última contempla as localidades de Mesquita, Nilópolis, Belford Roxo e São João de Meriti (SEEDUC, 2012).

O número de unidades escolares ficou distribuído pelas regionais conforme mostra a tabela a seguir:

Tabela 2 Reestruturação das coordenadorias regionais da SEEDUC

Regionais Quantitativo de escolas %

Metropolitana I 105 7

Metropolitana II 93 6 Metropolitana III 143 10

Metropolitana IV 127 9

Metropolitana V 85 6

Metropolitana VI 121 8

Metropolitana VII 111 8

Médio Paraíba 97 7

DIESP 19 1

Centro Sul 102 7 Baixadas Litorâneas 103 7

Serrana I 75 5

Serrana II 92 6

Norte Fluminense 107 7 Noroeste Fluminense 67 5

Fonte: SEEDUC, 2012.

Para determinadas funções a serem ocupadas, tanto nas regionais de ensino como nas unidades escolares, como parte da reestruturação da rede para a aplicação do Plano de Metas, foram abertos, em 2011, processos seletivos internos para uma escolha de acordo com o

mérito de cada profissional. Para funções a serem desempenhadas dentro das Diretorias Regionais, foram organizados três processos seletivos internos: para diretor regional administrativo, diretor regional pedagógico e coordenador da diretoria regional. Para essa última função, foi observado o maior quantitativo de docentes inscritos (1.096 inscritos), uma vez que essa era também a que oferecia mais vagas (44 foram aprovados). Em média, para essas funções, o percentual de inscritos admitidos ficou em torno de 5%.

Já para as funções a serem desempenhadas dentro da unidade escolar, foram organizados cinco processos seletivos internos, sendo três para diretor e dois para diretor adjunto. No processo seletivo de 2011, 527 servidores foram designados para as funções estratégicas do processo de implementação do Plano de metas e ficaram assim distribuídos:

Tabela 3 – Funções estratégicas para a implementação do Plano de Metas

Diretor Regional Pedagógico 14

Diretor Regional Administrativo 14

Diretor de Unidade Escolar 75

Diretor Adjunto de Unidade Escolar 133 Coor. das Coordenações das Reg. Ped. 44

Gestor Escolar/ IGT 216

Membro de Equipe/Sede 12

Professores do Programa Dupla Escola 17

Função Gerencial/ Sede 2

Fonte: SEEDUC, 2012.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 113-116)