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3 AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM

No documento INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO (páginas 102-106)

Educar é auxiliar o aluno a tomar consciência de si mesmo, dos outros e da sociedade em que vive, bem como de seu papel no meio social. É oferecer diversas ferramentas para que o educando possa escolher o seu caminho, entre muitos. O educador é, sem dúvida, a peça mestra nesse processo de educar, devendo ser encarado como um elemento fundamental.

Para que haja esse processo educativo efetivo é necessário que algo mais permeie essa relação aluno-professor. E esse algo a mais é a afetividade.

103 Ou seja, uma relação mais estreita entre o educando e o educador.

Paulo Freire afirma que:

[...] é necessário que evitemos outros medos que o cientificismo nos inoculou. O medo, por exemplo, de nossos sentimentos, de nossas emoções, de nossos desejos, o medo de que ponham a perder nossa cientificidade. O que eu sei, sei com o meu corpo inteiro: com minha mente crítica, mas também com os meus sentimentos, com minhas intuições, com minhas emoções. O que eu não posso é parar satisfeito ao nível dos sentimentos, das emoções, das intuições. Devo submeter os objetos de minhas intuições a um tratamento sério, rigoroso, mas nunca desprezá-los (1997, p. 29).

Dentro da abordagem, a afetividade ganha um novo aspecto no processo educacional, pois se acredita que a interação afetiva auxilia mais na compreensão e modificação das pessoas do que um raciocínio brilhante, repassado mecanicamente.

Entretanto, percebe-se que na maioria das instituições escolares não ocorre ou, ainda, acontece de forma tímida à afetividade, pois o aluno é visto como mero objeto de aprendizado, ou seja, um ‘lugar’ onde o conteúdo deve ser depositado.

Precisam-se quebrar paradigmas e pensar na criança como um todo, um ser formado de emoções, sensações e afeto. Por isso é necessário deixar um pouco de lado o simples repassar de conteúdos e passar a pensar na criança e no seu bem-estar psicológico, físico e cognitivo.

Diante da importância da afetividade para o processo de ensino e aprendizagem, vejamos as ideias de Wallon, Vygotsky e Piaget sobre a afetividade, a interatividade, a aprendizagem e o desenvolvimento do ser humano.

Para Henri Wallon (1968) a afetividade desempenha um papel fundamental na constituição da inteligência e no desenvolvimento do indivíduo. Baseando-se em fundamentos darwinistas, ele encontrou argumentos que confirmam a origem do homem como um ser emocional e, por isso, é extremamente importante a proximidade de um indivíduo com o outro para o desenvolvimento humano. Nesse sentido, a emoção é o primeiro e mais forte vínculo entre os seres humanos. A aprendizagem ocorre em

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decorrência de interações sucessivas entre esses seres. Entende-se, portanto, que é por meio do outro que o indivíduo adquire novas formas de pensar e agir e, dessa maneira, apropria-se e/ou constrói novos conhecimentos.

Para Lev Vygotsky (1989), o indivíduo nasce inserido num meio social, que é a família, e é nela que a criança estabelece as primeiras relações com a linguagem. Por meio das interações cotidianas com os outros, a criança aprende a utilizar a linguagem para se relacionar no meio social. Nesse contexto, entende-se que o conhecimento está ligado às condições culturais, sociais e históricas do indivíduo, e como ele aprende a se relacionar com os outros. Vygotsky defende que o homem se produz na e pela linguagem, e, é na interação com outros sujeitos que formas de pensar e agir são construídas por meio da apropriação do saber da comunidade em que o sujeito está inserido. E essa habilidade faz com que as pessoas criem instrumentos que auxiliem na solução das tarefas difíceis, planejem uma solução para um determinado problema e controlem seu comportamento. As relações sociais são essenciais para o desenvolvimento humano e não há desenvolvimento sem aprendizagem. Vygotsky (1989) explica que a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber, do conhecimento.

Para ele, não tem como falar de processo de aprendizagem sem falar de processo de ensino, pois a aprendizagem se dá pela relação entre quem ensina e quem aprende. Logo, o processo de ensino e aprendizagem está estreitamente ligado com as relações afetivas e interativas entre professor e aluno, e depende dessas relações para que o processo educacional seja eficaz e tenha resultados satisfatórios.

Segundo Jean Piaget (2001), assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio no processo evolutivo, o ser humano, também, adapta-se e reconstrói suas ações e ideias ao relacionar- se com o meio social. O indivíduo constrói sua realidade como um ser humano singular, na medida em que experimenta relações sociais e afetivas com outros indivíduos. Nessa perspectiva construtivista de Piaget, entende- se que o conhecimento humano é resultado da interação do “homem” com o meio e do “homem” com outros indivíduos. Os seres humanos adquirem o conhecimento por meio do processo de assimilação. Isto é, por meio das relações sociais e da assimilação dessas relações é que são transmitidos os costumes, as ideias e o conhecimento humano para a criança. Dessa forma, a criança aprende a língua (relação social) e assimila tudo o que

105 ouve, transformando em seu conhecimento. O desenvolvimento mental e intelectual é fruto das relações e da interação com o meio. Dessa forma, é notória a influência que a afetividade e a interação social causam no aprendizado dos seres humanos.

Baseando-se nas teorias de desenvolvimento social de Wallon, Vygotsky e Piaget entende-se que a afetividade se manifesta na relação professor- aluno e que essa afetividade constitui-se elemento inseparável do processo de construção do conhecimento. Além disso, é por meio dessa interação pedagógica e das experiências vividas que professor e aluno constroem juntos, o conhecimento.

Para esses autores, é extremamente importante o bom relacionamento entre professor e aluno, pois a emoção é o primeiro e mais forte vínculo entre os indivíduos. Dessa forma, acredita-se que as emoções têm um papel essencial na formação da vida psíquica e motora do indivíduo. Wallon, em especial, defende que é fundamental observar o gesto, o olhar, a expressão facial dos alunos, já que essas expressões corporais são constitutivas da atividade emocional e auxiliam o professor a identificar o que seus alunos estão sentido durante o processo educativo.

A interação com o meio social faz com que a criança passe de um estado de total sincretismo para um progressivo processo de diferenciação, em que a afetividade está presente permeando a relação entre a criança e o outro, constituindo elemento essencial na construção da identidade. É, ainda, por meio da afetividade que o indivíduo compreende o mundo e avança na atividade cognitiva, resultando, assim, no crescimento intelectual. De acordo com Medeiros, a vida intelectual (a inteligência) está diretamente ligada às relações afetivas:

A vida intelectual requer alguns instrumentos necessários à sua realização tal como a linguagem, que é construída na vida social. Sendo as relações afetivas o primeiro terreno das relações interpessoais da consciência, ela é também uma das condições necessárias à vida intelectual.

Afetividade e inteligência mantêm contínuas relações (2008, p. 12).

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Sendo assim,

[...] cabe ao professor conhecer mais particularmente seus alunos, compreendê-los enquanto sujeitos únicos, considerando que as construções intelectuais são permeadas pelo aspecto afetivo. O relacionamento entre ambos deve ser de amizade, de troca, de solidariedade e respeito mútuo. Não se concebe desenvolver qualquer tipo de aprendizagem em um ambiente hostil. (...). Dessa forma, a prática educativa, na escola, deve primar pelas relações de respeito, proporcionando situações motivadoras a fim de que o educando construa a internalização do conhecimento nas interações com o outro (MEDEIROS, 2008, p. 13).

Diante deste contexto, nota-se que a afetividade é indispensável para o aprendizado em todas as fases do desenvolvimento humano. É por meio da afetividade que o professor tem a possibilidade de fazer com que o aluno passe a se identificar com uma determinada disciplina. Por exemplo:

muitos alunos detestam matemática, mas se o professor criar um bom relacionamento (afetividade) com os alunos há uma grande possibilidade desses passarem a gostar de tal disciplina, e assim, começarem a participar mais ativamente nas aulas. Consequentemente, a interação no processo educativo será bem sucedida.

4 INTERAÇÃO E INTERATIVIDADE NO CONTEXTO

No documento INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO (páginas 102-106)