41 A dinâmica de projetos tem, entre outros pontos básicos, segundo Nogueira é:
[...] a aprendizagem significativa – individual ou coletiva;
a interação dos alunos com o meio, os colegas e o conhecimento;
o conteúdo trabalhado de modo conceitual, procedimental e atitudinal e a atuação do aluno além da competência lógico-matemática e linguística (2007, p. 75).
Muitos percebem a dinâmica dos projetos como mais um modismo a imperar na área da educação. Quase todas as escolas trabalham, ou tentam trabalhar, com projetos nos dias atuais. Afinal, pendurar cartazes nos corredores das escolas ou desenvolver uma sequência de atividades não é realizar projetos.
Para que eles ocorram é necessário haver, sobretudo, um processo de ensino e aprendizagem que proporcione um clima de envolvimento constante no grupo com que se está trabalhando. É preciso que esse grupo perceba a funcionalidade e atualidade dos trabalhos feitos com clara intenção de motivá-lo.
O tema do projeto deve ser escolhido pelos alunos, permitir criar novos conhecimentos e estruturar conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. O professor deve estar atento ao currículo dos alunos “[...]
centrando-se na forma de relacionar os diferentes saberes, em vez de preocupar-se em como levar adiante sua acumulação5” (HERNANDEZ, 1998, p. 47).
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investigação acerca do uso das tecnologias de informação e comunicação, numa busca por trazer ao cotidiano o objeto de pesquisa.
Para uma visão mais completa do uso das tecnologias nos projetos de aprendizagem, não basta investigar apenas o que os professores pensam acerca do uso das tecnologias de informação e comunicação e como fazem uso delas no seu cotidiano educacional, mas também indagar aos alunos onde usam tais tecnologias, como usam, e se de fato lhes favorecem a aprendizagem, uma vez que o nosso alvo é o processo de ensino-aprendizagem.
3.1 SUJEITOS DA PESQUISA
Foi entrevistado um grupo de seis professores de uma escola particular do município de Vitória. A escolha se deu pelo fato de que eles desenvolvem projetos de aprendizagem em seu cotidiano e têm à sua disposição as tecnologias de informação e comunicação, cujo uso essa pesquisa visou a compreender. Também, foi escolhido dessa mesma escola, um grupo de alunos do 9º ano do ensino fundamental II para que participassem dessa investigação, já que possuem mais experiência no uso das tecnologias de informação e comunicação e já desenvolvem projetos de aprendizagem orientados por seus professores. Foram elaboradas oito questões objetivas a que eles responderam sem se identificarem.
3.2 COLETA DE DADOS
Obtivemos os seguintes dados dos professores:
1º. Todos os profissionais entrevistados têm mais de seis anos de formação profissional e, também, mais de seis anos de trabalho efetivo em sala de aula;
2º. Apenas 16% dos profissionais entrevistados fizeram algum curso de formação na área das tecnologias de informação e comunicação, no entanto, todos usam as tecnologias em suas salas de aulas em situações diversas – projetos de trabalho ou atividades rotineiras;
3º. A instituição onde esses profissionais trabalham incentiva ao uso das tecnologias por meio da oferta de equipamentos e apoio profissional/
técnico para o desenvolvimento das atividades. Mas tais incentivos, ainda, estão aquém das demandas dos professores, que percebem a falta de
43 capacitação/treinamento/aperfeiçoamento oferecida a eles, para que usem os recursos e alcancem melhores resultados;
4º. Os professores são unânimes em afirmar que o uso das tecnologias colabora com a aprendizagem, tornando as aulas mais interessantes, dinâmicas e divertidas. Chama atenção a opinião de alguns dos entrevistados que expuseram dois pontos de vista bem específicos: a necessidade do planejamento, para que as aulas em que se utilizam as tecnologias de informação e comunicação alcancem os objetivos propostos e o uso equivocado das tecnologias, em um formato tradicional de ensino em que o aluno apenas copia slides apresentados, e;
5º. Quanto à reação dos alunos diante do uso das tecnologias nos projetos de aprendizagem, os professores avaliam que a aceitação é grande. Os alunos se mostram motivados e isso possibilita uma maior interação entre os alunos e o objeto de conhecimento. Além disso, os professores admitem que os alunos saibam mais acerca das tecnologias do que eles mesmos.
Em relação ao questionário dos alunos, os resultados foram:
• A maioria usa as tecnologias de informação e comunicação não apenas na escola e em suas casas, mas também em outros espaços, o que amplia bastante o contato dos alunos com a tecnologia, para além do contexto educacional;
• Os alunos deixaram claro que as tecnologias de comunicação e informação os ajudam muito na execução das tarefas escolares.
Faz-nos perceber que tais tecnologias já estão perfeitamente integradas à sua rotina, bem como lhes servem de suporte essencial na aprendizagem;
• Fica evidente que, na maioria dos projetos, há emprego das tecnologias;
• Os alunos encontram no uso das tecnologias um aliado no desenvolvimento dos projetos. No entanto, aponta que as tecnologias favorecem moderadamente o desenvolvimento dos projetos, o que poderia ser visto, inicialmente, como uma contradição em relação aos resultados anteriores. Na verdade, tendo em vista a natureza diversificada dos projetos desenvolvidos por eles, tal resposta é compreensível;
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• A maioria percebe sua aprendizagem tendo como suporte as tecnologias de informação e comunicação. Essa ampliação da aprendizagem pode sugerir não só aprendizagem dos conceitos como, também, de procedimentos e atitudes;
• Foram oferecidas 10 (dez) tecnologias diferentes para as quais cada aluno deveria atribuir nota 1, para a mais utilizada até 10, para a menos utilizada. Foi apontado que o recurso mais utilizado é a pesquisa na Internet. Em segundo lugar, os editores de texto, seguido bem de perto pelo software de apresentação. Softwares de planilha eletrônica, animação e editor de vídeo compareceram com o menor número de usuários; enquanto vídeos, blogs e e-mails comparecem numa escala mediana. Demonstra o quanto há, ainda, para explorar nesse universo das tecnologias de informação e comunicação e quantas ferramentas, ainda, não são acessíveis aos alunos para o desenvolvimento dos projetos de aprendizagem;
• Os alunos foram unânimes em afirmar que a escola incentiva o uso das tecnologias e esse é um dado animador, já que as tecnologias estão cada vez mais presentes em suas vidas dentro e fora da escola;
• Percebe-se que os alunos têm alguma discordância entre si acerca do interesse dos professores em usar as tecnologias nos projetos de aprendizagem e, também, não há consenso acerca da aptidão dos mesmos para utilização das tecnologias.
3.3 RESULTADOS
Os resultados obtidos na pesquisa são, como se esperava, os mais positivos possíveis, tanto em relação ao questionário dos professores, quanto aos dos alunos. Positivos porque foi possível perceber, por meio do relato dos professores, que o uso das tecnologias está cada vez mais presente nas salas de aula, apoiando o desenvolvimento dos projetos de trabalho.
Apesar de os professores, em sua maioria, não ter feito cursos específicos nessa área, todos estão utilizando os recursos das tecnologias de informação e comunicação e concordam com o fato de que seu uso traz benefícios para suas aulas tornando-as mais interessantes.
45 Outro resultado importante foi que os professores perceberam que os alunos têm prazer no uso das tecnologias e isso possibilita que os projetos de aprendizagem se tornem mais envolventes e com aprendizagem mais consistente. Apesar disso, os professores apontam não só vantagens no uso das tecnologias, mas também desvantagens, conforme alguns relatos: “Se a escola não possuir estrutura adequada ou o software utilizado for de difícil manuseio, o tempo de execução pode ser bem maior e o aproveitamento por parte dos alunos menor”6. “É necessário que o professor tenha um bom planejamento”7. Ora, fica claro que os professores, ainda, têm receio de utilizar os recursos e procuram evitar softwares mais complexos devido ao limitado tempo que têm em sala de aula. Por outro lado, temem pelos transtornos que seu uso pode oferecer, uma vez que precisam se cercar de cuidados fazendo
“um bom planejamento”.
É certo que a falta de intimidade com as tecnologias tem se tornado um entrave para muitos dos professores trabalharem em suas salas de aula. Isso se deve à carência em sua formação e à falta dos cursos de formação necessários.
Outro professor trouxe o seguinte depoimento: “Dependendo da aula fica mais dinâmica e eles ficam mais envolvidos, porém já vi professores substituindo a velha aula tradicional de quadro negro e giz por uma aula mais “moderninha” e os alunos passam a aula toda só copiando”8.
Demonstra que há um senso crítico na utilização dos recursos tecnológicos, apenas, como enfeites de aulas nos antigos moldes tradicionais:
aulas em que o aluno apenas reproduz e copia e o professor é aquele que sabe, ensina e manda sem ser questionado, ou seja, em que prevalece a pedagogia da transmissão. Como afirma Silva:
A aprendizagem não se dá a partir da récita do professor. Isto requer, portanto, modificação radical em sua autoria em sala de aula presencial e online.
O professor não se posiciona como o detentor do monopólio do saber, mas como aquele que dispõe
6 Informação obtida por meio de questionário aplicado aos professores.
7 Idem 8 Idem
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teias, cria possibilidades de envolvimento, oferece ocasião de engendramento, de agenciamentos e estimula a intervenção dos aprendizes como co- autores da aprendizagem. O tratamento dessa postura comunicacional tem no conceito de interatividade uma agenda comunicacional alternativa à pedagogia da transmissão (2008, p. 83).
Os resultados obtidos por meio do questionário dos alunos foram bastante esclarecedores acerca da utilização das tecnologias de informação e comunicação. Os alunos utilizam muito, na escola e fora dela, e são estimulados pela escola e pelos professores a fazê-lo. Além disso, foi bastante encorajador obter como resultado desse questionário a percepção de que os resultados desse uso durante o desenvolvimento dos projetos foi realmente a aprendizagem. Fica, no entanto, um alerta sobre os softwares/ferramentas mais usados (pesquisa na Internet, editor de texto e PowerPoint) para que não sejam utilizados como recurso de cópia ou reprodução, mas que sejam, acima de tudo, ferramentas de construção do conhecimento.