3 A CIDADE DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ
Para caracterizar a cidade de Balneário Camboriú sob a perspectiva sistêmica, considerou-se o sistema de fixos e fluxos postulado por Santos (1999, p.50) para expressar uma determinada realidade geográfica. Deste modo, os elementos fixos
“permitem ações que modificam o próprio lugar, fluxos novos ou renovados que recriam as condições ambientais e as condições sociais, e redefinem cada lugar”. Os fluxos, por sua vez, são “um resultado direto ou indireto das ações e atravessam ou se instalam nos fixos, modificando a sua significação e o seu valor, ao mesmo tempo em que, também, se modificam”.
Destes conceitos, apreende-se que o sistema de fixos é constituído por ambientes naturais e construídos e o sistema de fluxos pelas dinâmicas sócio-econômicas, sobre os quais se ilustra a seguir com o caso de Balneário Camboriú. Além destes, acrescentou-se também a evolução histórica da cidade, tendo em vista que a atual configuração territorial é decorrente, ao longo dos anos, da negação dos ambientes naturais (solo, água, clima, vegetação e fauna), substituídos pelos ambientes construídos (edificações e infraestrutura urbana), em função da intensa exploração turística, a principal atividade econômica da população.
Mapa 01: Mapa Político-Administrativo de Santa Catarina.
Fonte: Secretaria de Estado do Planejamento (2007).
Mapa 02: Mapa da Regional de Itajaí, que contempla Balneário Camboriú.
Fonte: Secretaria de Estado do Planejamento (2007).
Mapa 03: Balneário Camboriú.
Fonte: Prefeitura de Balneário Camboriú (2009).
A vegetação é composta por Mata Atlântica e também por restingas, arbustos e manguezais; o relevo é formado por planície litorânea e por morros que compõem o conjunto de serras do leste catarinense; a principal bacia hidrográfica é a do Rio Camboriú, destacando-se também duas microbacias formadas pelo Rio Canal do Marambaia e pelo Rio Peroba; o clima é subtropical, predominando o mesotérmico úmido, cuja temperatura no inverno varia de 03 a 18ºC e no verão ultrapassa os 25ºC, marcando uma forte sazonalidade.
Ao longo da orla marítima, existem nove praias9 que constituem o principal atrativo turístico de Balneário Camboriú, sendo a praia central a que contém o maior fluxo de banhistas. As condições de balneabilidade são divulgadas periodicamente pela FATMA, órgão estadual que monitora a qualidade da água do mar para o banho humano. O acompanhamento realizado semanalmente na alta temporada tem indicado alguns pontos impróprios na praia central devido à contaminação por esgoto doméstico. Há, no máximo, um próprio.
Além das nove praias, a Ilha das Cabras e o Morro do Careca são também importantes elementos naturais de Balneário Camboriú. A Ilha das Cabras é uma ilha continental de 10 Km2, situada a 600 metros da praia central, aonde acontece uma das atrações turísticas mais tradicionais do município: a queima de fogos de artifício na noite do reveillon. O Morro do Careca, na parte norte do município, situa- se no Bairro Praia dos Amores, divisa com Itajaí, aonde é possível praticar esportes radicais como voos de parapente e asa-delta, rapel e escalada.
Quanto aos ambientes construídos, de acordo com Boullón (2002), a infraestrutura urbana é dividida em quatro sistemas, os quais são insumo para o turismo: de transportes (terrestre, aéreo e aquático); de comunicações (postais, telegráficas, telex e telefônicas); de saneamento básico (rede de água, rede de esgoto, coleta de lixo e saúde); e de energia (rede elétrica e combustível).
O sistema de circulação de Balneário Camboriú é composto por três vias de acesso: terrestre, pela BR-101, uma via artificial, completamente construída pelo
9 Central, Laranjeiras, Taquarinhas, Taquaras, do Pinho, Estaleiro, Estaleirinho, do Canto e do Buraco.
homem para unificar todo litoral brasileiro; aéreo, pelos aeroportos de Navegantes (SC) e de Florianópolis (SC), uma via natural, cuja utilização é sem custos para o usuário; e marítimo, pelo Porto de Itajaí, uma via natural artificialmente melhorada pelo homem, isto é, uma via dragada, com margens ampliadas para navegação.
Destas, a via terrestre é a mais utilizada pelos turistas que chegam à cidade. De acordo com a SANTUR (2008), na temporada 2007-2008, a maioria (72,93%) dos turistas utilizou automóvel, ou ônibus (26,73%), para se deslocar entre a região emissora e a região receptora e, também, entre os meios de hospedagem e os atrativos turísticos do destino.
Contudo, esta preferência dos turistas por meios de transporte terrestres tem ampliado demasiadamente o fluxo de veículos na cidade, congestionando as vias e comprometendo todo sistema viário, uma vez que há dificuldades de comportar até mesmo a própria frota, que é composta por 61.445 veículos. Destes, 36.111 são automóveis e 204 ônibus, de acordo com o DETRAN-SC (2010). Além disso, há também o conflito entre pedestres e veículos em razão do exíguo espaço para usufruto de cada um. Convém destacar que, em Balneário Camboriú, o sistema viário é ordenado por quatro vias paralelas à praia (Avenida Atlântica, Avenida Brasil, Terceira Avenida e Quarta Avenida), duas vias transversais (Quinta Avenida e Avenida do Estado) e uma via perpendicular (Avenida Central), as quais são descritas no próximo capítulo desta dissertação.
O sistema de comunicações de Balneário Camboriú é composto por: dois jornais impressos; duas rádios AM, três rádios FM e uma rádio comunitária; oito canais de televisão retransmissores e um canal de sinal livre, além da TV por assinatura. Com exceção dos jornais impressos, os demais meios de comunicação de massa são outorgados, regulamentados e fiscalizados pela ANATEL (2008), uma autarquia do Ministério das Comunicações.
A cidade conta também com duas agências dos Correios para os serviços postais e oito empresas para os serviços de telecomunicações, que contemplam as telefonias fixa e móvel e o acesso à Internet. Sobre a telefonia fixa, quatro localidades do município são atendidas com 40.355 telefones para uso privado e 667 para uso público: Balneário Camboriú, Estaleiro, Estaleirinho e Taquaras. Quanto à telefonia
móvel, estima-se que há 5.084.072 de aparelhos celulares em Santa Catarina, destes 2.253.569 foram habilitados com o código de área 47, ao qual Balneário Camboriú pertence, o que representa 44,32% do total do Estado.
Quanto ao sistema de saneamento básico, a EMASA (2009) é responsável pelo abastecimento de água e pelo tratamento de esgoto sanitário. Ao todo, são abastecidas 62.735 unidades consumidoras de água por meio de 16.995 pontos de ligação. A captação de água é feita no Rio Camboriú e tratada com floculadores, decantadores e filtros rápidos de fluxo descendente numa estação situada à Avenida Marginal Leste, esquina com Avenida das Flores. No caso do esgoto sanitário, 51.767 unidades são atendidas por meio de 9.018 pontos de ligação. O tratamento é feito em lagoas facultativas e anaeróbias numa estação situada no Bairro Nova Esperança.
A coleta de lixo é feita por uma empresa privada, Ambiental Saneamento e Concessões (2009), que também faz a coleta seletiva. Durante a alta temporada são recolhidos, em média, 160 toneladas/dia de lixo sujo e 76 toneladas/mês de lixo limpo. Na baixa temporada estas médias reduzem-se em 62,5% e 73,6%
respectivamente. A coleta é realizada diariamente no centro de Balneário Camboriú e três vezes por semana nos demais bairros. O lixo sujo é levado ao Aterro Sanitário Canhanduba, em Itajaí, e o lixo limpo à Associação Ecológica de Catadores de Materiais Recicláveis “Terra Limpa”, no Bairro Várzea do Ranchinho.
Por fim, o sistema de energia em Balneário Camboriú é de responsabilidade da CELESC (2008) que fornece energia elétrica de 64.389 unidades consumidoras, o que corresponde a 3% de todo do Estado de Santa Catarina.