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Circulação de pedestres

No documento universidade do vale do itajaí - Univali (páginas 79-84)

Não há informações oficiais sobre a quantidade de bicicletas existentes na cidade.

Mas, estima-se que existam 65 milhões de bicicletas no país, sendo que 14% delas estão na Região Sul, conforme os dados da ABRACICLO (2010). Sobre os veículos motorizados leves, estão registrados no DETRAN-SC (2010): 36.111 automóveis e 10.992 motocicletas, com placas de Balneário Camboriú. Destaca-se ainda que o fluxo destes veículos no trânsito amplia demasiadamente no verão, pois, a maioria dos turistas chega de automóvel à cidade.

sobretudo, os desgastes emocionais de toda família com a recuperação da saúde da vítima, que tem sua qualidade de vida reduzida em função do acidente. Para tanto, o IPEA (2003, p.40) indicou subsídios para formulação de políticas públicas voltadas para a circulação dos pedestres:

Propõe-se implementar políticas específicas dirigidas para a segurança do pedestre, o elemento mais vulnerável no trânsito. Tais políticas devem contemplar ações como identificação e desobstrução de ‘corredores para circulação de pedestres’, pavimentação, sinalização e iluminação de rotas preferenciais, implantação de faixas e passarelas para pedestres.

Vasconcellos (2000; 2001; 2005), em diversos trabalhos, afirma que a condição de pedestre é a mais democrática no trânsito porque iguala todas as pessoas no sistema viário; é diferente da condição de motorista, por exemplo, que exige das pessoas a habilidade de dirigir o automóvel. No entanto, as calçadas não são tratadas como uma questão de interesse público do mesmo modo que ruas e avenidas. Daí, as necessidades de circulação dos pedestres nos espaços públicos são negligenciadas porque a responsabilidade recai sobre o proprietário do terreno e/ou do imóvel em frente às calçadas. À prefeitura cabe a fiscalização das condições físicas destas e a regulamentação para que sejam construídas de acordo com as normas técnicas que garantem a segurança e a autonomia dos pedestres.

Porém, sabe-se que, não prática, isto não procede. Em Balneário Camboriú, as calçadas padronizadas e em boas condições físicas para o uso dos pedestres são aquelas consideradas “cartão-postal” da cidade, como as localizadas na Avenida Atlântica e na Avenida Brasil, por onde residentes e turistas transitam diariamente.

Ainda assim, há problemas de circulação para os pedestres com deficiência, como:

rampas inadequadas e calçadas obstruídas, conforme será visto adiante. Nas vias locais, que são os acessos à praia central, a situação se agrava. Percebe-se a falta de fiscalização e de normatização por parte da prefeitura, além da conscientização da população sobre a importância da acessibilidade urbana: as calçadas são mal dimensionadas, esburacadas e repletas de barreiras físicas.

Para organizar a estrutura de circulação das cidades, priorizando as necessidades e os interesses dos pedestres e dos ciclistas, o Programa Brasileiro de Acessibilidade

Urbana - Brasil Acessível - foi lançado pelo Ministério das Cidades. O intuito é facilitar o acesso aos espaços públicos de tal modo que as pessoas possam ir e vir com segurança e autonomia. De acordo com a Lei Federal nº. 9.503/1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, as calçadas são definidas como: “parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros fins”.

Para tanto, as calçadas devem possuir de duas a três faixas (de serviço, livre e de apoio), considerando a largura mínima de dois metros em toda extensão, conforme é demonstrado na figura a seguir. A faixa de serviço, localizada junto ao meio-fio, é destinada à arborização, às rampas de acesso, aos postes de iluminação pública, à sinalização do trânsito e ao mobiliário urbano; a faixa livre, localizada entre as faixas de serviço e de apoio, é de uso dos pedestres exclusivamente; e a faixa de apoio, localizada defronte aos estabelecimentos comerciais, é destinada ao usufruto dos proprietários e/ou locatários destes imóveis.

Figura 02: Esquema de calçada com separação de usos.

Fonte: MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2006, p.74.

Em Balneário Camboriú, o que se percebe é: as calçadas têm dimensões muito estreitas para comportar estas três faixas pelo fato de que o parcelamento do solo em pequenos lotes, quando a cidade foi estruturada nos anos 1940-70, reduziu os espaços públicos dando lugar preferencial aos espaços privados. Por esta razão, os espaços públicos estão recheados de conflitos, os quais dificultam a circulação dos

pedestres, como: quando os automóveis estão estacionados em locais indevidos - sobre as calçadas - ou quando entram e saem de garagens; e quando mobiliários urbanos públicos e privados estão instalados de forma inadequada nas faixas de serviço e de apoio sem a devida sinalização.

4.3.1 Indicadores de qualidade para caminhadas

Para conhecer as condições de trânsito e de transporte nas cidades brasileiras, a ANTP (1999) formulou um conjunto de indicadores de qualidade e eficiência para atribuí-los aos diferentes papeis no trânsito, como: pedestre, ciclista e motorista, considerando que cada um deles possui necessidades e interesses específicos devido à condição de sujeitos ativos no tráfego. Neste estudo, foram considerados apenas os indicadores relacionados à acessibilidade dos pedestres, os quais facilitaram a descrição das condições de trânsito na área central de Balneário Camboriú. A seguir, conceitua-se:

Condição física das calçadas

Relaciona-se diretamente com a acessibilidade dos pedestres. De acordo com a ANTP (1999), a calçada é acessível quando: está livre de barreiras; comporta adequadamente as faixas de serviço, livre e de apoio; possui piso antiderrapante em bom estado de conservação; e uma declividade transversal máxima de 2% e longitudinal máxima de 15%, com rebaixamento nas travessias e sinalização e iluminação adequada.

Continuidade dos percursos

Depende diretamente das condições físicas das calçadas. Se estas são acessíveis, o percurso é contínuo, o tempo de caminhada é otimizado e a apropriação a pé dos espaços públicos pode ser ampliada. Caso contrário, pode-se dizer que o espaço público torna-se de uso limitado aos pedestres, sobretudo àqueles com deficiência, porque quanto mais barreiras há numa calçada, maior é o tempo percorrido, menor é o espaço apropriado em função do percurso descontínuo, que pode ser interrompido por vezes para o desvio da rota.

Sinalização e condição das travessias

Relacionam-se diretamente à segurança dos pedestres. A sinalização vertical pode ser: de advertência, para avisar ao pedestre alguma situação de risco; de serviço, para indicar onde atravessar com segurança; e educativa, para informar como atravessar com segurança. A faixa de pedestre, paralela ou zebrada, é a sinalização horizontal que indica ao motorista que a prioridade de passagem é do pedestre (ANTP, 1999). No entanto, percebeu-se neste estudo que qualquer sinalização é inutilizada quando a condição das travessias está impedida por mobiliários urbanos, por exemplo, de tal modo que o pedestre tenha que desviá-los caminhando pelos bordos da pista.

5 AS CONDIÇÕES DO TRÂNSITO PARA PEDESTRES

No documento universidade do vale do itajaí - Univali (páginas 79-84)