Na agropecuária, o cultivo de bananas em lavoura permanente é o que se destaca no setor primário, cuja produção é de 40 toneladas/ano numa área plantada e colhida de dois hectares. O efetivo de rebanho é composto por 45.270 cabeças de aves, bovinos, equinos, suínos e caprinos, sendo o rebanho das aves predominante (99,4%) na pecuária municipal. Dos produtos de origem animal, destacam-se: o mel de abelha, os ovos de galinha e o leite de vaca. Estes são produzidos nas seguintes quantidades: 350 kg/ano, 71 mil dúzias/ano e 48 mil litros/ano, respectivamente.
De acordo com IBGE (2006), considerando os três setores da economia, a estrutura empresarial de Balneário Camboriú é composta por 9.046 unidades de trabalho, gerando emprego para mais de 38 mil pessoas. Destas unidades, as três que mais movimentam a economia local são: comércio, reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos (4.164); atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas (1.927); e alojamento e alimentação (1.072), que representam 79,18% do todo. Por conta desta estrutura empresarial instalada no município, o PIB municipal atualizado em 2006 foi de R$1.133.267.000,00, compreendendo 1,22% da economia catarinense, se colocando na 15ª posição, com um PIB per capita de R$11.569,00.
e a construção da Igrejinha de Nossa Senhora do Bom Sucesso10, em 1840, o Arraial do Bom Sucesso foi elevado à categoria de Freguesia nove anos depois.
Nesta época, as famílias se sustentavam por meio de atividades comerciais, da produção agrícola, do extrativismo da madeira, da construção naval e da pesca.
No entanto, devido à ínfima extensão da área - 4,9km2 - da Freguesia Nossa Senhora do Bom Sucesso e à existência de um espaço territorial inteiro a ser explorado acima do Rio Camboriú, em 1836, Tomás Francisco Garcia, vindo do Ribeirão da Ilha (um dos distritos de Florianópolis), instalou-se nas terras férteis do irmão José Francisco Garcia e fundou a Vila dos Garcia às margens do Rio Pequeno, afluente do Rio Camboriú. A concorrência entre o sítio da Barra Sul e a Vila dos Garcia foi estimulada pelas condições favoráveis do uso do solo para agricultura, pecuária e extrativismo mineral desta última.
Por esta razão, a Vila dos Garcia tornou-se o mais importante centro das transações comerciais da Freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, o que lhe proporcionou a independência político-administrativa do município de Itajaí, em 05 de abril de 1884, denominando-se, então, Camboriú. Porém, a sede permaneceu no sítio da Barra Sul até fevereiro de 1890, quando o Governador Lauro Müller determinou a transferência da sede do município para a Vila dos Garcia. Esta decisão descontentou a população e para apaziguar os ânimos exaltados, o Distrito da Barra foi criado em 1894, porém, extinto em 1900.
A partir da década de 1920, com a expansão industrial no Alto Vale do Itajaí, o poder aquisitivo da população residente em Brusque e em Blumenau aumentou rapidamente, proporcionando-lhes o lazer. Com isso, os primeiros veranistas da Praia de Camboriú - criada oficialmente em 1959 - são oriundos destas localidades.
De acordo com Corrêa (1985), Blumenau foi o mercado emissor catarinense que mais contribuiu com o progresso de Camboriú, em decorrência das excursões nos fins de semana e do povoamento teuto-brasileiro, além da construção das residências secundárias e dos meios de hospedagem devido ao relacionamento permanente com a região de destino.
10 Atual Capela de Santo Amaro, tombada como Patrimônio Cultural do Estado de Santa Catarina pelo Decreto nº. 2.992/1998.
Com o turismo em alta e por interesses político-econômicos, houve a separação do Balneário de Camboriú11 de Camboriú, em 20 de julho de 1964, sob o aval do Governador Celso Ramos. Com este ato, que se revelou impensado nos últimos anos, o uso e a ocupação do território foram estimulados pela construção civil e também pela especulação imobiliária. Além disso, a abertura da BR-101, nos anos 70, e sua duplicação, nos anos 90, aceleraram o crescimento urbano porque, além de facilitar o acesso à cidade, efetivou o turismo de massa devido à proximidade com o mar. Deste modo, percebe-se que a urbanização da cidade está intimamente relacionada à atividade turística massificada.
Sob esta perspectiva, Skalee (2008) identificou três momentos históricos marcantes no processo de construção da cidade de Balneário Camboriú: de 1920 até 1945, período que antecede a Segunda Guerra Mundial, a ocupação turística inicia-se com a instalação dos primeiros meios de hospedagem e das residências secundárias na praia central, conforme dito anteriormente; de 1945 até 1970, período pós-guerra, a cidade em si é estruturada por meio da abertura das principais ruas e avenidas e do parcelamento de grandes loteamentos em pequenas porções para comercialização e posterior construção de empreendimentos imobiliários; e a partir de 1970, com a inauguração da BR-101, quando se intensifica a exploração turística da cidade, transformando rapidamente a paisagem natural em paisagem urbana. Além disso, o crescimento da cidade se estendeu para além da BR-101, com a criação de novos bairros, nos quais reside a população de menor poder aquisitivo.
Atualmente, Balneário Camboriú pode ser considerado um aglomerado urbano pelo fato da população residente ser superior a 50 mil e inferior a 500 mil: são pouco mais de 94 mil pessoas vivendo plenamente no espaço urbano, com acesso aos serviços básicos e bens de consumo. Trata-se de um dos municípios catarinenses com a maior densidade demográfica: 1579 hab./km2 (PNUD, 2000). No entanto, esta população tende a aumentar por causa dos “forasteiros agregados”. De acordo com Yágizi (2001), a urbanização das cidades litorâneas em função da atividade turística ampliou demasiadamente o fluxo de pessoas, que passaram a residir nos lugares que costumavam frequentar nos fins de semana, feriados prolongados e nas férias.
11 Em 1979, a preposição “de” foi suprimida desta nomenclatura, tornando-se Balneário Camboriú.
Deste modo, o autor questiona: o que é a população local, se antes de residir, as pessoas eram turistas?
Balneário Camboriú ilustra esta situação: pessoas oriundas de várias partes do país trouxeram suas culturas de origem para habitar na cidade, o que comprometeu a identidade do lugar. Dificilmente se encontra pessoas nativas porque a apropriação do espaço litorâneo pelos “forasteiros agregados” afastou a população local de fato, que não teve condições de arcar com os ônus gerados pela especulação imobiliária que provocou a renovação urbana. Os pescadores de Balneário Camboriú, que constituíam a população local, abandonaram suas atividades tradicionais para exercer uma atividade mais rentável: o turismo. Deste modo, tornaram-se dependentes de uma atividade para a qual não foram qualificados.
Os grupos remanescentes de pescadores situam-se no Bairro da Barra que, de acordo com Santos Jr. (2000), é um setor da cidade ainda preservado por conta de três fatores: 1. longo período de esquecimento político-administrativo - iniciado em 1890, quando ocorreu a transferência da sede do recém-criado município de Camboriú da Barra para Vila dos Garcia; 2. geografia local - o Rio Camboriú que deságua direto no Oceano Atlântico e o conjunto de serras que contornam o sítio, isolando-o da praia, que é o principal atrativo turístico da cidade; e 3. as diferentes fases de produção e as formas de utilização e ocupação do solo - que são limitadas ao exíguo espaço territorial.
Um estudo complementar ao de Santos Jr. (2000), realizado por Fernández (2002), mostra que a abertura da Rodovia Interpraias, em dezembro de 2000, alterou a dinâmica urbana deste bairro, descaracterizando-o de forma lenta e gradual a partir das alterações do uso e ocupação do solo. Com isso, o Bairro da Barra encontra-se ameaçado porque, com a facilidade de acesso à praia central, ao norte, e às praias agrestes, ao sul, de Balneário Camboriú, o interesse turístico pelo local foi despertado. Em razão da existência do patrimônio histórico, atualmente, tenta-se inserir o turismo cultural, no entanto, se não houver planejamento urbano e turístico, este local poderá sofrer os impactos negativos do turismo de massa assim como aconteceu na área central da cidade.
4 O SISTEMA VIÁRIO E DE TRANSPORTE
O sistema viário é um dos componentes do macro-sistema da infraestrutura urbana, composto por quatro subsistemas ou elementos - vias, transportes, força motriz e terminais - que influem diretamente no crescimento e no desenvolvimento de uma cidade, pois, são capazes de ampliar a sua extensão territorial e o seu potencial econômico. No sistema turístico, estes subsistemas que compõem o sistema viário relacionam-se aos deslocamentos feitos pelos turistas entre a região de origem e a região de destino e, também, entre os meios de hospedagem e atrativos turísticos.
Neste sentido, o sistema viário revela-se um serviço tão essencial à população residente quanto aos turistas, uma vez que possibilita a circulação pela e entre as cidades por meios diversos.
Numa definição sucinta sobre os subsistemas ou elementos do sistema viário, de acordo com Lohmann e Panosso Netto (2008), as vias são por onde as pessoas e os veículos circulam e podem ser artificiais, naturais ou naturais artificialmente melhoradas; os transportes são os modos de locomoção desenvolvidos com tecnologia compatível às vias, proporcionando aos usuários flexibilidade e privacidade, velocidade e alcance, que são fatores determinantes para o turismo em função do tempo e dos custos; a força motriz relaciona-se à tecnologia dos transportes e das vias, sendo dependente do sistema energético, sem o qual o sistema viário e de transporte não funciona; e, por fim, os terminais, que são os lugares aonde se têm acesso aos transportes.