Google Forms informou que há um limite de envios diários, o que impossibilitou que o convite fosse feito conforme havia sido planejado. Um lembrete do questionário foi enviado nos dias 07 dez. 2022, 11 dez. 2022 e 12 dez. 2022 (mais uma vez, a listagem foi dividida em três partes). O questionário ficou disponível para receber respostas até o dia 20 de jan. de 2023, mas a última resposta foi computada no dia 11 jan. 2023.
Além disso, é importante mencionar também que coordenadoras e coordenadores que eram conhecidos pela pesquisadora e por sua orientadora foram contatados através de outros meios (através do Whatsapp e de outros e-mails).
O questionário continha um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) no início e era composto por questões abertas e fechadas. O TCLE e o questionário estão disponíveis no Apêndice D no formato em que foi exportado do Google Forms.
É importante destacar que a unidade de análise utilizada foi projeto de extensão universitária em saúde. Por isso, um mesmo coordenador, caso fosse responsável por mais de um projeto, poderia enviar mais de uma resposta. Sendo assim, as respostas citadas aqui estão identificadas como ―Projeto‖ + ―número identificador‖, como, por exemplo, ―Projeto 25‖.
Os trechos das respostas apresentados aqui estão reproduzindo exatamente as respostas enviadas, sem alteração alguma. Por isso, em alguns trechos citados, podem ser identificados erros de digitação. Omissões de trechos e observações foram assinaladas entre colchetes. Alguns trechos foram retirados para preservar o anonimato dos projetos, cortando, assim, referências às suas áreas e aos locais de atuação.
Como este estudo adotou uma abordagem que coloca métodos qualitativos e quantitativos em diálogo através de um processo baseado na estratégia aninhada concomitante, isso exigiu uma técnica de transformação de dados. Ela é definida por Creswell (2007) como a transformação de dados quantitativos em qualitativos ou vice-versa. Nesse processo, tanto achados homogêneos quanto os únicos foram observados com atenção (GOMES, 2015). Assim, ao mesmo tempo em que resultados obtidos a partir da verificação das distribuições de frequências foram explorados, trechos únicos das entrevistas ou das questões abertas dos questionários também foram considerados.
A quantificação das entrevistas e questões abertas foi feita através de um processo de categorização, baseando-se nos seguintes passos: (1) leitura do material ao longo do processo de coleta até o final da sua realização e (2)
―[identificação] dos temas que poderiam expressar os depoimentos dos entrevistados‖ (GOMES, 2015, p. 102). A partir da identificação desses temas, foram criadas categorias que pudessem representá-los.
Para ilustrar o processo, um exemplo: a categoria ―importância do presencial‖.
Abaixo, um trecho das respostas dos responsáveis pelo Projeto 2 e pelo Projeto 12 na pergunta acerca de suas preocupações, expectativas e considerações sobre as TDIC para os próximos anos:
―Prefiro não usar - o contato presencial é muito importante‖ (Projeto 2)
―[...] tendo em vista a necessidade de não se perder os momentos de encontros, diálogos e trocas presenciais, que são imprescindíveis no âmbito da [área a qual o projeto está vinculado], grande área à qual o projeto está vinculado‖ (Projeto 12)
Nos dois trechos há uma ideia em comum: o destaque à importância das atividades presenciais. Sendo assim, criou-se a categoria ―importância do presencial‖, em que todas as respostas que compartilham dessa ideia foram inseridas. Aqui, reconhece-se que o processo pode ser de alguma forma arbitrário, pois passa pela avaliação da pessoa responsável pelo enquadramento das respostas em categorias. Entretanto, para garantir transparência no processo, os passos adotados foram detalhados, e exemplos de cada categoria também foram apresentados.
A organização prática do processo de categorização dos questionários ocorreu dentro de planilhas eletrônicas do Excel. Cada questionário representou um caso (ou seja, foi representado em uma linha). Enquanto isso, cada questão foi representada por uma coluna (ou seja, cada variável em uma coluna). Em seguida, cada caso recebeu um número identificador (ID). O mesmo processo também foi feito com as entrevistas.
Para analisar cada uma das variáveis foi criada uma planilha dentro do mesmo programa, para que alterações não fossem feitas na base de dados original.
Para as questões fechadas, o único procedimento realizado foi uma distribuição de frequências de cada uma. Para as abertas, antes da distribuição de frequências, foi realizado o processo de categorização citado anteriormente, o que fez com que novas colunas (variáveis) fossem criadas.
Ou seja, após a leitura de todas as respostas várias vezes, temas (recorrentes ou não) foram identificados. Para cada tema identificado, foi criado uma coluna. Em seguida, cada resposta foi ―questionada‖ sobre a categoria, podendo receber ―Sim‖ ou ―Não‖ (que, na planilha, foram indicados por 1 ou 0, respectivamente). Além disso, cada resposta pôde receber mais de uma categoria.
Após esse processo, foi realizada a distribuição de frequências. Um exemplo da organização adotada pode ser visto na Tabela 5.
Tabela 5 - Exemplo da categorização das respostas abertas nas planilhas
ID do projeto
Questão sobre preocupações, expectativas e considerações sobre as
TDIC
TDIC apenas emergencial/
alternativo?
Crítica à acessibilidade das
TDIC?
4
―O projeto trata de atividades eminentemente práticas e preza pelo
convívio social dos pacientes participantes. Por esse motivo, o uso de
TDIC no âmbito do projeto é somente alternativo, em caso de impedimento das
atividades presenciais.‖
1 0
5 ―Acho que seu uso é bastante
proveitoso.‖ 0 0
Fonte: elaborado pela autora com base nos questionários
A partir dessa aproximação com o material, a autora levantou uma série de questionamentos que foram levados à etapa de síntese interpretativa. Este, segundo Gomes (2015), é o momento de ―[...] fazer uma articulação entre os objetivos do estudo, a base teórica adotada e os dados empíricos‖ (GOMES, 2015, p. 101).
Em resumo, o passo a passo do processo de análise foi composto por:
1. Leitura compreensiva;
2. Categorização e organização das informações em planilhas;
3. Verificação da distribuição de frequências;
4. Observação e exploração dos dados com um todo;
5. Levantamento de questões;
6. Síntese Interpretativa.
Ou seja, os passos adotados para a elaboração do estudo estão resumidos no fluxograma a seguir:
Quadro 5 - Fluxograma dos passos realizados no estudo
Fonte: A autora, 2022.
Antes de prosseguir, uma última observação. Após a análise, dois relatórios parciais (um para as entrevistas e um para os questionários) com um resumo dos resultados foram enviados aos respondentes no dia 06 fev. 2023. Além disso, foi aberto um espaço para que eles pudessem fazer novos comentários via e-mail ou Whatsapp. Até o dia 12 fev. 2023, nenhuma nova informação foi acrescentada.
Dessa maneira, tudo que foi obtido a partir dos três procedimentos descritos anteriormente está detalhado a seguir.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esta seção da dissertação apresenta os resultados dos procedimentos adotados e, a partir disso, constrói uma articulação com a base teórica. Ela está dividida em quatro partes: as três primeiras com os resultados e a última com a discussão. Essa separação foi adotada para permitir uma descrição detalhada dos resultados encontrados antes de dar início à discussão, com o objetivo de oferecer transparência aos processos adotados na categorização dos achados por meio de exemplos.
Portanto, suas subdivisões são: ―A extensão universitária na UERJ‖, com os resultados das entrevistas; ―Levantamento dos projetos de extensão em saúde da UERJ‖, com os resultados da análise documental; ―A extensão universitária em saúde na UERJ, a pandemia e as TDIC‖, com os resultados dos questionários; e, por fim, ―Triangulando as informações levantadas‖, onde a discussão com base na revisão de literatura é apresentada. A seguir, esta seção começa com a apresentação dos resultados das entrevistas.