O objetivo 1 visa examinar se fatores individuais (sexo, idade, tempo de registro no CRC, área de atuação, entre outros) influencia na ocorrência do assédio moral decorrente de recusa a procedimentos profissionais antiéticos entre profissionais da contabilidade no Estado do Rio de Janeiro. A Tabela 3 expõe as freqüências relativas referentes às variáveis Q7
(Categoria profissional no CRC), Q8(Tempo de Registro em CRC), Q9(Sexo), Q10(Faixa
Fonte: A autora, 2015.
Etária), Q11 (Estado Civil), Q12 (Religião), Q13 (Etnia/raça), Q14 (Orientação sexual e QB17(Possui pós-graduação?), a saber:
Variável Dados
válidos
Dados faltantes e
inválidos
Assédio moral não vivenciado(0)
Assédio moral vivenciado
(1)
Sem resposta
Q7 - Categoria Profissional no CRC 450 13
Contador 193 148 03
Técnico em Contabilidade 66 38 02
Q8 - Tempo de registro no CRC 428 35
até 04 anos 58 37 01
05 a 12 anos 55 48 00
13 a 23 anos 68 46 01
acima de 24 anos 61 51 02
Q9 – Sexo 451 12
Feminino 110 96 00
Masculino 150 90 05
Q10 - Faixa etária 456 07
até 29 anos 51 26 01
30 a 34 anos 24 21 01
35 a 39 anos 23 30 00
40 a 44 anos 36 19 00
45 a 49 anos 29 28 00
50 a 54 anos 31 34 01
55 a 59 anos 29 12 00
60 a 64 anos 17 11 02
acima de 65 anos 23 07 00
Q11 - Estado Civil 455 08
Casado 147 97 03
Divorciado 20 14 01
Separado 08 06 00
Solteiro 68 54 01
Outros 19 17 00
Q12 – Religião professada 441 12
Sim 250 182 05
Não 10 04 00
Etnia/Raça 452 11
Afrodescendente 20 19 01
Parda 66 58 00
Branca 172 104 03
Outros 04 05 01
Q14 - Orientação sexual: 447 16
Heterossexual 246 174 04
Outros 15 08 00
Q18 - Possui pós-graduação? 457 06
Não 54 31 01
Sim 209 158 04
Tabela 4 - Perfil socioeconômico dos respondentes referentes ao assédio moral vivenciado e não vivenciado
Fonte: A autora, 2015.
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Relacionada a esse objetivo foi construída a hipótese HP1, a saber: os fatores individuais influenciam na ocorrência do assédio moral decorrente de recusa a procedimentos profissionais antiéticos entre profissionais da contabilidade no Estado do Rio de Janeiro.
A partir dos dados coletados da variável dependente Q19 procedeu-se análise de associação qui-quadrado com as variáveis independentes Q7 (Categoria profissional no CRC), Q8(Tempo de Registro em CRC), Q9(Sexo), Q10(Faixa Etária), Q11 (Estado Civil), Q12
(Religião), Q13 (Etnia/raça), Q14 (Orientação sexual eQB17(Possui pós-graduação?).
Assim, a partir da análise dos resultados, detalhados na Tabela 4, que foram obtidos a partir do teste qui-quadrado aplicada a amostra, observou-se que não há evidencias de que as variáveis categoria de registro no CRC, tempo de registro no CRC, sexo, faixa etária, estado civil, religião professada, etnia/raça, orientação sexual e concluinte de pós-graduação influenciem na ocorrência de assédio moral motivado por recusa a procedimento profissional antiético.
Variável dependente Variável independente p-valor*
Q19 - Você já passou por situação semelhante à exposta no quadrinho, isto é, por situações hostis (tais como práticas vexatórias, humilhação, isolamento, discriminação ou constrangimento) por ter se recusado a realizar procedimento antiético?
Q7 - Categoria Profissional no CRC 0,475 Q8 - Tempo de registro no CRC 0,624
Q9 – Sexo 0,157
Q10 - Faixa etária 0,010
Q11 - Estado Civil 0,945
Q12 - Religião professada 0,650
Q13 - Etnia/raça 0,168
Q14 - Orientação sexual 0,074 Q18 - Possui pós-graduação? 0,160
* p > 0,05
Fonte: A autora, 2015
Os resultados da pesquisa de Almeida Bradaschia (2007) sugerem que os achados dos estudos sobre assédio moral no trabalho relativos ao perfil das vítimas são discrepantes. Para autora, essa dificuldade de constatação está relacionada à variedade de metodologias existentes, bem como em razão das possíveis diferenças culturais que há entre os grupos estudados.
Guimarães e Rimoli (2001) apud Hubert e Veldhoven (2006) também constataram diferença significativa entre os 12 setores de atuação estudados. Os que apresentaram maior tendência para exibirem comportamentos indesejáveis sistemáticos foram: educação, indústria e setores ligados a atividades recreativas, culturais ou ambientais.
Tabela 5 - Teste Qui-Quadrado
Desse modo, quanto à variável sexo, é possível verificar estudos que indicam que as mulheres são mais assediadas e, em outros, a proporção entre homens e mulheres é praticamente a mesma, conforme leciona Almeida Bradaschia (2007, p.104-105):
Há muita discussão sobre se mulheres são mais assediadas que os homens ou se é um fenômeno que independe do sexo da vítima, algumas pesquisas afirmam que as mulheres são mais assediadas (ANDERSSON, 2001; VAEZ, EKBERG e LAFLAMME, 2004; HIRIGOYEN, 2001, BARRETO, 2005, PARENT-THIRION et. al, 2007), outras atestam que o problema incide de maneira similar entre os dois sexos (LEYMANN, 1996; EINARSEN e SKOGSTAD, 1996; VARTIA, 1996;
HOGH e DOFRADOTTIR, 2001; SALIN, 2001; DJURKOVIC, MCCORMACK e CASIMIR, 2004; GONZALEZ de RIVERA e RODRIGUEZ-ABUIN, 2003, HOEL e COOPER, 2000, HOEL e GIGA, 2006, MERCIER, 2000; HOEL, COOPER e FARAGHER, 2001).
No estudo de Arenas (2013) a variável sexo não influenciou na ocorrência do assédio moral direcionada trabalhadores do Poder Judiciário de um Estado no Norte do País. Contudo, a autora constatou a predominância de maior assédio entre os servidores com até três anos de serviço e os de cargo em extinção com escolaridade superior a função que ocupam.
Silva (2013, p.43) pesquisou a ocorrência de assédio moral no setor da saúde no estado da Bahia e os resultados apontam que não há diferenças estatisticamente significantes entre homens e mulheres, quando comparadas as diversas modalidades de violência no trabalho.
Por outro lado, os resultados da pesquisa de Christ (2011) revelam que a variável sexo, mostrou significância estatística (p= 0,05), sendo os homens (36,1%) mais assediados do que as mulheres (25,9%). Para a autora, seus achados diferem da maioria dos achados na literatura e essa diferença pode ser explicada em razão do tipo e cultura da amostra estuda:
Muitos autores postulam que as vítimas de assédio moral no trabalho são, em sua maioria, do sexo feminino. Como os estudos de Leymann (1996) que constatou a diferença de 55% de mulheres e 45% de homens assediados, Barreto (2000) encontrou 56,7% de mulheres assediadas contra 43,2% de homens, Hirigoyen encontrou uma diferença ainda maior de 70% de mulheres e 30% dos homens. Mas também há estudos em que a variável sexo não encontrou diferença significativa (Gil- Monte; Carretero; Luciano, 2006). Esta diferença pode estar associada ao tipo e cultura em que a amostra está inserida.
Silva (2013, p. 45) percebeu em seu estudo no setor da saúde a predominância de assédio moral entre a faixa etária de 25 a 39 anos e acredita que esse grupo de pessoas é mais vulnerável em razão da pouca experiência para lidarem com situações de conflito:
A violência foi mais prevalente entre as pessoas na faixa etária de 25 a 39 anos, resultado também encontrado por outros autores (Franz et al, 2005). Geralmente com menor tempo de serviço, é provável que essas pessoas ainda não detenham a experiência necessária para lidar com as situações de conflito, o que pode acarretar problemas nas relações interpessoais. Por outro lado, as pessoas mais jovens, geralmente, estão em posição de desvantagem na hierarquia social, o que as tornam mais vulneráveis a sofrer abusos de superiores ou colegas mais experientes.
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Contudo, de igual modo aos estudos sobre gênero e assédio moral, as pesquisas que investigam a correlação entre a variável faixa etária e violência no trabalho não são conclusivas:
Os dados encontrados não são unânimes sobre se a idade realmente influi na chance de alguém ser mais ou menos assediado. Segundo as pesquisas de Hoel e Giga (2006), Mercier (2000), Hirigoyen (2001) e Einarsen e Skogstad (1996), trabalhadores mais velhos têm ligeiramente mais riscos de sofrerem situações de assédio. Por outro lado, algumas pesquisas (BARRETO, 2005; DJURKOVIC, MCCORMARCK e CASIMIR 2004; PARENT-THIRON, 2007) apontam o contrário, ou seja, que os trabalhadores mais jovens são vítimas com mais freqüência e a pesquisa de Keashley, Trott e Mclean (apud DJURKOVIC, MCCORMACK e CASIMIR, 2004) concluiu que trabalhadores mais jovens e em níveis mais baixos da hierarquia teriam maiores riscos de se tornarem vítimas de assédio moral. Por outro lado, Vartia (1996), Leymann (1996) e Gonzalez de Rivera e Rodriguez-Abuin (2003) concluíram que não há diferenças na incidência entre jovens ou trabalhadores mais maduros. (ALMEIDA BRADASCHIA, 2007, p.111)
Portanto, o teste qui-quadrado indica que a hipótese de pesquisa foi rejeitada. Logo, para considerando a amostra da presente pesquisa, os fatores individuais não influenciam na ocorrência do assédio moral decorrente de recusa a procedimentos profissionais antiéticos entre profissionais da contabilidade no Estado do Rio de Janeiro