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Análise e Discussão do objetivo 2

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 65-73)

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Contudo, de igual modo aos estudos sobre gênero e assédio moral, as pesquisas que investigam a correlação entre a variável faixa etária e violência no trabalho não são conclusivas:

Os dados encontrados não são unânimes sobre se a idade realmente influi na chance de alguém ser mais ou menos assediado. Segundo as pesquisas de Hoel e Giga (2006), Mercier (2000), Hirigoyen (2001) e Einarsen e Skogstad (1996), trabalhadores mais velhos têm ligeiramente mais riscos de sofrerem situações de assédio. Por outro lado, algumas pesquisas (BARRETO, 2005; DJURKOVIC, MCCORMARCK e CASIMIR 2004; PARENT-THIRON, 2007) apontam o contrário, ou seja, que os trabalhadores mais jovens são vítimas com mais freqüência e a pesquisa de Keashley, Trott e Mclean (apud DJURKOVIC, MCCORMACK e CASIMIR, 2004) concluiu que trabalhadores mais jovens e em níveis mais baixos da hierarquia teriam maiores riscos de se tornarem vítimas de assédio moral. Por outro lado, Vartia (1996), Leymann (1996) e Gonzalez de Rivera e Rodriguez-Abuin (2003) concluíram que não há diferenças na incidência entre jovens ou trabalhadores mais maduros. (ALMEIDA BRADASCHIA, 2007, p.111)

Portanto, o teste qui-quadrado indica que a hipótese de pesquisa foi rejeitada. Logo, para considerando a amostra da presente pesquisa, os fatores individuais não influenciam na ocorrência do assédio moral decorrente de recusa a procedimentos profissionais antiéticos entre profissionais da contabilidade no Estado do Rio de Janeiro

Fonte: A autora, 2015.

De igual modo, o Gráfico ilustrado na Figura 8 permite visualizar o elevado índice de assedio moral decorrente de coação à execução de procedimentos antiéticos, bem como o alto percentual de assedio moral testemunhado:

Fonte: A autora, 2015.

Esses achados são compatíveis com estudos sobre o tema, que revelam alta incidência da violência no trabalho, a exemplo da pesquisa de Namie (2007 apud NAMIE; NAMIE, 2013, p. 301) cujo resultado revela que 37% dos trabalhadores americanos já sofreram assédio moral no trabalho e que quase metade (49%) dos adultos americanos são afetados direta ou indiretamente por esta prática.

Caran (2007, p. 117) investigou a ocorrência de assédio moral no contexto acadêmico e verificou que 40,7% dos entrevistados afirmaram já ter sido vítima de assédio moral e 59,30% informaram já ter presenciado colegas que sofreram o assédio moral.

Gonçalves (2006, p.57) pesquisou a ocorrência de assédio moral entre trabalhadores no Ceará e averiguou que 25,2% dos respondentes autorrelataram serem vítimas de assédio moral no trabalho, nos últimos seis meses.

Tabela 6 - Percepção dos respondentes acerca da ocorrência do assédio moral

Percepção acerca da ocorrência do assédio moral

Decorrente de coação à execução de procedimentos

antiéticos (Q19)

Decorrente de outros motivos (Q20)

n(=) % n(=) %

Sim, estou passando por isso agora ou passei por isso no

último ano 56 12,39 46 10,22

Sim, isso aconteceu comigo na minha vida profissional,

mas não atualmente ou no último ano 133 29,42 81 18,00

Eu já testemunhei alguns casos de assédio moral 83 18,36 146 32,44 Nunca me aconteceu e nunca testemunhei tal prática 180 39,82 177 39,33

Figura 8 - Gráfico assédio moral vivenciado, testemunhado e não vivenciado

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Guimarães e Rimoli (2006) apud Vartia (2001) atentam para o fato de que o assédio moral no trabalho acarreta estresse tanto para aqueles que vivenciam, quanto aqueles que testemunham tal prática:

Embora os dados relativos a pessoas assediadas em seu local de trabalho sejam alarmantes, cabe destacar que esta situação afeta também as pessoas que, sem serem as vítimas diretas, testemunham e observam episódios de assédio em seu local de trabalho. O fato de alguém ser testemunha do assédio é um preditor bastante significativo do estresse geral e das reações ao mesmo.

Freitas (2001, p.19) cita em seu artigo os resultados de uma pesquisa realizada pela revista Rebondir com 471 profissionais franceses em 2000, cujos resultados apontam que do total dos respondentes, um em cada três assalariados já foi assediado moralmente e 37% dos entrevistados já viram isso ocorrer com algum colega.

Fontes, Pelloso e Carvalho (2011, p.821) analisaram a tendência dos estudos sobre assédio moral e trabalhadores de enfermagem e verificaram que resultados das pesquisas confirmam a presença do assédio moral no ambiente laboral da enfermagem, contudo, apontam que muitos destes profissionais têm aceitado e reproduzido este tipo de violência como parte da cultura organizacional, o que os tem conduzido ao adoecimento e prejuízo de suas funções.

Arenas (2013) investigou possíveis práticas de assédio moral no Poder Judiciário de um Estado no Norte do País e constatou que 67% de declararam sofrer ou terem sofrido assédio moral.

Quanto ao tempo de duração do assédio moral decorrente de coação à execução de procedimentos contrários à ética profissional, a maior parte das vítimas (47,02%) afirmaram que os episódios de assédio perduraram menos de 01 ano. Todavia, conforme exposto na Tabela 6, nenhum dos respondentes indicou o período de uma semana.

Quanto tempo durou o assédio moral (Q22)

Vivenciou assédio moral decorrente de coação à execução de procedimentos contrários à ética profissional(Q19))

n(=) %

Uma vez por semana 0 0,00

Menos de 01 ano 79 47,02

De 01 ano a 02 anos 44 26,19

De 03 anos a 04 anos 18 10,71

Acima de 04 anos 27 16,07

Total 168 100,00

Tabela 7 - Percepção dos respondentes sobre o tempo de duração do assédio moral

Fonte: A autora, 2015.

Segundo a percepção dos respondentes que afirmaram terem sido coagidos a executarem procedimentos contrários à ética profissional, a quantidade de autores responsáveis pela prática de atos hostis varia entre 1 pessoa (44,78%), 2 pessoas (20,90%), 3 pessoas (16,42%), 4 pessoas (2,99%) e 5 pessoas ou mais (14,93%), sendo que a maioria dos casos de atos hostis (65,67%) é proferido por 1 ou 2 pessoas, conforme descrito na Tabela 7.

Quantas pessoas estavam/estão envolvidas nos comportamentos hostis? (Q25)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19)

Assédio moral vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

1 pessoa 30 44,78 39 40,63

2 pessoas 14 20,90 30 31,25

3 pessoas 11 16,42 8 8,33

4 pessoas 2 2,99 8 8,33

5 pessoas ou mais 10 14,93 11 11,46

Total 67 100,00 96 100,00

Fonte: Autora, 2015.

Além disso, quanto ao gênero dos agressores, de acordo com a percepção dos respondentes que foram coagidos a executarem procedimentos contrários à ética profissional, 56,52% são homens, 21,74% mulheres e 21,74% o gênero feminino e masculino, conforme exposto na Tabela 8.

Seu (s) agressor(es) eram/é? (Q24)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19)

Assédio moral vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

Homem (ns) 39 56,52 49 51,58

Mulher (es) 15 21,74 17 17,89

Os dois 15 21,74 29 30,53

Total 69 100,00 95 100,00

Os respondentes que alegaram terem sido coagidos a executarem procedimentos contrários à ética profissional informaram que os maus tratos ocorreram na frente de outras pessoas (52,54%), sendo que 19,40% dos respondentes da amostra informaram que os maus tratos ocorriam em local com as portas fechadas, sem a presença de outras pessoas, conforme ilustrado na Tabela 9.

Tabela 8 - Percepção dos respondentes sobre a quantidade de pessoas envolvidas nos comportamentos hostis

Tabela 9 - Percepção dos respondentes acerca dos agressores

Fonte: A autora, 2015.

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Esses resultados são compatíveis com a pesquisa de Namie (2007 apud NAMIE;

NAMIE, 2013, p. 306), cujos dados indicam que a maioria (54%) dos casos de assédio no trabalho envolve a humilhação pública dos alvos, enquanto 32% aconteceram a portas fechadas.

Onde a maioria dos maus tratos ocorreu? (Q26)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética

profissional? (Q19) Assédio moral

vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

Abertamente, na frente de outras pessoas 35 52,24 40 41,67

Com as portas fechadas, sem a presença de outras pessoas 13 19,40 33 34,38 De portas abertas, para que outros pudessem ouvir 8 11,94 8 8,33

Não tenho certeza 11 16,42 15 15,63

Total 67 100,00 96 100,00

Fonte: Autora, 2015.

Ademais, conforme disposto na Tabela 10, dentre respondentes que foram coagidos a executar procedimentos profissionais antiéticos, 68,25% acreditam que os colegas percebiam/percebem as atitudes do agressor.

Os seus colegas percebiam/percebem as atitudes do agressor com você? (Q30)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19) Assédio moral

vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

Não 20 31,75 27 29,03

Sim 43 68,25 66 70,97

Total 63 100,00 93 100,00

Fonte: Autora, 2015.

Tabela 10 - Percepção dos respondentes acerca do local onde ocorreu os maus tratos

Tabela 11 - Percepção dos respondentes acerca da percepção dos colegas diante das atitudes do agressor

Quanto à percepção acerca dos agressores, 68% dos respondentes acreditam que o(s) agressor(es) tinha/tem consciência do mal que fez. A Tabela 11 expõe tais dados:

Você pensa que seu agressor tinha/tem consciência do mal que lhe fez? (Q29)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19) Assédio moral

vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

Não 40 32,00 41 44,57

Sim 85 68,00 51 55,43

Total 125 100,00 92,00 100,00

Fonte: A autora, 2015.

Quanto à percepção acerca das motivações dos autores para prática de atos hostis, conforme exposto na Tabela 12, 32,35% dos respondentes coagidos a realizarem procedimentos antiéticos acreditam que os maus tratos ocorrerem em razão de algum aspecto da personalidade do assediador e 29,41% acreditam que tem relação com a não aceitação a realização de procedimentos antiéticos.

Além disso, também foi possível perceber que a maior parte dos respondentes que afirmaram nunca terem sido coagidos a executarem procedimentos profissionais antiéticos (33,68%), acreditam que a não aceitação à realização procedimentos antiéticos motivou os maus tratos ao alvo.

A pesquisa de Namie (2007 apud NAMIE; NAMIE, 2013, p. 316) não considerou como causa dos maus tratos a não aceitação para realizar procedimentos antiéticos. Contudo, os resultados apontam uma proximidade com os achados da pesquisa, visto que as explicações preferidas para a causa dos maus tratos referem-se a personalidade dos assediadores e do alvo, sendo: 56% por causa da personalidade do agressor, 20% por causa do alvo e apenas 14% por causa do sistema, o ambiente de trabalho conduzido pelo empregador.

Tabela 12 - Percepção acerca dos agressores

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Porque o alvo sofreu maus tratos? Principalmente por causa de... (Q27)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19) Assédio moral

vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

A tolerância ou a admiração pela agressão naquele local

de trabalho específico 2 2,94 3 3,16

Algum aspecto da personalidade do alvo 6 8,82 18 18,95

Algum aspecto da personalidade do assediador 22 32,35 24 25,26 Não aceitou realizar procedimentos antiéticos 20 29,41 32 33,68

Não tenho certeza 15 22,06 14 14,74

O nível inaceitável de desempeno do alvo 3 4,41 4 4,21

Total 68 100,00 95 100,00

Fonte: A autora, 2015.

Quanto ao enfrentamento do assédio moral, dentre aqueles que foram coagidos a executarem procedimentos profissionais antiéticos, foi possível perceber que 68,18% das vítimas não tomaram nenhuma atitude, nem formal, tampouco informal. Para solucionarem os problemas, 28,79% dos respondentes afirmaram que as vítimas de assédio queixaram-se informalmente ao empregador/superior, 3,13% entraram com uma ação na Justiça e ninguém apresentou uma queixa formal ao Ministério do Trabalho ou Sindicato de Classe. A Tabela 13 expõe tais dados.

Namie (2007 apud NAMIE; NAMIE, 2013, p. 318) perceberam em seu estudo que os indivíduos que sofrem assédio no trabalho raramente confrontam a situação ou agem de forma a enfrentá-la diretamente. Eles processam em apenas 3% dos casos e apresentam queixa formal em apenas 4% deles; 38% notificaram informalmente seus empregadores e 40% nem sequer contaram a eles.

Côrrea e Carrieri (2007, p.31) investigaram a ocorrência de assédio moral entre mulheres gerentes e verificaram nos relatos colhidos que as vítimas optam pelo silêncio e assim não denunciam os casos de assédio para evitarem sofrer preconceito no ambiente de trabalho. Esses achados são corroborados por Silveira (2011, p.64) que também percebeu que o medo como intimidador de denúncia dos casos de assédio moral no trabalho:

Muitos são os relatos de testemunhas e vítimas de assédio moral que não denunciam os agressores por medo. Contudo, o medo fortalece a sensação de poder do agressor.

Em casos assédio moral, a solidariedade é a primeira arma a ser usada na luta pela estabilização do clima escolar.

Tabela 13 - Percepção dos respondentes acerca das causas de sofrimento de maus tratos do alvo

Tabela 14 - Percepção dos respondentes acerca das medidas para resolução do assédio moral vivenciado

Que medidas a pessoa escolhida como alvo tomou para resolver o problema? (Q28)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19) Assédio moral

vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

Apresentou uma queixa formal ao Ministério do Trabalho

ou Sindicato de Classe 0 0,00 1 1,06

Entrou com uma ação na Justiça 2 3,03 3 3,19

Não tomou nenhuma atitude, formal ou informal 45 68,18 68 72,34

Queixou-se informalmente ao empregador/superior 19 28,79 22 23,40

Total 66 100,00 94 100,00

Fonte: A autora, 2015.

Consoante com o entendimento das vítimas, em 78,33% dos casos de assédio moral decorrentes de coação à execução de procedimentos contrários à ética profissional a chefia tinha/tem conhecimento da situação de assédio moral ocorrida no setor. A Tabela 14 ilustra tal situação.

Seu chefe/sua chefe tinha/tem conhecimento da situação de assédio moral em seu setor? (Q31)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19) Assédio moral

vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

Sim 94 78,33 55 57,89

Não 26 21,67 40 42,11

Total 120 100,00 95 100,00

Fonte: A autora, 2015.

Contudo, dentre os respondentes que foram coagidos a executarem procedimentos contrários à ética profissional, apenas 3,54% alegaram que chefia conseguiu solucionar a situação de assédio moral. A maioria dos respondentes (22,12%) acreditam que a chefia optou por não interferir na situação. Do total, somente 1,77% responderam que a chefia tentou resolver em vão a situação. Ademais, 19,47% alegam que a não houve tentativa de solucionar a questão em razão da amizade entre a chefia e o assediador. A Tabela 15 dispõe sobre tais informações.

Tabela 15 - Percepção dos respondentes acerca da chefia

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Como seu/sua chefe reagiu ao tomar conhecimento do assédio? (Q32)

Você já foi coagido a executar procedimentos contrários à ética profissional? (Q19) Assédio moral

vivenciado Assédio moral não vivenciado

n(=) % n(=) %

Ele/ela conseguiu resolver a situação 4 3,54 7 8,14

Ele/ela não entendeu a gravidade da situação 24 21,24 13 15,12 Ele/ela não tentou resolver a situação porque é

amigo(a) do assediador 22 19,47 3 3,49

Ele/ela optou por não interferir na situação 25 22,12 21 24,42

Ele/ela tentou resolver em vão a situação 2 1,77 2 2,33

Ele/ela teve uma atitude de fuga do assunto 13 11,50 11 12,79

Não comentei com meu chefe/ minha chefe 23 20,35 29 33,72

Total 113 100,00 86 100,00

Fonte: A autora, 2015.

Também é possível perceber que segundo a percepção dos respondentes a chefia tem dificuldades de entender a gravidade das situações de assédio moral e o baixo percentual de resolução das situações de assédio (3,54%). Tal cenário sugere a necessidade de treinamento de chefias para resolução de conflitos, especialmente aqueles que dão origem ao assédio moral.

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