O pilar cultural-cognitivo corresponde aos elementos cognitivos que estudam o aspecto simbólico das ações dos atores organizacionais, resultantes de suas interpretações. Mesmo diante de pressões normativas, os atores sociais estão constantemente se moldando diante de uma realidade socialmente construída (MEYER; ROWAN, 1991).
No contexto institucional, o processo de interpretação simbólica consiste em atribuir significados com base em uma realidade social interpretada pelos atores organizacionais (DIMAGGIO; POWELL, 1983; MEYER; ROWAN, 1991).
Observa-se na figura 3 um modelo simplificado do processo de institucionalização.
Figura 3: Modelo simplificado de institucionalização.
Fonte: Augusto (2007, p. 8).
Quando uma situação é socialmente construída por meio da burocracia acerca da maneira mais eficiente de se realizar uma tarefa do cotidiano organizacional, como por exemplo a determinação de eficiência operacional, esta que é considerada a base na racionalidade. Neste sentido pode ser legitimada em função do compartilhamento e dos significados que esta ação em prol da eficiência tem sobre os atores sociais.
modalidade discorre que, em momentos de incerteza ambiental, a organização volta- se para buscar recursos e consumidores, decorrentes de pressões do mercado e das relações de troca. O isomorfismo competitivo volta-se ao ambiente técnico. A outra modalidade se refere ao isomorfismo institucional. Este se volta à difusão de regras e procedimentos, que oferecem legitimidade às organizações (FONSECA, 2003).
O objeto de estudo desta dissertação enfoca o isomorfismo institucional.
Portanto, a atenção será dispensada na busca da compreensão desta segunda modalidade. Para a compreensão desta modalidade de isomorfismo, a atenção relevante atribuída resulta como conseqüência da sobrevalorização do papel da estrutura na constituição das práticas sociais (AUGUSTO, 2007).
A constituição das práticas sociais se origina a partir de prescrições institucionais, visto que, com a finalidade de obter suporte ambiental, as organizações aderem ao comportamento isomórfico, que modela suas estruturas e processos (SOUZA, 2004). Para Cochia e Machado-da-Silva (2004) estas pressões isomórficas estão relacionadas ao fenômeno da estabilidade e da mudança organizacional. A compreensão que os delineadores das estratégias têm das pressões ambientais interferem nas estratégias de ação em termos de abrangência, oportunidade, ritmo e assim por diante.
A busca da legitimidade pode ser atribuída também ao isomorfismo defendido por DiMaggio e Powell (1983) para o desenvolvimento e sobrevivência organizacional. As práticas oriundas do institucionalismo também se refletem na importância de se obter legitimidade junto aos atores organizacionais, como Meyer e Rowan (1991) sustentam. Augusto (2007) atribui ao isomorfismo um papel legitimador das organizações dentro de um campo organizacional formado e conclui que as organizações mais isomórficas ao ambiente possuem maior probabilidade de sobrevivência. A constituição das práticas sociais se origina a partir de prescrições institucionais, visto que, com a finalidade de obter suporte ambiental, as organizações aderem ao comportamento isomórfico, que modela suas estruturas e processos (SOUZA, 2004).
Cochia e Machado-da-Silva (2004) argumentam que a mudança pode ser entendida como um fenômeno compreensível em virtude dos elementos simbólicos
que são compartilhados pelos membros de uma organização. Para os autores a dinâmica da mudança inspira a orientação estratégica das organizações e a sua adaptação ao ambiente.
O pressuposto da teoria do isomorfismo pode ir de encontro aos princípios de uma parcela significativa da literatura estratégica, principalmente os encontrados nos trabalhos de Porter (1992), no qual sugere que as organizações necessitam de diferenciais para sobrevivência. Já sob o enfoque institucional, a pressão do campo tende a influenciar a homogeneidade.
Parte dos estudos do institucionalismo salienta que as organizações são influenciadas por pressões normativas advindas do Estado como órgão regulador ou de influencias internas na própria organização. Pressões internas ou externas, quando calcadas em valores legitimados, tendem a aumentar a probabilidade de sobrevivência das organizações (ZUCKER, 1987).
DiMaggio e Powell (1983) explicam que o isomorfismo é o conceito que mais adequadamente compreende o processo de homogeneização nas organizações.
Hawley apud DiMaggio e Powell (1983, p.149) descreve isomorfismo como “um processo de restrição que força uma unidade em uma população a se assemelhar a outras unidades que enfrentam o mesmo conjunto de condições ambientais”.
Kirshbaum, Porto e Ferreira (2004) dizem que o isomorfismo proposto por DiMaggio e Powell é inerente a qualquer atividade humana e também na academia, referindo-se que nas instituições promotoras de ensino e pesquisa também se baseiam no isomorfismo. Sustentam esse raciocínio também Caldas e Fachin (2005).
Os autores explicam que a grande preposição de DiMaggio e Powell é afirmar que a mudança estrutural acontece atualmente nas organizações não por razões de deficiência ou necessidade de se sobrepor à concorrência, mas decorrente de outros processos que tornam as organizações cada vez mais parecidas.
Como se observa, o isomorfismo é sustentado pela busca da legitimidade entre os atores organizacionais. Esta busca da legitimidade nas organizações, para Meyer e Rowan (1991), terminam pela homogeneidade a partir da similaridade de práticas isomórficas. A homogeneidade pode ocorrer em produtos, serviços,
profissões, procedimentos técnicos e programas que, quando aceitos socialmente e legitimados, conferem a maior facilidade para seu gerenciamento.
É importante mencionar que as mudanças isomórficas não se encontram sempre de maneira explícita e que também podem ocorrer simultaneamente. Estas pressões institucionais de natureza isomórficas podem limitar a criação de novos métodos ou mesmo criar uma barreira ao desenvolvimento dos atores organizacionais. Portanto, a inovação não resulta de escolhas puramente racionais derivadas da competência técnica individuais dos atores, mas geralmente da imposição de regras e valores que se encontram compartilhados em um campo organizacional (VIEIRA; CARVALHO, 2003).
DiMaggio e Powell (1983, p. 150) exemplificam os mecanismos isomórficos referindo-se que:
Os atores externos podem induzir uma organização a se adequar a seus pares exigindo que ela realize uma tarefa particular e especificando a classe profissional responsável pelo seu desempenho; ou mudanças miméticas podem refletir as incertezas construídas no ambiente” (...) “O fato de que estas mudanças sejam em grande parte cerimoniais não significa que sejam inconsequentes.
Conforme apresentado, as vertentes isomórficas que tendem a levar à homogeneidade podem sustentar a legitimidade entre os atores organizacionais.
2.8.1 Os Três Tipos de Mecanismos Isomórficos
DiMaggio e Powell (1983) revelam a existência do isomorfismo competitivo e institucional. O isomorfismo competitivo é regido pelo ambiente racional onde a busca da qualidade e produtividade originam pressões na organização. Já o isomorfismo institucional está relacionado à busca de legitimidade. São três os mecanismos de mudança isomórfica: o coercitivo, o normativo e o mimético. O isomorfismo advém da tendência de um mesmo grupo de empresas competidoras, por exemplo, de desenvolver as mesmas estratégias.
2.8.2 Isomorfismo Coercitivo
O isomorfismo coercitivo resulta de pressões formais e informais exercidas sobre as organizações por outras organizações das quais as mesmas dependem e também influenciadas pelas expectativas culturais da sociedade em que se relacionam. Estas pressões podem ser representadas por intermédio da coerção, da persuasão ou decorrente de convite para conluio (DIMAGGIO; POWELL, 1983).
O isomorfismo coercitivo pode ser identificado por meio de uma resposta direta a ordens governamentais, como produtores serem obrigados a adotar uma nova tecnologia para redução de poluição, objetivando suas adequações às regulamentações ambientais, ou quando organizações sem fins lucrativos utilizam os serviços de contadores para a fim de se adequarem às obrigações exigidas por lei. O ambiente legal comum existente causa reflexos em diversos aspectos das estruturas organizacionais (DIMAGGIO; POWELL, 1983).
O mecanismo isomórfico coercitivo se origina das influências políticas e da legitimidade, que correspondem às leis e regras impostas. Representa os mecanismos que uma organização possui para regular outras organizações em função da coerção. O governo pode ser um mecanismo coercitivo perante a cobrança para o cumprimento de leis.
Para Meyer e Rowan (1991), quando o Estado e outras grandes corporações racionalizados ampliam seus domínios a outros parâmetros da vida social, as organizações refletem no maior número de regras institucionalizadas e legitimadas pelo próprio Estado que as originou e dentro dele.
2.8.3 Isomorfismo Mimético
O isomorfismo mimético é representado quando uma incerteza gera uma fonte de imitação. Quando as metas da organização são ambíguas ou o ambiente cria uma incerteza simbólica, uma organização pode usar outra como exemplo ou modelo para uma ação. Provém da padronização da resposta para situações de incerteza ou simplesmente da imitação (DIMAGGIO; POWELL, 1983).
O ato de se processar o isomorfismo mimético compreende a cópia ou a imitação de uma estrutura organizacional ou processo produtivo tecnicamente bem sucedido decorrente do que se conhece também por benchmarking.
Uma organização que serve de modelo para o isomorfismo mimético pode não saber ou não desejar ser imitada. Serve de fonte prática e conveniente de imitação para aquelas que, em momento de incerteza, executam ações onde crêem ser uma cópia conveniente e adequada diante da incerteza. Neste sentido, involuntariamente, os modelos gerenciais ou administrativos poderão ser imitados e difundidos quando por intermédio da transferência ou substituição de pessoal que possua o conhecimento necessário. Organizações formais também transferem conhecimento prático para outras por meio de empresas de consultorias diante de soluções dadas a uma organização que pode também ser útil a outras interessadas (DIMAGGIO; POWELL, 1983).
DiMaggio e Powell (1983) e Meyer e Rowan (1991), advogam que, como reflexo dentro de determinados domínios, as organizações se tornam mais homogêneas e cada vez mais organizadas em torno dos ritos e cerimônias, tendo como base estas maiores organizações.
Ressalta-se que as organizações tendem a obter como modelo em seu campo outras organizações que, na concepção e entendimento, percebem ser mais legítimas ou empresas de sucesso. Esta onipresença, ou seja, a presença de certos arranjos estruturais de organizações pode ser, nas palavras de DiMaggio e Powell (1983, p. 152), “mais creditada à universalidade de processos miméticos do que à concreta evidência de que os modelos adotados aumentam a eficiência”.
2.8.4 Isomorfismo Normativo
A implicação de regras normativas podem ser evidentes para os atores de uma organização ou aceita por estes atores ainda pela força da opinião pública ou mesmo uma imposição legal. Instituições envolvem decisivamente obrigações normativas aos atores sociais, já a institucionalização envolve o processo de aceitação pelo qual processos sociais e obrigações passam a ter um status regra no pensamento e na ação social dos atores (MEYER; ROWAN, 1991).
Para auxiliar ao entendimento do processo normativo, no que se refere à teoria institucional, o isomorfismo normativo, por exemplo, pode ser considerado o que deriva de uma referida profissão. Neste sentido, corresponde às práticas comuns que os profissionais de uma mesma área tendem a transmitir por meio de normas aceitas socialmente como sendo as mais adequadas e exigidas como componente que demonstra eficiência. Por exemplo, um código de ética de uma profissão regulamentada representa o isomorfismo normativo (DIMAGGIO; POWELL, 1983).
As categorias profissionais estão sujeitas as mesmas pressões coercitivas e miméticas a que estão as organizações. Além disso, enquanto diversos tipos de profissionais dentro de uma organização podem diferir uns dos outros, eles apresentam muita semelhança com seus pares profissionais em outras organizações. Também, em muitos casos, o poder profissional é algo tanto designado pelo estado quanto criado pelas atividades das categorias profissionais (DIMAGGIO; POWELL, p. 152, 1983).
DiMaggio e Powell (1983, p. 152) apresentam duas fontes importantes de isomorfismo em relação ao aspecto da profissionalização:
(...) o apoio da educação formal e da legitimação produzida em uma base cognitiva por especialistas universitários (...) o crescimento e a constituição de redes profissionais que perpassam as organizações e por meio das quais novos modelos são rapidamente difundidos. As universidades e as instituições de treinamento profissional constituem importantes centros de desenvolvimento de normas organizacionais entre os gerentes profissionais e seus funcionários.
Salienta-se que, como mencionado anteriormente, cada perspectiva isomórfica não é considerada excludente, ou seja, a existência de uma modalidade de isomorfismo não elimina outra, podendo ser constatadas duas ou todas as modalidades em uma ocasião específica de um estudo ou recorte histórico.
Outro ponto importante a ser considerado sob o enfoque do isomorfismo é que as respostas às incertezas não são totalmente homogêneas. Um ator social diante de uma adaptação estratégica pode interpretar de maneira diferente o contexto do de outro ator de uma organização concorrente dentro de um mesmo campo.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS