Clerkin (2007) sustenta que o novo institucionalismo demonstra que as organizações buscam legitimar suas estruturas e procedimentos, independentemente do impacto sobre a eficiência e racionalidade. Augusto (2007) julga que novo institucionalismo emergiu como uma poderosa perspectiva dentro da ciência social e permitiu um novo entendimento sobre o papel do significado na produção e reprodução das práticas sociais.
Analisando as duas abordagens, ou seja, o velho em oposição ao novo institucionalismo e sob um ponto de vista longitudinal nos processos de formação e desenvolvimento de organizações, Fleck (2006) argumenta que, tanto o velho, quanto o novo institucionalismo, são perspectivas complementares e que cada perspectiva em particular auxilia para a compreensão de momentos diferentes da existência de organizações e campos organizacionais. O velho institucionalismo aufere maior atenção à agência do ator organização, na fase de formação de caráter organizacional, por meio de suas lideranças e o novo institucionalismo enfatiza a estrutura do campo organizacional.
processo produtivo pode surgir em função da incorporação de novas tecnologias ou práticas gerenciais que regulamentem as atividades organizacionais que, se aceitas pelos atores organizacionais e, consequentemente forem legítimas, os demais componentes de um campo organizacional podem imitar, o que corresponde ao isomorfismo mimético.
DiMaggio e Powell (1983) definem campos organizacionais como as organizações que em conjunto compõem um reconhecido espaço da vida institucional. Os atores deste espaço compreendem os fornecedores-chave, consumidores de recursos e produtos, agências regulatórias, bem como outras organizações que desenvolvem produtos e serviços similares.
Neste sentido, Vieira e Carvalho (2003) argumentam que o conceito de campo organizacional está associado à idéia que as organizações sobrevivem ao compartilhar valores em um determinado espaço social. Os autores complementam que o desempenho ou atuação de uma ou um determinado grupo de organizações vinculam-se às diretrizes valorativas e normativas que se inserem nos diferentes níveis das organizações, transformando sua política e estrutura.
As organizações enfrentam pressões do campo para moldar suas estruturas organizacionais e procedimentos (CLERKIN, 2007). Diante destas pressões, de acordo com DiMaggio e Powell (1983), em primeiro lugar vem o surgimento e a estruturação do campo organizacional, que decorre de resultado de atividades de um distinto grupo de organizações. Em segundo a tendência de homogeneização destes atores participantes do campo organizacional ora estabelecido. Salientam os autores que os ingressantes do campo já estabelecido, agem da mesma maneira no sentido da homogeneização. A homogeneidade, neste contexto, é proporcional à estruturação do campo organizacional. Consiste, em geral, que a maior homogeneidade encontra-se em campos mais estruturados.
A estrutura de um campo organizacional não pode ser determinada a priori, mas necessita ser definida com base em estudos empíricos. Os campos existem somente na medida em que puderem ser institucionalmente definidos (DIMAGGIO;
POWELL, 1983). Assim, Souza (2004) justifica que, ao se estudar e analisar um
campo organizacional delimita-se uma área específica do ambiente institucional que afeta de forma significativa um determinado conjunto de organizações.
O processo de definição ou sua estruturação institucional compreende quatro partes, segundo DiMaggio e Powell (1983, p. 148):
Um aumento na amplitude da interação entre as organizações no campo; o surgimento de estruturas de dominação e padrões de coalizões interorganizacionais claramente definidos; um aumento na carga de informação, com a qual as organizações dentro de um campo devem lidar; e o desenvolvimento de uma conscientização mútua entre os participantes de um grupo de organizações de que estão envolvidos em um negócio comum.
Caso existam diferentes organizações competindo no mesmo ramo de negócios, mas mais estruturadas em um campo organizacional, forças poderosas surgem impondo-as a se tornarem homogêneas. Outras organizações podem entrar no campo e as que existem podem ter suas metas e práticas organizacionais distintas. Contudo, ao longo do tempo, os tomadores de decisão racionais constroem ao redor deles próprios, um ambiente que diminui suas habilidades em continuar inovando nos anos subseqüentes (DIMAGGIO; POWELL, 1983).
DiMaggio e Powell (1983, p. 147) argumentam que, quando os campos organizacionais são altamente estruturados propiciam “um contexto em que esforços individuais para lidar racionalmente com a incerteza e com restrições geralmente levam, de maneira conjunta, à homogeneidade em termos de estrutura, cultura e resultados”. Justificam os autores que a análise em função do campo organizacional é para a totalidade de atores relevantes, e não somente para empresas concorrentes, como a abordagem populacional.
Visualiza-se na figura 1 a formação de um campo organizacional.
Figura 1: Etapas de formação de um campo organizacional.
Fonte: Holanda (2003) apud Vieira e Carvalho (2003).
Os campos organizacionais apresentam uma variedade considerável em termos de abordagem e forma nos estágios iniciais. Todavia, com o passar do tempo e a solidificação do campo, existe um impulso rigoroso em direção à homogeneização. Outras formas de homogeneização, bem como a burocratização, surgem decorrentes da estruturação de campos organizacionais (DIMAGGIO;
POWELL, 1983).
Bronzo e Honorário (2005, p.13) justificam que “a presença de um conjunto formal de instituições é freqüentemente uma precondição para que um equilíbrio possa ser atingido em contextos de coordenação”. Poucas vezes a presença de instituições formais é suficiente para garantir o equilíbrio que as organizações desejam, geralmente, o que fortalece o equilíbrio entre os atores do processo organizacional é um conjunto de entendimentos partilhados e legítimos.
Caldas e Fachin (2005) relatam que a grande preposição de DiMaggio e Powell é que a mudança estrutural acontece atualmente nas organizações não por razões de deficiência ou necessidade de se sobrepor à concorrência, mas decorrente de outros processos que tornam as organizações cada vez mais parecidas.
Esta constatação da tendência à homogeneidade tem despertado cada vez mais a importância de estudos sobre o campo organizacional e seu processo de institucionalização. Desde o início dos estudos, o campo tem um papel fundamental para a perspectiva neo-institucional (AUGUSTO, 2007).
A compreensão do campo organizacional torna-se fundamental ao estudo desta nova perspectiva da teoria institucional, denominada de neo-institucionalismo. O campo organizacional tende a exercer influência nas decisões dos atores que compõem este espaço. Portanto, de acordo com a perspectiva institucional, estudos que contemplem a identificação do campo podem ser úteis ao entendimento do processo de adaptação estratégica.