Caldas e Fachin (2005) relatam que a grande preposição de DiMaggio e Powell é que a mudança estrutural acontece atualmente nas organizações não por razões de deficiência ou necessidade de se sobrepor à concorrência, mas decorrente de outros processos que tornam as organizações cada vez mais parecidas.
Esta constatação da tendência à homogeneidade tem despertado cada vez mais a importância de estudos sobre o campo organizacional e seu processo de institucionalização. Desde o início dos estudos, o campo tem um papel fundamental para a perspectiva neo-institucional (AUGUSTO, 2007).
A compreensão do campo organizacional torna-se fundamental ao estudo desta nova perspectiva da teoria institucional, denominada de neo-institucionalismo. O campo organizacional tende a exercer influência nas decisões dos atores que compõem este espaço. Portanto, de acordo com a perspectiva institucional, estudos que contemplem a identificação do campo podem ser úteis ao entendimento do processo de adaptação estratégica.
comportamentos em resposta aos estímulos do cotidiano organizacional sejam habituais, devem ser representado com um mínimo de esforço para a tomada de decisão.
Figura 2: Processos inerentes à institucionalização.
Fonte: Tolbert; Zucker, 1996, p. 205.
O início do processo corresponde à inovação, ou seja, aos motivos que impulsionam este processo de institucionalização. A inovação pode ocorrer em função de alteração na legislação, de mudanças tecnológicas ou de enfrentamento da concorrência. Para se tornarem legítimos, ou seja, serem habitualmente aceitos pelos envolvidos na decisão ou execução de uma nova atividade organizacional, passam pela etapa denominada habitualização. Neste sentido, as regras podem ser sustentadas pela opinião pública ou tomadas como evidentes ou força de lei (MEYER;
ROWAN, 1991).
A habitualização refere-se à origem de novas maneiras ou métodos de se enfrentar um dado problema ou conjunto de problemas organizacionais. Esses processos resultam em estruturas que podem ser classificadas como um estágio de pré-institucionalização. Os organogramas de um conjunto de organizações semelhantes podem ser considerados neste estágio, onde existe, por exemplo, uma ligação entre marketing e produção. A etapa da objetificação representa para Tolbert e Zucker (1996, p. 205) “o movimento em direção a um status mais permanente e disseminado (...)”. As autoras advogam que, nesta fase, há um certo grau de consenso social por parte dos gestores da organização em relação ao valor da estrutura e a crescente adoção pelas organizações baseada nesse consenso. As evidências podem ser obtidas por diversas fontes como os jornais, notícias, observação direta, e qualquer fonte que julgue para avaliar os riscos de adoção da nova estrutura.
Estruturas que se objetificaram e foram amplamente disseminadas podem se descritas como estando no estágio de semi- institucionalização (...) Exemplos de estrutura que podem ser consideradas nesse estágio incluem as de produção baseadas em equipes, círculo de controle de qualidade, planos de remuneração baseados em produtividade, consultores internos (...) (TOLBERT;
ZUCKER, 1996, p. 207).
A última etapa do processo inerente à institucionalização corresponde à sedimentação. Esta etapa é caracterizada pela propagação total por parte dos atores e por um período de tempo relativamente longo.
Torna-se importante ressaltar que Meyer e Rowan (1991) atribuem maior relevância ao conceito de instituição, ao contrário de organização, o que aufere maior importância ao papel institucional em detrimento aos atributos técnicos que, por exemplo, pode ser uma especialidade de uma profissão para lidar com uma inovação tecnológica, sugerida na fase de inovação.
Podendo ser a inovação proveniente também de um atributo técnico, Tolbert e Zucker (1996, p. 208) concluem que a total institucionalização provavelmente depende do conjunto de efeitos que compreendem “uma relativa baixa
resistência de grupos de oposição; promoção e apoio continuado por grupos de defensores; correlação positiva com resultados desejados”. Neste sentido Jepperson (1991) argumenta que a institucionalização corresponde aos processos que os atores de um grupo social enfrentam abrange todo o processo percorrido para se chegar a esse estado.
A atenção dada aos asp
à da sedimentação, pode minimizar as dificuldades advindas da necessidade de adaptação diante de imposições originadas na esfera da
preceitos institucionais tende a maximizar a
organizacional quando os valores embutidos nos atores passam a ser legítimos.
Os estágios e as dimensões comparativas desenvolvidas por Tolbert e Zucker (1996) são representados no quadro 3.
Quadro 3: Estágios de
Fonte:
Se o foco para Tolbert e Zucker (1996) era na estrutura organizacional, a proposta de Scott de configuração dos três pilares institucionais amplia o horizonte, pois a ênfase apresentada neste estudo pelas autoras se concentra no pilar normativo e seu foco de análise é na estrutura do processo de institucionalização.
Existem três pilares nos quais este processo ocorre. O pilar regulativo que resistência de grupos de oposição; promoção e apoio continuado por grupos de itiva com resultados desejados”. Neste sentido Jepperson (1991) argumenta que a institucionalização corresponde aos processos que os atores de um grupo social enfrentam abrange todo o processo percorrido para se chegar a
A atenção dada aos aspectos institucionais, desde a etapa da
, pode minimizar as dificuldades advindas da necessidade de adaptação diante de imposições originadas na esfera da inovação. Esta atenção aos preceitos institucionais tende a maximizar a probabilidade de desenvolvimento organizacional quando os valores embutidos nos atores passam a ser legítimos.
Os estágios e as dimensões comparativas desenvolvidas por Tolbert e Zucker (1996) são representados no quadro 3.
Estágios de institucionalização e dimensões comparativas.
Fonte: Tolbert; Zucker, 1996, p. 209.
Se o foco para Tolbert e Zucker (1996) era na estrutura organizacional, a proposta de Scott de configuração dos três pilares institucionais amplia o horizonte, ênfase apresentada neste estudo pelas autoras se concentra no pilar normativo e seu foco de análise é na estrutura do processo de institucionalização.
Existem três pilares nos quais este processo ocorre. O pilar regulativo que resistência de grupos de oposição; promoção e apoio continuado por grupos de itiva com resultados desejados”. Neste sentido Jepperson (1991) argumenta que a institucionalização corresponde aos processos que os atores de um grupo social enfrentam abrange todo o processo percorrido para se chegar a
ectos institucionais, desde a etapa da inovação até , pode minimizar as dificuldades advindas da necessidade de . Esta atenção aos probabilidade de desenvolvimento organizacional quando os valores embutidos nos atores passam a ser legítimos.
Os estágios e as dimensões comparativas desenvolvidas por Tolbert e Zucker (1996)
institucionalização e dimensões comparativas.
Se o foco para Tolbert e Zucker (1996) era na estrutura organizacional, a proposta de Scott de configuração dos três pilares institucionais amplia o horizonte, ênfase apresentada neste estudo pelas autoras se concentra no pilar normativo e seu foco de análise é na estrutura do processo de institucionalização.
Existem três pilares nos quais este processo ocorre. O pilar regulativo que
envolve sistemas formais das regras e mecanismos de sansões estabelecidas pelo estado. O pilar normativo que define a legitimidade com base nos valores sociais dos atores. Por último, tem-se o pilar cognitivo que correspondem à conduta e valores aceitos pelos atores numa sociedade (SCOTT, 1995 apud CHILD; TSAI, 2005).
2.7.1 Pilar Regulativo
O pilar regulativo acompanha o mecanismo isomórfico coercitivo, indicado por DiMaggio e Powell (1991), que sustenta as bases de influências políticas e de legitimidade. Este pilar regulativo compreende o estabelecimento de regras, o exame e manipulação de sanções com o objetivo de influenciar comportamentos. Pode ocorrer diante de uma pressão legalmente sancionada ou decorrente de mecanismos formais ou informais, desempenhado por umas organizações e refletindo em outras, em função da dependência e de expectativas culturais dentro das quais estas organizações interagem (WEYMER, 2005).
Fonseca (2003) corrobora que os fundamentos do pilar regulativo, embora implícitos em todas as vertentes do neo-institucionalismo, quando se concentra nos aspectos de pressão das instituições sobre o comportamento, se encaixam no pilar regulativo, ou seja, compreende as ações de estabelecimento e controle advindas das leis, regras e sanções. Sob este pilar, a base de legitimação é a conformidade às exigências legais, impostas pela organização.
As regras, leis e sansões orientam o pilar regulatório. Porém, as regras podem ocorrer nas organizações de maneira informais. A coerção pode ser usada por organizações imponentes ou por atores que detenham algum tipo de poder para impor a dependência ou submissão.
2.7.2 Pilar Normativo
DiMaggio e Powell (1983) exemplificam que as práticas comuns existentes em uma mesma área de estudo profissional têm grandes possibilidades de se refletirem em normas socialmente aceitas, ou seja, legítimas.
No que se refere ao pilar normativo, a investigação se concentra na análise de valores e normas como elementos institucionais que auferem uma dimensão prescritiva, avaliativa e de obrigatoriedade no contexto social e organizacional. Assim, as normas se tornam papéis formais e informais a serem desempenhados pelos atores organizacionais (FONSECA, 2003).
Neste mesmo sentido Weymer (2005), relata que a ênfase do pilar normativo refere-se às normas que introduzem a prescrição, a avaliação e a obrigação dentro da vida social dos atores organizacionais. O pilar normativo inclui os valores, que correspondem aos conceitos atribuídos ou desejados, juntamente com a construção de padrões para as quais existem estruturas ou comportamentos a serem comparados ou avaliados. Neste pilar incluem-se também as normas, que especificam como as coisas devem ser feitas.
As organizações são influenciadas por pressões normativas que podem ser originadas de fontes internas da própria organização ou externas, como uma lei.
Essas pressões exercem grande influência nos objetivos organizacionais, pois fazem com que os valores legitimados institucionalmente aumentem a probabilidade de sobrevivência da organização (DIMAGGIO; POWELL, 1983; MEYER; ROWAN, 1991;
TOLBERT; ZUCKER, 1996).
Por meio da compreensão do pilar normativo as organizações podem se beneficiar ao longo do tempo. Uma norma ou regra incorporada ao uso diário ou repetitivo tende a auxiliar e promover uma aceitação ao longo do tempo, além de contribuir para a eficiência por intermédio da experiência obtida decorrente da obrigação. O benefício tende ser o fortalecimento da legitimidade deste pilar para a consecução dos objetivos organizacionais propostos.
2.7.3 Pilar Cultural-cognitivo
Este terceiro pilar, denominado de cultural-cognitivo, conta com a contribuição de DiMaggio e Powell (1983), no que se refere ao isomorfismo mimético.
Corresponde ao isomorfismo mimético as respostas padronizadas diante das incertezas. As incertezas que as organizações se deparam podem ter como resposta a cópia de outras organizações consideradas como referência.
O pilar cultural-cognitivo corresponde aos elementos cognitivos que estudam o aspecto simbólico das ações dos atores organizacionais, resultantes de suas interpretações. Mesmo diante de pressões normativas, os atores sociais estão constantemente se moldando diante de uma realidade socialmente construída (MEYER; ROWAN, 1991).
No contexto institucional, o processo de interpretação simbólica consiste em atribuir significados com base em uma realidade social interpretada pelos atores organizacionais (DIMAGGIO; POWELL, 1983; MEYER; ROWAN, 1991).
Observa-se na figura 3 um modelo simplificado do processo de institucionalização.
Figura 3: Modelo simplificado de institucionalização.
Fonte: Augusto (2007, p. 8).
Quando uma situação é socialmente construída por meio da burocracia acerca da maneira mais eficiente de se realizar uma tarefa do cotidiano organizacional, como por exemplo a determinação de eficiência operacional, esta que é considerada a base na racionalidade. Neste sentido pode ser legitimada em função do compartilhamento e dos significados que esta ação em prol da eficiência tem sobre os atores sociais.