A terminologia moderna para a descrição das técnicas de massagem deriva das línguas inglesa e francesa. Termos como deslizamento superficial e profundo, amassamento e tapotagem são usados em meio a palavras como fricção, agitação e vibração. Embora a teoria permaneça mais ou menos estável, têm ocorrido variações e extensões das técnicas básicas, para facilitar a aplicação, a pressão profunda e o tratamento específico. Uma expansão ainda maior se verificou ;cm a inclusão de certas designações como as do "trabalho corporal" - como técnicas neuromusculares e de tratamento de pontos de gatilho - à realização da massagem. Como resultado desse progresso, surgiu também uma imensa variedade de nomes para as técnicas de massagem. Assim, para minimizar a confusão, os movimentos de massagem neste livro foram classificados em sete categorias, relatadas a seguir. Este capítulo também descreve os métodos básicos. Técnicas adicionais, com detalhes sobre seus efeitos e sua aplicação, foram incluídas nos capítulos subseqüentes.
Assim, as técnicas de massagem ajustam-se a um dos títulos seguintes (ver também Tabela 2.1):
1. técnicas de effleurage ou deslizamento;
2. técnicas de compressão;
3. técnicas de massagem linfática;
4. técnicas de percussão;
5. técnicas de fricção;
6. técnicas de vibração e agitação;
7. técnicas de trabalho corporal.
Conscientização quanto à postura
Um erro comum em relação à eficácia da massagem é presumir que o terapeuta deva aplicar golpes fortes, firmes e pesados ou que sejam necessárias mãos poderosas e uma considerável força física. O requisito mais importante para uma massagem eficaz é uma boa técnica, aplicada com esforço mínimo. Na maior parte dos movimentos de massagem, a posição do terapeuta é um aspecto essencial da técnica. A posição em relação tanto à maca de tratamento quanto ao paciente influencia a eficácia e o fluxo das manobras;
conseqüentemente, o terapeuta precisa assumir a postura adequada antes de tocar a pessoa que receberá a massagem. Além disso, a posição adequada do corpo precisa ser mantida durante toda a massagem. A conscientização quanto à postura, portanto, é uma combinação de posição do corpo, descarga do peso corporal e direção da pressão. Esses componentes podem ser adaptados à estrutura do próprio terapeuta, ao peso e à largura da maca de tratamento e aos>
métodos de massagem preferidos pelo profissional.
O peso corporal do terapeuta é usado para aplicar pressão durante a realização da massagem. Assim, devem ser feitos ajustes na postura antes de cada manobra, para a obtenção de uma posição confortável e prática, que permita ao terapeuta deslocar o peso do corpo para a frente e para trás ou de um lado para outro. A posição também deve permitir uma ação coordenada entre o corpo e as mãos, durante a aplicação de diferentes técnicas de massagem. A boa postura, portanto, é aquela na qual o terapeuta tem os pés bem apoiados no chão e, ao mesmo tempo, plena liberdade de movimentos (Tabela 2.2).
Diversas posturas corporais são descritas nesta seção e exibidas novamente, com as técnicas de massagem, nos capítulos posteriores.
Os profissionais podem adotar as posturas tal como ilustrado ou fazer
quaisquer ajustes necessários para adequá-las às próprias preferências.
O conforto e a facilidade de movimentos são muito importantes para evitar a tensão mecânica sobre o corpo; assim, este capítulo descreve uma ou duas posturas nas quais o profissional se encosta na maca de tratamento. Este arranjo é seguro e apropriado, se executado com a intenção correta e sem violar códigos profissionais ou éticos. De modo similar, às vezes há a necessidade de o profissional sentar-se na borda da maca de tratamento. Isto também é aceitável profissionalmente desde que haja obediência aos códigos de ética.
Postura de esgrimista
Essa postura facilita a aplicação do deslizamento em uma área corporal grande, por exemplo, em toda a extensão do membro inferior do paciente, sem nenhuma curvatura do tronco para a frente. Essa posição pode ser descrita como semi-ereta, com as pernas separadas como na postura utilizada pelos esgrimistas. O pé dianteiro fica alinhado com a maca de tratamento, enquanto o pé posicionado atrás é girado lateralmente. A posição do terapeuta pode ser ajustada entre ficar um pouco afastado da maca de tratamento ou encostar-se a ela, dependendo da técnica de massagem que está sendo executada.
Quando o joelho dianteiro é flexionado, o corpo move-se para a frente e o peso é transferido para o pé que está à frente. A medida que o joelho se estende e endireita-se, o corpo move-se para trás e o peso é transferido para o pé que está atrás. Durante o movimento para a frente, a perna de trás permanece reta; à medida que o corpo se move para trás, pode flexionar-se na altura do joelho ou permanecer na mesma posição. As costas ficam mais ou menos eretas durante toda a massagem. Nessa postura, a pressão passa pelos braços e chega às mãos. Os braços ficam retos ou levemente flexionados no cotovelo (Figura 2.1).
Tabela 2.1 Categorias de técnicas de massagem
Manobras de deslizamento
■ Deslizamento com pressão leve – deslizamento superficial
■ Deslizamento com pressão profunda
— deslizamento profundo
■ Exemplos
Deslizamento com a palma das mãos Deslizamento com o antebraço Deslizamento com o polegar Deslizamento com o punho
Deslizamento com a ponta dos dedos Manobras de massagem linfática
■ Deslizamento
■ Pressão intermitente Manobras de compressão
■Compressão
■ Amassamento
Movimentos muito leves e lentos de deslizamento Pressão delicada, com pausas breves, combinada com leve alongamento manual
Compressão com as eminências
tenares/hipotenares ou com a palma da mão Compressão combinada com uma ação de rolamento e alongamento
Manobras de alongar, erguer e retorcer usando ambas as mãos
Manobras de compressão circular usando a ponta dos dedos
Manobras de percussão
■ Dígito-percussão
■ Punho-percussão
■ Tapotagem
■ Dedilhamento
Dedos abertos e esticados Dedos juntos e flexionados Lado da palma da mão cerrada Mão em concha
Uma ação semelhante a um "peteleco", ou pequenas trações, efetuadas com os dedos
Técnicas de fricção
■ Fricção no sentido transversal das fibras
■ Fricção circular
■ Fricção paralela, ao longo da linha das fibras
Técnicas de vibração
■ Oscilação vertical
Técnicas de trabalho corporal
■ Técnica neuromuscular
■ Pressão no ponto de gatilho
■ Alongamento e mobilização
Tabela 2.2 Benefícios de uma postura correta para o profissional
■ A direção, a pressão e o ritmo das manobras de massagem são facilmente controlados
■ Toda técnica é executada com muito pouco consumo de energia
■ A tensão mecânica sobre o corpo do próprio terapeuta é evitada
■ As mãos ficam relaxadas, aplicando pouca ou nenhuma pressão
■ 0 padrão respiratório é profundo e ocorre sem esforço
■ 0 relaxamento estende-se para o corpo inteiro e, subseqüentemente, para quem recebe a massagem
■ 0 chakra, ou fonte de energia do terapeuta, encontra-se em foco
■ 0 terapeuta mantém os pés bem apoiados durante todo o tratamento
Postura de esgrimista com cotovelo flexionado
Essa postura é similar à anterior, de esgrimista, mas apenas uma das mãos é usada para aplicar a técnica de deslizamento e o cotovelo é mantido em uma posição diferente. A postura pode ser adotada para aumentar a descarga de peso corporal no final da manobra de massagem e em certas regiões do corpo. Para acrescentar pressão, o cotovelo posicionado mais exteriormente (lateral) é apoiado sobre o abdome ou a pelve, enquanto o punho continua estendido, sem nenhuma abdução ou adução. Enquanto o corpo se move para a frente, a pressão é aplicada do antebraço para a mão; quando o corpo se move para trás, a pressão é reduzida e o peso do corpo é transferido para o pé traseiro. Essa posição é adotada para o movimento de deslizamento profundo nas costas, quando o paciente está deitado de lado (Figura 2.2).
Postura do t´ai chi
A postura, aqui, é similar à postura fundamental de t'ai chi ou a de um plié do bale. Para facilitar os movimentos, o terapeuta permanece a uma pequena distância da maca de tratamento, paralelamente a esta.
Com as costas eretas, o peso do corpo é transferido de uma para outra perna, movendo-se de um lado para outro . Conforme a técnica de massagem, a postura é adotada de modo estacionário ou com apenas uma leve oscilação para o lado. Uma rotação suave do tronco acrescenta força na manobra de pressão exercida pelo braço do terapeuta, por exemplo, em um deslizamento em cruz nas costas do paciente. Esta manobra, contudo, é introdutória e executada com as costas ainda na posição ereta. Girar o tronco pode, de modo similar, exercer uma ação suave de puxão com o braço. Esta manobra é usada para fazer pressão no início da manobra de massagem (Figura 2.3).
Postura ereta
Nessa postura, o profissional fica com as costas retas e os pés juntos ou um pouco afastados. O corpo permanece paralelo à maca de tratamento e, invariavelmente, repousa contra ela. Embora mantenha as costas eretas, o terapeuta pode inclinar-se de leve para a frente na altura da pelve e sem colocar tensão nos músculos das costas. Esse ajuste com freqüência é necessário quando se massageia o lado contralateral do paciente; ele também ajuda a acrescentar descarga de peso no final da manobra. A massagem na escapula contralateral do paciente é uma manobra típica na qual essa postura é adotada. Ela também ocorre com o profissional voltado na direção da cabeça do paciente, em vez de na direção de seu corpo. Para algumas técnicas, o profissional assume a postura ereta enquanto permanece na extremidade dos pés ou na cabeceira da maca de tratamento (Figura 2.4).
Postura de vaivém
Nessa postura, o terapeuta permanece afastado da maca de tratamento, com os pés colocados um atrás do outro. A posição dos pés é determinada pelo peso necessário para a manobra de massagem e pelo conforto que a posição proporciona ao terapeuta. Manter os pés bem afastados permite a transferência de maior peso corporal para os braços. O movimento corporal nessa postura é para a frente e para trás (vaivém). O movimento para a frente é realizado enquanto o peso do corpo é transferido para o pé dianteiro. Ao mesmo tempo, o calcanhar do pé traseiro é levantado levemente, para elevar o corpo e alterar seu centro de gravidade. Como resultado, o corpo oscila para a frente, permitindo ao terapeuta exercer pressão com um ou em ambos os braços. Levantar o calcanhar acrescenta maior descarga do peso corporal durante a manobra. Para conseguir essa transferência de peso, os braços mantêm-se esticados ou levemente flexionados no cotovelo.
Embora as costas estejam mais ou menos retas, alguma inclinação para a frente é inevitável; contudo, a inclinação deve ser mínima. A pressão pelos braços é liberada enquanto o corpo se move para trás e o calcanhar do pé traseiro é baixado. A postura de vaivém é adotada para a execução de movimentos a partir da cabeceira da maca de tratamento
(Figura 2.6) ou no lado contralateral do corpo (Figura 2.5).
Postura inclinada
Antes de se inclinar para a frente, o terapeuta se posiciona a uma pequena distância da maca de tratamento. As pernas são colocadas em paralelo uma à outra e os pés ficam bem afastados um do outro, o que oferece um apoio seguro e uma base estável. Enquanto o corpo se inclina para a frente, a descarga de peso, sob forma de pressão, é transferida dos braços para as mãos. Permanecendo ligeiramente afastado da maca de tratamento, o terapeuta pode inclinar-se para a
frente sem curvar demais as costas. Quanto maior a distância, maior é a descarga de peso corporal aplicada no final da manobra, por meio dos braços. Ao ser completada a manobra de massagem, o corpo volta para trás, ficando ereto. A postura inclinada costuma ser adotada para a aplicação de técnicas de massagem a partir da cabeceira da maca de tratamento (Figura 2.7); também pode ser assumida como alternativa para a postura de vaivém.
Sentado na borda da maca de tratamento
Algumas técnicas de massagem são mais fáceis de executar se o profissional sentar-se na borda da maca de tratamento. Nessa posição, contudo, a descarga de peso do corpo não pode ser aplicada com facilidade. Ainda assim, o arranjo é muito útil, já que evita que o massagista se curve excessivamente e retorça o tronco. Sentar na borda da maca de tratamento é contrabalançado pela colocação de um dos pés no chão; isso também é aconselhável por razões éticas. Para a maior parte dos movimentos de massagem nessa posição, uma das mãos é asada para aplicar o movimento enquanto a outra estabiliza o corpo do
paciente. Essa posição sentada é adotada, por exemplo, quando o paciente está em decúbito lateral (Figura 2.8).
Componentes adicionais das técnicas
O emprego da descarga de peso do corpo e da pressão
Um componente do movimento de massagem é o ângulo sob o qual a pressão é aplicada, que é determinado pela postura do terapeuta, como já apresentado, e pela direção de seus movitos corporais. A descarga do peso corporal é empregada, portanto, para a aplicação de pressão sob diferentes ângulos:
1. a descarga do peso corporal pode ser aplicada no final da manobra, e a pressão é exercida pela aplicação da descarga do peso corporal mais ou menos em linha reta com a direção do deslizamento da manobra de massagem (Figura 2.1);
2. a pressão pode ser aplicada sob determinado ângulo em relação ao corpo do paciente; em algumas manobras, especialmente nas executadas nas costas, a pressão é aplicada sob determinado ângulo em relação à superfície corporal; isso aumenta a força exercida pelo terapeuta no final da manobra (Figura 2.5);
3. a descarga do peso corporal é aplicada no início da manobra;
em um ou dois casos, é empregada para puxar as mãos do paciente na direção do corpo do próprio terapeuta; isso implica que qualquer pressão aplicada aos tecidos seja exercida por uma tração, e não por uma compressão e, portanto, no início da manobra (Figura 2.3).
O uso correto das mãos
O modo como as mãos são usadas é tão relevante para a técnica de massagem quanto a postura corporal. Qualquer tensão nas mãos do
terapeuta pode refletir ansiedade, que será facilmente transferida para o paciente e impedirá qualquer tentativa de induzir ao relaxamento. A pressão para a manobra de massagem é exercida principalmente pela descarga do peso do corpo, e não pelas mãos, e as contrações musculares da mão são, portanto, minimizadas. De modo similar, a palpação e a avaliação dos tecidos são mais eficazes quando as mãos estão relaxadas; e quaisquer mudanças nos tecidos que ocorram como reação à técnica de massagem também são facilmente detectadas quando as mãos estão relaxadas.
A essa altura, é apropriado introduzir o conceito da regra do
"convite". Em qualquer trabalho com as partes moles do corpo, os músculos e, na verdade, quem recebe a massagem não podem ser forçados a relaxar. Aumentar a pressão, portanto, não leva a um relaxamento mais profundo; isso, na realidade, pode causar mais espasmos. A tranqüilidade, portanto, é conquistada "encorajando-se" os músculos e o paciente a liberar a tensão, o que, por sua vez, é obtido quando as mãos do terapeuta estão relaxadas e sensíveis às respostas dos tecidos. Em outras palavras, o terapeuta não deve "entrar de sola"
na parede muscular, mas esperar um "convite", à medida que os tecidos relaxam e cedem à pressão. Pela sensação do estado dos tecidos, o terapeuta pode aumentar a sensibilidade de suas mãos e, invariavelmente, chegar a um grau de habilidade em que a pressão excessiva é sempre evitada. Além disso, causar alguma dor é quase previsível, e a pressão ou técnica é adaptada antes que os tecidos ou a pessoa que recebe a massagem tenha tempo de protestar. Essa abordagem constitui um fator essencial nas habilidades de palpação e na arte do trabalho com os tecidos moles. Além de estarem relaxadas, as mãos são usadas sem nenhuma abdução ou adução no pulso. Além disso, o polegar jamais é mantido estendido, mas em posição neutra ou em leve flexão.
O ritmo das manobras de massagem
Quando toda a teoria científica das manobras de massagem já foi estudada e absorvida, o que ainda resta é a arte das técnicas. Parte disso envolve o ritmo das manobras, não porque precisem ser executadas necessariamente de modo artístico, mas porque o ritmo aumenta sua eficácia. Além de todos os efeitos mecânicos e reflexos da massagem, o relaxamento continua sendo um de seus resultados mais poderosos. Como declaro em outro ponto deste livro, o fato de o paciente poder relaxar e livrar-se da ansiedade é suficiente para colocar o corpo em um processo de autocura. O ritmo correto, portanto, é importante para cada manobra. O deslizamento contínuo e lento do deslizamento superficial leve é o melhor exemplo da massagem para relaxamento, e a técnica de balanço (ver Capítulo 4) é outro exemplo no qual o ritmo apropriado é um aspecto essencial do tratamento. A velocidade da manobra, contudo, não é tão importante quanto sua regularidade. Isso é particularmente verdadeiro quando certas técnicas de massagem, como a pressão e o amassamento, estão sendo realizadas; ambas podem ser relaxantes e, ao mesmo tempo, apresentar outros benefícios. Outro ponto digno de nota é que o ritmo das manobras estabelece o passo do tratamento geral de massagem, e existe uma diferença considerável entre um tratamento desenvolvido sem pressa e com muita reflexão e outro, veloz e superficial. Também é importante mencionar que estabelecer um bom ritmo para o tratamento geral ajuda o profissional a manter o foco e a se acostumar com o paciente, o que significa que o tratamento diz respeito a curar mais o paciente que os tecidos. Além disso, quando o terapeuta está relaxado e trabalhando de modo rítmico, o tratamento pode ser expandido e incluir outros aspectos, isto é, a energia e os níveis subconscientes. Tendo em mente o corpo sadio, o terapeuta também pode usar a intuição para sentir e manipular os tecidos.