3 O MUNICÍPIO DE CAMBORIÚ, SANTA CATARINA
Este capítulo apresenta o município de Camboriú, detalhando a caracterização do município e sua colonização, além da caracterização da Prefeitura Municipal de Camboriú, sendo os dados coletados de forma bibliográfica, com informações apresentadas por Rebelo (1997), Camboriú (1993 a), Silva (2001).
Conforme a necessidade evidenciada quanto à caracterização efetiva do município, optou-se por entrevistas onde o acadêmico buscou questionar seus respondentes sobre temas que não são possíveis de encontrar em bibliografias disponíveis, tanto quanto materiais que buscou nos órgãos da Prefeitura, Internet, entre outros meios.
É necessário destacar que a caracterização do município abrangerá tanto a gestão turística da cidade de Camboriú, quanto o órgão específico responsabilizado pela gerência destas ações, dada a relevância de configurar desde o ambiente em que acontecem as atividades como quais as idéias que regem a organização.
Com o aumento da especulação imobiliária e o aquecimento da economia, sugeriu-se na Câmara de Vereadores do Município de Camboriú a criação do Distrito Praia de Camboriú, justificado pelo Presidente da Câmara, na época, Luiz Vieira dos Santos, que pediu o registro em Ata dos seguintes dizeres:
Camboriú cresce assustadoramente. A criação do Distrito da Praia de Camboriú é uma necessidade urgente porque a Administração Municipal funcionará mais eficientemente com a instalação de uma Intendência naquele futuroso espaço de terra (REBELO, 1997, p.61).
A criação do Distrito Praia de Camboriú deu-se dia 4 de novembro de 1959, determinado pelo Decreto no5 da mesma data. Em 1963, houve a proposta da criação do Município de Balneário Camboriú, mas os vereadores negavam-se a reconhecer, pelo fato de entenderem que a separação não beneficiaria Camboriú.
Porém, no dia 25 de fevereiro de 1964 o vereador Aldo Novaes, representante do Distrito Praia de Camboriú, apresentou à Câmara um Projeto em caráter de urgência para emancipação do Distrito. Após duas vezes suspensa a sessão, em virtude das acaloradas discussões, ficou determinada a emancipação do Distrito da Praia de Camboriú, tornando-se Município de Balneário de Camboriú, separando-se assim definitivamente da chamada Vila de Camboriú.
Depois da emancipação o município de Camboriú voltou-se, portanto, a desenvolver sua economia baseada na agricultura, especialmente a rizicultura ao longo dos vales formados pelos rios dos Macacos, do Meio e Braço. A população limitava-se a praticar uma agricultura incipiente e com práticas de coivara nos morros cobertos de Mata Atlântica.
A construção da BR-101, na década de 70, deu condições de acesso entre o sul e o norte do País, passando na porção central do município de Balneário Camboriú, facilitando, por conseqüência, o acesso ao município de Camboriú, e auxiliando a criação de uma rede urbana local bem definida.
Camboriú é um município de terras férteis e que teve sua sobrevivência fundamentada na agricultura. Dela saiu o explosivo progresso do município que se propagou pela região, como sendo um dos municípios de rica e próspera terra para a agricultura.
Atualmente, constata-se que poucos agricultores permanecem na atividade:
a terra está deixando de ser fonte de renda para a maioria das pessoas e a
preferência é a migração para a cidade. Os jovens saem para estudar em outras cidades e acabam por não retornar ao município. Aqueles que se mantém na localidade vivem, em sua maioria, da agricultura artesanal.
Recentemente, Camboriú passou a crescer em número de habitantes residentes na cidade, apresentando-se, de forma expressiva, como uma cidade dormitório. Muitos dos seus habitantes trabalham em outros municípios, restando à cidade a caracterização como espaço no qual as pessoas vêm apenas fixar residência, mas na qual evitam, inclusive, fazer aquisição significativa de produtos no comércio local. A cidade vizinha, Balneário Camboriú, passou a ser o pólo de trabalho e de compras para os habitantes de Camboriú. Sem se aperceber do fato, os habitantes transformaram a cidade de Camboriú em um local para descanso do trabalho que executam fora dela.
Tal situação passou a ser negativa para Camboriú, pois face à urbanização do município vizinho, as áreas agrícolas parecem cada dia menos atrativas para a população rural, incrementando assim o êxodo. Em vista do problema, o Poder Público municipal, através de seus governantes, idealizou um projeto denominado
“Turismo Ecológico Rural”.
Este projeto foi instituído em 1993, tendo como principal idealizador o Prefeito municipal em exercício na época Ainor Francisco Lotério, juntamente com o secretário do planejamento, comércio e turismo de Camboriú, José Domingos.
Aprovado pelo poder Legislativo Municipal dia 17 de junho de 1993, consubstanciado pela Lei Municipal n 978/93 (Camboriú, 1993 a), encomendou um diagnóstico, a partir das informações geradas por vários segmentos da comunidade, na tentativa de construir um projeto global da administração municipal.
Como justificativa para o convencimento dos legisladores municipais, foi apresentada uma série de razões pelas quais deveria ser aprovado o projeto de turismo ecológico rural. Foram apresentadas as potencialidades naturais e humanas do município, o meio ecológico rural privilegiado, além da vantagem geográfica de estar localizado próximo a Balneário Camboriú, uma das praias mais famosas do sul do Brasil.
Passados 15 anos de sua implantação, percebeu-se o crescimento de alguns pontos turísticos na zona rural: hotéis fazendas, parques aquáticos, pesque-pague, entre outros. Porém, percebe-se a falta de infra-estrutura, pois o planejamento descrito no projeto foi iniciado, mas não executado de forma eficiente.
3.1.1 A Economia do Município
A principal economia do município de Camboriú é a extração de pedras e o cultivo do arroz. Outras atividades geradoras de empregos na cidade estão voltadas ao desenvolvimento do turismo rural, como pesque-pague e hotéis fazenda.
Atualmente, no município, existem 05 empresas de pesque-pague, 02 hotéis-fazenda e 01 pousada.