d) maior flexibilidade dos períodos de férias e lazer: o turista atual se permite várias saídas ao longo do ano, por períodos mais curtos: feriados, feriados prolongados, finais de semana etc. Há uma forte tendência de crescimento do número de pessoas que decide viajar fora dos períodos de alta temporada, aproveitando-se dos preços mais baixos. Isso é importante para o mercado turístico, pois diminui a sazonalidade que, muitas vezes, inviabiliza um negócio ao longo do ano. Essa tendência é reforçada pelas iniciativas de promoção de eventos que atraiam o turista nos períodos de baixa temporada;
e) aumento da exigência de qualidade na prestação dos serviços turísticos: é uma tendência generalizada dos consumidores em todo o mundo evitar o consumo de produtos padronizados, buscando aqueles mais específicos, diferenciados;
f) aumento do interesse pelas práticas mais ativas de lazer: há um aumento crescente do interesse pelas práticas de lazer ativo, principalmente as desportivas. Considera-se como lazer ativo as intervenções do turista do meio cultural, na criação de rotas gastronômicas, na participação em eventos de todo o tipo, nas festas etc., indicando que deverá haver uma maior diferenciação dos produtos a serem oferecidos.
Com base nas características do comportamento do turista quanto ao seu consumo, ele apresenta necessidades, motivações e comportamentos diferentes e diferentes perfis de consumo voltado ao seu lazer.
Segundo Dias (2005), no início do século XIX, começou a ser utilizada as palavras turismo e turista, e possuíam as seguintes definições:
a) turismo: a teoria e a prática de viajar, por prazer;
b) turista: pessoa que faz uma ou mais excursões, especialmente alguém que faz isso por recreação. Alguém que viaja por prazer ou cultura, visitando vários lugares por seus objetivos de interesse, paisagem etc.
Entre os séculos XVII e XVIII tem início um novo tipo de viagem, com relação direta com o surgimento do turismo moderno. Relata Dias (2005), que durante esse período, a nobreza européia enviava seus filhos para viagens educativas que podiam durar até três anos e de modo geral eram acompanhados por um instrutor, um intelectual, que orientava as crianças de maneira organizada durante a viagem. Esses deslocamentos ocorriam prioritariamente na Europa, além da Grécia e Oriente Médio, regiões consideradas berço da civilização e onde existia um grande número de monumentos expressivos que contribuíam para o aumento do status social de quem os visse.
Da segunda metade do século XIX até a Primeira Guerra Mundial, o turismo cresceu de forma significativa, atingindo proporções de fenômeno mundial. Relata Dias (2005) que entre as principais preferências dos turistas daquele período estavam:
a) as praias, tanto frias do Norte da Europa, como as mais quentes do Mediterrâneo, em especial a Costa Azul francesa;
b) o termalismo e a afluência às praias dão origem a uma atividade social com a organização de uma série de atividades ao redor dos cassinos do Sul da Europa – San Sebastian, Montecarlo etc., e do Norte da Europa;
c) o contato com a natureza, a paisagem e a prática de esportes de inverno, sobretudo das zonas alpinas da Suíça e da Itália. É uma época em que se criam numerosos centros para excursão.
Com o advento da informática e dos processos tecnológicos, as máquinas substituem uma parte do tempo do trabalhador, que passa a ter mais tempo livre para descanso e para o lazer. Salienta Bahl (2003) que com uma maior parcela do tempo liberado, as pessoas procuram investir grande parte desse tempo em ocupações que lhes proporcionem bem estar.
Popularmente, o turismo é caracterizado como lazer, mas é uma tarefa que requer mais tempo disponível e, dentro deste segmento, é uma atividade de grande expansão, podendo abranger áreas como cultura, negócios, sexo, entre outros, tendo despontado em meados do século XX e recebendo grande atenção e importância nos últimos anos, devido, principalmente, à grande procura que tem demandado.
Afirmam Dias e Cassar (2005) que, na segunda metade do século XX, o turismo já se caracterizava como um dos maiores fenômenos de massa da história, provocando mudanças culturais, sociais e econômicas onde ocorria com mais intensidade, contribuindo para a balança comercial de muitos países. Hoje, o turismo é apontado como um dos setores mais globalizados, perdendo apenas para o setor de serviços financeiros. Essa globalização do turismo é o resultado dos seguintes fatores principais:
a) aumento da liberalização do comércio mundial;
b) incorporação de novas tecnologias – como a informática e as telecomunicações;
c) integração horizontal e vertical das empresas de turismo;
d) difusão territorial do consumo; e
e) flexibilização do trabalho nos diversos setores produtivos.
O setor de turismo teve um acelerado desenvolvimento, principalmente nas últimas décadas do século XX, acompanhando os progressos dos setores de transporte, hotelaria, infra-estrutura em geral.
2.8 Definição de Turismo
Para Dias (2003), turismo é o conjunto de atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao de seu entorno habitual, por um período de tempo consecutivo inferior a um ano, com o objetivo de lazer, negócios ou outros motivos, não relacionados com uma atividade remunerada no lugar visitado.
O turismo, de modo geral, apresenta características que devem ser levadas em consideração quando se efetua o planejamento do desenvolvimento turístico, tal como a sazonalidade, tipo de atrativos que oferece, entre outros.
O conceito de turismo adotado pode ser utilizado para identificar tanto o turismo entre países como o turismo dentro do próprio país. Dentre as definições de turismo, há alguns elementos comuns que se encontram em todas elas, segundo Dias (2005), que são:
a) há sempre um deslocamento físico de pessoas;
b) o turismo não implica necessariamente alojamento no destino;
c) a estada no destino nunca é permanente;
d) o turismo compreende tanto a viagem como todas as atividades realizadas anteriormente em função da intenção de viajar, e as atividades realizadas durante a permanência no destino escolhido;
e) o turismo compreende também todos os produtos e serviços criados para satisfazer às necessidades dos turistas.
Fundamenta Dias (2003) que as principais características do turismo estão relacionadas ao fato de:
a) as atividades turísticas apresentarem caráter sazonal;
b) o turismo apresentar uma demanda extremamente elástica;
c) os bens e serviços turísticos serem consumidos onde se localizam;
d) o turismo provocar alterações na cultura local;
e) o meio ambiente natural poder ser profundamente afetado;
f) o turismo modificar a estrutura de trabalho na comunidade receptora.
No entendimento de Cobra (2001), o turismo pode ser considerado a indústria limpa do desenvolvimento econômico, e esse deve ser o futuro para as cidades com potencial turístico. Para combater o desemprego industrial, comercial e agrícola, o setor de turismo é um dos que mais cresce, mesmo em períodos recessivos. Dias (2003) destaca que há três tipos básicos de turismo:
a) turismo interno (ou doméstico): é aquele realizado pelos visitantes residentes que viajam dentro do território econômico do país de referência;
b) turismo receptivo: é aquele realizado pelos visitantes não residentes no país de referência. Este é o tipo de turismo que favorece a balança de pagamentos, pois os visitantes efetuam despesas no território que visitam, aumentando a captação de recursos externos por parte do país visitado.
Considerando-se o turismo interno (ou doméstico), o turismo receptivo é aquele realizado pelos visitantes a determinada localidade;
c) turismo emissor (ou emissivo): compreende as viagens realizadas pelos visitantes que residem no país de referência, como exemplo as viagens do brasileiros ao exterior. Este é o tipo de turismo que prejudica a balança de pagamentos, pois os viajantes levam moeda para fora do país, fortalecendo a economia do país visitado. Considerando-se o turismo interno (ou doméstico), são as viagens realizadas pelas pessoas de determinado lugar ou região para outras localidades ou regiões.
Assim, verifica-se que o turismo interno ou doméstico tem a capacidade de promover a distribuição da renda nacional, diminuindo as desigualdades regionais. O turismo receptivo destaca-se para o país à medida que consegue captar divisas estrangeiras, aumentando a receita com essa espécie de exportação dos serviços, o que provoca equilíbrio favorável na balança de pagamentos. E o turismo emissivo, por outro lado, provoca perda de divisas, visto que os brasileiros que viajam ao exterior gastarão no exterior a renda obtida no país de origem, gerando benefícios naquele destino.
Os três tipos básicos de turismo listados podem combinar-se de diversas maneiras, produzindo as seguintes categorias de turismo, conforme Dias (2003):
a) turismo interior: é o turismo realizado pelos visitantes, tanto os residentes como os não residentes, no território do país considerado; trata- se de uma combinação do turismo doméstico (interno) com o turismo receptivo;
b) turismo nacional: considera-se o turismo dos visitantes residentes, dentro e fora do país de referência; é a soma do turismo doméstico com o turismo emissor;
c) turismo internacional: compreende o movimento de visitantes entre os diferentes países; aqui se combina o turismo emissor com o receptivo.
Já no entendimento de Cobra (2001), o mercado de turismo pode ser classificado em quatro grandes áreas:
a) O mercado de negócios – que pode ser segmentando em: grandes contas – clientes que compram frequentemente um volume elevado de viagens; pequenas e médias empresas – que compram com freqüência volumes razoáveis de viagens; viajantes freqüentes individuais – são
pessoas físicas que viajam muito. Fazem ainda parte desse segmento, viagens para eventos como feiras, congressos e viagens de incentivo.
b) O mercado de lazer – que é constituído por pessoas que viajam em família, de estudantes e jovens da terceira idade em busca de entretenimento, aventura, esportes, cruzeiros marítimos, visita a parques temáticos como Disney na Flórida ou na França, viagens de lua de mel, entre outras viagens.
c) O mercado de cursos – que é um segmento significativo constituído de jovens e executivos que viajam em busca de cursos de idiomas, aperfeiçoamentos, pós-graduação etc. no país e no exterior.
d) O mercado de turismo receptivo – que é constituído de turismo receptivo doméstico, e no exterior pode ser realizado para recepcionar pessoas individualmente ou em grupos.
O turismo também é classificado conforme os diversos motivos de viagem, destacado por Cobra (2001) como sendo:
a) ócio: a sociedade moderna dispõe a cada dia de mais tempo ocioso e esse tempo disponível pode ser utilizado pelo consumidor de turismo, entre outras, nas atividades como:
concertos: música clássica, música popular;
feiras e exposições: salão do automóvel, feira do couro, feira da moda, feira de cosméticos, feira do livro, feira do turismo, feira do artesanato, exposição agropecuária etc.;
jogos – cassinos, bingos, apostas: as pessoas viajam em busca de jogos em cassinos ou vão em sua própria cidade em busca de jogos em bingos e casas de aposta (loterias);
acontecimentos esportivos: campeonatos de vôlei, futebol de campo, futebol de areia, pólo, atletismo, maratonas etc.;
cinema, teatro e casa de shows: entretenimento e cultura em salas de cinema de rua, de shopping center, ou ainda diversas salas em único local tipo Cinemax, salas de teatros para espetáculos variados, salas de shows etc.;
gastronomia: o roteiro de comida é um dos mais procurados em cidades turísticas ou de negócios;
diversão noturna: bares, boates, danceterias, forró, bailão, sambão, casas de tango etc.;
b) cultura: o turismo cultural é muito apreciado na Europa, Grécia, Turquia, Egito, Índia e outros recantos do mundo. Esse tipo de turista vai em busca de arqueologia, monumentos históricos, museus, santuários, lugares santos;
c) profissional: o turismo de negócios é sempre uma atividade rendosa, pois os executivos e empresários podem estar viajando para participar de:
reunião de negócios, convenções, visitas comerciais ou de vendas;
d) ecoturismo: essa é uma atividade turística em ascensão, privilegiando visitas a áreas preservadas, como grutas, parques naturais, florestas, chapadas (Diamantina, Veadeiros e outras) e podem ser realizadas sob a forma de: passeios, piquenique, visitas a áreas preservadas, reservas e parques naturais, caça e pesca;
e) tradições culturais: há inúmeras festas populares que atraem público, como carnaval, festa de São João, entre outras. Mas incluem ainda festas religiosas, musicais, balé e dança folclórica sob a forma de: festivais, exposições de arte, exposições de artesanato, festas folclóricas;
f) educação: as viagens de estudo, tanto de estudantes como de professores e executivos que vão participar de:
seminários e cursos de curta e longa duração: línguas, mestrado, doutorado, especializações diversas etc.;
congressos em várias áreas;
trabalhos de campo: como pesquisas de mercado, estudos de comportamento social;
g) turismo de fronteira: as visitas ao outro lado da fronteira, dos países vizinhos são muito freqüentes e têm como objetivo: compras e distrações (cassinos, restaurantes, teatros, casas de show etc.);
h) parques temáticos: as visitas a parques temáticos é uma forma de lazer muito procurada por crianças, jovens e adultos. Sendo as visitas realizadas por turistas que viajam sozinhos, mas principalmente em grupos para excursões, com o tempo de duração desde um dia até três ou mais dias;
i) acontecimentos especiais: as ocasiões especiais são de maior duração e podem ser para férias, viagens de estudo por um período de 1 a 6 meses e
uma série de outros acontecimentos. Portanto, tem-se: férias e acontecimentos de todo o tipo;
j) turismo religioso: as cidades santuárias como Aparecida do Norte em São Paulo, Juazeiro do Norte no Ceará, São Tiago de Compostela na Espanha e Fátima em Portugal, atraem milhares de peregrinos anualmente.
Atualmente, o turismo experimenta um processo de crescimento, tornando- se o maior movimento de pessoas já ocorrido na história. O turismo deve ser encarado com profissionalismo pelos profissionais de marketing, a fim de que os serviços sejam desenvolvidos para atender às expectativas do mercado. Um serviço turístico deve oferecer tantas facilidades quanto forem possíveis para agradar os clientes.
O processo de globalização em curso apresenta diversos fatores que contribuem para a expansão do turismo, conforme Quadro 5.
Fatores econômicos
Estratégias de integração horizontais e verticais nas empresas turísticas.
Investimentos diretos estrangeiros das empresas turísticas transnacionais.
Alianças estratégicas e atuação global das empresas.
Gerência turística global das empresas.
Fatores tecnológicos
Desenvolvimento das telecomunicações e da Internet.
Melhoria da promoção turística, graças aos meios massivos eletrônicos; a televisão melhorou a publicidade dos destinos turísticos.
Aumento da especialização das operadoras turísticas que realizam a coordenação e a organização das viagens em pacotes.
Sistemas de transportes com tecnologias padronizadas nos aeroportos e outros lugares.
Fatores culturais
O mundo se tornou menor devido aos efeitos da globalização e aos avanços tecnológicos. Na maioria das sociedades industrializadas, as viagens internacionais tornaram-se acessíveis para a classe média.
Aumento da segmentação do mercado de turismo atendendo a diversos interesses. Entre estes, a ampliação do leque de ofertas de turismo voltada para a natureza, e neste o ecoturismo.
Fatores políticos Crescente importância das organizações turísticas internacionais.
Necessidade de coordenação e regulamentação do turismo em
nível mundial.
Turismo sustentável como desenvolvimento desejável.
Incorporações de novos espaços para o turismo em função da queda do muro de Berlim (1989) e do esfacelamento da União Soviética (1991).
Incorporações de novos espaços para o turismo com a maior abertura de países politicamente mais fechados como Cuba, China, Líbia etc.
Quadro 5: Fatores relacionados com a globalização que contribuem para o crescimento do turismo.
Fonte: Adaptado de Dias (2005, p.43).
Neste início de século XXI, destaca-se o ecoturismo, com um dos maiores índices de crescimento dentro da atividade do turismo rural, e a forte tendência experimentada atualmente de se praticar turismo de aventura através de suas inúmeras variantes.