que o setor turístico, a cada dia, vem ganhando maior espaço na economia dos países.
Neste sentido, Cobra (2001) destaca que o setor de serviços no Brasil representa aproximadamente 53% do PIB (Produto Interno Bruto) e dentro de serviços o volume de negócios gerados pelo turismo é bastante significativo.
O mercado industrial diferencia-se do mercado de consumo por algumas características: menor quantidade de clientes, clientes maiores, clientes concentrados geograficamente, processo de compra profissional e maior número de pessoas influenciando a decisão de compra.
Para Gianese e Corrêa (1996) existem quatro grupos básicos de fatores que influenciam o consumidor, e são:
a) O primeiro é identificado como sendo os fatores culturais, que se referem ao conjunto de valores aos quais uma pessoa está exposta desde a infância e que são incorporados. A classe social também pode ser considerada como fator cultural, já que as classes sociais são relativamente homogêneas, constituindo divisões na sociedade.
b) O segundo grupo é identificado com os fatores sociais que se referem aos grupos de referência dos consumidores, ou seja, grupos que direta ou indiretamente influenciam o comportamento e as atitudes dos consumidores.
c) O terceiro grupo é identificado com os fatores pessoais que podem ser divididos em fatores demográficos (como idade, ocupação e condição econômica) e fatores psicográficos (como estilo de vida, personalidade e auto-conceito). A análise dos fatores pessoais é importante para a compreensão do processo de decisão do cliente, mas os fatores psicográficos ou comportamentais são considerados como os mais relevantes. Estes fatores explicam melhor a maneira pela qual as pessoas agem e vivem, pois descrevem como as pessoas pensam e as ações geradas por sua forma de pensar. Os fatores psicográficos cortam transversalmente os segmentos definidos demograficamente, identificando grupos de clientes com padrões comuns de comportamento de compra de produtos e serviços.
d) O quarto grupo é identificado com os fatores psicológicos que influenciam o comportamento do consumidor em quatro fatores: a motivação (o que leva o consumidor a realizar uma compra), a percepção (é o processo pelo qual um indivíduo seleciona, organiza e interpreta informações, de modo a criar uma imagem significativa), o aprendizado (refere-se à influência da experiência anterior do consumidor), e as convicções e atitudes (representam certas noções preconcebidas que os consumidores têm sobre certas coisas).
Quando há uma ligação formal entre empresa e cliente, a empresa percebe uma série de benefícios provenientes da freqüência de compra do cliente, tal como a fidelidade ao produto, maior lucro, clientes opinam sobre possíveis melhorias.
Nestas situações, Gianese e Corrêa (1996) afirmam que a empresa deve conhecer melhor seus clientes, suas necessidades e o uso que fazem dos serviços recebidos. Este relacionamento mais intenso geralmente resulta no aumento da fidelidade do cliente em relação a um fornecedor de serviço específico.
O comportamento do consumidor de turismo também é analisado pelos autores Dias e Cassar (2005), que afirmam que importantes segmentos de turistas atuais apresentam características muito diferentes daquelas que predominavam em um passado recente (década de 1960 a 1980), e pode-se supor que elas se consolidem como tendência generalizada do fluxo turístico. Entre essas características, pode-se destacar:
a) aumento da consciência ecológica: o que se reflete no aumento do consumo de tipos de turismo de natureza, entre os quais: ecoturismo, turismo rural e turismo de aventura;
b) interesse pela diversidade cultural: tende a valorizar cada vez mais o contato direto com as populações dos locais visitados, em busca de manifestações culturais, principalmente as tradicionais. É uma tendência vista como a busca pelo autêntico, que é a manifestação tradicional das populações residentes;
c) diversificação de interesses: um mesmo turista apresenta diversas motivações ao longe de um determinado período de tempo. Pode ser um turista de negócios, um apreciador de sol e praia e um praticante de turismo de aventura, por exemplo, revelando uma diversidade de interesses que nos impede de classificá-lo de forma objetiva em determinado segmento. No entanto, essa variação se circunscreve em um leque bastante específico de opções que permite incluí-lo em uma faixa determinada, tornando-o, assim, objeto de estratégias de marketing. Um tipo particular de turista que se desloca por motivos religiosos tem aumentado no Brasil, movimentando a economia de muitas localidades, e vem recebendo a atenção dos estudiosos do turismo;
d) maior flexibilidade dos períodos de férias e lazer: o turista atual se permite várias saídas ao longo do ano, por períodos mais curtos: feriados, feriados prolongados, finais de semana etc. Há uma forte tendência de crescimento do número de pessoas que decide viajar fora dos períodos de alta temporada, aproveitando-se dos preços mais baixos. Isso é importante para o mercado turístico, pois diminui a sazonalidade que, muitas vezes, inviabiliza um negócio ao longo do ano. Essa tendência é reforçada pelas iniciativas de promoção de eventos que atraiam o turista nos períodos de baixa temporada;
e) aumento da exigência de qualidade na prestação dos serviços turísticos: é uma tendência generalizada dos consumidores em todo o mundo evitar o consumo de produtos padronizados, buscando aqueles mais específicos, diferenciados;
f) aumento do interesse pelas práticas mais ativas de lazer: há um aumento crescente do interesse pelas práticas de lazer ativo, principalmente as desportivas. Considera-se como lazer ativo as intervenções do turista do meio cultural, na criação de rotas gastronômicas, na participação em eventos de todo o tipo, nas festas etc., indicando que deverá haver uma maior diferenciação dos produtos a serem oferecidos.
Com base nas características do comportamento do turista quanto ao seu consumo, ele apresenta necessidades, motivações e comportamentos diferentes e diferentes perfis de consumo voltado ao seu lazer.