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mais grave: a péssima distribuição dos recursos disponíveis, da terra, da água e da renda.
No quadro que vem a seguir, você encontrará algumas informações impor- tantes que podem auxiliá-lo a orientar os estudos de sua turma. Você deve tam- bém buscar outros materiais que complementem e atualizem as informações ou que mostrem como o problema se manifesta em diferentes locais, já que, de fato, a realidade dos vários estados e municípios é diversa.
POR QUE A SECA É UM PROBLEMA NO NORDESTE?
Do que estamos falando
No interior do Nordeste há apenas uma estação de chuva, de 3 a 5 meses de duração, que o povo da região chama de “inverno”. O resto do ano, o “ve- rão”, é o período seco normal. Existe, porém, outro tipo de período seco de caráter excepcional, chamado “seca”. A seca ocorre quando as chuvas de inverno são insuficientes ou irregulares demais para assegurar a subsistência das famílias que habitam essa região.
Entretanto, essas características do clima semi-árido não são as únicas cau- sadoras desse problema que afeta o Nordeste. As atividades humanas são o outro lado do problema. A seca ocorre apenas em áreas onde há pessoas afetadas pe- las irregularidades da chuva. Em outras partes do mundo, há desertos muito mais secos que o sertão nordestino, mas não há “problema da seca” porque pou- quíssimas pessoas moram lá. Por outro lado, há também regiões mais secas que o interior do Nordeste, onde a convivência das pessoas com o ambiente não é problemática, como em Israel, por exemplo. Como o povo de Israel não passa fome ou sede, ninguém fala em problema da seca por lá.
No Brasil, além da seca climática, temos sobretudo uma seca socioeconômica, que não afeta igualmente todos os setores da sociedade. Suas vítimas preferen- ciais são os mais pobres, aqueles que, nos anos de chuvas regulares, vivem com o pouco que colhem ou o pouco que ganham. Pode-se dizer que o problema começa nos “anos bons”, pois, nos anos de chuva regular, os pequenos produto- res, rendeiros e parceiros produzem, mas não conseguem acumular. Descapita- lizados, ao final de cada ciclo produtivo, são incapazes de enfrentar um ano seco.
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Resumindo, o problema da seca não é uma fatalidade, é a conseqüência da inadaptação das populações humanas ao ambiente árido. Além do clima, há problemas de distribuição da terra e da água, de integração econômica, de coro- nelismo, clientelismo, desacerto das políticas públicas, além da inadequação de muitos hábitos da população.
As reservas de água
Cisternas, açudes e barreiros são as principais alternativas para a obtenção de água na região rural. Mais grave do que a escassez de chuvas são as dificul- dades de acesso e a baixa capacidade de armazenamento de água nas comuni- dades rurais. O uso de cisternas caseiras está progredindo aos poucos, mas ain- da está aquém das necessidades. Os açudes e barreiros são vítimas da intensa evaporação causada pelo calor e pelos ventos secos. À medida que secam os açudes e os barreiros, aumenta a quantidade de microorganismos na água e também o risco de contrair doenças.
Muitas vezes, recorre-se à distribuição de água em carros-pipa, solução extremamente custosa e de fácil manipulação eleitoreira. Quando o município ou o estado não providenciam uma quantidade suficiente de carros-pipa, par- ticulares o fazem, vendendo água a preços elevados. Além do mais, é raro o tra- tamento da água do carro-pipa.
O problema da distribuição das terras
Muitas entidades que trabalham no semi-árido afirmam que o sertão tem muito mais vocação para pecuária do que para agricultura comercial. A opção mais segura seria a criação de caprinos e ovinos. Mas aí entra a questão fundiária, pois, abaixo dos cem hectares (o que é o caso mais comum), uma família sertaneja não tem condição de viver da pecuária. O antigo sistema em que os animais eram criados “soltos” está desaparecendo com a multiplicação das cercas no sertão.
Os grandes proprietários cercam as terras onde, antigamente, toleravam rebanhos alheios — dos pequenos proprietários ou dos que não possuem terra. Esses re- banhos ficaram, então, reduzidos a áreas de tamanho insuficiente, provocando o esgotamento de seus recursos naturais.
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Os pequenos agricultores que não conseguem fazer silagem ou fenação, ou quem não dispõe de reservas de palma ou outra forrageira cultivada, podem fi- car obrigados a se desfazer do seu rebanho. No período das secas, grandes com- pradores de gado vão percorrendo o sertão e levando, por quase nada, carretas de animais destinados à engorda em regiões mais úmidas.
As políticas que não dão certo
Desde o século XVIII, quando se adensou o povoamento do sertão, os go- vernos são chamados a tomar atitudes com relação aos problemas da região, que se agravam com as secas. Entretanto, a maioria das medida é emergencial, não chega às raízes do problema, que são estruturais.
Na época das grandes secas, os governos quase sempre recorreram às frentes de emergência, mobilizando os flagelados para a construção de obras ditas “de combate à seca”, como açudes e poços, em troca do mínimo necessário à sobre- vivência. Foram dois séculos sacudidos por surtos de assistencialismo durante as secas, sem grandes efeitos para a maioria, já que os principais beneficiários com as obras das frentes eram os grandes fazendeiros.
Fora dos períodos críticos, algumas instituições foram criadas e diversos programas foram lançados. Nada disso mudou de fato as condições de vida do semi-árido. A estimativa é de que menos de 20% dos recursos chegaram, de fato, até os pequenos agricultores.
Atualmente, grande propaganda é feita em torno dos projetos de irrigação que, de fato, abriram perspectivas econômicas em algumas áreas. Entretanto, esta não é uma solução que sirva à maioria, pois apenas 5% da região semi-árida é considerada irrigável.
Novas soluções que a sociedade tem proposto
Para muitas organizações da sociedade civil e pesquisadores do Nordeste, a irregularidade das chuvas não é o problema, é uma condição da região, da sua própria natureza. A seca da falta de chuva desvenda e agrava a situação de po- breza da população, pobreza esta que tem suas raízes na má distribuição da ter- ra, da água e da renda, além da ausência de uma política agrícola voltada para os pequenos produtores.
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O outro lado do problema é a inadequação de certos hábitos da população às peculiaridades do ambiente. Alguns exemplos dessa inadaptação são:
• cultivo de espécies inadaptadas, como o milho, por exemplo, que é mui- to exigente em água;
• desprezo por plantas nativas, como o umbu e a maniçoba;
• destruição da vegetação pela prática da queimada e do desmatamento;
• manejo inadequado do solo, como, por exemplo, deixar o solo descober- to ou arar no sentido das águas;
• pouca divulgação de práticas como a silagem e a fenação;
• utilização de reservatórios altamente sensíveis à evaporação;
• fatalismo, ou seja, não pensar em mudar a situação, simplesmente acei- tar que “a seca veio porque Deus quis assim”.
Para mudar esses hábitos, é fundamental que toda a população tenha aces- so à educação, que as escolas ensinem às crianças, aos jovens e aos adultos como aproveitar melhor os recursos da caatinga.
Há mais de dez anos, diversas organizações não-governamentais vêm tra- balhando no semi-árido, experimentando localmente e divulgando propostas que tentam superar esses obstáculos. Essas entidades atuam geralmente em três gran- des áreas: água, animais e solo/cultivos. Pesquisam e divulgam tecnologias que não agridem nem ao homem, nem ao ambiente. Elas trabalham junto às famí- lias de agricultores e lutam pelo reforço do papel das mulheres na economia familiar. Todas acham também fundamental incentivar o beneficiamento e me- lhorar a comercialização da produção: mel do sertão, queijo de cabra, picles de palma, vinho de umbu e carne de bode defumada são todos produtos que po- dem encontrar mercado nas grandes cidades. Na outra ponta, para que a pro- dução agrícola seja viável, acham necessário garantir o acesso à terra, à água e ao crédito. Essas seriam as condições para uma convivência não problemática da sociedade com o ambiente semi-árido.
Fonte: texto adaptado de DIDIER, Bloch, Retrato de uma calamidade anunciada: seca 98, Recife: Oxfan/Unicef, 1998.
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Sugestão para o
desenvolvimento das atividades
Saudades do sertão
Provavelmente, muitos alunos conhecem essas paisagens e mesmo a figura do vaqueiro, com trajes típicos. Aproveite o estímulo das imagens para fazer com que os alunos contem o que sabem sobre a região e o modo de vida das pessoas que nela vivem.
A caatinga
O texto que expõe as características principais da região da caatinga favore- ce a retomada da idéia dos ritmos da natureza, condicionados à alternância entre períodos de seca e de chuva. No caso da caatinga, essas alternâncias são bastante extremadas, como atesta o fenômeno dos rios temporários, que transbordam na estação das chuvas e chegam a secar completamente no período das águas.
O roteiro de estudo proposto dá continuidade ao tipo de abordagem suge- rido nas duas unidades anteriores: para escolher um novo título para o texto, os alunos precisam pensar em algo que sintetize seu sentido geral; depois, para ordenar os tópicos, deverão identificar o tema de cada parágrafo e finalmente localizar informações específicas sobre os rios e a distribuição das chuvas. É importante verificar se os alunos vão evoluindo com relação ao manejo dessas estratégias de estudo dos textos, que são fundamentais para que ganhem auto- nomia na leitura.
Adaptação para a vida
O mandacaru é um excelente exemplo de como os seres vivos podem se adaptar a condições do meio, tornado-se capazes de viver em ambientes que
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seriam inviáveis para outros seres vivos. No mandacaru, as folhas se transfor- maram em espinhos de modo a reduzir ao máximo a superfície exposta ao ar, diminuindo a evaporação da água. O caule achatado também aumenta a expo- sição da clorofila à luz solar sem perda de água.
Além de conhecer essas características da planta, os alunos poderão reali- zar um exercício interessante, por meio do qual poderão perceber a função dos adjetivos numa descrição. Mesmo sem dominar os conceitos gramaticais corres- pondentes, poderão perceber que, no quadro, estão palavras que explicam ou- tras e que, para estabelecer as relações entre elas, podem basear-se tanto no sen- tido quanto no número (plural e singular) e no gênero (masculino e feminino).
O último varão baiano
A história de Severino, a ararinha-azul, coloca o problema da extinção de espécies animais, cuja causa principal é a destruição de seus ambientes naturais.
O texto mostra também a mobilização de diferentes grupos sociais para salvar essa espécie, possibilitando que ela se reproduza. Chame a atenção dos alunos para os diversos atores envolvidos na defesa da ararinha, o Ibama, que é um órgão federal de defesa do meio ambiente, os cientistas, os criadores, os vaqueiros da região e a comunidade local em geral.
Sugira que os alunos leiam o texto silenciosamente e respondam às perguntas propostas no roteiro. Depois, faça uma correção coletiva e incentive os alunos a expressar suas opiniões sobre o que leram. Finalmente, peça que se organizem em grupos para elaborar o cartaz sobre a ararinha. Caso haja interesse, eles podem confeccionar outros cartazes com mensagens relacionadas à preservação do am- biente.
A miragem das águas
Os fatos narrados nesta reportagem mostram que a essência do problema da seca é social. A região é marcada por desigualdades profundas: são poucos os privilegiados que têm acesso aos recursos disponíveis. Aproveite a oportuni-
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problemas. Você pode recorrer às informações que constam no texto incluído na introdução desta unidade e a outros materiais que você e seus alunos podem pesquisar.
Agreste e zona da mata
Muitas pessoas pensam que o clima semi-árido predomina em toda a região Nordeste, assim como a vegetação da caatinga. Isso, entretanto, não é verdade.
Além das dunas e manguezais presentes no litoral, há a zona da mata e o agres- te. A zona da mata é uma faixa úmida que compreende uma planície litorânea, onde a vegetação original era constituída pela floresta tropical. O agreste se caracteriza por ser zona de transição entre a mata e o sertão, com um relevo suave.
Caso seus alunos morem nessas regiões ou se interessem por elas por algum motivo, você pode conduzir um estudo sobre elas com base numa pesquisa em livros de geografia, fotografias ou da própria observação no local.
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