2
2
da depende da combinação de vários elementos, em proporções equilibradas.
Tanto o excesso quanto a escassez de algum elemento podem trazer conseqüên- cias negativas à saúde. Por exemplo, uma pessoa que ingere gordura e carboidratos em excesso pode sofrer com problemas circulatórios, alta do colesterol e obesi- dade. Por outro lado, uma pessoa cuja alimentação não contém calorias suficientes terá afetada a capacidade do corpo de gerar energia, o que causa fraqueza e le- targia. Uma doença típica associada a essa situação é o marasmo, um déficit calórico global. A criança fica com o corpo mirrado, em desproporção com o tamanho da cabeça, olhos fundos, rosto anguloso e abdômem pronunciado. Já a ausência de vitaminas e proteínas pode impedir a reposição de tecidos, expon- do o corpo a doenças e infecções. A desnutrição pode afetar também o cresci- mento: nem todos os “baixinhos” são desnutridos, mas quase todos os desnu- tridos são “baixinhos”. Exposta a uma subnutrição prolongada, a criança fica sujeita a doenças por toda a vida e pode ter prejuízos neurológicos.
Sugestões para o
desenvolvimento das atividades
Nosso alimento
O objetivo da atividade é introduzir uma reflexão sobre a própria alimen- tação e os hábitos alimentares predominantes na região. Você terá oportunida- de de levantar os conhecimentos prévios dos alunos com relação ao valor nutri- tivo dos alimentos e sobre aspectos culturais relacionados à alimentação.
É de comer
Partindo de uma lista de alimentos, os alunos farão inicialmente um exercí- cio livre de classificação, escolhendo um critério qualquer para organizar os ele- mentos da lista. É importante chamar a atenção para a diversidade de critérios que podem ser utilizados, ou seja, de que há diferentes formas de fazer agrupa- mentos. No exercício 4, solicita-se que os alunos classifiquem os alimentos pelo critério da origem, animal ou vegetal. Os conceitos de animal e vegetal serão
(p. 14)
(p. 15)
2
trabalhados de forma mais sistemática no Módulo 2 deste livro, mas esse exer- cício já serve como uma primeira aproximação. Chame a atenção para o fato de que a maioria das pessoas se alimenta desses dois tipos de produtos.
Alimentação equilibrada
Lendo esse texto os alunos entrarão em contato com outra classificação dos alimentos, de acordo com os nutrientes que contém. O objetivo é que, a partir desse conhecimento, eles possam reavaliar a adequação de seus hábitos alimen- tares no que se refere à manutenção de sua saúde. Muitas vezes, mesmo sem gastar mais, é possível comer alimentos melhores e aproveitar mais seus nutrientes.
Utilize a tabela abaixo para ajudar seus alunos a analisar seus hábitos alimenta- res, ou seja, se suas refeições estão garantindo suprimentos adequados de proteína, carboidrato e gordura, além das fibras, que facilitam a digestão. Lembre-se tam- bém da importância das vitaminas que estão presentes em vários alimentos, es- pecialmente nas verduras e frutas frescas.
Alimento Proteínas Carboidratos Gorduras Fibras
Pão, arroz, macarrão, Pouco Muito Pouco Pouco
mandioca e farinha
Pão integral, arroz integral, Médio Muito Pouco Muito macarrão de farinha integral
Queijo, requeijão Muito Pouco Muito Nada
Manteiga, óleo, margarina, banha Pouco Nada Muito Nada
Ovos Muito Pouco Muito Nada
Leite e iogurte Médio Médio Médio Nada
Peixe Muito Pouco Pouco Nada
Carnes magras e aves Muito Pouco Médio Pouco
Carnes gordas e porco Muito Pouco Muito Pouco
Verduras em geral Pouco Pouco Nada Muito
Frutas em geral Pouco Médio Nada Muito
Feijão, lentilha e outras leguminosas Médio Médio Pouco Muito Cenoura, beterraba e outras raízes Pouco Médio Nada Muito
Açúcar Nada Muito Nada Nada
Chocolate Pouco Médio Muito Nada
Fonte: SAMPAIO, Franciso Azevedo de Arruda e CARVALHO, Aloma Fernandes, Caminhos da ciência:
(p. 16)
2
Séculos de invenções
O quadro traz algumas curiosidades sobre a introdução de produtos que mudaram os hábitos alimentares das pessoas. Deve-se enfatizar a noção de que os hábitos alimentares, tal como outros traços culturais, mudam ao longo dos tempos, e que dependem de que certos recursos tecnológicos estejam à disposição.
Aproveita-se também a oportunidade para retomar o conceito de século, já trabalhado no livro 2 desta coleção. São propostos alguns exercícios matemáti- cos visando ao estabelecimento de relações entre séculos, datas e períodos trans- corridos. Esses exercícios devem favorecer a compreensão da seqüência crono- lógica apresentada e a capacidade de operar com esse tipo de informação.
Deixe que os alunos explorem livremente o quadro com os inventos, comen- tando os que acharam mais interessantes. Em seguida, leia com eles a explica- ção sobre os séculos, o quadro que explica os números romanos e o quadro com a correspondência entre séculos e anos. Apresente os exercícios matemáticos e incentive-os a resolvê-los em grupo, comparando seus cálculos com os dos colegas.
Os santos comem é na Bahia
Este texto enfatiza o aspecto cultural dos hábitos alimentares, destacando a influência das culturas africanas no Brasil. Aproveite para comentar com os alunos outros aspectos da cultura brasileira cujas origens podem ser encontra- das na África e nos grupos de africanos que foram trazidos ao Brasil como es- cravos: a religião, a música, a dança, a capoeira, os penteados, os enfeites, as roupas etc. Enfatize o fato de que as culturas são dinâmicas e se influenciam umas às outras.
Peça que os alunos leiam o texto individualmente e depois solicite que ex- ponham oralmente o que entenderam. Observe se eles apreenderam o sentido geral do texto. Em seguida, organize uma leitura em voz alta, parágrafo por parágrafo, comentando as informações, os detalhes e as dúvidas.
Finalmente, explique como organizar as perguntas que devem elaborar so- bre o texto, tal como proposto no livro do aluno. Destaque a importância de numerá-las, pular linhas entre uma e outra, além de empregar o ponto de inter-
(p. 18)
(p. 20)
2
rogação. Sugira que releiam cada pergunta para verificar se está suficientemen- te clara para os colegas entenderem. Depois disso, eles deverão trocar entre si os cadernos, para que um responda a pergunta elaborada pelo outro. Se surgi- rem dúvidas, incentive-os a consultar os próprios colegas para esclarecê-las.
No quadro abaixo, leia mais sobre o legado da África na cultura brasileira e da humanidade e sobre as responsabilidades do educador com relação ao tra- tamento da questão.
CULTURA NEGRA E RACISMO
A influência das culturas africanas na história de outros povos é ampla e complexa, remontando aos tempos antigos. A civilização egípcia, que deixou testemunhados nas pirâmides, profundos conhecimentos matemáticos e de en- genharia, resultou de uma obra comum de asiáticos e africanos. É lamentável constatarmos, em relação à África, que a rápida e destrutiva chegada dos euro- peus tenha golpeado culturas cuja riqueza jamais poderá ser avaliada.
De todo modo, a história nos ensina que a diversidade é um dos fatores responsáveis pelo extraordinário progresso material e cultural da humanidade.
Lamenta-se que, freqüentemente, essa diversidade seja utilizada como instrumento de opressão, de exploração e mesmo de extermínio de grupos humanos. A dife- rença — característica que constitui verdadeiro patrimônio da humanidade — acaba sendo manipulada, em prejuízo de certos grupos humanos.
Grande parte dos livros sobre a história do Brasil foi escrita por pessoas brancas da elite, que não souberam reconhecer a importância dos personagens populares e principalmente dos negros africanos que fizeram essa história com seu trabalho, suas lutas, sua coragem, talento e inteligência. Como durante sé- culos a história foi deturpada, as pessoas fixaram imagens, idéias e desenvolve- ram sentimentos negativos sobre povos cujos feitos e méritos foram negados ou escamoteados pelos historiadores.
Aqui no Brasil, crianças brancas e negras aprendem sobre figuras e fatos importantes de brancos — como Pedro Álvares Cabral e Tiradentes. Porém, pouco ou nada sabem sobre os descendentes de africanos, povo que compõe metade da população brasileira. Se perguntarmos a uma criança ou um jovem negro quem
2
são seus heróis, eles terão dificuldade para identificar heróis negros, porque a memória de seu grupo foi omitida ou deturpada. Poucas crianças ou jovens sa- bem que um dos principais escultores do Brasil, o Aleijadinho, era negro, bem como o escritor Machado de Assis, o orador e advogado Luís Gama, os enge- nheiros Teodoro Sampaio e André Rebouças e tantos outros personagens impor- tantes do país.
Sem uma memória positiva, sem conhecer figuras de destaque de seu povo, as conquistas importantes no campo das artes e das ciências, as crianças e os jovens negros têm muita dificuldade em formar uma imagem positiva de seus iguais. Conseqüentemente, não formam uma imagem positiva de si próprios, enquanto negros e negras. Suas famílias muitas vezes também não formaram uma imagem positiva sobre o grupo negro e acabam por reproduzir o preconceito em casa.
Nos últimos anos, contudo, essa situação vem-se alterando. A ampliação da autoconsciência e também da consciência sobre o racismo, por influência do Movimento Negro e da convivência com outros negros e brancos anti-racistas, tem feito com que os negros tenham cada vez mais orgulho de sua raça.
O racismo, ou preconceito racial, é um comportamento do qual todos nós devemos nos envergonhar. O racismo contraria uma regra básica nas relações entre quaisquer seres humanos: a da afeição. Isso significa que, ao se relaciona- rem, as pessoas devem tratar-se com consideração e respeito, aceitando as dife- renças, já que todos são humanos. É por isso que todos nós, negros e brancos, e especialmente os educadores, têm a obrigação de lutar contra o racismo de vá- rias maneiras, inclusive aprendendo mais e ensinando aos outros sobre a gran- de e valiosa contribuição dos negros na cultura brasileira.
Fonte: texto adaptado de: BENTO, Maria Aparecida Silva. Cidadania em preto e branco:
discutindo as relações raciais, São Paulo: Ática, 1998.
Receitas brasileiras
Nesta atividade os alunos terão oportunidade de analisar um tipo de texto que tem algumas características particulares: a receita culinária. São apresenta-
(p. 22)
2
dos dois formatos diferentes de receitas: a de quibebe traz todas as informações juntas e não dá detalhes quanto às quantidades dos ingredientes nem quanto ao tempo de preparo. A receita de pão de queijo, pelo contrário, é bem detalhada e, além disso, nitidamente separada em partes: a dos ingredientes, a do modo de fazer, o tempo de preparo e o rendimento. O primeiro tipo de receita pode ser mais adequado para cozinheiros experientes, enquanto o segundo oferece mais pistas para um iniciante.
Proponha que a turma compare as duas receitas e que cada um escolha a que prefere. Na seqüência, proponha a realização dos problemas envolvendo medidas. Observe que estão em jogo as noções de proporção, além de dobro e meio. Aproveite para retormar as unidades de medida quilograma e grama, pro- vavelmente já vistas quando foram analisadas as embalagens.
Caderno de receitas
Tendo analisado dois modelos de receitas, os alunos terão o desafio de es- crever à sua própria maneira a receita do prato que mais apreciam. Incentive-os a pesquisar junto à família ou a trocar informações entre os colegas. Se for pos- sível, providencie um caderno em que todos possam registrar suas receitas. Este ficaria sendo o livro de receitas da classe, que poderiam consultar quando hou- vesse interesse.
Antes que os alunos comecem sua produção, lembre-os de pensar no modo como vão organizar o texto, a importância do título e das informações sobre ingredientes e modo de fazer. Vá passando pelas carteiras e esclarecendo as dú- vidas que surgirem. Recolha esses primeiros rascunhos, faça anotações de como os textos podem ser melhorados e depois devolva-os para que os alunos rees- crevam seus textos e passem-nos a limpo.
O objetivo da atividade 3 é incentivar o exercício da linguagem oral. A pes- soa encarregada de dar a “aula de culinária” deverá cuidar para dar instruções precisas. Incentive os outros a fazerem perguntas quando necessitarem de escla- recimentos, destacando a importância de transmitir as instruções de forma cla- ra e detalhada, principalmente quando os ouvintes têm poucos conhecimentos sobre o assunto tratado, neste caso, uma receita culinária.
(p. 23)
2
Quanto custa comer bem
Esta atividade enfoca a questão econômica relacionada à alimentação. Para realizá-la, os alunos poderão lançar mão de estimativas ou da calculadora. É interessante que eles pesquisem os valores que não conhecem e que pensem em como grafá-los de forma correta. Depois que chegarem a uma totalização, po- derão comparar o valor com os dos salários pagos na região e assim avaliar se uma alimentação equilibrada está ao alcance de todos.
(p. 25)
3