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Sugestões para o

desenvolvimento das atividades

A composição do solo

O pequeno texto introdutório faz uma descrição do solo e seus principais componentes. É importante que os alunos observem que, além dos grãos de areia, argila e da matéria orgânica, que são a parte sólida do solo, há também a parte líquida (água onde estão dissolvidas várias substâncias) e o ar, onde há o oxigê- nio que as raízes necessitam. Dizemos que uma terra é boa quando esses com- ponentes se combinam de forma adequada. Os agricultores sabem que dispor de um solo bem tratado é fundamental para se conseguir uma boa produção na lavoura: nele as plantam agüentam mais a seca, aproveitam melhor os nutrien- tes e resistem mais às pragas. Por esse motivo é interessante conhecer o modo como se formam esses diversos componentes, essenciais para a saúde da vegeta- ção e, portanto, para garantia de fartura de alimentos para os seres humanos e todos os outros animais.

A formação do solo

A seqüência de ilustrações com legendas mostra o processo de formação do solo. É interessante que os alunos possam analisar um exemplo de explicação científica sobre a origem de um elemento natural, para que possam compará-lo com explicações míticas que terão oportunidade de estudar no próximo módulo.

Você pode complementar as explicações, comentando que a parte orgânica fica mais na superfície do solo, que a parte arenosa e argilosa fica mais embaixo e, mais embaixo ainda ficam as rochas que não chegaram a ser transformadas. Des- taque o fato de que o processo é muito lento (um centímetro de solo demora cen- tenas de anos para se formar), de modo que os alunos tomem consciência da importância de preservar os solos.

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Minhoca, sinal de fertilidade do solo

Este pequeno texto descreve processos realizados pelos seres vivos que vi- vem do solo e que são essenciais à sua fertilidade. Há muita gente que acha que insetos e outros bichinhos que vivem na terra são pragas. Mas esses bichinhos, como também os invisíveis, como fungos e bactérias, cumprem um importante papel na agricultura, constroem túneis que permitem o arejamento e a infiltra- ção da umidade, transformam a matéria orgânica em nutrientes que as raízes conseguem absorver, fabricam o húmus, que melhora a estrutura do solo e até servem de remédio às plantas, protegendo-as de doenças. Seria interessante os alunos saberem que o primeiro antibiótico descoberto foi a penicilina, substân- cia produzida por um fungo.

Organize uma leitura em voz alta seguida por comentários orais. Os alunos podem complementar as informações contidas no texto com os conhecimentos que possuem sobre as minhocas e outros animais que habitam o solo.

Erosão e assoreamento

O objetivo dessa atividade é que os alunos compreendam o que é erosão e assoreamento, suas principais causas e conseqüências. O esquema apresenta uma seqüência em que aparece o desgaste de solos desprotegidos (sem cobertura ve- getal) e o carreamento de detritos para as partes mais baixas — em especial nos leitos dos cursos d’água. Os grãos que se sedimentam no fundo dos rios obstruem a passagem da água, causando o fenômeno chamado assoreamento.

A erosão é um mecanismo natural bastante freqüente; entretanto, é importan- te destacar que as sociedades humanas aceleraram esse processo, provocando muitas vezes o empobrecimento do solo, com a perda de nutrientes, ou mesmo a sua destruição (com a exposição da rocha nua), tornando-o impraticável para a agricultura.

A ocorrência de erosão acelerada provoca fenômenos conhecidos como ravinamentos, voçorocas e desertificação. Nos ravinamentos, os solos estão des- protegidos e vulneráveis à ação do escoamento superficial. Seguindo uma dire- ção preferencial, a água escava o solo, criando valas. O passo seguinte, depen-

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dendo das dimensões dos ravinamentos, é o desmoronamento. As ravinas de grandes dimensões são conhecidas como voçorocas. Um exemplo é a que está situada no município de Casa Branca em São Paulo, capaz de abrigar um está- dio de futebol. O processo de desertificação ocorre quando há grande degrada- ção das coberturas vegetais, perda de água e de biomassa (quantidade de maté- ria orgânica animal e vegetal no solo). Seria um estágio final de degradação dos solos, tornando-os inadequados para qualquer atividade.

Discutiremos mais à frente técnicas de contenção da erosão, mas é impor- tante que os educandos sejam desde já estimulados a dar exemplos ou imaginar como o problema pode ser evitado ou diminuído. O mais importante fator a considerar é a importância das coberturas vegetais como fatores de proteção ao solo, tema da próxima atividade.

O solo e as coberturas vegetais

O texto destaca a importância das coberturas vegetais para a preservação do solo. Além de proteger a superfície das enxurradas, interceptando as gotas de chuva, a cobertura vegetal faz sobra, preservando a umidade e evitando o aquecimento excessivo. As raízes das plantas favorecem a infiltração da água, além de ajudar na fixação do solo nas encostas. É fundamental também que os alunos constatem a importância da vegetação no ciclo da água e no regime de chuvas. É preciso romper com a falsa idéia de que mato é uma coisa ruim, ou indício de subdesenvolvimento na região. A vegetação natural tem valor do ponto de vista econômico, seja em razão da possibilidade de extrair dela produtos co- mercializáveis, seja pela proteção que oferece ao solo agricultável e aos cursos d’água.

O livro propõe na seqüência que os alunos estabeleçam uma relação entre o esquema e informações contidas no texto. Verifique se eles conseguem esta- belecê-la sem dificuldade. Depois, faça um levantamento das respostas dadas ao segundo item, de modo a montar um quadro mais amplo dos benefícios trazi- dos pelas coberturas vegetais.

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Compactação dos solos:

problemas e soluções

O texto trata outro problema grave de manejo de solos: a compactação.

Trata-se de um problema especialmente relacionado à mecanização da agricul- tura, pois é o trânsito de veículos pesados que esmaga o solo e fecha seus poros, dificultando a infiltração da água e o crescimento das raízes. É importante esta- belecer a relação entre o processo de compactação e a erosão. Para tal, você pode realizar uma experiência simples: em um monte de grãos de trigo ou mesmo de areia grossa, despeje um copo de água e você poderá observar como a água pe- netra facilmente nos espaços que existem entre os grãos. Se você fizer o mesmo sobre um monte de farinha de trigo, a água escorrerá pelas encostas do monte e fará um buraco. Neste caso, a farinha de trigo representa um solo compactado, em que os torrões foram esmagados e transformados num pó fino. O pó fino preenche os espaços vazios, impedindo o arejamento e a infiltração da água. Se não pode infiltrar-se, a água escorre pela encosta levando a parte superficial, que é a mais fértil no caso dos solos.

Aponte também as correlações entre a compactação e a retirada da cober- tura vegetal: nada melhor que a matéria orgânica para aumentar a porosidade dos solos: além de tornar o solo mais leve, a matéria orgânica é essencial para a sobrevivência de um grande construtor de poros: as minhocas.

Para realizar as atividades propostas, os alunos deverão identificar o tema de cada parágrafo, distinguindo a descrição do fenômeno, de suas causas e con- seqüências. Deverão ainda analisar desenhos esquemáticos e identificar qual deles corresponde ao processo explicado no texto.

Técnicas de preservação do solo

O objetivo dessa atividade é que o aluno conheça e valorize técnicas de manejo e preservação do solo. Além disso, exercitarão a análise de informações ilustradas em esquemas.

Os desenhos mostram exemplos comuns de técnicas simples de contenção

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da degradação do solo. São medidas importantes para o solo manter suas pro- priedades e equilíbrio e poder ser aproveitado por muitas gerações. Os terraços são cordões de terra construídos segundo as curvas de nível do terreno (disposi- ção horizontal, em diferentes cotas de altitude), a fim de evitar a quantidade e velocidade do escoamento das águas. Com os terraços, a água pára e se infiltra.

O terraceamento é também uma técnica agrícola, trata-se do cultivo em pata- mares com aproveitamento de irrigação natural. Para conter ravinamentos e voçorocas, pode-se plantar gramíneas ou impedir o avanço das valas e sulcos com barreiras de pedra, madeira e outros materiais, acompanhando as curvas de ní- vel. Mantém o mesmo princípio do terraço. No terceiro esquema, destaca-se o fato de que também o vento pode provocar erosão da camada superficial do solo, além de seu ressecamento.

Depois de analisar esses esquemas completos, com títulos e legendas expli- cativas, eles deverão criar o título para o esquema que mostra pneus mais es- treitos agravando o problema da compactação. Finalmente, devem criar um desenho esquemático que ilustre o texto sobre o papel das matas ciliares na pro- teção das margens dos rios.

Para melhorar a produção

Lançando mão dos estudos realizados até aqui, os alunos deverão elabo- rar um folheto, visando a conscientizar os agricultores sobre a importância de se cuidar do solo para melhorar sua produtividade. Retome os estudos que rea- lizaram sobre a linguagem da propaganda, mostrando que seus recursos tam- bém podem ser usados em campanhas de conscientização como esta. Enfatize o valor das ilustrações, tanto para chamar a atenção do leitor quanto para com- plementar as informações escritas. Incentive os alunos a mostrarem sua pro- dução para a turma, para que outros possam observar, por exemplo, os títulos mais chamativos, as explicações mais sintéticas e claras e as ilustrações mais interessantes.

O cuidado com o solo é um fator importantíssimo no que se refere ao aper- feiçoamento da atividade agrícola de maneira sustentável, ou seja, sem promo- ver alterações no meio ambiente que, a longo prazo, acabam prejudicando a

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outros aspectos importantes, como o desenvolvimento de sementes, controle de pragas, ou ainda aqueles relacionados às formas de organização da produção e comercialização. Caso haja interesse sobre estes temas em seu grupo, você pode propor que façam pesquisas e elaborem folhetos explicativos sobre outros as- pectos. No texto abaixo, você encontra exemplos de iniciativas alternativas no campo da agricultura que podem inspirar novos temas de pesquisa.

TECNOLOGIAS AGRÍCOLAS ALTERNATIVAS

Um bom exemplo da adoção de tecnologias agrícolas alternativas e susten- táveis vem ocorrendo no Estado de Minas Gerais, com a participação de associa- ções de pequenos produtores, sindicatos rurais, agentes pastorais, trabalhado- res rurais autônomos e técnicos ligados a organizações não-governamentais, além de assessores de órgãos estatais. Nesse Estado existem experiências que duram mais de dez anos, resultando em uma tradição na elaboração e implementação de práticas de desenvolvimento rural sustentável e de mecanismos de organiza- ção social para apoiá-las. Foram montados centros de tecnologias agrícolas al- ternativas em Montes Claros, Viçosa, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Pouso Alegre e na região do Vale do Jequitinhonha — tida como uma das mais pobres do Brasil.

Esses núcleos integram a Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (Rede), uma organização que sistematiza e distribui informações e presta con- sultorias a iniciativas de uso agrícola sustentável. As organizações que formam essa rede apóiam os diversos projetos, além de promover discussões com as co- munidades sobre temas como a modernização agrícola, política agrícola, estru- tura fundiária, erosão genética, segurança alimentar, entre outros temas.

Em 1994 foi organizado o Fórum Mineiro sobre o Desenvolvimento Rural Sustentado, congregando 36 entidades e organizações civis para a discussão permanente de propostas. Os princípios básicos são a ênfase na pequena pro- dução familiar, a segurança alimentar (auto-abastecimento), os sistemas descen- tralizados de beneficiamento e comercialização e a agricultura sustentável.

Um exemplo concreto de tecnologia agrícola alternativa é o de resgate de variedades locais de milho, ocorrido no município de Caratinga, no sudeste do

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Estado. A idéia veio da constatação de que as sementes de milho híbrido melho- radas não permitiam a continuidade dos índices de produtividade. A partir da segunda colheita fazia-se necessária a aplicação de insumos, como adubos, irri- gação e fertilizantes químicos, pois as sementes híbridas só apresentam bom rendimento em condições ótimas de fertilidade e estrutura do solo, chuvas re- gulares e ausência de pragas e doenças.

Os agricultores participaram diretamente do melhoramento de sementes originais, plantando as variedades originais e as melhoradas em campos coleti- vos — sem adubo químico ou agrotóxicos — e realizando avaliações de rendi- mento ao final da colheita. Os resultados foram positivos, demonstrando a melhor rusticidade e produtividade das variedades locais e maior resistência a pragas do que as sementes melhoradas.

As experiências com sementes originais, de um modo geral, têm apresenta- do produtividade maior com custos inferiores. O milho original apresenta pro- dutividade satisfatória também com baixo teor de nutrientes no solo (como fós- foro e potássio), como acontece com o da variedade caiana. O ganho inicial para os pequenos produtores é a diminuição dos custos gerais da produção de milho, possibilitando a inversão em outros cultivos. Como se trata basicamente de ali- mento que serve como ração, os agricultores puderam estocá-lo para usar futu- ramente como alimento da criação.

No entanto, o aspecto fundamental dessa experiência recai sobre a oportu- nidade de rever e questionar a adoção de tecnologias externas à base de insumos agrícolas industrializados. Além disso, ela permitiu a valorização de práticas coletivas, como o associativismo e o cooperativismo, e de técnicas alternativas de conservação e manejo dos solos. Entre elas, o aproveitamento dos resíduos das colheitas para adubar o solo, a compostagem para obtenção de adubo or- gânico e o plantio em curvas de nível.

Fonte: texto adaptado de GIANSANTI, Roberto, O Desafio do Desenvolvimento Sustentável, São Paulo: Atual, 1998.

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És pó e ao pó retornarás e Um bom destino para o lixo

Esta atividade aborda a questão da disposição do lixo, fator que compro- mete a disponibilidade dos solos para outras atividades e a qualidade da água que por ele se infiltra. O problema é especialmente grave nas cidades, onde a concentração da população e a intensificação do consumo aumentam a quanti- dade do lixo produzido diariamente. Cada vez mais, a indústria vem utilizando embalagens feitas de matéria plástica, cuja decomposição é mais lenta. É impor- tante os alunos tomarem consciência de que o lixo não desaparece por encanto da natureza, permanece sujeito aos processos de transformação de materiais, cujo ritmo é bem mais lento do que o da produção e descarte de mercadorias que caracteriza a sociedade moderna.

A questão do lixo está intimamente ligada aos padrões de consumo. A des- tinação do lixo é sempre um processo oneroso e as possibilidades de tratamento adequado são limitadas. Por exemplo, os aterros e valas possuem grande capa- cidade de absorção dos resíduos (embora haja sinais de esgotamento nas gran- des cidades), mas eles subtraem terrenos que poderiam ter outra destinação, como moradias populares, praças, escolas e hospitais. Os processos de reciclagem são adequados, mas dependem de investimentos públicos em equipamentos e são caros. Os lixos tóxicos e radiativos, como o que provocou o incidente com o Césio há alguns anos em Goiânia, têm preocupado entidades ambientalistas em todo o mundo. Portanto, deve-se repensar o início do processo, que é quando, como e porque as pessoas compram. Cada indivíduo pode contribuir na redução das demandas se organizar e selecionar o que vai consumir, observando quantida- des, o tipo de embalagem (reciclável ou não), dispensando acondicionamento de produtos quando ele não é absolutamente necessário.

Sugira que os alunos se organizem em pequenos grupos e façam uma leitu- ra em voz alta, comentando, parágrafo por parágrafo, os textos, além dos qua- dros e do gráfico. Verifique se compreenderam as informações principais, pro- pondo perguntas oralmente. Finalmente, organize a pesquisa sobre o destino do lixo produzido na escola. Caso haja serviço de coleta, é importante saber para onde o lixo é levado e em que condições é depositado.

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Planejando a ocupação do espaço

O objetivo dessa atividade é que os alunos possam aplicar os conhecimen- tos referentes à interação dos elementos da natureza, a partir de uma proposta de uso e ocupação humana de um dado espaço. Estimule os educandos a pensar na localização de cada um dos elementos propostos, de modo a evitar a degra- dação do ambiente. Chame a atenção deles para alguns pontos de risco, como as regiões de declive mais acentuado, especialmente o topo dos morros, onde a opção pode ser a conservação de uma área de mata. A nascente e o curso d’água também merecem atenção especial, assim como o reservatório de água utilizada para beber. Os locais onde os animais ficam confinados, acumulando dejetos, também merece atenção especial, assim como as áreas de deposição de lixo e matéria orgânica.

A atividade permite exercitar também elementos e códigos de representa- ção cartográfica, como o uso de ícones e a elaboração de legendas. O exercício pode ser ampliado com propostas de ocupação de outros espaços também com instalações urbanas.

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No documento Viver, Aprender - Guia do Educador (páginas 148-158)