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CARACTERÍSTICAS DOS DANOS MORAIS

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 42-46)

Brasil de 1988, passou a admitir de maneira expressa a reparação por dano moral, nos incisos V e X do art. 5º:149

Além de diversas legislações regularem sobre o dano moral, o Superior Tribunal de Justiça instituiu a Súmula 37150, no qual se refere as cumulações da indenização material, moral oriundas do mesmo fato.151

Deste modo, com o advento da Constituição da Republica Federativa do Brasil, encontra-se pacificado na doutrina e jurisprudência a possibilidade de reparação por danos morais.152

patrimonial.

O dano moral é todo atentado à reputação da vítima, à sua autoridade legítima, ao seu pudor, à sua segurança e tranqüilidade, ao seu amor-próprio estético, à integridade de sua inteligência, a suas afeições etc.157

É o prejuízo que afeta o animo psíquico, moral e intelectual da vitima. Sua situação é dentro dos direitos da personalidade.158

Para Valler159, dano moral é, portanto, aquele sem qualquer repercussão patrimonial, ou seja, é o dano a que não correspondem ás características do dano patrimonial.

Portanto, o dano moral decorre de um prejuízo sofrido pela vitima nos seus valores mais íntimos e pessoais, com o objetivo de ser compensado por uma verba pecuniária fixada pelo Juiz.160

O dano moral consiste na lesão de direitos cujo conteúdo não é pecuniário, em outras palavras, caracteriza-se pela lesão a esfera personalíssima da pessoa, violando sua vida privada, honra e imagem, bens jurídicos tutelados constitucionalmente.161

Define Diniz162 que o dano moral vem a ser a lesão de interesse não patrimonial de pessoa física ou jurídica.

Logo, nas palavras de Silva163, por sua vez define:

Dano moral como lesões sofridas pelo sujeito físico ou pessoa natural de direito em seu patrimônio ideal, entendendo-se por patrimônio ideal, em contraposição a patrimônio material, o conjunto de tudo aquilo que não seja suscetível de valor econômico

157PEREIRA, Caio Mario da Silva. Responsabilidade Civil. p. 54

158VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil. Responsabilidade Civil. p.46

159VALLER, Wladimir. A reparação do dano moral no direito Brasileiro. São Paulo: E. V.

Editora Ltda, 1994, p.34.

160REIS, Clayton. Dano moral.p.9

161GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Palplona. Novo Curso de Direito Civil:

responsabilidade civil. p. 121.

162DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: responsabilidade civil. p.31

163SILVA, Wilson Melo da. O dano moral e sua reparação, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Forense 1993, p.1

É a dor resultante da violação de um bem juridicamente tutelado, sem repercução patrimonial. Seja a dor física, dor-sensação, nascida de uma lesão material.164

Gonçalves165, também define que o dano moral é aquele que atinge o sujeito como pessoa, sem ofender seu patrimônio material. Recaindo a lesão especificamente sobre os direitos da personalidade, tais como, a honra, a dignidade, a intimidade, a imagem, o bom nome, como por exemplo, provocando-lhe dor, sofrimento, tristeza, vexame ou humilhação.

Ainda sobre dano moral, Rodrigues166define que são lesões sofridas pelo sujeito físico ou pessoal natural de direito em seu patrimônio ideal, em contraposição o patrimônio material, o conjunto de tudo aquilo que não seja suscetível a valor econômico.

Acerca do dano moral, o doutrinador Cahali167define:

[...] tudo aquilo que molesta gravemente a alma humana, ferindo-lhe gravemente os valores fundamentais inerentes à sua personalidade ou reconhecidos pela sociedade em que está integrado, qualifica-se, em linha de princípio, como dano moral; não há como enumerá-los exaustivamente, evidenciando-se na dor, na angústia, no sofrimento, na tristeza pela ausência de um ente querido falecido; no desprestígio, na desconsideração social, no descrédito à reputação, na humilhação pública, no devassamento da privacidade; no desequilíbrio da normalidade psíquica, nos traumatismos emocionais, na depressão ou no desgaste psicológico, nas situações de constrangimento moral.

O dano é a perda in natura que o lesado sofreu, em conseqüência de certos fatos, nos interesse (materiais, espirituais ou morais) que o direito violado ou norma infringida visam tutelar. É a lesão causada no interesse juridicamente tutelado, que reveste as vezes a forma de uma destruição, subtração ou deterioração de certa coisa, material ou incorpórea. 168

Nesse ínterim, dano moral, à luz da Constituição Federal, nada mais é do

164PORTO, Ricardo Cunha. A indenização do dano puramente moral e sua liquidação.

Natal, 2001. p.19

165GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. p.29.

166RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Responsabilidade Civil.p. 189.

167CAHALI, Yussef Said. Dano moral. p. 20-21.

168VARELA, João de Matos Antunes. Das Obrigações em geral, p. 592

que a violação do direito à dignidade. E foi justamente por considerar a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem e do direito à dignidade que a Constituição inseriu em seu art. 5º, V e X, a plena reparação do dano moral.169

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[...]

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

[...]

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

2.2.1 Distinção entre dano moral direto e indireto

O dano moral pode ser dividido como direto ou indireto. O direto está inteiramente ligado na lesão ao interesse que visa à satisfação ou dano moral de um bem jurídico e não patrimonial, como por exemplo, a vida, a integridade corporal, a liberdade, a honra, o decoro, a intimidade, os sentimentos afetivos e a imagem. Por outro lado, o dano moral indireto consiste na lesão a um interesse tendente a satisfação do gozo de bens patrimoniais.170

O dano moral é considerado direto quando a lesão moral causada a vítima afeta os direitos da personalidade.171

Diz-se direto quando lesiona um interesse tendente a satisfação ou gozo de um bem jurídico não patrimonial, ou seja quando afeta um bem jurídico contido

169CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Responsabilidade Civil. p. 559

170GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9 ed.São Paulo: Saraiva, 2005.

p. 548.

171GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Palplona. Novo Curso de Direito Civil:

responsabilidade civil.

nos direitos de personalidade.172

Deste modo o dano moral será indireto quando a lesão for de cunho patrimonial e produzir efeitos de cunho de extrapatrimonial.173

Identifica-se dano moral indireto aquele que prova uma lesão a qualquer interesse não patrimonial como conseqüência de um ataque ao bem patrimonial do afetado.174

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 42-46)

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