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ESTUDO DE JURISPRUDÊNCIAS

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 68-95)

Nesse item, serão analisadas algumas decisões que versam sobre a possibilidade de cumulação do dano estético com o dano moral. Pesquisou-se nos Tribunais das regiões Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina), Sudeste (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e no Superior Tribunal de Justiça, no período dos últimos 3 anos.

Cumpre destacar, a ementa do Tribunal do Paraná, em que o primeiro julgado admite a cumulabilidade de indenizações e o segundo aduz reconhecer a impossibilidade de cumulação de ambos, tendo em vista que o dano moral compreende o dano estético:

EMENTA - APELAÇÃO CÍVEL - DANO MORAL E ESTÉTICO - CASA NOTURNA - AGRESSÃO - SEGURANÇAS QUE AGIRAM DE FORMA DESPROPORCIONAL - NEXO CAUSAL COMPROVADO - AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO NA PROVA

TESTEMUNHAL - APLICAÇÃO DO CDC -

DANO MORAL CARACTERIZADO - REDUÇÃO -

NECESSIDADE - QUANTUM QUE DEVE SER ADEQUADO

AO CASO CONCRETO - POSSIBILIDADE

DE CUMULAÇÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E ESTÉTICOS - PARCIAL PROVIMENTO.296

Trata-se de Apelação Cível interposta por A. F. G. – Indústria de alimentos Ltda, que inconformada com a decisão proferida em Ação Ordinária de Indenização por danos morais, na qual o Juiz a quo julgou procedente o pedido da inicial, condenando o requerido ao pagamento de 25.000,00 (vinte e cinco mil reais)

296BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Apelação Cível n. 045950-0

Relator: Guimarães da Costa, Órgão julgador: 8ª Câmara Cível. Comarca: Foro Regional de São José dos Pinhais da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, Julgado em:

12/06/2008 Acesso em. 10 mai. 2010. Disponível em: http://www.tj.pr.gov.br/.

a títulos de danos morais e estéticos ao autor. Alegando em síntese, que houve contradição no depoimento das testemunhas. Afirmando que a houve culpa exclusiva do autor, bem como a inexistência de obrigação de indenizar e do nexo causal. Alega a inaplicabilidade do CDC, a inexistência e falta de comprovação dos danos. Requer a exclusão da condenação por danos estéticos bem como a redução do valor fixado a título de danos morais e estéticos.

Esse Tribunal entendeu que o dano moral caracteriza-se pela lesão ocasionada ao patrimônio imaterial do indivíduo, entendido este como o conjunto dos valores garantidores de sua integridade psíquica, que, uma vez lesionados, são capazes de causar-lhe grandes dores de ordem psicológica, traduzidas em sofrimento emocional. Já o dano estético refere-se às lesões ocasionadas na harmonia física da vítima, capazes de causar-lhe grande constrangimento em virtude da exposição do indivíduo lesionado apresentando deformações em sua compleição física, tais como perda de membros, cicatrizes ou movimentos corporais.

Defendeu o Tribunal que apesar de o dano estético situar-se no âmbito das lesões de ordem moral, com ele não se confunde, pois representa um sofrimento adicional às dores da vítima que já se encontra abalada em sua esfera psico-emocional decorrente do infortúnio.

Portanto, inexiste qualquer óbice para a condenação cumulada de dano moral e estético decorrente de um mesmo fato.

O juiz de primeiro grau fixou o dano moral e o dano estético conjuntamente, dessa forma, não há possibilidade de dissociação de ambos.

Por fim, em Segunda Instancia o valor foi fixado em 15.000,00 (quinze mil reais), decorrentes da indenização por danos morais e estéticos, corrigidos monetariamente pelo INPC a partir da publicação do acórdão, bem como acrescidos de juros moratórios de 1% ao mês, da mesma data.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL (02). AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, MORAIS E ESTÉTICOS. DISPARO

DE ARMA DE FOGO. CONSEQÜENTES LESÕES

(CICATRIZES) NA AUTORA. PARCIAL PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS INICIAIS. APELAÇÃO CÍVEL 1. PRELIMINARES DE

AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR E COISA JULGADA BASEADAS NA SUSPENSÃO DO PROCESSO CRIMINAL.

AFASTAMENTO. AUTORA QUE NÃO PARTICIPOU DAS CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NA PROPOSTA DE

SUSPENSÃO CONDICIONAL FORMULADA PELO

MINISTÉRIO PÚBLICO. MÉRITO. ADUÇÃO DE AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. IMPERTINÊNCIA. DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. DISPARO EFETUADO PELO REQUERIDO. PLEITO DE REDUÇÃO DO "QUANTUM"

REPARATÓRIO. NÃO ACOLHIMENTO. CRITÉRIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. RECURSO NÃO PROVIDO. APELAÇÃO CÍVEL. CUMULAÇÃO DE DANO ESTÉTICO COM DANO MORAL. INADMISSIBILIDADE.

IMPERTINÊNCIA DA READEQUAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. RECURSO NÃO PROVIDO. In casu, não se justifica a fixação de valor específico para a indenização por dano estético, porquanto inserido no dano moral.297

O presente processo trata-se de recursos de apelação cível interpostos por Giovani de Rocco e Solange Partala, em face da decisão proferida nos autos n.º 205/2005, de ação de reparação de danos materiais, morais e estéticos, no qual julgou procedente em parte os pedidos insertos e condenou o requerido ao pagamento de danos morais, em cujos os danos os estéticos se incluem, empresa requerida no valor de R$ 22.800,00 (vinte e dois mil e oitocentos reais).

Inconformado, Giovani de Rocco, em suas razões recursais, aduz que apesar da autora argüir, ao longo da instrução processual, a perversidade infligida pelo ora apelante, atribuindo-lhe culpa pelo abalo moral a que foi submetida, deixou de trazer aos autos comprovações da responsabilidade pelo evento danoso, inclusive ignorando que o disparo que acarretou os danos foi acidental.

O Tribunal de Segunda Instancia argumentou com relação à possibilidade de cumulação de dano moral e dano estético, cumpre considerar que o dano moral é aquele circunscrito à esfera íntima da pessoa e, o dano estético, embora possa ser constatado sem qualquer esforço, percute na intimidade da autora e, portanto, identifica-se com o dano moral.

As cicatrizes no corpo da apelada, que lamentavelmente podem causar

297BRASIL.Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Apelação Cível n. 0538563-3 Relator:

João Domingos Kuster Puppi, Comarca: Londrina, Julgado em 21/05/2009

mal-estar àqueles que as vêem, de tamanha vergonha e rebaixamento, sentimentos circunscritos à esfera de intimidade da autora, o que leva à conclusão de que restam absorvidos pelo dano moral.

Assim, embora decorrentes do mesmo fato, na hipótese, dano moral e o dano estético, mas impassíveis de diferentes justificações sob o enfoque jurídico, forçoso é reconhecer a impossibilidade de cumulação de ambos, tendo em vista que, na hipótese, o dano moral compreende o dano estético.

Logo, por unanimidade de votos, em negar provimento a ambos os recursos, nos termos do voto do relator.

O Tribunal do Rio Grande do Sul têm reconhecido a possibilidade de cumulação de indenização por dano moral e estético:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL.

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E ESTÉTICOS. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA REJEITADA. FOGOS DE ARTIFÍCIOS EXPLOSÃO DO FOGUETE. PERDA DE QUIRODÁCTILOS (DEDOS) E DE AUDIÇÃO. INCIDÊNCIA DO ART.

12 DO CDC. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EXCLUDENTES NÃO CONFIGURADAS. DANO MORAL IN RE IPSA.

POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE DANOS MORAIS E ESTÉTICOS. PRECEDENTE DO STJ SUCUMBÊNCIA MODIFICADA. A produção das provas é uma faculdade do Juiz, na qualidade de dirigente do processo, e ínsita ao seu convencimento ou não, ou seja, a necessidade de realizar determinada dilação probatória é parte do juízo discricionário do Magistrado, vinculada à sua apreciação e entendimento. Preliminar rejeitada. Em sendo caracterizada a relação de consumo, tenho que incide sobre o caso em tela a legislação consumerista. Presentes os requisitos ensejadores da reparação civil, no caso responsabilidade objetiva, pressupõe o exame do nexo de causalidade, independentemente da demonstração de agir imperito, imprudente ou negligente por parte do fabricante, eis que tal responsabilidade é desprendida de culpa.

Não há dúvida da existência do dano e do nexo de causalidade, sendo imperioso o dever de indenizar. O dano moral está relacionado à violação do direito à dignidade, ao abalo psíquico, à dor, ao sofrimento, e à angústia suportada e o dano estetico decorre da modificação da estrutura corporal do lesado, da deformidade a ele causada, no caso, a mutilação da mão do autor com a perda de quirodáctilos (dedos), e a perda parcial da audição. O Superior Tribunal de Justiça entende ser possível a cumulação dos danos morais e estéticos, ainda que derivados os danos de um mesmo fato.

Sentença modificada. Sucumbência redimensionada. PRELIMINAR REJEITADA. APELO PROVIDO.298

298BRASIL.Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Apelação Cível n.

Trata-se de apelação interposta por Valdir José Ludvig, na ação ordinária de indenização que move contra Indústria e comercio de fogos aliança Ltda e Lauro Lanches e Globo Art Show.

Aduz que sofreu danos físicos, pois teve que passar por diversas cirurgias a fim de amenizar os danos sofridos. Informa que sofreu em sua mão direita e deflagração e fratura exposta na palma, amputação do polegar, indicador e dedo médio, bem como queimaduras e cortes diversos no rosto e rompimento total do tímpano, com destruição do ossículo martelo e rompimento do nervo acústico, necessitando de várias intervenções cirúrgicas e fisioterápicas, causando danos de ordem material e moral.

A decisão julgou improcedente o pedido do autor. O autor foi condenado ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como em honorários advocatícios dos patronos do requerido, fixados em R$ 700,00 para cada um, corrigidos monetariamente pela variação do IGP-M a contar da publicação da sentença, com fulcro no que determina o art. 20 § 4º do CPC, que fica suspensa em face de o autor litigar sob o pálio da assistência judiciária gratuita.

Inconformado o autor interpôs recurso, e o Tribunal manifestou o Egrégio Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser possível a cumulação supracitada, ainda que derivados os danos de um mesmo fato, desde que ambos possam ser reconhecidos autonomamente, passíveis de identificação em separado.

Neste ínterim, afirmou que o dano moral está relacionado à violação do direito à dignidade, ao abalo psíquico, à dor, ao sofrimento, e à angústia suportada e o dano estético decorre da modificação da estrutura corporal do lesado, da deformidade a ele causada, no caso, a mutilação da mão do autor com a perda de quirodáctilos (dedos), e a perda parcial da audição.

Dessa forma, O Tribunal concedeu o valor de R$ 40.000,00 a título de danos morais e R$ 20.000,00 de danos estéticos, valor esse que deve ser corrigido

70028081263, Relator: Romeu Marques Ribeiro Filho, Quinta Câmara Cível, Julgado em 28/10/2009, Disponível em: http://www.tj.rs.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2010

monetariamente pelo IGP-M a contar da sessão e julgamento e juros legais a contar da citação.

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL.

DANOS MORAIS E ESTÉTICOS. RESPONSABILIDADE DO ENTE ESTATAL POR OMISSÃO. Caso em que o autor perdeu, em definitivo, a visão do olho esquerdo em função da queda de uma goleira de futebol sobre sua cabeça, fato ocorrido no interior de uma escola municipal. Dano moral. Inegável que a pessoa que possui a visão completa e perde metade dessa função sofre dano moral. Dano estético. Olho lesionado que apresenta palidez total do disco óptico, não permanecendo sempre aberto. Caracterização do dano indenizável. Pensão mensal. Sendo constata uma redução da capacidade laborativa na ordem de 30%, esse é o parâmetro para o pensionamento. Reexame necessário. Adequado o termo final da pensão ao pedido inicial. Valor da indenização reduzido para evitar excessiva punição estatal, bem como se observar os parâmetros da Câmara. Recursos voluntários desprovidos. Sentença reformada parcialmente em reexame necessário. Decisão unânime.299

Cuida-se de Ação de Indenização por Danos Morais e Estéticos, ajuizada por Luciano da Cruz contra o Município de Estância Velha, em face de traumatismo crânio-encefálico, sofrido pelo autor, em razão da queda de uma goleira de futebol, situada na escola do apelado, que resultou na perda da visão do olho esquerdo.

O. Juiz de Direito julgou a ação parcialmente procedente, condenando a requerida a pagar ao autor uma indenização por danos morais no valor de 100 salários mínimos, e indenização por danos estéticos no valore equivalente a 70 salários mínimos, valores estes que, a contar da data da sentença, sofrerão correção monetária pelo IGP-M, mais juros de mora de 12% ao ano a contar do trânsito em julgado. Condenou, ainda, o demandado ao pagamento de pensão mensal no valor equivalente a 30% do salário mínimo, mediante inclusão em folha de pagamento.

O Município apela, requerendo a reforma da sentença e afirma que o fato ocorreu, no mínimo, por culpa concorrente da vítima.

299BRASIL.Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Apelação Cível n.

70024638165, Relator: Jorge Alberto Schreiner Pestana, Julgado em 30/10/2008.

Disponível em: http://www.tj.rs.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2010.

Ante o exposto, o Tribunal afirmou que a importância fixada na sentença (100 salários mínimos) deva ser reduzida para R$ 17.000,00, a fim de compensar os danos morais sofridos pelo autor e quanto ao dano estético, considerando que a perícia relatou que o olho lesionado apresenta palidez total do disco óptico, bem como a constatação de que olho não permanece sempre aberto, fixou o valor de R$

18.000,00, restando possibilidade a cumulação de danos morais e estéticos.

Nesse tempo, o Tribunal de Santa Catarina no primeiro julgado reconhece a impossibilidade de cumulação de dano moral e dano estético, tendo em vista que o dano moral compreende o dano estético e o segundo julgado diverge admitindo a cumulabilidade de indenizações.

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SEQÜELAS NOS MEMBROS INFERIORES QUE SÃO IRREVERSÍVEIS E QUE COMPROMETEM A CAPACIDADE PARA O EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES HABITUAIS. DEFORMIDADE APARENTE. HIPOTEMIA MUSCULAR (AFINAMENTO) DA MUSCULATURA DAS PERNAS. ARTICULAÇÃO DO TORNOZELO ESQUERDO QUE FICOU IMPEDIDA. PRESCRIÇÃO DA AÇÃO INDENIZATÓRIA QUE NÃO SE FAZ PRESENTE. FATO DANOSO OCORRIDO EM 12.7.1999 E AÇÃO AJUIZADA EM 16.10.2003.

NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À REGRA DO ART. 2.028 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. PRECEDENTES DESTA CASA E DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. TRANSPORTE GRACIOSO OU DE SIMPLES CORTESIA (CARONA). SÚMULA 145 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. CULPA GRAVE DEMONSTRADA. EXCESSO DE VELOCIDADE, INDÍCIOS DE EMBRIAGUEZ E VEÍCULO DESPROVIDO DE CINTO DE

SEGURANÇA. DEVER DE INDENIZAR

ASSEGURADO. DANO ESTÉTICO ENGLOBADO

NO DANO MORAL. POSSIBILIDADE SE É POSSÍVEL A IDENTIFICAÇÃO DE UM E OUTRO, AINDA QUE TENDO ORIGEM NO MESMO FATO LESIVO. VALOR PAUTADO PELOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE.

PENSÃO ALIMENTÍCIA. TERMO INICIAL QUE RETROAGE À DATA DO EVENTO DANOSO. PRETENSÃO DE INCIDÊNCIA A PARTIR DA PERÍCIA JUDICIAL QUE É AFASTADA. VÍTIMA QUE DESENVOLVIA ATIVIDADE REMUNERADA, MAS CUJO MONTANTE NÃO FICOU DEMONSTRADO NO CURSO DA INSTRUÇÃO. FIXAÇÃO QUE LEVARÁ EM CONSIDERAÇÃO O MÍNIMO ASSEGURADO A TODO TRABALHADOR PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, EM SEU ART. 7º, INCISO IV.

PERCENTUAL DA PENSÃO ALIMENTÍCIA FIXADO A PARTIR DO GRAU DE INCAPACIDADE ENCONTRADO PELA PERÍCIA JUDICIAL300.

300BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Apelação Cível n.

Trata-se de Ação indenizatória ajuizada por Edilacir Aparecida Ribeiro Medeiros contra João Francisco Valfrido Lins, sob o fundamento de que o requerido por sua culpa exclusiva provocou acidente automobilístico ocorrido no dia 12.7.1999, dele resultando deformidade permanente nos membros inferiores, perda parcial do seio esquerdo e horríveis cicatrizes na barriga, ao final requereu o pagamento dos danos patrimoniais, morais e estéticos.

A sentença de 1ª instancia julgou procedente a ação, condenando-se ao requerido o pagamento de R$ 20.000,00 (vinte e mil reais) a titulo de dano moral (incluído o dano estético), pensão mensal vitalícia de um salário mínimo, custas processuais, honorários do perito medico e do advogado.

Irresignado, o requerido interpôs recurso de apelação, alegando prescrição da ação indenizatória, ausência de culpa para a ocorrência do sinistro, trata-se de transporte gracioso (carona), constituir o dano estético mera espécie do dano moral, ser exacerbado o valor fixado a titulo de dano moral, que não poderá superar a 10 (dez) salários mínimos em face da situação financeira dos envolvidos.

O Tribunal de Justiça, concedeu parcial provimento ao recurso, deu parcial provimento ao recurso, para o fim exclusivo de fixar a pensão alimentícia no equivalente a 70% do valor do salário mínimo, no mais manteve a sentença de primeiro grau.

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR ACIDENTE DE TRÂNSITO - TRAJETÓRIA OBSTRUÍDA POR CAMINHÃO NA CONTRAMÃO DE DIREÇÃO - COLISÃO INEVITÁVEL - BOLETIM DE OCORRÊNCIA - PRESUNÇÃO JURIS TANTUM DE VERACIDADE - CULPA CONCORRENTE AFASTADA - RESPONSABILIDADE CIVIL AO CAUSADOR DO ACIDENTE –DANO MORAL - PRESCINDIBILIDADE DA

PROVA DO PREJUÍZO – DANO ESTÉTICO -

RESSARCIMENTO DEVIDO - QUANTUM INDENIZATÓRIO - VALORES CONDIZENTES COM A PECULIARIDADE DO CASO - PENSÃO MENSAL - INCAPACIDADE LABORAL - LAUDO PERICIAL POSITIVO À LESÃO - BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO - VERBA DIVERSA - CORREÇÃO

2007.043131-6, Relator: Juiz Jânio Machado, Comarca de Canoinhas, Julgado em 18/01/2008. Disponível em: http://www.tj.sc.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2010.

MONETÁRIA - TERMO DE INCIDÊNCIA - JUROS DE MORA - ADEQUAÇÃO EX OFFICIO - SÚMULA 54 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.301

Cuida-se de ação de indenização por acidente de transito proposta por Adelmo de Oliveira Moraes contra Perin Agro Industrial, relatando que no dia 25.02.1998, sofreu um acidente de transito, causado por um caminhão, de propriedade da ré, o qual vinha em sentido contrario e na contramão de direção.Portanto, o autor requereu o pagamento de indenização por danos morais, matérias, estéticos e pensão mensal.

Assim, o magistrado a quo julgou parcialmente procedente o pedido inicial, e condenou a ré a pagar ao autor o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a títulos de danos morais e R$16.000,00 (dezesseis mil reais) pelos prejuízos estéticos, bem como ao pagamento de pensão mensal de R$ 371,43 (trezentos e setenta e um reais e quarenta centavos).

A empresa ré alegou enriquecimento ilícito pela fixação por danos morais e relatou a decisão ser ultra petitana medida em que fixou danos morais e estéticos de forma separada, tendo o requerido solicitado só a fixação de danos morais.

O Tribunal de segunda instância julgou a apelação parcialmente procedente e fixou o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a titulo de dano moral, R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais) a titulo de danos estéticos e manteve o valor arbitrado da pensão mensal em R$ 371,43 (trezentos e setenta e um reais e quarenta e três centavos).

Diferentemente o Tribunal de Minas Gerais entende pela cumulação do dano estético com o dano moral:

EMENTA:RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO.

CUMULAÇÃO DE DANO MORAL E DANO ESTÉTICO.

POSSIBILIDADE. OPERAÇÃO DE JOELHO SADIO. DANO

301BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Apelação Cível n.

2007.030678-3.Relator: Fernando Carioni, Comarca de Chapecó , Julgado em.

10/01/2008 Disponível em: http://www.tj.sc.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2010.

MATERIAL. OCORRÊNCIA. VOTO VENCIDO. Há erro médico inescusável quando profissional opera joelho sadio ao invés do seu par doente. O custo das sessões de fisioterapia de reabilitação compõe o dano material oriundo do erro médico. É possível a cumulação das indenizações relativas aos danos estético e moral quando for possível distinguir, com precisão, a motivação de cada espécie destes. A indenização por dano estético consubstancia forma de compensação da vítima dos danos que a deformidade física causa na sua auto-estima e em sua aceitação perante a sociedade. Indeniza-se, em verdade, a harmonia pertinente às formas físicas de determinado indivíduo, a qual lhe causa constrangimento perante terceiros e mau julgamento sobre si mesmo. O dano moral consiste na sensação de ofensa, humilhação perante terceiros. Consiste este, como sabido, na dor psíquica sofrida experimentada pela vítima do dano ou em sua conseqüência. O ilícito que redunda em cicatrizes no joelho de jovem estudante redunda em dano estético indenizável. Recurso não provido. VV.: Não restando comprovado que a deformidade física da apelada foi capaz de transformar a sua aparência, causando impressão penosa ou desagradável que justifiquem constrangimentos a mesma, impossível indenização à título de danos estéticos.302

Trata- se de apelação interposta por Jorge Toledo Renoó, contra decisão do Juiz da comarca de Monte Sião nos autos de "ação de indenização por erro médico c/c danos morais, materiais e estéticos", julgada procedente pelo juízo monocrático, condenando o Réu a pagar á autora as despesas com tratamento médico, bem como o valor de R$ 40.000,00( quarenta mil reais), a títulos de danos morais e de R$ 10.000,00 ( dez mil reais )a título de dano estético.

Em suas razões recursais o apelante pretende a modificação da decisão e afirma que o dano moral só se constitui quando há ofensa a honra, segundo o art.

5º, incisos V e X da Constituição da República Federativa do Brasil.

Sustenta o alegado que o dano estético se enquadra no conceito do dano material e/ou do dano moral, não merecendo subsistir pelos motivos já expressos.

Sendo assim, o Tribunal manteve a decisão e assegurou que a indenização por dano estético consubstancia forma de compensação da vítima dos

302BRASIL.Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Apelação Cível n.

1.0434.07.008993-4/001, Relator: Des. Cabral da Silva. Comarca de Monte Sião, Julgado em 13/10/2009. Disponível em: http://www.tj.mg.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2010.

danos que a deformidade física causa na sua auto-estima e em sua aceitação perante a sociedade. Já o dano moral consiste na sensação de ofensa, humilhação perante terceiros. Consiste este, como sabido, na dor psíquica sofrida experimentada pela vítima do dano ou em conseqüência deste.

Desta forma, é possível a cumulação das indenizações relativas aos danos estéticos e morais quando for possível distinguir, com precisão, a motivação de cada espécie destes.

Assim, restou configurado o arbitramento por danos morais em R$40.000,00 (quarenta mil reais) e a indenização por danos estéticos em R$10.000,00 (dez mil reais).

EMENTA: ADMINISTRATIVO. INDENIZAÇÃO. REBELIÃO EM CADEIA PÚBLICA. LESÃO FÍSICA DE DETENTO.

RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. DANO MATERIAL, MORAL E ESTÉTICO. CONFIGURADO NEXO CAUSAL ENTRE A CONDUTA DO ESTADO E O DANO. - À luz do art.5º, XLIX da CR/88 incumbe ao Estado garantir aos presos o respeito à integridade física e moral, de modo que ocorrida lesão física (perda do olho esquerdo), em decorrência de rebelião consumada dentro de cadeia pública, que não foi evitada ou contida a tempo e modo, deve o ente responder pelos danos materiais, morais e estéticos suportados pela vítima.303

Trata-se de apelação Cível contra a sentença proferida pelo Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da comarca de Coronel Fabriciano que, nos autos da ação de indenização movida por Sandro Fabio Rosa contra o Estado de Minas Gerais, julgou procedente o pedido inicial, condenando o réu ao pagamento de indenização por danos materiais, no importe de R$2.508,74 (dois mil quinhentos e oito reais e setenta e quatro centavos), bem como danos morais de R$38.000,00 (trinta e oito mil reais) e estéticos de R$11.400,00 (onze mil e quatrocentos reais), em reparação à perda física do olho esquerdo do autor, decorrente de uma rebelião de presos dentro de cadeia pública.

Assevera o réu ser indevida a cumulação de indenização por danos

303BRASIL.Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Apelação Cível n.

1.0194.07.072613-9/001, Relator: Fernando Botelho. Julgado em 13/08/2009. Disponível em:http://www.tj.mg.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2010.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 68-95)

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