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instituição, mas também do próprio professor, porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação”.

então, como garantir isso? Acho que a Jeif15 tem que ser esse momento, então, você garante que vai ter uma literatura, vai ter um texto, vai ter um vídeo, que, de alguma maneira, você vai trazer o assunto de várias formas, você vai escutar, porque também é importante que a gente saiba como as pessoas pensam, porque senão eu penso que está tudo resolvido, e não está. Não tem nada resolvido, a gente não chegou num consenso coletivo, acho que está tudo sempre em construção. (CP 2)

Placco e Souza (2021, p. 12) vêm discutindo como o CP se constitui profissional responsável pela formação dos professores e como “necessitam e querem construir com o coletivo da escola um plano de ação que lhes permita fazer frente às diversas demandas que lhes são dirigidas cotidianamente na escola”. A fala do CP 2 revela sua preocupação com sua ação formativa e também sobre como essa ação pode atender às necessidades formativas dos professores.

Outro ponto que nos chama a atenção é quando o CP 2 diz: "às vezes, a gente avança teoricamente, mas não avança na prática”. Nesse sentido, a pesquisa de Gomboeff (2022) colabora com a reflexão sobre como diminuir a distância entre o que se discute nas universidades e as demandas da prática pedagógica nas escolas. A autora apresenta uma proposta de indução profissional16, que tem como objetivo refletir, à luz dos referenciais teóricos, acerca de tais demandas, em uma parceria colaborativa entre universidade e escola.

De acordo com a autora, os resultados da pesquisa apontaram que a parceria colaborativa universidade-escola possibilitou o fortalecimento dessa troca de saberes entre CP experientes- iniciantes e a realização da mentoria, nesse processo, contribuiu com a reflexão e a mudança de prática para os CP experientes. Já para os iniciantes, esse trabalho proporcionou superação em relação às adversidades advindas do cargo.

Nessa perspectiva, a fala do CP 3 se aproxima da fala do CP 2, por declarar preocupações similares.

Então, escolhendo um foco, o que está gritando mais. Qual problema você tem maior dentro da unidade a ser resolvido e, a partir disso, você vai buscar.

Pesquisar sobre, buscar o assunto, buscar referência bibliográfica, buscar vídeos, busca... e, aí, você usa várias estratégias de formação, além da leitura: de repente, procurar um colega que socialize uma prática, um registro ou uma prática. Então, para você montar sua pauta, faça a escuta,

15 De acordo com o Artigo 17 da Lei nº 14.660, de 26 de dezembro de 2007, é denominada Jornada Especial Integral de Formação (Jeif) a jornada que é composta por: 25 (vinte e cinco) horas-aula e 15 (quinze) horas adicionais, que devem ser cumpridas da seguinte forma: 11 (onze) horas-aula semanais obrigatoriamente na escola e 4 (quatro) horas-aula semanais em local de livre escolha. É uma jornada optativa.

16 De acordo com Wong (2020, p. 3), ação de indução profissional é um processo – um processo abrangente, consistente e detalhado de desenvolvimento profissional – que é organizado por um distrito escolar para formar, apoiar e reter novos professores e fazê-los progredir num programa de aprendizagem ao longo da vida.

escolha o foco, busque referências, teorias sobre. A gente precisa, e, a partir disso, você traça estratégias de formação. Você vai usar vários recursos, desde vídeo, desde leitura, de repente, tematização da prática. Sempre com consentimento do colega, daquele de que você é mais próximo, do CP, e perguntar: você não quer socializar essa experiência que foi interessante?

Para desencadear a discussão e ampliar um pouco esse universo, é bem difícil você traçar uma pauta. Porque você tem uma demanda grande dentro da própria da unidade, várias situações. E você tem a demanda que vem de DRE e da SME. Isso tem engessado muito você, quando você pensa que você vai conseguir, não. (CP 3)

A tentativa de ajustar as pautas formativas a partir das demandas vivenciadas na escola faz-se recorrente nas falas. Contudo, a fala do CP 3 evidencia a dificuldade em ajustar suas pautas formativas às necessidades formativas advindas das demandas da escola e, ao mesmo tempo, responder às determinações formativas orientadas pela SME. Placco (2006) chama atenção para a necessidade de “refletir sobre esse cotidiano”, de maneira que o CP possa analisar seu contexto e identificar quais aspectos, dentro de suas possibilidades, podem ser mais bem organizados e tratados.

A fala do CP 4 não se diferencia das falas de CP 2 e CP 3, pois declara a relevância em considerar as demandas atuais da escola, as situações que estão acontecendo e que necessitam ser pautadas nas ações formativas:

Eu penso que ele tem que propor uma agenda atual, aquilo que está acontecendo naquele momento [...] O que acontece no nosso roteiro cotidiano. (CP 4)

Placco (2006, p. 47), tratando do cotidiano do CP, propõe que: “refletir sobre esse cotidiano, questioná-lo e equacioná-lo podem ser importantes movimentos para que o coordenador pedagógico transforme e faça avançar sua ação e a dos demais educadores da escola”. Como podemos observar, as falas, tanto dos CP experientes como dos CP iniciantes, convergem para o mesmo objetivo. A seguir, a fala do CP 1 confirma a preocupação de pautar suas ações formativas nas demandas trazidas pelos professores:

É bem difícil, porque, na verdade, eu estou precisando de sugestões para elaboração dessas pautas. Mas as sugestões são basicamente essas: tirar um tempo, tentar separar na sua jornada um tempo para você estudar, e ouvir o seu grupo de professores, quem de fato você está formando, para, a partir da escuta, tentar tratar das questões dentro daquilo que ele já traz. A partir desse ponto, trazer esse conhecimento que ele já tem e, a partir dele, estudar. Como eu falei, buscar se apoiar em pessoas que já têm um pouco mais de experiência, porque acho que só assim mesmo você vai conseguir viver e resolver tantas demandas que estão aí colocadas. (CP 1)

O CP 1, que é um CP iniciante, inicia declarando uma necessidade formativa e evidencia que, mesmo tendo passado pelo programa de formação inicial proposto para os CP iniciantes, carece de apoio para a constituição de suas pautas formativas. No entanto, apesar de se aproximar das falas dos outros CP entrevistados no que diz respeito à relevância de se pautar nas demandas próprias da escola, traz em sua fala a preocupação de considerar os saberes dos professores e, com isso, envolvê-los no processo de construção de conhecimento coletivo.

Tardif (2002) defende a necessidade de repensar as relações entre teoria e prática e reconhecer a subjetividade de cada professor, de quem está em atividade, considerando sua competência no saber-fazer pedagógico, reconhecendo-o como sujeito do conhecimento.

Considerando que RMESP adota a Cadeia Formativa como processo institucional de formação, as falas dos CP participantes mostram pontos comuns sobre os entraves na elaboração de suas pautas formativas, pontos que podem ser considerados conteúdos na elaboração de novas propostas de formação, de maneira que, havendo essa escuta e o reconhecimento das necessidades formativas dos CP, num processo de retroalimentação, a mecânica da Cadeia Formativa pode se efetivar.