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Outro critério considerado relevante na escolha dos participantes foi entrevistar CP que atuam nos segmentos da educação infantil e ensino fundamental, que contém o maior número de professores atuantes na RMESP. De acordo com o censo do IBGE 20218, são 19.970 professores da educação infantil, entre Centros de Educação Infantil (CEI) e Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei), e 22.524 professores do ensino fundamental. No Quadro 4, abaixo, caracterizamos os CP participantes da pesquisa:

QUADRO 4 – Caracterização dos participantes da pesquisa

Identificação Sexo Segmento Tempo de experiencia CP 1 Masculino Ensino fundamental

I e II Iniciante

CP 2 Feminino Ensino fundamental

I e II Experiente

CP 3 Feminino Educação

infantil/EMEI Experiente CP 4 Masculino Educação infantil/CEI Iniciante

CP 5 Feminino Educação infantil/CEI Iniciante

CP 6 Feminino Educação infantil/CEI Experiente

Fonte: Elaborado pela pesquisadora (2022).

Consideramos importante ressaltar o fato de que, no ano de 2021, pela primeira vez na história da RMESP, foi desenvolvido um programa de formação inicial para CP ingressantes9, e que todos os CP iniciantes, integrantes desta pesquisa, participaram dessa formação.

Com a intenção de conhecer os participantes da pesquisa, tanto nos aspectos pessoais (idade, formação acadêmica) como profissionais (tempo como docente e tempo como CP), iniciamos a entrevista a partir de um questionário, elaborado em uma plataforma online e disponibilizado por meio de um link enviado aos e-mails dos participantes, contendo as seguintes perguntas:

1. Nome completo.

2. Idade.

3. Gênero.

4. Qual sua formação inicial?

5. Sua graduação em pedagogia foi na rede pública ou particular? Há quanto tempo?

8 Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/. Acesso em: 28 ago. 2022.

9 O curso intitulado “Identidades Profissionais em Construção: A Coordenação Pedagógica na Rede Municipal de

Ensino de São Paulo”, conforme disposto no Comunicado SME nº 576, de 28/04/2021, com Despacho de Homologação nº 21.105, foi oferecido a todos os CP que ingressaram no ano de 2021.

6. Em que etapa de ensino você atua como CP?

7. Acumula cargo (s)? Qual ou quais?

8. Há quanto tempo atua como professor(a)?

9. Há quanto tempo atua como CP?

Por haver a possibilidade de responder remotamente, os participantes atenderam de prontidão a esse primeiro questionário. Segundo Szymanski (2018), é desejável que se estabeleça uma relação cordial no contato inicial; o fato de não ter que responder a perguntas tão objetivas no momento da entrevista contribuiu para tornar o momento da entrevista mais descontraído.

Por intermédio desse questionário, identificamos algumas características pessoais dos CP entrevistados. Dois são homens e quatro, mulheres. Cinco deles possuem graduação em pedagogia. Um deles possui doutorado em educação. Dois cursaram o magistério, dois cursaram a pedagogia como formação inicial, e os outros três têm como licenciatura em outra área formação inicial. Quatro deles cursaram pedagogia na rede particular. Três têm mais de dez anos no cargo; três têm menos de dois anos no cargo, e todos atuam como CP em escolas da RMESP ligadas à Diretoria Regional de Campo Limpo. Dos seis CP entrevistados, quatro acumulam o cargo de CP com outro cargo de professor.

Já em relação às entrevistas presenciais, de modo geral, houve dificuldade no agendamento. Um dos fatores em encontrar um horário, de acordo com o relato dos CP, é a enorme demanda de atribuições, primeiro, pelas burocracias de início do ano letivo, e segundo, pelo grande número de conflitos de diferentes ordens, cujas possíveis origens, segundo os CP participantes, estão relacionadas ao tempo de afastamento social causado pela pandemia da Covid-19 e à dificuldade de readaptação dos alunos ao contexto das escolas.

Consideramos relevante, para esta pesquisa, apresentar alguns detalhes relativos aos espaços nos quais os CP estão instalados nas escolas em que atuam, uma vez que, de acordo com as Orientações Didáticas do Currículo da Cidade para a Coordenação Pedagógica da RMESP (SÃO PAULO 2019, p. 35), quando se trata de formação continuada, “é necessário, ainda, que o CP estude, pesquise e selecione materiais (vídeos, textos de estudo, atividades) a fim de tematizar as formações”. Sendo assim, parece-nos que um espaço físico confortável e acessível à pesquisa pode contribuir com a preparação do CP e, consequentemente, com sua autoformação e com a qualificação de sua ação formadora. Sobre o tempo de estudo e consequente preparo para atuar como CP, o mesmo documento propõe:

Prever na rotina de trabalho tempo para o estudo e para a autoanálise sobre a sua própria prática, é fundamental. Esse tempo será mais produtivo/qualificado à medida que seu objeto de conhecimento estiver alinhado às demandas formativas do sistema de ensino e da escola. Dada a sua importância, tal momento não pode ser preterido, constituindo parte importante do trabalho do Coordenador Pedagógico e dando embasamento ao planejamento das ações desse profissional. (SÃO PAULO, 2019, p.44)

Com isso, há que se considerar o espaço físico reservado aos CP. Observamos que, nas escolas em que os CP participantes da pesquisa trabalham, esses profissionais estão, em geral, instalados em salas bem pequenas, as quais mal comportam suas mesas. Das seis salas, duas contém uma pequena estante com livros e pastas; uma delas tem, junto ao acervo de livros destinados à formação do CP, todo o cervo de livros paradidáticos da escola. Uma delas não possui porta, mas todas possuem computadores com a acesso à internet.

Compreender o papel de formador de professores do CP requer refletir sobre os diferentes fatores que influenciam sua prática. Sem nos desvincularmos do objetivo desta pesquisa, consideramos relevante apresentar o contexto de cada participante, visto que “o pesquisador deve estar atento não só à fala do seu entrevistado, mas também ao seu meio”

(SZYMANSKI; ALMEIDA; PRANDINI, 2018, p. 69). Conhecer o espaço em que atuam e um pouco das ações que estão desenvolvendo pôde nos ajudar a entender como os CP percebem as formações destinadas a eles e como essas formações reverberam em suas práticas formativas.

Com a intenção de deixar à vontade os participantes da pesquisa, foi acordado que a entrevista se daria em tom de conversa e seria registrada com auxílio do gravador de áudio do celular. Posteriormente, foi realizada a primeira transcrição de forma integral; já a revisão da primeira transcrição foi realizada eliminando-se repetições e vícios de linguagem. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE A).