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CCXXXIV

No documento O PROCESSO CIVIL (páginas 194-200)

Juramento é a religiosa asseveração da verdade de algum facto pela invocação da vingança Divina (496).

inhaheis, ou quando um provou plenamente, e o outro só fez prova semiplena. As testemunhas inhabeis somente podem fazer prova quando a inhabilidade delias é supprida pela idoneidade de outras.

Cardos, in Prax. verb. Tettit. n. 40, Reinos, obs. 39, n. 615, Silv. ad Ord. L. 3, til. 62, g. 3, D.41. Quando pois ba verdadeira collizão das Testemunhas não se deVe olhar nem para o maior numero, L. 21, §. 3, Co d. de testib. c. 32, eod. Boehmer. d. c. 1, §. 6, nem para a dignidade, ou outras qualidades adventicias, Boehmer. loe. cil. §§. 9 et 10, nem para a negativa, ou affirmaliva de seus ditos. Boehmer. d. c. 1, §.

12,.mas sim para a sua verosimilhança. L. 114, D. De reg. jur. L. 21, Cod. de testib. c. 9, de probat. c. 32, de testib. c. 45, de reg. jur. in 6, Mend. p. 1, L. 3, c. 15, §. 1, n. 6, Boehmer. loc. cit. §■ 13. Deve-se pois ponderar diligentemente os ditos, e as razões das Testemunhas, e observar se ellas depõem segundo alguma pre-sumpção de direito.

Valaso. cons. 145, n. 16, Farinae. de testib. L. 3, tit. 7, qn. 65, n. 129.

Não se mostrando quaes sejam roais verosi-' roeis, mas sendo de igual força uma, e outra prova, deve prevalecer o p a r i i d o do Réo. L. 125, D- de reg. jur. L. 47, D. de oblig. et action. c. 3, de probat. Boehmer.

Jntrod. adDigest. tit. de re judie. §. 13, et de Collis. probat. C. 16, Hein. p. 4, §. 144, n. 7, excepto nas Causas favoráveis por direito coroo as malrimoniaes, as de liberdade, as de dote, as de alimentos, &c.

porque então preferem as Testemunhas que juram-por parle do favor da Causa. L. 38, D. de re judie. L. 24, D manumiss L. 1, pr. D. solut.

malrim. L. 4, L. 10, D. de inofftciosr testam. Boehmer. de Collis. probat.

c. 1, §. 17, NoL (473). e Nol. (485).

(496) Cie. L. 3, de Ofílc. e. 41, Laulerbach. Disp. de juramentis.

200 KiiiHEiíus LINHAS

§. ccxxxv

Divide-se o Juramento em voluntário (497), e necessá- rio (498).

lhes. 1, Ileinecc. ad Pandect. p. 3, §. 13. O uso dos juramentos foi ignorado dos primeiros homens, porque reinava entre elles a boa fé, e eram fieis em cumprir as suas promessas. Mas logo que o interesse desunio os homens, e elles para se enganarem entraram a usar da fraude, e do artificio, pareceram fracos vínculos as promessas, e os protestos ; e procurou-se dar-lhes rigor raarcando-os com o sello da Helígiâo, pensando-se que os que não temessem ser infleis ao menos temeriam ser impios. Mr. de Felice Cod.. de l'hu-maniié art. terment, lato. 12, pag.

559. Daqui leve origem o juramento que sempre foi considerado como uma cousa muito santa,, e inviolável. Nullum enim vinculum ad adstringenUum, jureju-rando, maiores aretius esse voluerv.nl diz.

Cicero de ofliciis L. 3, c. 41. Os mais antigos exemplos que se

encontram de juramentos são os de Abraháo ao Rei de Sodoma, e ao Rei Abimelech, o de Elieser a Abrahão, e o"de Jacob a LabãO- Ainda que o juramento seja per— mi Ilido por direito Divino, e humano, comLudo se não deve jurar temerariainenle, e sêm necessidade. Lauterbach. d. Disp.

lhes. 8, Ferrière Diction. de droil. arl. strment. tom. 2, pag. 083. Não deve pois exigir-se quando pôde temer-se o perjúrio, ou quando por outro modo se pôde descubrir a verdade. Str u v. fixerc. 17, lhes.. \ 14.

(497) Juramento voluntário é o que uma Parte defere, ou refere a outra para por elle se decidir a questão. L. 17, pr. L. 28, §. 10, L. 39, D de jurejur. Diz-se voluntário, porque se defere, ou refere por vontade das Parles, e não precisamente por o filei o do Juiz-

(498) Juramento necessário é aquelle que o Juiz defere á Parle em ajuda da prova, ou para se determinar o valor, ou a quantidade da cousa que faz objecto da questão. Ord. L. 3, lil. 52, §§. 3 e 5, til. 86, §•

16, L. 31, D. de jurejur. L. 3, Cod. de reb. cred. lil. D. et Cod. de.in li tem jurando. Diz-se necessário assim pela necessidade que

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§. r.cxxxvi

O juramento voluntário subdivide-se em extrajudicial (499), e judicial (500).

E §. CCXXXVII

O juramento necessário subdivide-se em suppletorio (501); II, e in lilem (502).

o Juiz tem de recorrer a este meio, corno porque a Parte a quem se defere não pôde recusal-o, nem referil-o ã oulra Parle. Vinn. Selecl.l qucest. L. 1, c. 42. Voei. nd lit. dejunjur. §. 7.

(499) Juramento extrajudicial é aquelle, que uma Parle defere] á outra fora do Juizo, e sem aulhoridade do Magistrado. L. 17, D. de jurejur. Este juramento lem pouco uso no Foro. Stryk. l]$. mod. Pand.

ad d. til. de jurejur. §. 3.

(500) Juramento judicial é aquelle, que é dado pelo Juiz a uma das Parles a requerimento da oulra, ou por uma Parle á oulra em Juizo de consentimento, e aulhoridade do Juiz. Ord. L. 3, lit. 52, §.i 3, vers.

E se a Sentença. Heinecc. ad Pand. p. 3, §. 22, not. Lau-lerbach. Disp.

de juramentis §. 4, lhes. 77.

(501) Juramento suppletorio é o que o Juiz defere á Parte em ajuda da prova. Ord. L. 3, til. 53, pr. L. 31, D. de jurejur. L. 3, Co d.

de reb. cred. Lauterbach. Disp. de juramentis §. 6, lhes. 90, Mend. p.

1, L. 3, c. 12, n. 20 etp. 2, L. 3, c. 12, n. 33, Cardos, in Prax. verb.

juramentam ji. 14.

(502) Juramento in litem >'i o que o Juiz defere á Parte paru debaixo delle estimar a cousa sobre que se coulende em Juizo. Ord. L.

3, lit. 52, g. 5, lit. "86, §: 16, D et Cod. de in litem jurando Laulerbacb.

Disp. de jurejur ando in litem, lhes. 1. Também o jura-1 mento se divide em asserior-io, que se presta sobre factos pretéritos, | e promissório, que se presla sobre os futuros- £ este ultimo é pro-hibido pelas nossas Leis. Ord. L. 4, lit. 73.

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202 PRIMEIRAS LINHAS

§. CCXXXVI1I

Para o juramento ser obrigatório ó preciso: I, que ello teja conforme á Religião de quem o presta (503); II, que aquelle que jura tenha uso de razão (504), e bom conhecimento do facto (505); III, que tenha verdadeira

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(503) L. 5, §. 1, D. de jurejnr. Heinecc. od Puni. p .3, 5 15. n 4. De outra aorie o juramento nio teria alguma força; porque debalde ae faria jurar alguém por uma Divindade que elle não reconhece, e que por consequência não teme. Um Idólatra por exemplo i pois obrigado a sustentar os juramentos que fes pelos seus falsos Deoses que no seu modo de pensar são verdadeiros Deoses. Nem por isso que o juramento ó enunciado de um modo conforme á Religião crida por verdadeira pela pessoa que o fnz, e por falsa pela pessoa que o defere, 6 esta vista approvar aquella Religião, e | reconhecer a verdade delia. Mr. de Fclice Cod. de Vhumanit6. art. serment. tom. 12, pag. 567.

(504) É necessário que aquelle que jura lenha use de mzão, e conheça o que faz, porque sem isso o juramento seria um vão som de algumas palavras vazias de sentido, a que se nu o pôde atlribuir alguma moralidade. Assim ainda que umpupillo, ou um louco, ou demente pronuncie alguma fórmula de juramento, nio ae pôde dizer que jura verdadeiramente, arg. L. 5, Cod. de legib. c. 26, de jurejuranáo, Laulerbach. Diap- de juramenlis lhes. 7.

(505) Como provavelmente se ignora o facto alheio, ninguém pôde ser obrigado a jurar sobre elle. L. 11, §. t, D. de aetion. r«r.

amotar. Consequentemente não pôde o herdeiro ser obiigado a jurar o facto do defunto. Ord. L. 3, tit. 59, g§. 6 e 7, d. L. II. §. 2, L 12, Cod.

de reb. cred. et jurejnr. Mend.p. 1, L. 3, c. 1, n. 8, p. 2, L. 3, e. 1, n. 5, Vas. alleg. 72, n. 32, nem o Procurador sobre o facto do constituinte, salvo tendo para isso especial mandato. I.. 9, §■ 6, L. 42, §. 2. D. de jurejur. Heinecc. ad Pand. p. 3, §. 14, n. 4, Laulerbach. disp. de juramenlis. lhes. 5, Sliuv. Exerc. 17, lhes. 17. •

SOBRE O PROCESSO CIVIL

203

intenção de tomar a Deos por testemunha (506); IV, que jure livremente, e sem coacção injusta (507).

§. CCXXXIX

O juramento não produz alguma obrigação própria, e -particular, mas é somente um vinculo accessorio para fazer mais forte o vinculo da, obrigação já existente (508).

(506) Deve-se sjjppôr como nas promessas, e contracLos que aquelle que jura obra cora deliberação, e que tem verdadeira inten ção de tomar por Testemunha a Divindade. Se alguém pois sem intenção de jurar pronuncia palavras que contém um juramento, não se pôde dizer que jurou. L. 3, §. 2, D. de oblig. et aot. Justa mente Ovid. Episl. Heroid, 21, vers. 135.

Quas jurai viens est: nil conjuravimus illâ.

- Mas todas as vezes que a pessoa que jura mostra séria deliberação, e a pessoa a quem jura o toma nesse sentida não se desliga do juramento, ainda que pretexte que não teve imenção de jurar; aliás o juramento, e os mesmos contrapelos não seriam de algum liso na vida se se pudesse illudir com semelhante pffugio. Grot. de Jur. bell. et pac. L. 2, c. 13, n. 3, Laulerbach. Disp. de juramentis, lhes. 6.

(507) Requer-se iateira liberdade para o juramento por.dous motivos: primeiro, porque uma pessoa que jura violenta, não. tem intenção de jurar: secundo, porque o juramento não é em si mesmo um acto de necessidade, mas de pura liberdade, e por consequência não se pôde imputar a quem o faz senão em quanto é livre.

(508) L. 16, Co cl. de won numeral. pecun. PuíTeudorf. de Jur. nalur. L 4, c. 2, §.-6, Múller. ad Slruv. Exerc. 17, lhes. 21. O juramento é pois relativamente ás promessas, e obrigações em que ello | entra, o mesmo que os modos ou accidentes relativamente á subsr-J

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204 PRIMEIRAS LINHAS

§. CCXL

O juramento judicial, sendo legitimamente deferido, deve acceitar-se, ou referisse á outra Parte (509).

tanciã, sem a qual não podem subsistir. Por isso se a obrigação a que accede o juramento é nulla, ou illicila, o juramento não liga a quem o faz, nem muda, ou altera a natureza do acto. Daqui vem a regra Juram entum reguíatur secundum maturam aclus, cui adjici-tur. L. 11, §. 2, D.

dejurejur. L. 16, Cod. de non numerai, pecun. Tabor. ad Barbos. L. 9, c.

129, ax. 48. Logo pela natureza dos actos em que intervém o juramento é que se deve julgar da sua validade, ou invalidade. Muller. loc. cit.

Valasc. cons. 5, n. 19, Cald. de potett. 1 elig. c. 2, n. 35.

Consequentemente não obrigam : I, os juramentos que respeitam a alguma cousa impossível, L. 3, D. de Sillan. L. 35, D. deverbor. oblig. L.

185, D. de reg.jur., ou illicila, C. 18, dejurejur. C. 58, de reg. jur. in 6;

II, os que respeitam a uma obrigação condicional em quanto se não verifica a condição. Mr. de Felice, Cod. de 1'humanité art. terment. tom.

12, pag. 571; III, os juramentos feitos por erro, ou engano. Puffendorf.

de jur. nalur. L. 4, c. 2, §. 7, Laulerbach. Disp. de juramentis. lhes. 45, Slruv. Exerc. 17, lhes. 16 et 25; IV, os juramentos coactos. Authenl.

Sacramenta pube-rum. Cod. si advers. vendit. Heinecc. ad Pand. p. 3, §.

15, n. 2, Slruv. d. Exerc 17, lhes. 16; V, os juramentos extorquidos cora dolo. C. 28, de jure jur. Grol. de jur. bell. et pac. L. 2, c. 13, n. 3, Zoes:

ad Pand. tit. de jure jur. a. 73. Não são licitas nos juramentos as restricções menlaes. C. 9, C. 11, Caus. 22, qu. 5, Slruv. d. Exerc. 17, lhes. 18. Quacumqne arte verborum quis jur et, diz Santo Isidoro : Deus tamen qui conscientice lestis est, ita hoc accipit, sicut Me, cui juratur, inlelligit. Subenlendem-se porém as condições que por disposição de direito, ou pela natureza do negocio lhe são inberenles. Grol. dè jur. bell.

et pac. L. 2, c. 13, o. 7, Laulerbach. d. Disp. lhes. 19.

(509) Ord. L. 3, til. 59, §. 5, L. 34, §. 6 et 7, L. 38, D. de jure-jur.

L. 9, Cod. de reb. cred. Laulerbach. de juramentis lhes. 86,

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