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Centro de Biotecnologia do Rio Grande do Sul

4.3 I NSTITUIÇÕES -C HAVE PARA O DESENVOLVIMENTO DA BIOTECNOLOGIA VEGETAL NO B RASIL . 103

4.3.4 Centro de Biotecnologia do Rio Grande do Sul

O Centro de Biotecnologia do Estado do Rio Grande do Sul - CTbiot - foi criado em dezembro de 1981, por convênio assinado entre o Governo do Estado do RS, o Banco de Desenvolvimento do Estado do RS (BADESUL), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RS - FAPERGS e a Universidade Federal do RS - UFRGS. Seus principais objetivos eram a integração de esforços e recursos entre Órgãos Federais e Estaduais de Pesquisa e Apoio Financeiro, entre a universidade e empresas para execução de projetos de pesquisa e formação de recursos humanos. No período de 1997/1998, o Centro ampliou suas atividades, gerando conhecimentos e tecnologias.

Atua nas seguintes áreas: genética e biologia molecular de microorganismos, controle biológico, diagnósticos moleculares de doenças humanas, de animais e de plantas, saúde animal e reprodução, biotecnologia vegetal, bioquímica e farmacologia de peptídeos e proteínas tóxicas, produção de enzimas genética toxicológica, biomonitoramento de poluição ambiental.

CBbiot possui uma incubadora que já gerou duas firmas: a IKRO e a Simbios36. A primeira empresa abandonou o Centro em 1998, após seis anos de funcionamento.

Chegou a produzir uma linha de produtos reagentes para testes de coagulação em escala comercial, um nicho de mercado ocupado básicamente por concorrentes estrangeiros.

Os produtos ofertados pelo Centro são:

a) produção de kits diagnósticos e insumos nas áreas de saúde humana, animal e vegetal;

b) produtos aplicados ao processamento de alimentos;

c) produtos aplicados à degradação de dejetos animais para utilização na agroindústria e na proteção ao meio ambiente (enzimas hidrolíticas);

d) serviços associados a conhecimentos específicos na área de Biotecnologia;

e) treinamento de recursos humanos altamente especializados.

A substituição de produtos importados caracteriza a sua principal área de mercado. Kits, enzimas e outros insumos são, em geral, ofertados por multinacionais ou importados por alguns laboratórios de análises clínicas. A produção local terá impacto nos custos desses produtos eliminando também o tempo e os custos dos

procedimentos de importação. A incubadora objetiva prestar serviços em áreas ainda deficitárias no Estado.

Identificam grande potencial de mercado em empresas que têm elevado interesse na produção de componentes enzimáticos, tais como proteases, lipases e amilases entre os quais: o setor de análises clínicas em razão do interesse no desenvolvimento de testes diagnósticos baseados em técnicas de biologia molecular. No setor de produção de carnes e seus derivados, particularmente a indústria avícola, que necessitam de testes para o controle de contaminação por bactérias patogênicas.

Adicinalmente, identificam potencial de mercado em clientes de empresas do setor químico, coureiro-calçadista, de celulose, devido ao interesse nos serviços de controle de atividade mutagênica e ambiental.

Os serviços ofertados pelo CBbiot são:

a) diagnóstico de doenças humanas para laboratórios de análises clínicas, hospitais, órgãos públicos na área de saúde;

b) diagnóstico de doenças veterinárias para empresas do setor agroindustrial;

c) oferta de serviços no controle de qualidade de produtos e efluentes para o setor de meio ambiente;

d) consultorias, treinamento de recursos humanos altamente especializados e o acesso qualificado a informação científica disponível.

Identificam uma grande facilidade de entrada em segmentos mercados onde atuariam como fornecedores especializados para o mercado de análises clínicas. Isso ocorre porque estes laboratórios terceirizam testes diagnósticos para outros Estados, justamente por falta de uma melhor articulação das competências locais na área. Este é o nicho de mercado ocupado pela Simbios, antiga incubada, hoje uma empresa especializada. A especialização está associada a forte movimento de tercerização identificado em torno dos laboratórios de análises clínicas. O movimento mais forte em termos da terceirização pode ser associado aos laboratórios que fazem P&D ponta, laboratórios que trabalham com sistema de automação em comodato, laboratórios que fazem terceirização de exames raros e empresas que têm interesse na produção de meios de cultura, produtos de limpeza e desinfecção, produção de albumina, produção de enzimas, reagentes utilizados para provas bioquímicas, kits diagnósticos para listeriose e leptospirose e kits para ELISA. Além disso, identifica-se a necessidade de descarte de dejetos químicos e biológicos.

O Cbiot possui convênio com a Fundação Osvaldo Cruz – FIOCRUZ (outubro 1998), com o objetivo de aprimorar a formação de recursos humanos, elaboração comum de projetos de pesquisa. Possuem, também dois convênios com empresas para a realização de pesquisa sobre a as condições de degradabilidade dos sistemas de tratamentos de efluentes do Frigorífico Prenda. O Centro mantém um projeto com o governo do Estado (SC&T) para o desenvolvimento de procedimentos em biotecnologia associados à produtividade e o controle de qualidade do Setor Agropecuário do Estado, permitindo igualmente a formação de recursos humanos especializados nessa área do conhecimento.

As Unidades em operação no Centro de Biotecnologia são:

O Laboratório CENBIOT-ENZIMAS, grupo de produção de insumos para biologia molecular do CBiot. produz 3 enzimas: DNA polimerase, endonucleases de restrição e DNA-ligase para laboratórios que trabalham na área de biologia molecular.

No final de 1998 passou a ser coordenado pela Direção do CBiot. Este laboratório fornece insumos para cerca de 300 laboratórios no Brasil além da Argentina e Uruguai.

O GENOTOX – Laboratório de Genotoxicidade, inicialmente foi estruturado para realização do Teste de Ames e Micronúcleos com produtos agrotóxicos, mas ampliou sua área de atuação para novos mercados especialmente na área de avaliações ambientais, analisando pelo teste de Ames, amostras de efluentes industriais, águas de rios e focos de monitoramento. Em abril de 1998 foi assinado o Programa de Estudo em Genotoxicidade na Companhia Petroquímica do Sul – COPESUL, dentro do convênio celebrado na mesma data entre a UFRGS e a referida empresa, dando prosseguimento ao trabalho de monitoramento e consultoria ambiental que vinha sendo realizado. O GENOTOX abriga, também, estudantes de mestrado e doutorado que realizam suas pesquisas na área de estudos de mutagenicidade ambiental e produtos fitofarmacêuticos.

O GENOTOX é um grupo de prestação de serviços do CBiot que gera aproximadamente R$ 150 mil por ano, apresentando um grande potencial para transformar-se em empresa incubada no CBiot. Os principais clientes da GENOTOX são Sandoz S.A, Defensa - Indústria e Comércio de Defensivos Agrícolas, Ciba-Geigy Química, Hoechst, Schering, Basf , Bayer, Riocell, Copesul - Companhia Petroquímica do Sul e Cyanamid do Brasil.