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Instituto de Tecnologia da Paraná – Tecpar

3.2 A S I NSTITUIÇÕES -P ÚBLICAS EM B IOTECNOLOGIA COMO I NSTITUIÇÕES - CHAVE

3.2.3 Instituto de Tecnologia da Paraná – Tecpar

país, dando a impressão que os pólos produtivos geram poucos impactos diretos e indiretos sobre as cadeias produtivas do país. Devemos lembrar que a biotecnologia pode não ter como objetivo apenas a dinamização da economia, mas a solução de problemas característicos das populações em ambientes tropicais.

Tabela 3.7 Bio-Manguinhos: Origem dos Insumos

Fonte: Bio-Manguinhos

produzida apenas em Israel. A vantagem deste tipo de vacina está associada ao seu custo de produção mais baixo uma vez que usa proteína sintetizada, dispensando o biotério. A dificuldade de introdução da biotecnologia deve-se ao custo de desenvolvimento do produto (associado à P&D).

A dificuldade de fazer pesquisa e desenvolver produtos, ao nível da biotecnologia moderna, é um dos grandes entraves da Tecpar. Isso ocorre porque ela careca de massa crítica em P&D embora tenha excelentes instalações e equipamentos. O problema está sendo contornado este problema através dos convênios, entre os quais o que mantêm com a Bio-Manguinhos e de novas parcerias que está negociando, inclusive com a China. A Tecpar acaba de inaugura Centro de Biotecnologia Molecular, tendo para isso trazido pesquisadores do IOC no Rio de Janeiro.

Dos Estados Unidos e Alemanha importam meios de cultura e do Canadá e Estados Unidos importam reagentes. Estas importações estão ligadas a linhas de pesquisas de desenvolvimento de kits moleculares de detecção de brucelose e leucose enzoótica bovina. A possibilidade de aplicação está associada a elaboração de diagnósticos e campo. Novamente o aspecto da criação de um “mercado interno” de biotecnologia mostra-se relevante. As instituições-chave podem atuar como importantes elementos de dinamização do mercado de insumos (Grupo 3 da Tabela 2.1), mesmo quando atuem fornecendo bens públicos. Não há necessidade que desenvolvam seus próprios mercados em todas as linhas de produto para gerarem um mercado de biotecnologia. O importante é que não se trata de substituir importações e sim agregar valor a bens que podem ou não ter como destino o mercado.

Os processos tecnológicos mais utilizados são fermentação/crescimento de células em bio-reatores, centrifugação, purificação por cromatografia e inativação química. A equipe de pesquisa e produção de vacinas é composta por 6 farmacêuticos (4 com especialização, 2 com mestrado), 1 agrônomo com pós-doutorado, 5 biólogos (com especialização) e 6 médicos veterinários (1 com doutorado, 2 com mestrado e 3 especialização) além de mais 6 técnicos de nível médio. A Tabela 3.8 resume as áreas de atuação do TECPAR e seus principais produtos.

Desde o final da década de 80 a Tecpar, em associação com o Butantã, passou a produzir vacina de raiva para uso humano, o que exige técnicas mais adequadas de purificação e, portanto, tem um custo maior. A tecnologia utilizada é de cultivo celular.

Vacinas baseadas no cultivo celular já estão no mercado desde 1980. Esta vacina é

obtida a partir de cultivo celular a partir de células de cérebro do embrião de galinha, células de rim de macaco e células diplóides humanas, alternativamente.

Tabela 3.8. Tecpar - Discriminação de Produtos

Produto Descrição

1. Vacinas Vacina anti-rábica, para uso em cães, produzida em cérebro de camundongo lactente

2. Diagnóstico Diagnóstico de brucelose por: soro aglutinação rápida em placa;placa de anel no leite; ring-teste; acidificado tamponado

3. Antígenos Tuberculina PPD bovina e aviaria para diagnostico de tuberculose bovina.

4.Atividades biotecnológicas

Produção de vacina anti-rábica canina e humana em cultivo celular, antígeno para diagnostico de brucelose; tuberculina PPH humana.

Fonte: entrevista no local, elaboração própria.

Um dos atuais fornecedores da vacina para o Ministério da Saúde é uma filial do Laboratório Merrier, na Venezuela. A concorrência com vacinas importadas tem aumentado ao longo dos últimos anos em decorrência de uma mudança na política do Ministério da Saúde. Em Maio 2000 o Brasil importou 30.000 mil doses de vacina humana em cultivo celular..

Inicialmente a Tecpar obteve financiamentos junto à FINEP que permitiram o inicio da produção desta vacina em escala experimental.. No entanto, a escala de produção ainda é pequena, ficando em torno de 1.500.000 doses/ano o que não permite operar com economias de escala, dado o preço, em torno de $ 0,35 por dose. O grande usuário desta vacina é o Estado de São Paulo.

A produção da vacina tríplice é realizada em conjunto com o Butantã, que encaminha o bulk para a instituição paranaense. Esta divisão de atividades revela como uma das principais estratégias dos produtores estatais de vacinas no Brasil. Esta estratégia baseia-se numa distribuição de trabalho em que as capacitações de cada instituição são levadas em consideração ficando a Tecpar com a produção em massa e o Butantã com o desenvolvimento. Em razão da produção da vacina tríplice a Tecpar

inaugurou recentemente uma planta nova. Atualmente vendem cerca de 3 milhões de doses/ ano. A aproximação com a Bio Manguinhos inclui contrato de transferência de tecnologia para produção de vacinas contra influenza (Smith-Kline). As parcerias com o Butantã são consideradas menos estratégicas no sentido que as duas instituições concorrem na mesma faixa de produtos. Recentemente, por exemplo, o Butantã realizou um contrato de transferência de tecnologia com a Aventis que está sendo considerado prejudicial aos parceiros nacionais de produção de imunológicos.

Na entrevista realizada com a empresa foi possível ainda constatar que ela apresenta alguns gargalos ao desenvolvimento do seu processo industrial e tecnológico.

Estes são:

a) A necessidade de modernizar a produção de vacinas através de maiores investimentos em tecnologias de cultivo de celular; mesmo a produção de vacina humana anti-rábica apresenta-se no limite de sua capacidade no atual nível tecnológico;

b) O requerimento de obter maior financiamento para investimento na unidade

“Paraná Imunobiológicos” onde já foram gastos cerca de R$13 a R$15 milhões na nacionalização da produção de vacinas, sem que ainda tenham obtido, objetivamente, um produto que possa oferecer condições de comercialização razoáveis.

Por outro lado identificam um excelente potencial de mercado nas exigências que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária apresenta aos produtos ligados à saúde humana. Outro grande potencial de mercado é identificado no caso de antígenos e diagnósticos de doenças veterinárias (tuberculina e brucelose). O objetivo, neste caso, seria produzir um kit de diagnóstico molecular com a equipe do novo centro de biotecnologia. Na área de vacina pretendem expandir-se em direção à produção de vacinas conjugadas usando Hemophilus influenza, além da vacina toxoíde tetânica.