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E MPRESAS P RODUTORAS DE M UDAS E M ATRIZES

Dedica-se à produção de mudas através de cultura de tecidos (clonagem in vitro de vegetais através de micropropagação, em ambiente livre de doenças). Está no mercado de mudas de banana (prata-anã), morango, framboesa, maçã, laranja, uva, abacaxi, plantas ornamentais diversas (bromélia, antúrio, cara de cavalo) plantas lenhosas (eucaliptos e acácia), stevia e fumo.

Importam teste ELISA para CMV e BSV - detecção de vírus dos EUA e potes autoclaváveis da Colômbia, além de esterilizador Mod SKRI 350 da Suiça. No mercado nacional adquirem potes de plástico, substrato agrícola e adubos NPK (São Paulo e Paraná), reagentes químicos, hormônios vegetais e sacarose (RJ), Minas Gerais (mudas, rizomas de diversos cultivares). Os processos utilizados são: micropopagação vegetal, análise de planta através de teste ELISA para controle de vírus; preparo de meio de cultura (desenvolvimento próprio). A mão de obra é composta de 2 biólogos com nível superior, 1 agrônomo com mestrado e 1 técnico agrônomo (além de 7 manipuladores e 5 auxiliares agrícolas). Os clientes são fundamentalmente empresas agrícolas.

4.4.2 Pro-clone Biotecnologia

A história da Pro-Clone está fortemente identificada com a trajetória de sua diretora, Monique Ines Sgeren, que em 1989 fazia doutoramento na Unicamp na área de Biologia. A sede própria da empresa fica na Holambra. Essa localização permite ligar o ambiente produtivo à possibilidade de fornecer serviços e produtos de melhor nível tecnológico, reduzindo custos de transação pelo conhecimento preciso do

funcionamento dos mercados. Há estreito contato com a cooperativa, por exemplo, com Augusto Acke, que foi presidente do veiling da Holambra37.

Tem sede própria que passou de 130 para 250 m2 e infra-estrutura montada a partir de equipamento de outras empresas produtoras de mudas que foram fechadas. Isso permitiu uma grande redução dos custos de entrada no setor, estimada pela entrevistada em mais de 50%. O equipamento foi adquirido da Bioplanta (que ficava em Jundiaí) utilizando recursos próprios (familiares) e financiamento bancário. Tem 200 m2 de laboratório. Cerca de 60% da mão-de-obra é qualificada e o restante tem 20grau completo.

Trata-se de uma microempresa, cujo faturamento a permite “cair no simples”, ou seja, ter um faturamento anual de R$ 720,00 mil (R$ 60.000,00*12 meses). Isso se deve ao tamanho e ao preço das mudas, que varia de R$ 0,2 a R$ 0,6 , chegando a R$ 0,9 em casos especiais. Trata-se de um mercado competitivo, com preços por muda muito próximos ao custo de produção definido internacionalmente. A Pro-clone tem clientes na Holambra, principalmente na parte de mudas de flores, com fornecimento estabelecido por contrato anual, com exclusividade no fornecimento em alguns casos.

A empresa utiliza tecnologia dominada e protocolo também é conhecido pelos concorrentes. A biotecnologia entra na parte de micromanipulação visando mudas sadias, isentas de virus. Também facilita a rápida multiplicação de inovações em produto, que estão voltadas para as novidades no mercado final de flores, que é altamente valorizado pelo consumidor. Um exemplo é o melhoramento buscando novas variedades híbridas de gerbera, diferenciando o produto, com novas cores. Há inovações como a mini-rosa e rosas em tubo de ensaio.(rosas in vitro que florescem, como subproduto do processo de multiplicação e que podem ser comercializadas).

Busca-se o registro de variedades visando obter os benefícios da LPC. O mercado é muito ágil e as mudanças de tipos é muito freqüente. Os competidores só auferem lucros diferenciais quando lançam novidades no mercado. Isso impõe a busca constante de novidades. A empresa volta-se quase inteiramente para o mercado brasileiro.O uso de radiação (CENA-Esalq) é outra técnica buscada para induzir mutações em flores.

Outra atividade da empresa está relacionada à produção de mudas sadias (isentas de vírus) de batata-semente. O material de origem é o broto da batata importa (fiscalizada e/ou certificada). A muda é distribuída em pote plástico pela Pró-clone. Em

seguida são conduzidas no campo as etapas de multiplicação. Cerca de 20.000 mudas, cada uma uma produzindo 10 minitubérculos, em quatro ciclos de reprodução (a produtividade cai um pouco ao longo dos ciclos) compõe as etapas em que o produtos ainda é assistido pela empresa, quanto à climatização e controle de trips e aphideos, que são vetores dos principais virus que atacam a batata.

Segundo Monique, a assessoria do Dr. Caram da Virologia do IAC é essencial.

Segundo ela, sem apoio de um virologista é praticamente produzir mudas isentas de batata-semente. Tem também contacto com Waginigen, na Holanda, que é um importante centro de pesquisas agronômicas na Europa. A empresa importa soro (cerca de 50000 testes por importação, para virus x, y, do enrolamento) e o aplica para o produtor, nas etapas de multiplicação em campo. Cada teste custa R$1 aproximadamente. Normalmente se faz 80 testes por lote (20 vezes 4 rodadas de multiplicação) a partir de meristemas. Um dos concorrentes desse segmento é a Multiplant, em Andradas. Os contratos com os produtores de batata são distintos: a empresa trabalha sob encomenda e exige 20% de adiantamento, isso em função das oscilações de mercado e problemas de pagamento por parte dos contratantes.

A Pro-clone é uma empresa intensiva em mão-de-obra e também capital humano intensiva. A entrevistada destaca a importância do RHAE tanto para a constituição da empresa em seu início quanto para sua continuidade. Segundo ela, o faturamento da empresa dificilmente a permitiria dispor de recursos para manter 2 ou 3 profissionais em nível de mestrado necessários para a execução dos protocolos, novos desenvolvimentos e para a aplicação de novas técnicas à produção de mudas. Já teve ao todo 12 bolsistas RHAE. A entrevistada aponta nisso um risco de criar concorrentes, uma vez que na Pró- Clone os bolsistas dominem de técnicas produtivas com elevado grau de conhecimento tácito-específico que não é transmitido (e não deve ser) pelas universidades. Isso já gerou 5 spin offs, na forma de microempresas concorrentes, que atuam no segmento de

“copo de leite”.

A busca de ganhos associados à novidade levou a empresa a uma associação com pesquisadores holandeses, em um acordo que prevê a exploração tanto do mercado brasileiro quanto a exportação. A associação com o produtor/pesquisador da Holanda está relacionado à procura por nova base produtiva da parte do futuro associado. Uma parte da produção de mudas era feita no Kenya, nas etapas que exigiam mão-de-obra

pouco qualificada38. A vinda do pesquisador holandês ao Brasil contou com apoio do CNPq. O contato durou três anos, até a introdução, três anos depois, de uma pequena máquina para a produção seqüenciada das mudas.

Essa associação motivou um processo de “nacionalização” de um equipamento de produção de mudas de flores (bromélias, orquídeas, copo de leite) isentas de vírus.

Busca realizar o scale up de um processo de imersão líquida temporária em meio estéril ágar-ágar. Usa-se esse meio como suporte e faz-se a multiplicação para meio sólido. O produto final é um pote descartável que é adqurido junto com a muda, reduzindo a manipulação, resultando também em padronização da muda e melhoria da qualidade.

Esse projeto foi financiado pelo PIPE-FAPESP em sua 1a. fase39 e também envolve o Centro Binacional Argentina-Brasil de Biotecnologia.

A Pro-clone também está interessada em instalar-se na incumbadora da Unicamp, para ficar mais próxima dos recursos humanos qualificados da universidade, reduzindo o custo de avaliação de candidatos e realizando um melhor monitoramento da oferta de mão-de-obra existente. A incumbadora da Unicamp está em fase de preparação.

A importância do exemplo dado pela Pro-clone está em apontar a importância do capital humano para o sucesso da empreitada. Ele aparece de duas formas básicas:

a) Na forma de contratos tecnológicos com empresários e pesquisadores- consultores, no sentido de desenvolver e aperfeiçoar técnicas de produção de mudas com maiores economias de escala;

b) No papel fundamental de biológos para desenvolver continuamente novos protocolos em micropropagação que estejam diretamente associados ao acompanhamento das tendências do mercado consumidor.

O papel do programa RHAE foi considerado essencial para o sucesso da empresa. Também o papel do IAC e CNPQ (financiando a vinda de consultores) foram fundamentais para a introdução das inovações incrementais da empresa. O exemplo da Pró-clone é ilustrativo para mostrar como mesmo uma microempresa precisa de suporte de instituições intensivas em conhecimento e de condições para o treinamento de capital

38 A produção de mudas em países como Kenya, Turquia e Índia visa combinar mão-de-obra barata em certas etapas de multiplicação com escala produtiva. A firma associada da Pró-clone tem 100 funcionários, com área de 2000 m2. O salário é de aproximadamente US$ 1 por dia (algo muito próximo ao que o Banco Mundial considera a linha de pobreza).

39 Em linhas gerais trata-se de criar uma “linha de montagem”que combina autoclavagem de líquidos utilizados na produção dos clones com o preenchimento de 1200 potes em duas horas. Para Monique esse

humano. Além disso, que essas fontes não tem apenas uma origem e sim várias. Uma articulação entre essas fontes reduz custos de transação e permite também evitar que ocorra concorrência predatória entre pequenas empresas, comprometendo a expansão do mercado futuro de biotecnologia.