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Ciclo de vida dos produtos eletroeletrônicos

No documento universidade do vale do itajai – univali (páginas 69-73)

5 A PROBLEMÁTICA EM TORNO DO DESCARTE DOS PRODUTOS

ELETROELETRÔNICOS

obsolescência planejada de qualidade, a qual faz o consumidor trocar de produto em um espaço muito curto de tempo devido à má qualidade do bem, como pela obsolescência planejada de função, a qual traz inúmeros avanços tecnológicos, o ritmo de descarte de tais produtos cresce a cada dia.

Tais inovações tecnológicas têm garantido aumento da qualidade de vida da população, mas, conjuntamente, têm ocasionado danos ambientais em função da quantidade de substâncias tóxicas despejadas na natureza.

Nesse contexto, a população tem consumido equipamentos eletroeletrônicos em grande escala, pois estes facilitam a vida do consumidor diariamente, estando a sociedade contemporânea dependente desses bens de consumo de tal forma, que não é possível voltar ao status quo.

Destacam Xavier e Carvalho (2014) que as metas desenvolvidas para gerenciar resíduos domésticos já estão ultrapassadas quando se visa ao gerenciamento de resíduos tecnológicos. Isso frente ao consumo desenfreados destes equipamentos, e também, em razão da variedade de componentes que esses apresentam, modificando em curto espaço de tempo sua composição ou o tipo de material utilizado.

Segundo o relatório da ONU, nem o governo, nem as indústrias têm uma estratégia definida para lidar com o problema do lixo eletrônico. A estimativa é que são geradas, aproximadamente, 40 milhões de toneladas por ano de resíduos eletrônicos no mundo, só a Europa é responsável por 25% deste montante. E grande parte do e-lixo dos europeus é exportada para países pobres como Gana, Malásia, Cingapura, Indonésia, Filipinas, Índia, Nigéria, contrariando, assim, a Convenção de Basel – assinada por 165 países, em 1992, exceto Estados Unidos, que regula o comércio entre países de substâncias perigosas (MAGERA, 2012, p. 124).

Outra questão problemática que se enfrenta é que os países desenvolvidos, muitas vezes, têm criado estratégias para se livrarem dos lixos eletrônicos, mandando para os países em desenvolvimento, de maneira forjada, como se fossem produtos usados, mas em perfeito funcionamento, criando nesses países lixões a céu aberto, contaminando rios e lagos, deixando em situação crítica a vida das pessoas que moram aos arredores.

Os equipamentos eletroeletrônicos, apesar de amplamente comercializados e consumidos em todo o mundo, tendem a ser recondicionados e reutilizados nos países em desenvolvimento, inclusive na fase considerada

pós-consumo. Esta opção de consumo é conhecida como consumo em cascata, nas qual o equipamento que tem seu uso descontinuado (seja em função da apresentação de falhas ou da simples substituição por um equipamento mais moderno) é recondicionado e reutilizado (XAVIER;

CARVALHO, 2014, p. 5).

Relatam as autoras que, em países em desenvolvimento, no que se refere ao reaproveitamento dos produtos eletroeletrônicos, em função da condição econômica da população ser mais baixa que nos países desenvolvidos, ocorre mais reutilização desses produtos, não sendo descartados tão facilmente, tendo um maior ciclo de vida.

O ciclo de vida dos equipamentos eletroeletrônicos varia conforme o país, não sendo algo imutável. Existe um modelo de como deveria ser o ciclo de vida dos equipamentos eletroeletrônicos, conforme Xavier e Carvalho (2014):

PRODUÇÃO EEE VENDAS EEE CONSUMO EEE

DESTINAÇÃO TRATAMENTO GERAÇÃO DE EEE

ATERRO NOVOS PRODUTOS/REEE Fonte: adaptado de UNEP (2007, apud XAVIER; CARVALHO, 2014).

Conforme o ciclo de vida conceitual de equipamentos eletroeletrônicos (EEE), demonstrado na figura acima, é preciso dar o correto direcionamento em cada etapa do ciclo de vida dos EEE. Com isso, é possível minimizar danos ambientais em função do descarte incorreto dos resíduos de tais equipamentos, pois, concluindo o fechamento do ciclo, tem-se novamente a reutilização na matéria- prima e não o descarte dela.

Constata-se que existem formas de auxiliar na realização deste ciclo. Dessa

maneira, trabalhando nos quesitos que tornam esse reaproveitamento mais

eficiente, como o design sustentável dos equipamentos, o qual traz maior facilidade

no momento de desmontar o produto para retirada dos materiais que irão ser

reaproveitados, e também evitando o uso de materiais pesados, os quais são os mais difíceis de serem tratados e danosos ao meio ambiente.

O consumidor final possui destaque nesse ciclo, pois ele que fará com que o equipamento não tenha a destinação incorreta. Da mesma forma, existe importante relevância a escolha dos equipamentos eletroeletrônicos pelo consumidor quando irá escolher no momento da compra, pois o mercado acaba sendo regulado conforme a venda de tais produtos. Se o consumidor tem preferência por equipamentos de empresas sustentáveis, por óbvio que o mercado acaba se adaptando em função do objetivo de aumentar suas vendas e lucros, e investe em bens que agradem o consumidor.

Conforme dados do relatório Solving the E-waste Problem (STEP), em 2012, cada habitante brasileiro gerou 7.06kg de lixo eletroeletrônico, e foram produzidos 10.53kg de equipamentos eletroeletrônicos por habitante no mesmo ano. Isso demonstra que a quantidade que se produz de produtos é quase a mesma quantidade que se descarta, gerando quantidades alarmantes de resíduos que necessitam ser reutilizados. Caso contrário, tais resíduos acabam tendo o pior destino, a natureza, gerando contaminação de rios, do solo e do ar.

Dessa forma, destaca-se a importância do reuso dos EEE, pois é uma forma de reaproveitamento do produto, sem produzir resíduos e sem ser despejado em lugares incorretos.

Nesse sentido, conforme o STEP (2013), no item que se destina a conceituar o reuso dos EEE e suas diretrizes, tem como objetivo três quesitos: a) alterar o comportamento dos consumidores no que se refere na aceitação de reutilização do produto, e não prolongar o tempo que o EEE fica estocado com esse consumidor, direcionando sem maiores delongar para o reuso, b) estendendo o uso dos EEE, e também dos seus componentes e produtos. c) redução de fluxo de reuso de forma irresponsável entre doadores e países em desenvolvimento.

No mesmo contexto, trata o relatório sobre a questão da reciclagem,

trazendo diretrizes nas quais se busca fornecer soluções e iniciativas para a

reciclagem de resíduos de EEE, focando a longo prazo em medidas para ciclos de

produtos sustentáveis em todo o mundo, mas a curto prazo para os países

industrializados, pela questão de urgência, devido ao grande descarte de lixo

eletrônico.

No documento universidade do vale do itajai – univali (páginas 69-73)