5 A PROBLEMÁTICA EM TORNO DO DESCARTE DOS PRODUTOS
ELETROELETRÔNICOS
obsolescência planejada de qualidade, a qual faz o consumidor trocar de produto em um espaço muito curto de tempo devido à má qualidade do bem, como pela obsolescência planejada de função, a qual traz inúmeros avanços tecnológicos, o ritmo de descarte de tais produtos cresce a cada dia.
Tais inovações tecnológicas têm garantido aumento da qualidade de vida da população, mas, conjuntamente, têm ocasionado danos ambientais em função da quantidade de substâncias tóxicas despejadas na natureza.
Nesse contexto, a população tem consumido equipamentos eletroeletrônicos em grande escala, pois estes facilitam a vida do consumidor diariamente, estando a sociedade contemporânea dependente desses bens de consumo de tal forma, que não é possível voltar ao status quo.
Destacam Xavier e Carvalho (2014) que as metas desenvolvidas para gerenciar resíduos domésticos já estão ultrapassadas quando se visa ao gerenciamento de resíduos tecnológicos. Isso frente ao consumo desenfreados destes equipamentos, e também, em razão da variedade de componentes que esses apresentam, modificando em curto espaço de tempo sua composição ou o tipo de material utilizado.
Segundo o relatório da ONU, nem o governo, nem as indústrias têm uma estratégia definida para lidar com o problema do lixo eletrônico. A estimativa é que são geradas, aproximadamente, 40 milhões de toneladas por ano de resíduos eletrônicos no mundo, só a Europa é responsável por 25% deste montante. E grande parte do e-lixo dos europeus é exportada para países pobres como Gana, Malásia, Cingapura, Indonésia, Filipinas, Índia, Nigéria, contrariando, assim, a Convenção de Basel – assinada por 165 países, em 1992, exceto Estados Unidos, que regula o comércio entre países de substâncias perigosas (MAGERA, 2012, p. 124).
Outra questão problemática que se enfrenta é que os países desenvolvidos, muitas vezes, têm criado estratégias para se livrarem dos lixos eletrônicos, mandando para os países em desenvolvimento, de maneira forjada, como se fossem produtos usados, mas em perfeito funcionamento, criando nesses países lixões a céu aberto, contaminando rios e lagos, deixando em situação crítica a vida das pessoas que moram aos arredores.
Os equipamentos eletroeletrônicos, apesar de amplamente comercializados e consumidos em todo o mundo, tendem a ser recondicionados e reutilizados nos países em desenvolvimento, inclusive na fase considerada
pós-consumo. Esta opção de consumo é conhecida como consumo em cascata, nas qual o equipamento que tem seu uso descontinuado (seja em função da apresentação de falhas ou da simples substituição por um equipamento mais moderno) é recondicionado e reutilizado (XAVIER;
CARVALHO, 2014, p. 5).
Relatam as autoras que, em países em desenvolvimento, no que se refere ao reaproveitamento dos produtos eletroeletrônicos, em função da condição econômica da população ser mais baixa que nos países desenvolvidos, ocorre mais reutilização desses produtos, não sendo descartados tão facilmente, tendo um maior ciclo de vida.
O ciclo de vida dos equipamentos eletroeletrônicos varia conforme o país, não sendo algo imutável. Existe um modelo de como deveria ser o ciclo de vida dos equipamentos eletroeletrônicos, conforme Xavier e Carvalho (2014):
PRODUÇÃO EEE VENDAS EEE CONSUMO EEE
DESTINAÇÃO TRATAMENTO GERAÇÃO DE EEE
ATERRO NOVOS PRODUTOS/REEE Fonte: adaptado de UNEP (2007, apud XAVIER; CARVALHO, 2014).