fabricantes, distribuidores e comerciantes, o artigo 31 da PNRS, estabelece obrigações, mas que, se descumpridas, nenhum efeito é gerado.
[...] obrigações estabelecidas pela PNRS acabam, no entanto, perdendo efetividade em razão da falta de estipulação de sanções específicas no caso de seu descumprimento. Com efeito, a Lei simplesmente remete as sanções à Lei de Crimes Ambientais (Lei n.9.605/1998), determinado, em seu artigo 51 que: Art. 51: ‗Sem prejuízo da obrigação de, independentemente da existência de culpa, reparar os danos causados, a ação ou omissão das pessoas físicas ou jurídicas que importe inobservância aos preceitos desta Lei ou de seu regulamento sujeita os infratores às sanções previstas em lei, em especial às fixadas na Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que ‗dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências‘, e em seu regulamento (LEUZINGER, 2013, p. 171).
Nota-se que a PNRS deveria ter, em seu corpo legal, as multas e sanções a serem impostas a quem descumprisse o estabelecido em lei, e não deixando de maneira genérica e ampla a sua aplicabilidade, remetendo apenas a Lei 9.605/1998.
Assim, é visto que a PNRS não concede muita importância ao consumidor final ―no que toca a sua responsabilidade pelo descarte adequado dos resíduos, em especial os perigosos, ainda que não existam sistemas de coleta seletiva ou logística reversa implementado em seus municípios‖ (LEUZINGER, 2013, p.
172).Pelo fato de a Lei 6.938/1981 determinar a responsabilidade objetiva,
alcançando a todos na ocorrência de dano ambiental, seja por ação ou omissão,
direta ou indiretamente envolvidos, a PNRS acabou não responsabilizando o
destinatário final, ficando, desta forma, menos efetiva.
acelerada, tanto pelos avanços tecnológicos como pela utilização da obsolescência planejada. A quantidade de produção é quase a mesma que a de descarte, pois, no momento que se adquire um televisor novo, o antigo vai para o lixo.
Os resíduos de equipamentos eletrônicos vêm-se tornando atualmente uma grande problemática no que tange à gestão de resíduos sólidos, uma vez que previamente à fadiga do material, tais equipamentos tornam-se defasados ou obsoletos. Desse modo, gera-se uma quantidade tão crescente de resíduos de equipamentos eletrônicos quanto é o aumento da tecnologia de desenvolvimento e aprimoramento de novos produtos (BARROS, 2012, p. 128).
Antes do advento da Lei 12.305/2010, não existia legislação que trouxesse a questão do descarte dos resíduos eletrônicos, inovando de maneira positiva a PNRS.
Conforme Lemos e Mendes (2014), a PNRS é usada como fundamento na produção de equipamentos eletrônicos, visando a que a mercadoria tenha um design sustentável, que seja durável e que, ocorrendo o descarte, seja o menos danoso possível ao meio ambiente, utilizando, dessa forma, a reciclagem e a reutilização.
A Lei 12.305/2010 conceituou, em seu artigo 3º, inciso XVI, o que são resíduos sólidos:
Art. 3º. [...] XVI - material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d‘água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível.
Conforme Lemos (2014), não existia, antes da PNRS, no direito brasileiro, conceituação sobre o tratamento de resíduos, acabava se utilizando a Resolução 5/93 do CONAMA, a qual determina que:
Art. 1º Para os efeitos desta Resolução definem-se:
I - Resíduos Sólidos: conforme a NBR nº 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição,
bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d'água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível (CONAMA, 1993).
Lemos (2014) constata evidente falha nessa Resolução, pois não especifica como era possível identificar cada tipo de resíduo, trazendo apenas resíduos advindos dos serviços de saúde, portos e aeroportos. Também não especifica como deveria ocorrer a responsabilização dos envolvidos.
A PNRS atribui responsabilidade para todos envolvidos no ciclo de vida dos produtos. Evidentemente que o fabricante, pelo fato de colocar a embalagem no mercado, fica responsável pela adequada disposição dos produtos após o uso pelo consumidor. Da mesma forma, os equipamentos eletrônicos, após o uso, também deverão ter o correto descarte, pois o lixo eletrônico é extremamente danoso ao meio ambiente e, geralmente, é descartado juntamente com o lixo comum.
Nesse viés, a logística reversa é o principal instrumento para que os resíduos eletrônicos sejam devolvidos aos fabricantes, e que estes determinem o correto manejo.
Entretanto, conforme o artigo 56 da PNRS, incisos V e VI, e caput do artigo 33 (ANEXO 2), é possível identificar que ocorre uma lacuna na lei sobre a regulação da logística reversa no que diz respeito às lâmpadas e aos eletroeletrônicos, pois tal artigo determina que a implementação ocorrerá de forma progressiva, segundo cronograma ainda a ser estabelecido em regulamento.
No que diz respeito ao atual estágio do procedimento de implementação dos sistemas de logística reversa dos eletroeletrônicos no país, delineados pela PNRS e pelo seu Decreto Regulamentador, vale registar que, em 12 de junho de 2013, foram finalmente entregues para avaliação do MMA quatro propostas de acordos setoriais para a instituição da logística reversa dos REEE em âmbito nacional, conforme os requisitos mínimos estabelecidos no respectivo Edital de Chamamento e na legislação pertinente. [...]
(LEMOS; MENDES, 2014, p. 63).