eP2038
Avaliação de paralisia pós-operatória em cirurgias videolaparoscópicas
Maria Luísa Machado Assis; Scheila Vicente; Fausto Alejandro Falconí Núñez; Gustavo Biesdorf; Isabela Sirtoli; Patrícia Wajnb erg Gamermann
HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
A paralisia residual pós-operatória (PRPO) é definida como a fraqueza muscular decorrente de antagonismo incompleto ou ausente dos bloqueadores neuromusculares (BNM) adespolarizantes. Dados da literatura estimam que 17-56,5% dos pacientes que chegam à sala de recuperação pós-anestésica (SRPA) apresentam curarização residual, a qual está associada a eventos adversos como disfunção ventilatória e aumento de permanência na SRPA. Através do monitor da junção neuromuscular (TOF) é possível obter uma avaliação objetiva da recuperação muscular, porém, sua adequada interpretação e manejo depende do conhecimento técnico do anestesiologista. O objetivo do trabalho foi verificar se os pacientes que foram submetidos a monitorização da junção neuromuscular (JNM) no intra-operatório de cirurgias videolaparoscópicas em hospital universitário apresentam menor incidência de PRPO do que pacientes que não foram submetidos a monitorização. Foram estudados pacientes admitidos na SRPA do HCPA nos anos de 2016 e 2017, maiores de 18 anos, ASA I-III, submetidos a cirurgias eletivas ideolaparoscópicas. Um grupo de 53 pacientes que recebeu avaliação com o TOF no intra-operatório foi comparado com um grupo de 35 pacientes que não recebeu monitorização, quanto a presença de PRPO na SRPA. Para a PRPO foi utilizado o ponto de corte TOF < 0,9. A taxa geral de curarização residual foi de 21,6%. O grupo monitorizado com TOF teve 15,1% de bloqueio residual contra 31,4% no grupo sem monitorização (p =0,119). O uso do rocurônio quando comparado ao atracúrio associou-se com o aumento das chances de PRPO (63,6% versus 15%, p=0,001), independentemente do uso do TOF no período transoperatório. O estudo não mostrou redução da PRPO utilizando o TOF no intra - operatório. Uso do rocurônio aumentou as chances de PRPO.
eP2039
Avaliação da prescrição do jejum pré-operatório em pacientes pediátricos de um hospital universitário
Scheila Vicente; Maria Luisa Machado Assis; Fausto Alejandro Falconí Núñez; Luiza Alexi Freitas; Ana Paula Vargas; Patrícia Wajnberg Gamermann
HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
O jejum pré-operatório tem como objetivo garantir o esvaziamento gástrico e evitar broncoaspiração durante a anestesia. Apesar de estudos recentes associarem a redução do tempo de jejum a melhores resultados perioperatórios, ainda é rotina a prescrição de períodos excessivamente prolongados. Na população pediátrica, o jejum extenso está associado à desidratação, hipoglicemia, hipotensão, irritabilidade, estado de catabolismo, atraso no despertar e resposta metabólica ao trauma cirúrgico exacerbado. Trata-se de estudo observacional através da revisão de prontuários de pacientes submetidos a cirurgias eletivas pela equipe de Cirurgia Pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), no período de fevereiro até junho de 2017. Os dados extraídos do foram analisados utilizando o programa Microsoft Excel, através do cálculo de percentuais, médias, medianas e desvio padrão. Foi aplicado um questionário sobre jejum pré-operatório para anestesiologistas pediátricos e residentes da Cirurgia Pediátrica. Os resultados mostraram que a média de idade dos pacientes foi de 5 anos. Das 268 cirurgias agendadas incluídas neste estudo, 87 foram canceladas. Em relação ao tempo de jejum, a mediana foi de 10h. Analisando o tempo de atraso da cirurgia, a mediana foi 1,6 horas.
10% dos procedimentos foram adiantados entre 0,25-4 horas. O questionário sobre o jejum pré-operatório foi respondido por 13
anestesiologistas pediátricos do HCPA. 23,1% afirmaram que é oferecido líquido claro para os pacientes que estão há mais tempo do que o necessário em jejum. Ocorreram interpretações do tipo de alimento em desacordo com o guideline da ASA em 22,45% das respostas. Conforme o questionário espondido por dois residentes da Cirurgia Pediátrica, mesmo tendo conhecimento da permissão de líquidos claros até 2 horas antes do procedimento, esta orientação não é citada. Considerando que a abreviação do tempo de jejum pré-operatório não apenas é segura, como também traz benefícios ao perioperatório, esta deve ser uma das prioridades na estratégia de cuidados. A abordagem da família, além da uniformidade da conduta da equipe anestésica e cirúrgica na orientaçã o do jejum, pode ser uma solução para obtermos melhores resultados.
eP2040
Metabolic effects of physical activity prior to and following bariatric surgery in severely obese subjects without diabetes: a cohort study
Otto Henrique Nienov; Fernanda Dapper Machado; Helena Schmid UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Background: Even in individuals with severe obesity, physical activity (PA) reduces the risk of cardiometabolic diseases. Increasing PA is recommended prior to bariatric surgery (BS) but is performed with poor success. Objectives: To evaluate the PA of severely obese subjects without diabetes and to elucidate the benefits of PA practice prior to and following laparoscopic bariatric surgery (LBS). Methods: A prospective cohort study was conducted in 91 obese (grade II and III) subjects without diabetes who were submitted to LBS, Roux-en-Y gastric bypass (RYGB), or sleeve gastrectomy (SG) using a short version of the International Physical Activity Questionnaire prior to and 6 and 15 months post-LBS. According to the performance, or not, of ≥ 150 min/week of PA, the patients were classified into active and inactive prior to and 15 months post-LBS. Results: PA increased significantly 6 and 15 months post-LBS as compared with that preoperatively (p < 0.001); however, there was no difference between the two evaluated postoperative times (p = 0.856). Being active prior to LBS was associated with a greater loss of waist circumference after 15 months as compared with being inactive (27.0% versus 24.2%; p = 0.027), with a greater loss in subjects submitted to RYGB than to SG (26.8% versus 24.1%; p = 0.024). There was also an association between being active prior to surgery and a higher high-density lipoprotein cholesterol (HDL-C) level (18.2% versus 10.9%; p = 0.035), but there was no difference between RYGB and SG (15.8%
versus 12.4%; p = 0.277). Being active 15 months post-LBS was not associated with any of the evaluated parameters. Conclusion: PA increased after LBS. The practice of ≥ 150 min/week of PA prior to LBS resulted in a greater loss of waist circumference and a greater increase in HDL-C levels, with probable metabolic and cardiovascular repercussions.
eP2042
Effect of bariatric surgery on high-density lipoprotein (HDL) cholesterol in non-diabetic patients with severe obesity
Otto Henrique Nienov; Fernanda Dapper Machado; Lisiane Stefani Dias; Luiz Alberto de Carli; Helena Schmid UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Background: One of the key risk factors used by clinicians to assess cardiovascular risk (CVR) is the serum level of high-density lipoprotein cholesterol (HDL-C). Physical activity (PA), as well as certain drugs and interventions, is known to decrease non-HDL cholesterol (non-HDL-C), which could lead to an increase in serum HDL-C. Higher BMI increases the risk for hypertriglyceridemia, high LDL cholesterol (LDL-C) and low HDL-C. In addition, bariatric surgery (BS) has been shown to decrease LDL-C, triglycerides (TG) and non-HDL-C levels and increase HDL-C. Objectives: This study evaluated changes in serum HDL-C induced by laparoscopic bariatric surgery (LBS) in non-diabetic obese subjects with low (L-HDL-C) or normal (N-HDL-C) levels of HDL-C. We assessed whether increased HDL-C is associated with weight loss, serum non-HDL-C, serum TG and PA before LBS and 6 and 15 months after LBS. Methods: In this prospective cohort study, 76 subjects undergoing LBS (45 by Roux-en-Y gastric bypass and 31 by sleeve gastrectomy) were evaluated for the % Excess Weight Loss (%EWL), serum levels of HDL-C, non-HDL-C, glucose, glycosylated haemoglobin and TG, and the degree, time and energy expenditure related to PA. The short version of the International Physical Activity Questionnaire was used to assess PA. Results: Levels of HDL-C significantly increased 15 months after LBS (p < 0.001) in subjects with low (p < 0.001) or normal (p = 0.027) values at baseline. A similar %EWL, decrease in non-HDL-C, glucose and TG levels and increase in energy expenditure related to PA were observed in both groups (L-HDL-C and N-HDL-C) at 6 and 15 months after LBS. In subjects with increased HDL-C 15 months after LBS, there was an association between this increase and the %EWL (p
= 0.019), but there was no association with the change in PA. Conclusion: Irrespective of PA after LBS, subjects with low and normal HDL-C levels at baseline showed an increase in HDL-C after LBS, and this increase was associated with %EWL induced by LBS.
eP2043
Peripheral polyneuropathy after bariatric surgery: independent association with high-density lipoprotein (HDL) cholesterol in a cohort study
Otto Henrique Nienov; Fernanda Dapper Machado; Lisiane Stefani Dias; Daiane Rodrigues; Camila Perlin Ramos; Larissa Carlos da Silva; Helena Schmid
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Background: The most common neurological complication described after bariatric surgery (BS) is peripheral polyneuropathy (PPN).
However, there is poor evidence about the impact of BS on the incidence and progression PPN. Objectives: To evaluate the incidence and progression of PPN in non-diabetic severe obese subjects after laparoscopic bariatric surgery (LBS) and to seek for the presence of risk factors. Methods: In this prospective cohort study, 322 subjects undergoing LBS were evaluated for PPN by the Michigan Neuropathy Screening Instrument (MNSI) before and after 6 months of LBS and divided according to presence (+) or absence (-) of PPN at baseline. Known causes of PPN were excluded. Results: The prevalence of pre-LBS PPN was 21.4% and decreased to 8.7%
post-LBS. When we looked to the two groups, from baseline to 6 months, for PPN (+) group (n = 69) the incidence of post-LBS PPN was 20.3% (n = 14) and for the PPN (-) group (n = 253) it was 5.5% (n = 14). In the PPN (-) group that incidence was independently associated with low high-density lipoprotein cholesterol (HDL-C) levels (p = 0.001) and the PPN risk increased from 7.4 to 8.6% at each 1 mg/dL decrease in HDL-C. Conclusion: The prevalence of PPN decreased after 6 months of LBS, but new cases of post-LBS
PPN appeared and they were independently associated with low HDL-C.
eP2061
Níveis séricos de vitamina D derivação gástrica em Y de roux e gastrectomia vertical Fernanda Dapper Machado; Otto Henrique Nienov; Lisiane Stefani Dias; Helena Schmid
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Introdução Hipovitaminose D é comumente encontrada em indivíduos obesos e tardiamente nos que se submeterem à cirurgia bariátrica, favorecendo a ocorrência de osteoporose. No pós-operatório imediato, é relatado tanto o aumento quanto queda da vitamina D sérica. O objetivo deste trabalho é avaliar os níveis séricos de 25(OH)D após a cirurgia bariátrica, e buscar asso ciação com perda ponderal, atividade física, consumo alimentar, e comparar resultados obtidos nos procedimentos de derivação gástrica em Y de Roux (RYGB, do inglês Roux en Y Gastric Bypass) e gastrectomia vertical (SG, do inglês Sleeve Gastrectomy). Metodologia Com delineamento longitudinal retrospectivo, foram avaliados os níveis séricos de 25(OH)D, perfil glicêmico, lipídico, atividade física e consumo alimentar de fontes de vitamina D no período pré e pós-operatório de 195 obesos submetidos ao RYGB (104) ou SG (91).
As características antropométricas e laboratoriais dos participantes foram descritas por mediana e intervalo interquartílico. As características antropométricas e laboratoriais dos participantes submetidos pré e pós-cirurgia foram comparadas através do teste de Wilcoxon e os dois tipos cirúrgicos foram comparados através do teste de Mann-Whitney. Os dados de consumo alimentar de vitamina D, obtido através da análise do recordatório alimentar, prática de atividade física, através do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) ou caminhadas e classificação dos níveis de vitamina D entre os dois tipos cirúrgicos foram comparados através do teste de correção de continuidade de Yates e a comparação desses dados entre os pacientes considerados com níveis adequados de vitamina D foi realizada utilizando teste exato de Fisher ou correção de continuidade de Yates. Resultados Os níveis séricos de 25(OH)D aumentaram após a cirurgia bariátrica nos dois tipos cirúrgicos, sem diferença estatística entre eles (p= 0.983).
No grupo RYGB o nível de vitamina D aumentou 19.6%, passando de 13,5 (19,9; 29,0) ng/ml a 18,1 (21,7; 35,0) ng/ml. Já no SG 20.2%, passando de 23,3 (19,0; 31,6) ng/ml a 28,0 (21,6; 34,8) ng/ml. Em ambos os grupos, o aumento não foi suficiente para que níveis séricos adequados de vitamina D (>30 ng/ml) fossem atingidos. Conclusão Os níveis de vitamina D aumentam após a cirurgia bariátrica, porém não o suficiente para alcançar níveis adequados de vitamina.
eP2075
Induction of selective liver hypothermia prevents significant ischemia/reperfusion injuries in rats after 24 hours Tomaz de Jesus Maria Grezzana Filho; Larisse Longo; Jorge Luiz dos Santos; Gemerson Gabiatti; Carlos Coffil; Emanuel Burck dos Santos; Márcio Fernandes Chedid; Carlos Thadeu Schmidt Cerski; João Edson Prediger; Carlos Otávio Corso
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Background and Aims: induction of liver hypothermia is a surgical tool able to prevent warm ischemic injuries. Protective mechanisms involved are not completely understood, but the protection to liver microcirculation and reduction of inflammation are potential candidates to explain the attenuation of the reperfusion injuries. The study aims to investigate the effects of induction of selective liver hypothermia, the role of endothelial and inducible oxide sinthases (eNOS and iNOS), inflammatory citokines and histopathological injuries in a rodent model. Methods: 19 male Wistar rats were subjected to 90 minutes partial 70% liver ischemia either in normothermia (Group N) or selective 26ºC hypothermia (Group H). 24-hours after reperfusion, livers were sampled and sent to analyses. Anatomopathological sections were scored for sinusoidal congestion, ballooning, hepatocelllular necrosis and neutrophilic infiltrates. Results: At the end of the experiment, liver tissue expressions of TNF-ɑ, IL-1ß, iNOS and TNF-ɑ/IL-10 ratio were significantly reduced in the H group compared to N group (P<0.05), whereas IL-10 and eNOS were significantly increased (P<0.05).
IL-6 expression was similar between the groups. Histopathological injury scores revealed significant decrease in H group (P<0.05).
Conclusions: Selective liver hypothermia prevents I/R injury by limiting the release of inflammatory citokines, preservation of microcirculation, and attenuation of the inflammatory response. The supression of the inflammatory cascade by selective liver hypothermia enabled maintainance of the liver architecture.
eP2096
National multicentric derivation and validation of the sampe model – a mortality risk stratification model within 30 days postoperatively
Daniel Trost; Sávio Cavalcante Passos; Adriene Stahlschmidt; Claúdia de Souza Gutierrez; Danielle Tomasi; Gabriela Jungblut Schuch; Guilherme Roloff Cardoso ; Gustavo Zerbetto Sbrissa; Nathália de Freitas Valle Volkmer; Luciana Paula Cadore Stefani HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Introduction Surgical care is essential for the proper management of various clinical conditions. It is known that the interaction between surgical-anesthetic interventions and the patients' clinical condition can lead to unfavorable outcomes, especially in major procedures. In order to identify patients at highest risk of complications and thus adopt strategies that improve the care provided, several models of surgical risk stratification have been developed. Ideally, these should be simple, reproducible and accurate.
Unfortunately, none of the best-known risk stratification instruments had their validity tested for the Brazilian population. In view of this, a preoperative risk assessment model - SAMPE Model - was developed, incorporating 4 variables that were easily identified in the preoperative period (age, ASA classification, size and nature of surgery), having in-hospital mortality in up to 30 days as a primary outcome. This was developed by the retrospective analysis of data from 13,524 surgical patients of the Hospital de Clínicas de Porto Alegre, showing high prediction of death accuracy (area under the ROC curve = 0.913). The model was later validated in another sample of the same hospital (n = 7,253), confirming its accuracy (C statistic of the validation sample was 0.922). Objective: To build and validate a national-based model of postoperative death probability within 30 days with based on the SAMPE Preoperative Risk Model. To develop an app for smartphones that allows preoperative risk stratification by the new SAMPE Model. Materials and Methods: Multicentric retrospective cohort study with patients operated in five hospitals in Brazil. The variables age, ASA score, surgical degree (major or non-major) and nature (elective or urgent) will be evaluated for the SAMPE Model development. The primary outcome will be mortality in 30 days. Expected Results: We believe that the new SAMPE model will present discriminative capacity similar to that of other classically used scores validated in the prediction of in-hospital death within 30 days, with the differential of
having patients operated at national hospitals as a sample. In addition, the mobile application to be developed will provide a practical and easy-to-use tool for the identification of patients at greater risk of death postoperatively to the health professionals involved in perioperative care.
eP2106
Relato de caso: manejo diferenciado de paciente com Acalasia nível III submetido à Esofagoplastia de Grondahl Joana Letícia Spadoa; Armani Bonotto Linhares; Gabriela Salzano Silva; Eduardo Corleta Martinez; Thomas Kelm; Júlia Iaroseski;
Isadora Zago Krebs; Danna Gomes Mateus; Leonardo de Moura; José Artur Sampaio UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Introdução: A acalasia é um distúrbio raro de motilidade neurodegenerativa do esôfago que ocasiona um peristaltismo desequilibrado e perda da função do esfíncter esofágico inferior. Pode ser idiopática ou secundária à infecção por Trypanossoma cruzi. Dentre as manifestações clínicas mais notáveis, estão a disfagia progressiva, regurgitação e perda ponderal. Os tratamentos baseiam -se em meios farmacológicos, endoscópicos ou cirúrgicos. Assim, o objetivo deste trabalho é descrever um caso de acalasia nível III, corrigida por meio de técnica cirúrgica não usual. Para isso, a metodologia utilizada foi a avaliação do prontuário eletrônico do paciente, associada à revisão de literatura em bases de dados. Relato de caso: masculino, 74 anos, deu entrada no hospital relatando disfagia progressiva e perda ponderal de 17 kg. A endoscopia digestiva alta mostrou dilatação do esôfago, com diminuição de calibre na transição esôfago-gástrica. A radiografia indicou boa passagem da coluna baritada através do esôfago, contudo, havia área de estenose no esôfago terminal com estase baritada à montante. A avaliação médica concluiu se tratar de um caso de acalasia. Dois meses depois, uma esofagomanometria mostrou o esôfago sem peristalse. Na investigação da suspeita de acalasia associada à tripanossomíase, verificou-se que os anticorpos IgG E IgM foram negativos. Dois anos depois, o paciente retornou à consulta, referindo aceitar apenas dieta pastosa e apresentar vômitos pós-alimentares. A radiografia realizada confirmou acalasia grau III, sendo que o diâmetro do segmento torácico era de cerca de 7 cm. Então, o paciente foi submetido à Esofagoplastia de Grondahl, na qual foi realizada uma anastomose entre o esôfago distal e o fundo gástrico. Apesar de ser uma técnica antiga, foi a escolha mais adequada, por conta dos riscos de uma esofagectomia para o paciente. No retorno, 15 dias após a alta, o paciente relatou considerável melhora em sua dieta, referindo ingerir alimentos líquidos, pastosos e sólidos. Negou disfagia ou regurgitação.
Conclusão: Embora a acalasia seja uma doença pouco frequente, deve ser considerada quando um paciente apresenta disfagia, condição que prejudica muito a qualidade de vida do indivíduo. É necessário que a correção cirúrgica, quando indicada, seja realizada o mais rápido possível e a técnica empregada deve garantir mínimo risco ao paciente. O método de Grondahl parece ser o mais adequado aos pacientes que não podem ser submetidos à esofagectomia.
eP2114
Importância do diagnóstico pré-natal de Extrofia de Cloaca para o seu manejo e prognóstico
Eduardo Corleta Martinez; Braion Antonio Pelissoni; Ana Luíza Kolling Konopka; Leticia Machado Gomes; Mauricio Rouvel Nunes;
Paulo Renato Krahl Fell; Luciano Vieira Targa; Adyr Eduardo Virmond Faria; Paulo Ricardo Gazzola Zen; Rafael Fabiano Machado Rosa
UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Introdução: A extrofia de cloaca é uma malformação congênita extremamente rara e grave, caracterizada por extrofia de órgãos do trato urinário, intestinal e genital, associada a anomalias de outros sistemas. Descrição: A gestante começou a ser acompanhada quando estava com 26 semanas de gravidez. A ecografia morfológica identificou um feto com cordão umbilical com artéria umbilical única, escoliose, provável espinha bífida oculta, onfalocele e pé torto congênito à esquerda. A cariotipagem fetal evidenciou uma constituição masculina normal (46,XY). No exame de ultrassom realizado com 29 semanas, constatou-se que o coração ocupava 50% da área torácica e havia uma artéria umbilical única, além de escoliose toracolombar, onfalocele contendo fígado e alças intestinais, e um pé torto à esquerda. Não foi possível identificar a bexiga, nem os genitais externos. A ressonância magnética fetal confirmou a presença da mielomeningocele, sendo que não visualizou a bexiga, sugerindo uma possível extrofia de cloaca. A criança nasceu com 35 semanas e 5 dias de gravidez, apresentando escores de Apgar de 3 e 6. Ela possuía sexo indefinido e pesava 1930 g. A avaliação pós-natal foi compatível com o diagnóstico de extrofia de cloaca. A criança necessitou de cuidados intensivos, sendo que o acompanhamento cirúrgico já na gestação possibilitou que ela pudesse ser avaliada e tratada logo após o nascimento.
Conclusões: O conhecimento da presença de extrofia de cloaca e da extensão dos órgãos envolvidos na mesma ainda no período pré-natal pode auxiliar em muito no planejamento do nascimento e da terapia cirúrgica a ser realizada no período pós-natal. Isso pode ter uma implicação importante sobre a sobrevida dos pacientes.
eP2136
Liver transplantation in the setting of a spontaneous shunt between superior mesenteric vein and right renal vein
Sofia Zahler; Marcio F. Chedid; Aljamir D. Chedid; Ian J. M. Leipnitz; João E. Prediger; Angelo Z. D. Giampaoli; Cleber R. P. Kruel;
Bruno B. Lopes; Tomaz J. M. Grezzana-Filho HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Background: Portal vein (PV) thrombosis may trigger the occurrence of spontaneous portosystemic shunts. However shunts between the superior mesenteric vein (SMV) and the right renal vein (RRV) are very rare. Here, we describe the rare case of a liver transplantation (LT) in the setting of shunt between SMV and RRV. Case report: A 67-year-old white man presenting with Child C cirrhosis secondary to hemochromatosis and persistent encephalopathy was listed for LT. His appealed MELD score was 29.
Preoperative Doppler-ultrasound showed absence of blood flow in the intrahepatic PV system, portoportal venous collateral network, hepatopetal flow with low velocity and cavernomatous transformation of PV. Abdominal angiotomography confirmed the presence of cavernomatous transformation of the PV, and identified a large spontaneous shunt between the SMV and the RRV. The diameter of the SMV at the confluence level for formation of the PV was 1.4 cm. The patient underwent LT by receiving a liver from a 17-year-old brain-dead deceased donor victim of trauma. A large shunt between the SMV and the RRV was confirmed intraoperatively. Although there was no PV thrombosis, PV was atrophic and had a reduced flow. PV pressure was 22 mmHg, and after shunt ligation increas ed