eP2062
Abordagem da Fonoaudiologia na Disfagia Orofaríngea causada por um Astrocitoma Guilherme Briczinski de Souza; Julia de Souza Oliveira; Sheila Tamanini de Almeida
UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Introdução: O astrocitoma pilocítico é um glioma de grau I devido seu baixo potencial de malignização e pela possibilidade de cura, através de procedimento cirúrgico. A Disfagia Orofaríngea é um distúrbio da deglutição, podendo provocar alterações pulmonares, desidratação, desnutrição e levar ao óbito. Objetivo: relatar um caso de paciente com disfagia orofaríngea e astrocitoma pilocítico.
Relato de Caso: Paciente de 28 anos, sexo feminino, tabagista, dependente química, apresentou quadro de astrocitoma pilocítico submetida a cirurgia em 2015. Procurou em 2019 a emergência por febre e dispneia atribuída a sepse de foco pulmonar, com necessidade de Intubação Orotraqueal e Ventilação Mecânica Invasiva. Internada a 43 dias, se alimentando por sonda nasoentérica (SNE), foi solicitada avaliação fonoaudiológica da via oral (VO), cujo teste de deglutição direto e indireto evidenciaram alterações vocais, deglutição lenta, com duas deglutições por porção, ausculta cervical negativa durante todo o teste, sem saída de alimento corado (BLUE DYE TEST MODIFICADO), não apresentando sinal de aspiração laringotraqueal nas testagens realizadas. Os achados da avaliação indicaram um diagnóstico fonoaudiológico de disfagia orofaríngea leve com baixo risco de aspiração, estabelecendo progressão para dieta pastosa liquidificada e desmame da sonda. Apresentou recidiva de neoplasia, com impossibilidade de tratamento por apresentar performance funcional (PS) classificada em PS4, segundo a escala de Zubrod (ECOG).
Posteriormente apresentou episódios de aspiração laringotraqueal, cuja VO foi suspendida e solicitou-se videofluoroscopia da deglutição. Ao longo dos atendimentos da fonoaudiologia foi realizada terapia para promover alimentação segura, melhorar coaptação glótica, sendo realizado treino direto da deglutição com manobra de deglutição com esforço, exercícios de trato vocal semi-ocluído e firmeza glótica. Paciente teve alta hospitalar em cuidados paliativos, sem indicação de VO, pois não realizou videofluoroscopia da deglutição, se alimentando por SNE, com orientação de realizar oxigenoterapia em casa. Conclusão: A intervenção fonoaudiológica hospitalar contribuiu para a identificação da disfagia orofaríngea, minimizando os efeitos de uma introdução alimentar sem gerenciamento adequado. O caso demonstrou complexidade clínica e evolução desfavorável e prognóstico reservado para reabilitação da função de deglutição em um tumor recidivante de sistema nervoso central.
eP2097
Estágio em ambulatório especializado em próteses auditivas: um relato de experiência Sabrina Nuñes Gonçalves; Adriane Ribeiro Teixeira; Adriana Laybauer Silveira
HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Introdução: O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) é credenciado pelo Ministério da Saúde para a adaptação de próteses auditivas. Em 2016 foi criado um estágio curricular supervisionado em seleção e adaptação de próteses auditivas, direcionado para alunos do curso de Fonoaudiologia da UFRGS. Objetivos: Destacar a importância do ambulatório especializado em seleção e adaptação de próteses auditivas para as atividades da graduação. Metodologias: O tempo de duração do estágio é de dois semestres letivos. Inicialmente todos os alunos matriculados participam de capacitações, a fim de conhecerem os modelos de próteses auditivas dispensados no HCPA (capacitação ministrada pelos fonoaudiólogos das empresas cadastradas). São abordadas ainda as rotinas do ambulatório. Passado o período de capacitação, os alunos iniciam os atendimentos supervisionados. No primeiro dia de atendimento, com cada um dos pacientes, são realizadas a anamnese e a avaliação audiológica (meatoscopia, audiometria tonal via aérea e via óssea, audiometria vocal, medidas de imitanciometria, limiares de desconforto auditivo, audiometria tonal e vocal em campo livre sem prótese auditiva) e confecção do pré-molde da orelha externa. Ainda são aplicados questionários para avaliar as expectativas do usuário e impactos emocionais e sociais da perda auditiva para o sujeito. No segundo encontro são realizados o teste de prótese, medidas com microfone sonda ou medidas de ganho funcional. No terceiro dia de atendimento é realizada a entrega das próteses auditivas e orientações quanto ao uso e manuseio das mesmas. Quinze dias após, o paciente retorna para a verificação da adaptação, aconselhamentos, novos ajustes e encaminhamento para fonoterapia, se necessário.
Observações/modificações de práticas: Ao longo dos quatro anos do estágio, foram realizados 726 atendimentos, com a entrega de novas próteses auditivas para 170 pacientes. Participaram como estagiários, de 2016 a 2019, 42 alunos. Destes, 11 (26,19%) atuam após a formatura, na área de audiologia e/ou protetização auditiva. Neste período foram elaborados ou estão em andamento sete trabalhos de conclusão de curso de Fonoaudiologia. Estes trabalhos geraram dois capítulos de livros, dois artigos e 17 resumos publicados em anais de congressos. Assim, além de contribuir para a formação acadêmica, o estágio ainda proporciona atividades de iniciação cientifica.
eP2107
Efeito da idade na latência do potencial Cortical P300: comparação entre crianças e adultos Aline Pinto Kropidlofscky; Camila Goldstein Fridman; Bruna Teixeira; Pricila Sleifer
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Introdução: O P300 define-se como um potencial relacionado a um evento ou atividade cognitiva, envolvendo habilidades de atenção, discriminação, reconhecimento, nomeação e memorização da informação auditiva. O P300 exige a execução de tarefa comportamental cognitiva e uma resposta ativa do indivíduo avaliado. Esse potencial tem sido enfatizado, nas pesquisas atuais, como um instrumento de investigação clínica do processamento auditivo central, relacionado principalmente com os processos cognitivos. Portanto, a relação entre a latência do P300 e o processamento cognitivo torna interessante a análise do efeito da idade sobre este componente. Objetivo: Comparar a latência do P300 entre crianças e adultos normouvintes, sem queixas auditivas.
Métodos: Estudo transversal e comparativo. Participaram do amostra 62 crianças com idade entre 8 e 11 anos, sendo 31 do gênero feminino e 31 do masculino, assim como 55 adultos, sendo 29 do gênero feminino e 26 do masculino. Todos os participantes apresentavam limiares auditivos normais, confirmados pela audiometria tonal liminar, audiometria vocal e medidas de imitância acústica. A avaliação do potencial cortical foi realizada com o equipamento Masb ATC Plus, da marca Contronic®, com fone de inserção eartone 3A. Os eletrodos foram fixados nas posições Fpz (terra), Fz (ativo) e em M1 e M2 (referência). Utilizou-se os estímulos de 1000 e 2000Hz, na forma de Oddball Paradigm, sendo 80% de estímulos frequentes e 20% de estímulos raros. Os participantes foram orientados a contar os estímulos raros. A onda P300 foi marcada no pico de maior amplitude, após o complexo N1-P2. Os dados foram tabulados e analisados por meio do teste estatístico não paramétrico Mann Whitney no programa SPSS versão 20.0. Resultados: Não houve diferença estatística entre os gêneros e entre as orelhas nos dois grupos pesquisados. Nas crianças, a média de latência foi 304,48ms (DP=13,97), enquanto nos adultos foi de 295,6ms (DP= 23,6). Houve diferença estatisticamente significante entre as médias de latência nos grupos (p=0,039). Conclusões: Na amostra estudada verificou-se diferença significativa entre os grupos pesquisados, além de uma correlação inversa entre idade e latência, ou seja, a latência tende a diminuir com o aumento da idade.
eP2171
Atuação fonoaudiológica na emergência após implementação do Projeto Lean Karoline Terezinha Quaresma; Simone Augusta Finard; João Paulo Nogueira
HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Introdução: A presença do fonoaudiólogo nas emergências do Brasil ainda pode ser considerada como insólita. Em 2011, apenas 0,39% atuavam em pronto socorros. A Fonoaudiologia de caráter emergencial baseia-se na avaliação do sistema estomatognático e funções neurovegetativas do paciente, principalmente identificando alterações da deglutição. A partir de Novembro de 2018, iniciou- se a implementação do Projeto Lean na emergência de um hospital público de Porto Alegre, propondo mudanças a fim de qualificar a assistência ao paciente. Metodologia: O Projeto Lean nas emergências é um trabalho do Ministério da Saúde com o intuito de reduzir a superlotação nas urgências e emergências de hospitais públicos e filantrópicos. Utiliza técnicas e estratégias que buscam diminuir o desperdício de recursos através da redução do tempo de permanência, melhorando o fluxo de internações e altas da emergência e, com isso, a baixa qualidade nos atendimentos associados à superlotação. As intervenções fonoaudiológicas vão ao encontro do que é proposto pelo projeto, visam evitar a piora do prognóstico do paciente relacionada, essencialmente, às questões respiratórias, diminuindo assim o tempo de internação, reinternação e, consequentemente, custos hospitalares. Entretanto, com as modificações propostas pelo projeto, houve também alterações no caráter dos atendimento fonoaudiológicos. Neste trabalho foram considerados os dados respectivos aos atendimentos realizados de março de 2019 a maio de 2019, em comparação ao mesmo período em 2018.
Modificações de práticas: Observou-se um maior número de pacientes atendidos na emergência com o aumento de primeiras avaliações e reavaliações, embora com diminuição do número de atendimentos terapêuticos. Esses achados estão, de certa forma,
em consonância com a redução do tempo de permanência desses pacientes após a implementação do projeto Lean. Considerações:
A intervenção fonoaudiológica na emergência vem adaptando-se para atender às novas demandas, atuando precocemente e, assim, diminuindo os riscos de complicações pulmonares por aspiração. Isso ocorre com a escolha da via de alimentação e das consistências mais seguras para consumo por via oral, e, quando possível, iniciando a reabiltação. É necessário que, a longo prazo, sejam observados dados a fim de aferir o impacto em relação à qualidade da assistência oferecida, no que diz respeito ao número de reinternações e do seguimento do acompanhamento fonoaudiológico, quando necessário.
eP2172
Disfagia Orofaríngea após intubação orotraqueal traumática em um caso de calculose renal Karoline Terezinha Quaresma; Simone Augusta Finard
HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Introdução: A Intubação orotraqueal (IOT) está comumente relacionada ao surgimento de lesões nas estruturas orofaciais e faringolaríngeas podendo resultar em disfagia orofaríngea. A ocorrência de disfagia após uma IOT prolongada, considerada acima de 48 horas, aumenta o risco para desnutrição, desidratação, aspiração e, consequentemente, para o tempo de internação em torno de 3% a 62% dos casos. A prevalência de disfagia em pacientes submetidos à IOT acima de 48 horas já é amplamente estudada, entretanto são raros os casos descritos na literatura acerca das intubações traumáticas com tempo inferior a 24 horas de duração, e sua correlação com a ocorrência de disfagia. Descrição do caso: Paciente de 73 anos, masculino, com calculose renal à esquerda.
Histórico de Nefrolitotripsia percutânea com necessidade de nefrostomia devido à lesão ureteral, sendo submetido a duas IOT em um período inferior a 24 horas. Foi encaminhado à emergência de um hospital público, 13 dias após a alta hospitalar, devido a queixas de febre, inapetência e tosse seca. Na avaliação fonoaudiológica inicial, identificaram-se alterações vocais como a presença de rugosidade, de diminuição da intensidade vocal e dos tempos máximos de fonação associados à tosse constante com piora à fonação. Na avaliação funcional da deglutição, constataram-se alterações nas fases preparatória oral e faríngea caracterizadas por episódios de tosse ao introduzir o alimento sólido na cavidade oral, durante as deglutições das consistências sólidas e líquidas e após as mesmas. O diagnóstico fonoaudiológico foi de disfonia e disfagia orofaríngea leve a moderada, provavelmente associadas a trauma e consequente hipersensibilidade da região laríngea após a IOT. Foi realizado exame de Nasofibroscopia descrevendo o quadro como presbifonia possivelmente acentuada por trauma em intubação. Como intervenção fonoaudiológica, foram realizadas adaptações quanto à consistência da dieta prescrita e orientações de cuidados vocais com boa evolução. O paciente foi diagnosticado com infecção urinária, necessitando permanecer em internação hospitalar por duas semanas, progredindo com melhora do quadro de infecção e de disfagia. Conclusão: Verificou-se a presença de alterações fonoaudiológicas, tanto de caráter estrutural quanto funcional pós-IOT traumática. Assim, ressalta-se a necessidade de identificar as alterações na deglutição e na voz em pacientes submetidos à IOT, mesmo em casos com tempo de intubação inferior a 24 horas.
eP2261
Intervenção fonoaudiológica na Esclerose Sistêmica: relato de caso Júlia Fabre Renke; Simone Augusta Finard
HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Introdução: A esclerose sistêmica (ES) é uma doença crônica caracterizada por inflamação crônica provavelmente decorrente de autoimunidade, lesão generalizada dos pequenos vasos e fibrose intersticial e perivascular progressiva na pele e em múltiplos órgãos. Em relação aos aspectos fonoaudiológicos, foram descritos na literatura achados como disfagia orofaríngea, dificuldade na mastigação, alterações vocais, limitação dos movimentos mandibulares e perda auditiva. Em vista disso, o objetivo deste trabalho foi descrever os achados e a intervenção fonoaudiológica em um caso de esclerose sistêmica. Descrição do caso: Trata-se de um relato de caso de uma paciente do sexo feminino, 53 de idade, com diagnóstico de ES desde os trinta e oito anos. Encaminhada à avaliação fonoaudiológica no Serviço de Fisiatria de um hospital público com queixas de dificuldades para deglutir alimentos sólidos e de limitação da abertura da boca. Foram coletados os dados do prontuário médico e realizada a avaliação fonoaudiológica pré e pós-intervenção. Na avaliação fonoaudiológica inicial, o valor da antropometria facial (máxima abertura de mandíbula entre os pontos subnasal e mentual) foi de 87,21 mm. Na avaliação funcional da deglutição, constataram-se alterações para o consumo da consistência sólida, com deglutições múltiplas, excursão laríngea reduzida e estase faríngea. Prescreveu-se o uso de manobra de limpeza com deglutições múltiplas e com esforço, além de dois exercícios miofuncionais para mobilidade faringolaríngea e um para incremento da abertura de boca, a serem realizados diariamente. Após dois meses de acompanhamento, o valor encontrado na antropometria facial foi de 93,95 mm e a paciente não referiu mais queixas durante a deglutição de alimentos e líquidos. Conc lusão:
Verificou-se a presença de alterações orais e faringolaríngea do ponto de vista estrutural e funcional associadas à ES, bem como melhora funcional da deglutição após a intervenção fonoaudiológica.
eP2326
Impacto de um ambulatório de Disfagia Infantil na intervenção dos distúrbios alimentares e suas complicações Caroline Aguirre Christovam; Deborah Salle Levy
UERGS - Universidade Estadual do Rio Grande do Sul
Introdução: A dificuldade de engolir, disfagia, é conceituada como qualquer interrupção nas fases de deglutição que acarreta um comprometimento da segurança, eficiência ou adequação da ingestão nutricional. Em crianças, a disfagia interfere negativamente no crescimento e desenvolvimento do indivíduo, tornando-se essencial a sua identificação precoce, bem como seu gerenciamento adequado. A aspiração é a consequência mais grave da disfagia e pode acarretar em diversos problemas respiratórios que expõe os paciente a um elevado número de radiografias de tórax, reinternações hospitalares e antibioticoterapia, que impactam em aspectos econômicos da saúde. Objetivo: Verificar a relação entre uso de antibiótico, realização de radiografias do tórax e reinternações por complicações pulmonares pré e pós ingresso em um ambulatório de Disfagia Infantil (ADI) de um hospital referência. Método: Estudo retrospectivo com base na análise de prontuários. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o número de parecer 1.283.734.
Critérios de inclusão: pacientes atendidos no ambulatório de disfagia infantil entre março de 2013 e junho de 2019 e com faixa etária entre 0 e 18 anos. Critérios de exclusão: pacientes em que não foi possível realizar a avaliação clínica nas duas primeiras consultas
e/ou que receberam alta na primeira consulta. A análise dos dados descritivos foi feita utilizando o SPSS versão 23. Para as variáveis de quantidade de Radiografias de tórax, internações por motivos respiratórios e uso de antibiótico foi usado o teste de McNemar. O nível de significância adotado foi 5% (p <0.05%). Resultados: A amostra foi composta por 250 indivíduos, com uma média de ida de igual a 46,36 meses, sendo 161 (64,6%) do sexo masculino. A patologia de base prevalente foi a neurológica contando com 118 (47,2%) pacientes. A via oral exclusiva de alimentação esteve presente em 165 (66%) indivíduos, sendo que 53 (21,2%) possuem via alternativa exclusiva. Ao todo 32 (12,8%) pacientes possuem via de alimentação mista, sendo a SNE a mais prevalente 44 (17,6%).
As variáveis de quantidade de radiografia de tórax, reinternações por motivo respiratório e uso de antibioticoterapia demonst raram redução significativa (p<0.01) após ingresso no ADI. Conclusão: Ambulatórios de disfagia infantil podem reduzir gastos hospitalares com realização de exames e reinternações, beneficiando os pacientes e evitando uso excessivo de antibioticoterapia e complica ções pulmonares decorrentes da disfagia.
eP2371
Análise dos achados do Mismatch Negativity em crianças com Fissura Palatina Marília Santos de Lima; Michelle Vieira Felix; Claudine Devicari Bueno; Sílvia Dornelles; Pricila Sleifer UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Introdução: A Fissura Labiopalatina (FLP) é uma malformação craniofacial que caracteriza-se por falhas no processo de fusão de estruturas embrionárias até a 12ª semana de gestação. Devido essas falhas no desenvolvimento craniofacial, crianças acometidas por fissura labiopalatina podem apresentar alterações auditivas. O Mismatch Negativity (MMN) mostra-se como um instrumento em potencial para complementar a avaliação audiológica dessa população, que podem apresentar comprometimento nas habilidades auditivas centrais. Objetivo: Analisar as respostas do MMN em crianças com FLP e comparar com grupo controle. Métodos: Estudo do tipo transversal e comparativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob número 79348017. A casuística foi composta por 45 crianças, divididas em grupo estudo (fissura palatina completa) e grupo controle, pareado por idade e sexo. Para execução do procedimento eletrofisiológico MMN, os eletrodos foram fixados em Fz (eletrodo ativo), M1 e M2 (eletrodos de referência) e na fronte (eletrodo Terra). A intensidade utilizada foi de 70 dBNA, o estímulo frequente utilizado foi de 750 Hz e o estímulo raro de 1. 000 Hz.
Resultados: Na análise comparativa entre orelha direita e orelha esquerda do grupo com fissura palatina, não foi encontrada diferença estatisticamente significante para os valores de latência e amplitude. Igualmente, não foram detectadas diferenças de latência e amplitude para nenhuma das orelhas em relação ao sexo feminino e masculino. Os valores de latência do MMN foram aumentados no grupo estudo de crianças com fissura palatina. Verificou-se diferença estatisticamente significativa nos valores de latência na comparação entre os grupos controle e estudo (p≤0,001). Conclusão: Na amostra estudada as crianças com fissura palatina apresentam latências aumentadas na avaliação do MMN quando comparadas ao grupo controle, indicando alteração nas habilidades de discriminação auditiva, atenção involuntária e memória sensorial do processamento auditivo central.
eP2604
Biomechanics of deglutition: main findings on children with cerebral palsy Priscilla Poliseni Miranda; Alana Verza Signorini; Deborah Salle Levy; Lauren Medeiros Paniagua HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Introduction: In the scientific literature, it is described that dysphagia is prevalent among patients with nervous system alteration’s. The videofluoroscopy exam helps to complement the clinical evaluation of swallowing, allowing a better management of the cases and diagnoses aspiration. For children with cerebral palsy, early speech therapy is recommended, both for swallowing assessment and language stimulation. Objectives: Describe the main findings of swallowing biomechanics in pediatric patients with cerebral palsy, followed in a hospital of high complexity. Methods: Cross-sectional study with historical and contemporary data. This work is part of a bigger project, which included 15 pediatric patients with cerebral palsy diagnosis who underwent videofluoroscopy of swallowing. The exam data were compiled according to consistencies offered and altered findings. Results: The age of the children varied between 2 months to 16 years (median age 4 years). There was a higher prevalence among males (11 males and 4 females). Most relevant data were with liquid and puree consistency. For puree consistency the main findings were slow oral transit (7/15), posterior leak age (10/15) and silent aspiration (3/15). For liquid consistency nasal reflux (5/15), posterior leakage (9/15) and penetration (4/15) were more substantial. Even with thickened liquids, posterior leakage occurred in the same frequency and penetration remained almost the same (9/15). Conclusion: Videofluoroscopy is important to complement the diagnosis and management of dysphagia, allowing analysis of dynamic findings on the phases of swallowing. The results show’s that the strategy of thickening of liquids should be evaluated with caution, since it did not diminish the occurrence of posterior leakage and penetration.
eP2707
Suscetibilidade à Cinetose em crianças: comparação entre o autorrelato das crianças e a percepção dos pais Bruna Teixeira; Camila Goldstein Fridman; Aline Pinto Kropidlofscky; Pricila Sleifer
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Introdução: A cinetose, também conhecida como enjoo do movimento, caracteriza-se pela intolerância ao movimento, devido a um conflito sensorial entre os sistemas visual, proprioceptivo e vestibular. Na população infantil, a cinetose é bastante frequente, mas o seu difícil diagnóstico acaba subestimando a prevalência nesse grupo. Estudos referem que a prevalência de tonturas de origem vestibular na população infantil é de 7,7%. As alterações vestibulares pediátricas possuem grande importância no desenvolvimento infantil, podendo acarretar uma série de repercussões, como alterações na linguagem oral, na escrita e leitura. Objetivos: Comparar o autorrelato das crianças avaliadas e a percepção dos pais em relação a suscetibilidade à cinetose dessas crianças. Método: Estudo transversal e comparativo, do qual participaram 26 crianças em idade escolar, de ambos os sexos, e 26 pais e/ou responsáveis das respectivas crianças. Para avaliar a suscetibilidade à cinetose, foi aplicado o Motion Sickness Questionnaire Short Form (MSSQ) em formato de entrevista, realizado individualmente com cada criança e com cada pai e/ou responsável, separadamente. O instrumento é composto por nove ambientes e/ou estímulos que desencadeiam a cinetose, incluindo meios de transporte e entretenimento. A pesquisa possui aprovação no comitê de ética e pesquisa (nº 34632). Resultados: Houve correlação estatisticamente significante entre o autorrelato das crianças e a percepção dos pais em relação à ocorrência de cinetose em seus filhos (p=0,035). Verificou-se