A competência em razão do lugar, tida também como territorial ou ratione loci, ou ainda, como de foro, relaciona-se com base nos espaços geográficos entre os quais atua o órgão jurisdicional.
Os órgãos jurisdicionais trabalhistas são distribuídos em localizações aptas para o atendimento dos litígios, cabendo a cada um deles operar o poder jurisdicional conforme os limites impostos pela circunscrição onde se situam.
Desse modo, para propor uma ação trabalhista, será de suma importância a verificação das regras da competência em razão do lugar, a qual procura facilitar o procedimento para o trabalhador, evitando assim, a sua locomoção e gastos que o mesmo haveria de ter.
A competência em razão do lugar é aquela determinada às Varas do Trabalho, segundo Almeida101 a considera como:
(...) a que define a abrangência do poder jurisdicional, relativamente à área física em que se encontram as partes e/ou onde elas praticam os atos dos quais decorre o litígio. É o limite territorial para o exercício da atividade do órgão ou autoridade judiciária.
As regras da competência no âmbito trabalhista, em razão do lugar estão dispostas no artigo 651 da CLT, sendo, portanto, diferente da regra geral do artigo 94 do Código de Processo Civil102 onde será competente o juízo no foro do domicílio do réu, não havendo o que se falar em aplicação subsidiária do CPC neste particular.
101 ALMEIDA, Isis de. Manual de direito processual do trabalho. 9 ed. São Paulo: LTr, 1998. p.
456.
102 Doravante denominado CPC.
Assegura Martins103:
O objetivo da lei é que o empregado possa propor a ação no local em que tenha condições de melhor fazer sua prova, que é no local onde por último trabalhou, fazendo com que o empregado não tenha gastos desnecessários para ajuizar a ação. Entretanto, mesmo que a matéria seja de direito, deve a ação ser proposta no último local da prestação de serviços do empregado.
O caput do artigo 651 da CLT não propõe a exigência do empregado ser brasileiro, entretanto o § 2º do mesmo artigo prevê a nacionalidade brasileira do empregado. Assim, percebe-se que o mesmo pode ser estrangeiro.
Três são as regras destinadas a indicar a Vara perante a qual a questão deve ser proposta. Primeiramente, o órgão sob o qual o processo será oferecido, será a Vara do local da prestação de serviços, e não no local onde foi contratado.
Em segunda linha, para agente ou viajante comercial (artigo 651, § 1º da CLT), visto que estão sempre se deslocando para localidades diferentes, assim, a Vara competente será da localidade onde prestam contas dos seus serviços ao superior hierárquico, ou na falta desta, a competência será da Vara da localidade em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima.
Entende-se por domicílio o local estabelecido pelo empregado para compor sua residência com ânimo definitivo104.
Terceira regra, para empresas que possuem atividades em diversas localidades (artigo 651, § 3 da CLT), a Vara competente será aquela em que ocorreu a celebração do contrato ou poderá ser também a da prestação dos respectivos serviços.
103 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2005. p. 153.
104 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2005. p. 155.
Deve-se entender por empresas as quais promovem atividades em diversas localidades: empresas de reflorestamento, em atividades circenses, artísticas, feiras, exposições, instalação de caldeiras, promotora de rodeios etc. Nessas atividades, o empregado é requisitado para a prestação de serviços em atividades de cunho eventual, transitórias e incertas105.
No caso de transferência do empregado, a competência será do último lugar para onde o trabalhador foi transferido, nesse caso, onde a ação será intentada, salvo na hipótese da transferência não se consumar, como é o caso da transferência provisória. No caso em que o empregado não aceita a transferência, a Vara local em que continua a realizar a prestação de serviços será competente em razão do lugar.
A competência em razão do lugar, para Peixoto106: “está ligada à subdivisão competência relativa, porque as partes contratantes podem escolher, expressa ou tacitamente, a localidade onde pretendem demandar”.
Salienta Veiga Junior107:
(...) para fins do direito processual do trabalho, é aquela que se estabelece, em regra, pelo local da prestação de serviços, independentemente do domicílio ou local de contratação do empregado.
É atribuída às Varas do Trabalho a competência em razão do lugar, visto que são órgãos de primeira instância da Justiça do Trabalho, que tem competência para examinar as questões que lhe são submetidas dentro de um espaço geográfico determinado, que pode ser de um ou de alguns Municípios.
A atribuição da competência não é exclusiva para a Vara do Trabalho, tendo em vista que os Tribunais Regionais do Trabalho e o Tribunal
105 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2005. p. 157.
106 PEIXOTO, Bolívar Viégas. Iniciação ao processo individual do trabalho: poder judiciário e administrativo da justiça. 1996. p. 36
107 VEIGA JUNIOR, Celso Leal da. A competência da justiça do trabalho e os danos morais.
2000. p. 45.
Superior do Trabalho também possuem competência em razão do lugar, em se tratando de competência originária. O professor Bezerra Leite em seu livro destaca um pensamento brilhante sobre o tema: “O TST possui competência ratione loci sobre todo o território brasileiro”108.
A competência em razão do lugar é relativa, devendo sempre ser argüida, se isto não acontecer, poderá ser entendido como competente o juízo que fora declarado inicialmente incompetente.
Todas as cidades do Estado de Santa Catarina estão investidos de jurisdição, podendo assim, todos os litígios da área trabalhista serem apreciados na mesma, não necessitando serem julgados na Justiça Comum.
Conclui-se dessa forma que é de suma irrelevância definir o local em que o empregado reside para ser fixada a competência, entretanto, relevante é o local onde o mesmo presta serviço.