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D EPOIS DA E MENDA C ONSTITUCIONAL N º 45/2004

No documento DANO MORAL NO DIREITO DO TRABALHO - Univali (páginas 65-68)

2.6 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA PROCESSAR E

2.6.2 D EPOIS DA E MENDA C ONSTITUCIONAL N º 45/2004

COMPETÊNCIA – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO – DANOS MORAIS E MATERIAIS – DEMANDA FUNDADA EM FATO DECORRENTE DA RELAÇÃO DE TRABALHO – É competente a Justiça do Trabalho para processar e julgar ação de responsabilidade civil proposta por trabalhador contra seu ex-empregador em decorrência de danos materiais e morais ocasionados durante a relação empregatícia. Precedentes do STF e do STJ – Recurso especial conhecido e provido. (STJ – Ac. 1995000315661 – Resp.

68.501 – RJ – 4ª T. – Rel. Min. Barros Monteiro – DJU 17.12.1999 – p. 370).

Haja vista já ter um entendimento unânime acerca da competência para a apreciação do pedido de reparação de danos morais e materiais decorrentes da relação de emprego, constata-se que essa competência pertence de maneira afirmativa à Justiça do Trabalho, como veremos a seguir com a EC 45/2005.

Ocorrendo a mudança do art. 114 da Constituição Federal em decorrência da referida Emenda tem-se que:

Art. 114- Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:

I- as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

II- as ações que envolvam exercício do direito de greve;

III- as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores;

IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição;

V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o";

VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho;

VII - as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho;

VIII- a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir;

IX - outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.

Assim, com entendimento unânime, compete exclusivamente a Justiça do Trabalho processar e julgar as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho.

Nesse sentido assevera Martins126:

O inciso I do art. 114 da Constituição faz menção à competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações oriundas da relação de trabalho.

Percebe-se no entanto, que a competência da Justiça do Trabalho está expressa no art. 114 da Constituição Federal, não havendo mais divergências a serem analisadas.

No próximo capítulo analisaremos a mensuração do dano moral trabalhista, os sistemas de reparação do dano moral, os critérios de fixação do quantum compensatório e o entendimento jurisprudencial do Tribunal Regional do Trabalho da 12º Região de Santa Catarina.

126 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 25 ed. São Paulo: Atlas, 2006. p. 92.

A MENSURAÇÃO DO DANO MORAL TRABALHISTA

3.1 A REPARAÇÃO DO DANO MORAL TRABALHISTA

A reparação do dano moral era assunto de idéias controvertidas na doutrina nacional, somente ocorrendo a pacificação, na ordem constitucional brasileira com a vinda da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que prevê indenizações por dano moral no art. 5º, incisos V e X e conforme preceitua Santos127:

Não obstante tais posicionamentos contrários, a tese da reparabilidade do dano moral ganhou no Brasil assento constitucional, vez que negar a sua reparação seria negar a existência de um patrimônio ideal, íntimo, espiritual, que constitui uma área reservada de uma pessoa, configurando seus direitos de personalidade, do qual deriva o interesse jurídico à esfera privada.

Com relação à natureza jurídica da reparação do dano moral, existe divergência acerca do pagamento ser uma pena ou uma compensação.

Aos adeptos da teoria da pena, o que a condenação ao pagamento de danos morais visa não é a satisfação da vítima, mas sim o castigo do autor da ofensa. Nessa teoria, as perdas e danos possuem caráter punitivo e exemplar.

A reparação do agravo moral sofrido pela vítima não pode ser considerado como pena, pois esta possui um caráter sancionador, a qual

127 SANTOS, Enoque Ribeiro dos. O dano moral na dispensa do empregado. São Paulo: LTr, 1998. p. 78.

objetiva ao causador do dano uma punição totalmente diferente da reparação, a qual procura minorar a ofensa causada à vítima.

A pena tem aplicação personalíssima, ou seja, não pode ser cumprida por outra pessoa a não ser o autor do dano, é intransmissível. No que tange a indenização do dano moral, essa pode ser assumida por pessoa diferente daquela que efetivamente realizou o ato lesivo.

Ocorrendo a violação de uma norma jurídica, com o cometimento de um ato ilícito, leva alguns doutrinadores a reconhecer a natureza da reparação do dano moral como sendo uma pena para o lesionador, ou seja, cumprindo uma pena pela ofensa, sendo assim, sofre pelo sofrimento que infligiu tendo o seu patrimônio reduzido, nesse sentido comenta Santos128:

Certo é que a indenização pecuniária, no sentido de compensação ao lesado, tem reciprocamente um sentido de “pena” para o lesionador, que terá o seu patrimônio reduzido em valor equivalente ao montante da indenização, em decorrência do ato lesivo (...); o lesionador que punitivamente paga pelos seus atos inconseqüentes, é forma de o Estado agir para conseguir o equilíbrio de forças antagônicas.

Diferentemente na visão dos doutrinadores que seguem a teoria da compensação, a reparação, reside no pagamento de uma soma pecuniária, arbitrada judicialmente, a fim de obter uma satisfação compensatória pelo dano sofrido, diminuindo as conseqüências da lesão129.

Buscando o ensinamento de Reis130:

Assim, todos os doutrinadores são uniformes em defender a tese de que a função da reparação dos danos morais é meramente compensatória. E nem poderia ser diferente, visto que, na reparação do dano patrimonial, as coisas são restituídas ao seus status quo ante ou seu equivalente.

128 SANTOS, Enoque Ribeiro dos. O dano moral na dispensa do empregado. 1998. p. 79.

129 PAMPLONA FILHO, Rodolfo. O dano moral na relação de emprego. 2 ed. rev., ampl. e atual.

São Paulo: LTr, 1999. p. 75.

130 REIS, Clayton. Dano moral. 1998. p. 89.

Assim, a indenização pelo dano moral terá um sentido compensatório, objetivando mitigar a dor sofrida pelo ato ilícito e lhe proporcionando momentos de bem estar.

Mas em certos momentos, não podendo fazer desaparecer a dor, como no caso da perda de um filho, nem mesmo atenuá-la, mas, em todo caso exerce a função de contrapeso da sensação negativa, isto é, a função compensatória131.

Tem-se, pois, que a reparação dos danos morais, com a condenação do ofensor, representa uma forma de reprimir as atitudes que comprometem a moral social, apresentando-se indispensável para a conservação do bem estar social.

Conforme Bittar132:

(...) de fato, na idéia de reparação não se insere apenas a noção de atribuição de valor pecuniário em substituição à obrigação descumprida ou em paga a lesão causada. De início, é na recomposição do equilíbrio rompido pela ação lesiva que encontra a sua razão (...); por isso, quando se estipula a entrega de certa soma ao lesado não se está senão objetivando a restauração da posição atingida.

Deste modo, a reparação dos danos morais, além de constituir um direito maior do indivíduo, é também um dever que a sociedade impõe aos seus componentes, onde não ocorrendo essa reparação de valores poderia constituir em fator de desagregação da sociedade, eis que o mais nobre dos patrimônios do espírito humano ficaria sem defesa133.

Percebe-se de certa forma, que a reparação dos danos morais pode ter conseqüências jurídicas de caráter penal, mas enquanto incerto o

131 MORAES, Gardênia Borges. Dano moral nas relações de trabalho. São Paulo: LTr, 2003 p.

68.

132 BITTAR, Carlos Alberto. Os direitos da personalidade. Rio de Janeiro: Forense, 1995. p. 68.

133 REIS, Clayton. Dano moral. Rio de Janeiro: Forense, 1998. p. 103.

ato produtor dos danos morais na órbita civil, não tem caráter de pena, sendo apenas de caráter compensatório.

No que diz respeito à responsabilidade do empregador por ato de seus empregados, serviçais ou prepostos, introduziu-se o entendimento da culpa presumida do empregador, por atos praticados por seus empregados, gerando para aquele a obrigação de reparar os danos causados por estes, assim, dispõe a Súmula nº 341 do Supremo Tribunal Federal:

É presumida a culpa do patrão ou comitente por ato culposo do empregado ou preposto.

A idéia é a de que aquele que prestar serviços sob as ordens de outro ou em evidente dependência funcional, ou que se faz substituir no exercício das funções, responde pelos atos dos que exercem a substituição.

Assim, a responsabilidade do patrão pelos atos do preposto só pode ser eliminada quando o fato danoso, por este praticado, não guardar relação nenhuma com a sua condição de empregado.

Dessa forma, tem-se na esfera privada de interesses, a reparação pecuniária dos danos morais em caráter sancionatório. Nesse sentido, pode-se afirmar, com o ensinamento de Cahali134:

O direito moderno sublimou, assim, aquele caráter aflitivo da obrigação de reparar os danos causados a terceiro, sob a forma de sansão legal que já não mais se confunde, embora conserve certos requisitos, com o rigoroso caráter de pena contra o delito ou contra a injúria, que lhe emprestava o antigo direito, apresentando-o agora como conseqüência civil da infração de conduta exigível, que tiver causado prejuízo a outrem.

A reparação dos danos morais, como visto, possui caráter sancionatório havendo a intenção de indenização no que diz respeito as hipóteses de ocorrência de danos materiais, sendo possível determinar com certa precisão o valor do dano sofrido.

134 CAHALI, Yussef Said. Dano moral.São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. p. 39.

Além disso, busca-se apagar as conseqüências do fato danoso, na intenção de compensação ao autor do dano conceder à vítima, através da determinação da quantidade arbitrada, um benefício ou prazer que minore a dor.

Nesse sentido Pamplona135 nos ensina que “na reparação do dano moral, o dinheiro não desempenha função de equivalência, como no dano material, mas sim, função satisfatória”.

Na mesma opinião subscreve Florindo136 que “a indenização, em dinheiro, na reparação dos danos morais é meramente compensatória, isto porque não se pode restituir a coisa ao seu status quo ante, voltando, por conseguinte, ao estado primitivo, como se faz na reparação do dano material”.

Em relação a atual doutrina, tem-se a argumentação de que o sentido compensatório e o efeito da pena têm sido estudo de diversos doutrinadores modernos, considerando assim, que a reparação do dano moral tem caráter de pena e de satisfação compensatória, simultaneamente.

Assevera Pereira137:

Quando se cuida de dano moral, o fulcro do conceito ressarcitório acha-se deslocado para a convergência de duas forças; caráter punitivo para que o causador do dano, pelo fato da condenação, se veja castigado pela ofensa que praticou; e o caráter compensatório para a vítima, que receberá uma soma que lhe proporcione prazeres como contrapartida do mal sofrido.

Alguns doutrinadores acrescentam outra faceta da reparação dos danos morais, de efeito mais diluído no meio social, expressa pelo sentido intimidativo ou preventivo que esta possui, determinado pelo desestímulo que representa para os possíveis lesantes que, a par da desvantajosa expectativa

135 PAMPLONA FILHO, Rodolfo. O dano moral na relação de emprego. 1999. p. 75.

136 FLORINDO, Valdir. Dano moral e o direito do trabalho. 3 ed. rev. e ampl. São Paulo: LTr, 1999. p. 188.

137 PEREIRA, Caio Mario da Silva. Responsabilidade civil. 1998. p. 55.

que se apresenta, trazida pelo ônus que terá de suportar em tendo produzido danos morais, que o leva, ao menos em tese, a refletir se vale a pena agir de determinada forma138.

No que diz respeito a reparação do dano moral preceitua Reis139:

(...) quaisquer que sejam os critérios adotados, a nível de reparação pecuniária ou obrigação de fazer ou deixar de fazer, o que importa é que os danos morais sejam reparados.

De uma maneira geral, conclui-se que a reparação dos danos morais tem natureza sancionatória e compensatória, objetivando mitigar a dor sofrida e lhe proporcionar momentos de felicidade e bem estar, mas não obtendo a especialidade de pena, decorrente de um ato ilícito.

3.2 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA JULGAR E MENSURAR DEMANDAS QUE ENVOLVAM DANO MORAL DECORRENTE DA RELAÇÃO DE TRABALHO

Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 45 de 08 dezembro de 2004, com posterior publicação no Diário Oficial da União na data de 31 de dezembro de 2004, estendeu-se de forma expressiva a competência material destinada à Justiça do Trabalho.

A competência da Justiça do Trabalho está disciplinada no art. 114 da Constituição Federal que estabelece competência: (a) típica, que é a que envolve empregado e empregador; (b) decorrente da previsão legal, como ocorre na hipótese do inciso III da alínea a, do art. 652 da CLT; (c) competência para executar sua próprias sentenças, inclusive coletivas140.

138 MELLO JUNIOR, David Alves de. Síntese Trabalhista. São Paulo, v. 5, out. 1998.

139 REIS, Clayton. Dano moral. 1998. p. 85.

140 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2006. p. 92.

De acordo com o doutrinador Martins141:

O inciso I do art. 114 da Constituição faz menção à competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações oriundas da relação de trabalho. Relação de trabalho é gênero, que compreende a relação de emprego (...) que está compreendida na competência da Justiça do Trabalho.

Com relação ao dano moral trabalhista quem possui a competência para análise é a Justiça do Trabalho, que irá apreciar relação entre empregado e empregador. A Justiça Comum já não detém esta competência, uma vez que não está apta a resolver situações em que uma das partes é subordinada à outra, em situação de plena desigualdade, havendo nesses casos a hipossuficiência de uma das partes.

Nesse sentido ensina o doutrinador Teixeira Filho142:

A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar reclamações trabalhistas que versem sobre danos morais praticados no âmbito da relação de trabalho. (...) Se, na constância do vínculo de trabalho, o nexo de causalidade da lesão perpetrada é de fácil constatação, na cessação do vínculo, o dano moral há que estar correlacionado com o contrato que uniu as partes e ter sido praticado na sua vigência. Esse suporte contratual é imprescindível para determinar a competência da Justiça do Trabalho.

Assim também se expressou Florindo143:

(...) o legislador constituinte estendeu a competência da Justiça Especializada para a solução de outras controvérsias, outros conflitos, não importando se de outra esfera do direito, mas sim que seja derivante da relação de emprego. É, porém, da Justiça Laboral a apreciação do dano moral que decorre da relação empregatícia.

141 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2006. p. 92.

142 TEIXEIRA FILHO, João de Lima. Dano moral. In: SÜSSEKIND, Arnaldo. Instituições de direito do trabalho. 1996. p. 1179.

143 FLORINDO, Valdir. A justiça do trabalho e o dano decorrente da relação de emprego.

1996. p. 16-18.

As ações de indenização por dano moral decorrentes da relação de trabalho estão previstas no art. 114, VI da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988:

Art. 114– Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:

(...)

VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho;

Constata-se assim, de forma unânime, em doutrinas e jurisprudências a atribuição da competência da Justiça do Trabalho para julgar e mensurar demandas que envolvam dano moral decorrente da relação de emprego.

Na visão do doutrinador Menezes144:

É da Justiça do trabalho a competência para apreciação da demanda em que o empregado e empregador estejam litigando por compensação moral ou patrimonial referente a dano originado de ato relacionado ao vínculo de emprego.

Mesmo antes da vigência da atual Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 já se reconhecia a competência da Justiça do Trabalho para a ação de perdas e danos quando uma controvérsia que tenha por objeto o ressarcimento do dano sofrido por uma das partes contratantes for estritamente derivada da mesma relação145.

Do mesmo modo, o doutrinador Florindo146 citando Leão:

(...) pode e deve a Justiça do Trabalho proferir em seus r. julgados a condenação também na verba quanto ao dano moral, (...)

144 MENEZES, Cláudio Armando Couce de. A responsabilidade civil no direito material e processual do trabalho. vol. 11. Revista LTr, nov/95. p. 146.

145 PEDREIRA, Pinho. A reparação do dano moral no direito do trabalho. vol. 55. Revista LTr, maio/91. p. 559

146 FLORINDO, Valdir. Dano moral e o direito do trabalho. 4 ed. rev. e ampl. São Paulo: LTr, 2002. p. 158.

definida na Lei Maior, a entrega da prestação jurisdicional, competindo à Justiça do Trabalho julgar na forma da lei outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho.

A Justiça do Trabalho é aquela, dentre os demais órgãos do Poder Judiciário, que melhor possui condições de processar e julgar na forma da lei, controvérsias decorrentes da relação de trabalho.

Ela é quem possui uma sensibilidade social própria, encontrando-se preparada, cientificamente, para instrumentalizar e manusear os institutos jurídicos peculiares do direito do trabalho, as obrigações, os deveres e enfrentar assim, todas as implicações que dele decorram147.

Visto que o dano moral é oriundo da decorrência da relação de trabalho e advindo controvérsias entre empregado e empregador, tem-se que a Justiça competente para apreciar o pedido de reparação é a Justiça do Trabalho, não existindo mais a subsidiariedade do ramo do direito civil.

Assim, com entendimentos de forma unânime acerca da competência para a apreciação do pedido de reparação dos danos morais e materiais em decorrência da relação de emprego, causados por empregado e empregador, pertence de forma intrínseca à Justiça do Trabalho.

3.3 SISTEMAS DE REPARAÇÃO DO DANO MORAL

Existem diversas formas de reparação, algumas contempladas em lei, outras implícitas no ordenamento jurídico positivo. Mas existe sempre a discussão acerca de como se deve agir em relação ao valor da indenização, ou seja, deve-se respeitar limites mínimos e máximos fixados legalmente, ou deve-se, como exemplificado em diversas doutrinas, ficar ao arbítrio do magistrado?

147 FLORINDO, Valdir. Dano moral e o direito do trabalho. 4 ed. rev. e ampl. São Paulo: LTr, 2002. p. 163.

Conforme ensinamento de Silva148 citando Neves:

A reparação (ação ou efeito de reparar) constitui a satisfação que se dá à pessoa ofendida ou injuriada. Podemos dizer também que reparação refere-se à indenização exigível a que alguém é obrigado, em virtude de violação do direito de outrem, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência.

A indenização do dano moral apresenta-se de forma complexa, possuindo diversas constatações, mas a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é clara em impor uma indenização, oferecendo ao lesado uma quantia em dinheiro para amenizar o seu sofrimento, ou seja, haverá uma compensação.

Nesse sentido destaca Cahali149

(...) a condenação com que se busca reparar o dano moral é representada, no principal, por uma quantia em dinheiro, a ser paga de imediato, sem prejuízo de outras cominações secundárias, nas hipóteses de ofensa à honra e à credibilidade da pessoa.

Em relação aos sistemas de aferição do quantum reparatório, em face do dano moral, divide-se a doutrina em sistema tarifário e sistema por arbitramento ou aberto.

No sistema tarifário o valor da indenização já vem estabelecido, cabendo nesse caso ao Juiz apenas aplicá-lo ao caso concreto, não podendo servir de seus conhecimentos e sua experiência como ser humano e como magistrado.

Esse sistema vingou em alguns países, sendo utilizado até os dias de hoje, entre eles estão, Itália, França, Colômbia.

148 SILVA, Américo Luís Martins da. O dano moral e a sua reparação civil. 2 ed. rev. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002. p. 308.

149 CAHALI, Yussef Said. Dano moral. 3 ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p. 812.

Com base na Lei de Imprensa (nº 5.250/67) sobre o sistema tarifário, há jurisprudência firmada pelo Excelso Superior Tribunal de Justiça, no entendimento de que a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 não admitiu a responsabilidade tarifada da Lei de Imprensa, conforme exposto a seguir:

(...) a responsabilidade tarifada da Lei de Imprensa não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, restando revogada a norma limitadora. (art. 29 da Lei 5.250/67. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – 4ª TURMA. Ementa: Resp no 85.019/RJ. Relator: Sálvio de Figueiredo Teixeira. Civil e Processual Civil. Responsabilidade civil. Dano Moral. Lei de Imprensa. Data julgamento 02.06.1998. DJ de 14.09.1998. p. 61).

Quanto ao sistema por arbitramento ou aberto é atribuído ao Magistrado fixar o valor indenizatório de acordo com a sua convicção, possuindo assim, o poder discricionário. Esse é o sistema adotado pelo nosso ordenamento jurídico.

Porém, o sistema tarifário, encontra defesa em opiniões de vários juristas, entre os quais Mesquita150, que ensina:

(...) Não cabe ao juiz, mas ao legislador, estabelecer os seus limites máximos e mínimos e, para isso, o legislador nunca teve dificuldade alguma (...). E constando de lei a pena pecuniária, nunca teve nenhum juiz dificuldade maior em ajustá-la a cada caso concreto, graduando-a segundo os fins que lhe são próprios, mas dentro dos limites e critérios previamente fixados pelo legislador.

No mesmo sentido também preconiza Sanches151 citando Martins:

Todo aquele que pretende receber dinheiro pela honra ferida deve quantificar a lesão, devendo, a liquidação da indenização ser realizada por artigos e não por arbitramento.

150 MESQUITA, José Barros. Dano moral na lei de imprensa. Revista Jurídica. Rio de Janeiro, 1998. p. 149.

151 SANCHES, Gislene A. Dano moral e sua implicações no direito do trabalho. 1997. p. 96.

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