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C ONCEITO DE D ANO M ATERIAL

No documento DANO MORAL NO DIREITO DO TRABALHO - Univali (páginas 42-45)

1.4 CONCEITO DE DANO MORAL E MATERIAL

1.4.2 C ONCEITO DE D ANO M ATERIAL

que lidar com a personalidade do indivíduo e a incessante mobilidade da vida social, fatores de rara importância para que se construa o conceito de moral.

Na concepção de Rodrigues81:

O dano moral são apenas e tão-somente aqueles que não apresentam quaisquer reflexos de ordem patrimonial. Se da injúria, da difamação, do agravo aos direitos da personalidade humana, enfim, forem extraídas conseqüências patrimoniais, estar-se-á diante de danos igualmente patrimoniais, que não mais poderão ser definidos como prejuízos de ordem moral.

Denota-se, pela definição acima, a exclusão dos reflexos de ordem econômica na configuração do dano moral. A ofensa a bens de caráter moral já estava implicitamente contida no conceito de dano.

A primeira idéia que se apresenta, diante das conceituações de doutrinadores analisados, é a da existência de um patrimônio desmaterializado. Todavia, importa saber que a honra e os sentimentos múltiplos dos seres humanos devem ser objeto de proteção do direito. Trata-se, na realidade, de um patrimônio, imaterial. Afinal, esses valores sempre constituíram a causa motivadora que impulsiona os indivíduos e as civilizações no curso da história.

Como o próprio nome infere, o dano patrimonial, refere-se às lesões ocorridas no patrimônio material de alguém, entendido este como o conjunto de bens e direitos valoráveis economicamente82.

O dano material produz lesão aos direitos e bens economicamente apreciáveis ao seu titular, repercutindo no seu patrimônio.

De acordo com a conceituação de Bittar83:

Os danos materiais se traduzem através da fórmula tradicional de danos emergentes e lucros cessantes, compreendendo-se todos os prejuízos de ordem pecuniária experimentados pelo lesado como conseqüência efetiva do fato gerador.

Observa-se dessa maneira, que os danos materiais são aspectos particulares da categoria jurídica dos danos reparáveis, das distorções injustas de acordo com a esfera jurídica, de qualquer pessoa portadora de um direito.

Antes da Constituição Federal, havendo o ressarcimento de todos os efeitos patrimoniais nocivos do ato ilícito, a vítima já estaria suficientemente reparada. Pode-se dizer que atualmente esse fato já foi superado84.

Tanto pela sanção direta, como a indireta, o dano material visa a reposição do patrimônio danificado. Essa reposição é vista de forma tranqüila, pois já existe o reconhecimento do instituto pela literatura jurídica, assim, toda vez que houver perda ou deterioração do patrimônio, observa-se a presença do dano material.

82 PAMPLONA FILHO, Rodolfo. O dano moral na relação de emprego. 1999. p. 39.

83 BITTAR, Carlos Alberto. Reparação civil por danos morais. 1999. p. 41.

84 THEODORO JUNIOR, Humberto. Dano moral. 4 ed. atual. e ampl. São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 2001. p. 5.

Na visão de Santos85: “se a lesão é dirigida aos bens formam o patrimônio material, então se está diante de um dano patrimonial”.

Sobre a conceituação da palavra dano material Siqueiro Neto86 expõe: “os danos materiais inserem-se no âmbito dos valores dotados de expressão pecuniária ou de aferição econômica”.

Assim, se uma ação danosa reduzir o patrimônio, afetando sua composição, acarretando diminuição do bem, pode-se considerar o dano como sendo de forma material.

No próximo capítulo, analisaremos a competência da Justiça do Trabalho, os devidos conceitos, e a divisão de cada competência. Passaremos também a analisar a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar as ações de dano moral, antes da Emenda Constitucional nº 45 e depois da referida Emenda.

85 SANTOS, Antonio Jeová da Silva. Dano moral indenizável. 1997. p. 31.

86 SIQUEIRA NETO, José Francisco. Direito do trabalho e democracia: apontamentos e pareceres. São Paulo: LTr, 1996. p. 103.

DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

2.1 JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA

O Poder Judiciário possui um ramo designado a dirimir questões laborais, este ramo chama-se Justiça do Trabalho, conforme o art. 114 da Constituição Federal, que sofreu alteração com a EC nº 45/2004.

A Justiça do Trabalho teve sua competência ampliada para julgar as ações de relação de trabalho, e não somente as de relação de emprego regidas pela CLT.

Anteriormente a EC nº 45/2004, Justiça do Trabalho estava reservada à solução de litígios entre empregados e empregadores e tão somente a poucas outras demandas, entre elas pode-se citar: casos de trabalhadores avulsos e temporários.

Com a ampliação da competência pela referida Emenda, esta estabeleceu novas atribuições, tais como o julgamento de ações sobre representação sindical; indenização por dano moral ou patrimonial resultantes da relação de trabalho; solucionar conflitos de competência; execução de contribuições sociais decorrentes das sentenças. A Justiça Trabalhista passou a julgar ainda mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição.

De acordo com o doutrinador Alvim87, a competência:

(...) mantém o mais estreito relacionamento com a jurisdição, circunstância que não se pode perder de vista, sob pena de se chegar a resultados artificiosos e inexatos. A distribuição da

87 ALVIM, José Eduardo Carreira. Elementos de teoria geral do processo. 6 ed. Rio de Janeiro:

Forense, 1997. p. 323.

jurisdição entre os diversos órgãos do Poder Judiciário é que dá vida à teoria da competência.

Assevera Peixoto88 citando Campos: “a competência é a irmão gêmea da jurisdição (...), é a jurisdição exercida em um caso particular”.

A Jurisdição trabalhista é um componente do Estado de Direito, tendo como um dos princípios basilares o direito público de ação perante um Poder que é constitucionalmente competente para dirimir as disputas89.

A Jurisdição tem como fim principal a satisfação do interesse público do Estado em prol da realização do direito e a conseqüente composição dos litígios pelas pessoas ou órgãos os quais foram investidos pela lei desses poderes.

Essas jurisdições trabalhistas são fixadas por lei federal e podem ser conseqüentemente alteradas por ela.

Assim, a jurisdição é o todo, conseqüentemente a competência é a parte. A competência não abrange a jurisdição, mas a jurisdição abrange a competência.

Para conceituação e melhor entendimento do que vem a ser jurisdição e competência analisaremos a seguir:

2.1.1 Conceito de jurisdição

Ao buscar uma conceituação sobre o tema, Giglio90 nos ensina:

“Jurisdição” é palavra composta pela justaposição de duas outras, de origem latina: jus, juris, que quer dizer direito, e dictio, do verbo dicere, que significam respectivamente, dicção e dizer. Jurisdição

88 PEIXOTO, Bolívar Viégas. Iniciação ao processo individual do trabalho: poder judiciário e administrativo da justiça. Rio de Janeiro: Forense, 1996. p. 25.

89 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 21 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 122.

90 GIGLIO, Wagner D. Direito processual do trabalho. 15 ed. rev. e atual. conforme a EC n.

45/2004. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 25.

tem portanto, o sentido de dicção do direito, e consiste no poder de que todo juiz está investido, pelo Estado, de dizer o direito nos casos concretos submetidos a sua decisão.

Dessa forma, trata-se de um poder intrínseco a todo e qualquer juiz, onde seria impossível a existência de um juiz que não tivesse jurisdição.

Percebe-se que apenas um juiz não poderia trabalhar com todo o direito, para os litigantes, em todo território nacional. Desta forma, a jurisdição é repartida entre vários juízes, onde cada um deles aplicará o direito a que couber.

Na visão de Daidone91, a jurisdição:

(...) é a área geográfica em que o Juiz tem o poder de dizer o direito, de exercer sua competência fixada pelo Estado, nos casos concretos que lhes são submetidos pelas partes, através de regulares processos autuados. Portanto, a jurisdição das Varas do Trabalho de São Paulo, Capital, por exemplo, é da própria cidade;

de Guarulhos, a cidade de Guarulhos, etc.

As pessoas que habitam essas localidades possuem a capacidade de requerer a prestação jurisdicional dos respectivos órgãos judiciais, para expor o direito que foi violado ou que está sendo violado, ou de certa forma, que se pretende resguardar.

Na jurisdição há necessidade de existir a vinculação de órgãos específicos para a distribuição de atividades e o favorecimento da rápida solução de conflitos.

Desse modo, a jurisdição é una como função do Estado e para Theodoro Junior92:

91 DAIDONE, Décio Sebastião. Direito processual do trabalho: ponto a ponto. 2 ed. São Paulo:

LTr, 2001. p. 38.

92 THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. vol. 2. 18 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996. p. 712.

(...) a composição coativa dos litígios é função privativa do Estado moderno. Do monopólio da justiça enfeixado nas mãos do Estado decorre a jurisdição como um poder-dever de prestar a tutela jurisdicional a todo cidadão que tenha uma pretensão resistida por outrem, inclusive por parte de algum agente do próprio Poder Público. A jurisdição, que integra as faculdades da soberania estatal, ao lado do poder de legislar e administrar a coisa pública vem a ser a função pública, realizada por órgãos competentes do Estado, com as formas requeridas pela lei, em virtude da qual, por ato de juízo, se determina o direito das partes com o objetivo de dirimir seus conflitos e controvérsias de relevância jurídica, mediante decisões com autoridade de coisa julgada, eventualmente passíveis de execução.

A jurisdição é a um só tempo poder do Estado, e função que corresponde especificamente, mas não exclusivamente, aos órgãos jurisdicionais93. Está incluída como função, por possuir condições melhores para fazer cumprir as decisões que emanam de um órgão constituído para o fim específico de decidir.

Entende-se que não havendo restrição no exercício da jurisdição ao juiz, este poderá julgar tudo. Entretanto, se houver restrição advinda de lei, permitindo apenas julgamento de determinadas controvérsias, esta fica delimitada pela competência.

Em termos didáticos, a jurisdição pode ser definida como o exercício da autoridade do Estado, afim de solucionar os conflitos de seus cidadãos, pondo fim a questões e pendências que estes lhe apresentam, através do processo94 .

93 ALVIM, José Eduardo Carreira. Elementos de teoria geral do processo. Rio de Janeiro:

Forense, 1998. p. 89.

94 PEIXOTO, Bolívar Viégas. Iniciação ao processo individual do trabalho: poder judiciário e administrativo da justiça. 1996. p. 25-26.

Para o doutrinador Carneiro95 citando Lacerda: “é a atividade pela qual o Estado, com eficácia vinculativa plena, elimina a lide, declarando e/ou realizando o direito em concreto”.

Finalizando para entrarmos na conceituação de competência, amplo e abstrato é o poder jurisdicional, onde estão investidos os órgãos jurisdicionais, visto que cada um possui a sua jurisdição delimitada pela competência.

2.1.2 Conceito de competência

A expressão competência integra-se de forma ampla ao sistema organizacional, surgindo de maneira resultante da distribuição de atividades96. O órgão jurisdicional deve possuir a capacidade de competência para conhecer, processar e julgar determinadas ações.

A competência da Justiça do Trabalho está definida de forma ampla, englobando diversas ações que demandam direitos do trabalho.

Assim, de acordo com o artigo 114 da Constituição Federal a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações oriundas da relação de trabalho, entre trabalhadores e empregadores, não havendo possibilidade de outro ramo do judiciário pronunciar julgamento a respeito do assunto.

Na definição de Daidone97, a competência por sua vez:

(...) é a parcela de jurisdição que é atribuída ao Juiz para dizer o direito, ou seja, dentro do setor do Direito em que pode decidir, e dentro desse setor, em determinada área geográfica ou região.

Diz-se que competência é a medida da jurisdição ou vice-versa.

No que diz respeito à competência como um dos pressupostos processuais de validade do processo, o juiz tem o dever de

95 CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e competência: exposição didática: área do direito civil. 1999. p. 04.

96 VEIGA JUNIOR, Celso Leal da. A competência da justiça do trabalho e os danos morais.

São Paulo: LTr, 2000. p. 38.

97 DAIDONE, Décio Sebastião. Direito processual do trabalho: ponto a ponto. 2001. p. 42.

examinar a sua própria competência. O juiz sempre irá julgar de acordo com a sua competência, não vinculando outros juízos a sua decisão.

Sobre a competência Greco Filho98 esclarece:

(...) é o poder que tem um órgão jurisdicional de fazer atuar a jurisdição diante de um caso concreto. Decorre esse poder de uma delimitação prévia, constitucional e legal, estabelecida segundo critérios de especialização da justiça, distribuição territorial e divisão de serviço.

Como regra processual, a competência tem a finalidade de descentralizar atividades, e ao mesmo tempo, facilitar e disciplinar a prestação de tutela jurisdicional, integrando-se de forma ampla ao sistema organizacional.

Salienta Veiga Junior99 citando Bedaque:

(...) todo juiz é investido de jurisdição, ou seja, tem, em abstrato, o poder de aplicar a norma a uma situação material. Tendo em vista, porém, o grande número e a diversidade de demandas, o legislador as distribuiu entre os vários órgãos. Essa relação de adequação entre determinado processo e um juiz denomina-se competência.

A competência é uma parcela da jurisdição, dada a cada juiz. É a parte da jurisdição atribuída a cada juiz, ou seja, o setor do Direito e a área geográfica em que vai atuar, podendo emitir sua decisões. Consiste na delimitação do poder jurisdicional, sendo, portanto, o limite da jurisdição, a medida da jurisdição, a quantidade da jurisdição100.

Assim, quem está incumbido de competência jamais poderá negá-la, essa competência faz parte tanto de um poder, quanto de um dever do juiz.

98 GRECO FILHO, Vicente. Direito processual civil. vol. 2. 12 ed. São Paulo: Saraiva, 1996. p.

254.

99 VEIGA JUNIOR, Celso Leal da. A competência da justiça do trabalho e os danos morais.

2000. p. 38

100 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 24 ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 121.

O subtítulo a seguir tratará da competência em razão do lugar, a qual poderá ser chamada de territorial ou ratione loci ou ainda, como foro.

2.2 COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO LUGAR

A competência em razão do lugar, tida também como territorial ou ratione loci, ou ainda, como de foro, relaciona-se com base nos espaços geográficos entre os quais atua o órgão jurisdicional.

Os órgãos jurisdicionais trabalhistas são distribuídos em localizações aptas para o atendimento dos litígios, cabendo a cada um deles operar o poder jurisdicional conforme os limites impostos pela circunscrição onde se situam.

Desse modo, para propor uma ação trabalhista, será de suma importância a verificação das regras da competência em razão do lugar, a qual procura facilitar o procedimento para o trabalhador, evitando assim, a sua locomoção e gastos que o mesmo haveria de ter.

A competência em razão do lugar é aquela determinada às Varas do Trabalho, segundo Almeida101 a considera como:

(...) a que define a abrangência do poder jurisdicional, relativamente à área física em que se encontram as partes e/ou onde elas praticam os atos dos quais decorre o litígio. É o limite territorial para o exercício da atividade do órgão ou autoridade judiciária.

As regras da competência no âmbito trabalhista, em razão do lugar estão dispostas no artigo 651 da CLT, sendo, portanto, diferente da regra geral do artigo 94 do Código de Processo Civil102 onde será competente o juízo no foro do domicílio do réu, não havendo o que se falar em aplicação subsidiária do CPC neste particular.

101 ALMEIDA, Isis de. Manual de direito processual do trabalho. 9 ed. São Paulo: LTr, 1998. p.

456.

102 Doravante denominado CPC.

Assegura Martins103:

O objetivo da lei é que o empregado possa propor a ação no local em que tenha condições de melhor fazer sua prova, que é no local onde por último trabalhou, fazendo com que o empregado não tenha gastos desnecessários para ajuizar a ação. Entretanto, mesmo que a matéria seja de direito, deve a ação ser proposta no último local da prestação de serviços do empregado.

O caput do artigo 651 da CLT não propõe a exigência do empregado ser brasileiro, entretanto o § 2º do mesmo artigo prevê a nacionalidade brasileira do empregado. Assim, percebe-se que o mesmo pode ser estrangeiro.

Três são as regras destinadas a indicar a Vara perante a qual a questão deve ser proposta. Primeiramente, o órgão sob o qual o processo será oferecido, será a Vara do local da prestação de serviços, e não no local onde foi contratado.

Em segunda linha, para agente ou viajante comercial (artigo 651, § 1º da CLT), visto que estão sempre se deslocando para localidades diferentes, assim, a Vara competente será da localidade onde prestam contas dos seus serviços ao superior hierárquico, ou na falta desta, a competência será da Vara da localidade em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima.

Entende-se por domicílio o local estabelecido pelo empregado para compor sua residência com ânimo definitivo104.

Terceira regra, para empresas que possuem atividades em diversas localidades (artigo 651, § 3 da CLT), a Vara competente será aquela em que ocorreu a celebração do contrato ou poderá ser também a da prestação dos respectivos serviços.

103 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2005. p. 153.

104 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2005. p. 155.

Deve-se entender por empresas as quais promovem atividades em diversas localidades: empresas de reflorestamento, em atividades circenses, artísticas, feiras, exposições, instalação de caldeiras, promotora de rodeios etc. Nessas atividades, o empregado é requisitado para a prestação de serviços em atividades de cunho eventual, transitórias e incertas105.

No caso de transferência do empregado, a competência será do último lugar para onde o trabalhador foi transferido, nesse caso, onde a ação será intentada, salvo na hipótese da transferência não se consumar, como é o caso da transferência provisória. No caso em que o empregado não aceita a transferência, a Vara local em que continua a realizar a prestação de serviços será competente em razão do lugar.

A competência em razão do lugar, para Peixoto106: “está ligada à subdivisão competência relativa, porque as partes contratantes podem escolher, expressa ou tacitamente, a localidade onde pretendem demandar”.

Salienta Veiga Junior107:

(...) para fins do direito processual do trabalho, é aquela que se estabelece, em regra, pelo local da prestação de serviços, independentemente do domicílio ou local de contratação do empregado.

É atribuída às Varas do Trabalho a competência em razão do lugar, visto que são órgãos de primeira instância da Justiça do Trabalho, que tem competência para examinar as questões que lhe são submetidas dentro de um espaço geográfico determinado, que pode ser de um ou de alguns Municípios.

A atribuição da competência não é exclusiva para a Vara do Trabalho, tendo em vista que os Tribunais Regionais do Trabalho e o Tribunal

105 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2005. p. 157.

106 PEIXOTO, Bolívar Viégas. Iniciação ao processo individual do trabalho: poder judiciário e administrativo da justiça. 1996. p. 36

107 VEIGA JUNIOR, Celso Leal da. A competência da justiça do trabalho e os danos morais.

2000. p. 45.

Superior do Trabalho também possuem competência em razão do lugar, em se tratando de competência originária. O professor Bezerra Leite em seu livro destaca um pensamento brilhante sobre o tema: “O TST possui competência ratione loci sobre todo o território brasileiro”108.

A competência em razão do lugar é relativa, devendo sempre ser argüida, se isto não acontecer, poderá ser entendido como competente o juízo que fora declarado inicialmente incompetente.

Todas as cidades do Estado de Santa Catarina estão investidos de jurisdição, podendo assim, todos os litígios da área trabalhista serem apreciados na mesma, não necessitando serem julgados na Justiça Comum.

Conclui-se dessa forma que é de suma irrelevância definir o local em que o empregado reside para ser fixada a competência, entretanto, relevante é o local onde o mesmo presta serviço.

2.3 COMPETÊNCIA EM RAZÃO DAS PESSOAS

A Justiça do Trabalho tem competência para solucionar as controvérsias entre trabalhadores e empregadores, que são as pessoas de pólo passivo e ativo na ação trabalhista. Vem a ser desta forma, a competência em razão das pessoas (ex ratione personae).

Ensina o doutrinador Carneiro109:

A competência “ratione personae” toma por dado relevante um atributo ou uma característica pessoal do litigante. Assim a nacionalidade, os foros de nobreza ou classe, a situação como religioso ou leigo, o cargo ou função pública ocupado pelo litigante, ou a circunstância de ser o litigante pessoa jurídica de direito público ou vinculada ao poder público.

108 LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho. São Paulo: LTr, 2003. p. 154.

109 CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e competência: exposição didática: área do direito civil. 1999. p. 134.

Para melhor entendimento a Constituição Federal não estipula o conceito de trabalhador, mas faz referência no caput do artigo 7º e no inciso XXXIV, no parágrafo único do mesmo artigo, no artigo 9º, no inciso II do artigo 195, entre outros.

A definição da palavra trabalhador é retirada do artigo 15, § 2º, da Lei nº. 8.036 (lei do FGTS) como sendo “toda pessoa física que prestar serviços a empregador, a locador ou tomador de mão-de-obra, excluídos os eventuais, os autônomos e os servidores públicos civis e militares sujeitos a regime jurídico próprio”.

Entretanto, preleciona Martins110 que: “tal definição é apropriada para o FGTS, pois o funcionário público também não deixa de ser um trabalhador, assim como o autônomo, o eventual, a dona-de-casa, o empresário, o avulso etc”.

Existem diversas classes de trabalhadores, entre eles, pode- se citar: os domésticos, temporários, avulsos, os empregados de empresas públicas, de sociedades de economia mista e de suas subsidiárias, entre outros.

Assim, trabalhador é a pessoa física que presta serviços a empregador.

De acordo com Daidone111 a competência é fixada em razão das pessoas:

(...) que se relacionam no negócio jurídico trabalhista, ou seja, sobre os litígios que se estabelecem entre empregadores e empregados, assim definidos nos arts. 2º e 3º da CLT, ou ainda de outros, que não podem tecnicamente assim ser classificados, mas devidamente autorizados em lei como vimos, e que ocorre com o pequeno empreiteiro ou artífice (art. 652, III, a, da CLT), empregados domésticos (Lei n. 5.859/72), temporários (Lei n.

6.019/74) (...).

110 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 2005. p. 122.

111 DAIDONE, Décio Sebastião. Direito processual do trabalho: ponto a ponto. 2001. p. 48-49.

No documento DANO MORAL NO DIREITO DO TRABALHO - Univali (páginas 42-45)