• Nenhum resultado encontrado

COMPETÊNCIA EMPREENDEDORA

2.4 COMPETÊNCIA

2.4.1 COMPETÊNCIA EMPREENDEDORA

Quando se transporta do campo do empreendedorismo para o de competências empreendedoras, identifica-se alguns estudos que vêm buscando incorporar a junção entre as características do perfil empreendedor ao contexto das competências e assume novas conotações, dentre eles, (LONG, 1983) apresenta o conceito de empreendedor se relacionando com as competências gerenciais, reforçando de que o empreendedor é aquele que precisa saber (conhecer), saber fazer e saber agir e assim LE BOTERF, 2003) para enfrentar o mundo globalizado e informacional (DEMO, 1994) e para identificar oportunidades (MAN e LAU, 2000; POLITIS, 2005; COOLEY, 1990; RAE, 2005), cabe avançar, então, para o conceito de competências empreendedoras.

A partir da junção de competência com ações empreendedoras levou Snell e Lau (1994) a definirem o conceito de competência empreendedora, o qual consiste em corpo de conhecimento, área ou habilidade, qualidades pessoais ou características, atitudes ou visões, motivações ou direcionamentos, que pode, de diferentes formas, contribuir para o pensamento ou ação efetiva do negócio.

Para os autores, a arte de criar e gerenciar um pequeno negócio é relacionada ao plano de vida do empreendedor, aos valores e à sua característica pessoal e isso é refletido na amplitude desta definição.

Segundo Mamede e Moreira (2005, p. 4), “a competência empreendedora pode ser tratada tanto como competência do indivíduo, quanto relacionada à prática administrativa, devido às diferentes tarefas que desempenham”. Para eles, as ações empreendedoras estão associadas às competências por representarem o senso de identificação de oportunidades, a capacidade de relacionamento em rede, as habilidades conceituais, a capacidade de gestão, a facilidade de leitura, o posicionamento em cenários conjunturais e o comprometimento com interesses individuais e da organização,

Filion (1999) identificou o sistema de valores como fundamental para explicação do comportamento empreendedor. Percebia os empreendedores como pessoas inovadoras, independentes em que o seu papel de liderança nos negócios atribuía uma fonte de autoridade formal. No entanto, o autor que realmente deu início à contribuição das ciências do comportamento para o empreendedorismo, foi sem dúvida, David C. McClelland. (FILION, 1999).

Zarifian (2001) afirma que “não se pode obrigar ninguém a ser competente, dessa forma, ninguém é obrigado a ser empreendedor. O que se pressupõe que se cada indivíduo pode aprimorar suas competências, um empreendedor pode se adequar e criar suas competências empreendedoras”.

Nessa perspectiva, Fleury e Fleury (2004) afirmam que o conceito de competência no contexto organizacional passou a ser elaborado sob a perspectiva do indivíduo e teve a influência de vários autores. McClleland, em 1973, publicação do artigo “Testing for competence rather than intelligence” que iniciou o debate entre psicólogos e administradores nos Estados Unidos, definindo que competência é uma característica de uma pessoa que pode estar relacionada com desempenho superior na realização de uma tarefa.

Para McClleland, em 1973 estabelece diferenças entre competência de aptidão (talentos naturais de pessoas, que podem ser aprimoradas), de habilidades (demonstrações de

talentos particulares na prática) e de conhecimento, o que a pessoa precisa saber para desempenhar uma tarefa, Cooley (1990),

McClleland (1972) aponta que um dos traços mais importantes do empreendedor é a motivação para a realização ou o impulso para melhorar, mostrando porque algumas pessoas são mais dinâmicas que as outras, em que conclui que a necessidade de realização é importante para o seu desenvolvimento. Enfatiza que as organizações são criadas por pessoas com necessidades de realizar ideias e, com isso, conclui que algumas características comportamentais dos líderes são bastante representativas no seu papel empresarial.

Acrescenta que a motivação humana responde, pelo menos em parte, pelo crescimento econômico de uma nação. Dessa forma, defende em sua teoria que a motivação humana compreende três necessidades dominantes: a necessidade de realização (necessidade de fazer um bom trabalho e ser reconhecido por isso), a necessidade de afiliação (é uma necessidade social) e a necessidade de poder (exprime o desejo de influenciar ou controlar).

Cooley (1990), a partir do modelo de competências de McClelland (1973), apresenta a divisão das competências em três conjuntos que foram identificados como empreendedores e ressalta suas características, destacadas no quadro abaixo como as competências empreendedoras.

Quadro 15: Conjuntos de competências empreendedoras.

CONJUNTOS COMPETÊNCIAS

CONJUNTO DE REALIZAÇÕES

Busca de oportunidades e iniciativas Possibilidades de riscos calculados Exigência de qualidade e eficiência

Persistência Comprometimento

CONJUNTO DE PLANEJAMENTO

Busca de informações Estabelecimento de metas Planejamento e monitoramento sistêmicos

CONJUNTO DE PODER

Persuasão e rede de contatos Independência e Autoconfiança Fonte: Competências empreendedoras, segundo Cooley (1990).

O modelo supracitado é amplamente aceito na comunidade acadêmica, sendo também utilizado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) como metodologia mensuradora de tais competências. Ademais, no âmbito nacional, o próprio SEBRAE (Serviço e Apoio a Pequena Empresa) o aplica para capacitação de empresários no modelo do EMPRETEC (Programa para Empresários e Futuros Empreendedores).

Essas competências estão agrupadas em três conjuntos: Realização, Planejamento e Poder. O conjunto de realização inclui algumas características de comportamento e atitudes, que são:

a) Busca de oportunidades e iniciativa, que agrupa atitudes relacionadas a agir antes de forçado, antecipar-se, busca de atuação em novas áreas, ou seja, oferecer novos serviços e aproveitar oportunidades para iniciar ou expandir atividades;

b) Persistência, a capacidade de agir diante de obstáculos, de enfrentar desafios e responsabilizar-se pessoalmente pela consecução dos objetivos;

c) Correr riscos calculados, que correspondem às ações para diminuir os riscos ou controlar os resultados, isto é, analisar e deliberadamente calcular os riscos e colocar-se em situações que implicam riscos moderados;

d) Exigência de qualidade e eficiência, referindo-se aos comportamentos e atitudes que buscam executar as atividades de forma melhor, mais rápida com custos menores, procedimentos que levem a realizar as tarefas que satisfazem ou excedem os padrões de excelência e ações que assegurem o término da tarefa em tempo e nos padrões previamente combinados;

e) Comprometimento, que implica capacidade e disposição das pessoas em sacrificar-se pessoalmente para realizar as tarefas contratadas, trabalhar junto com os colaboradores ou se colocar no lugar deles, caso necessário, para concluir uma tarefa. Primar pelo relacionamento de longo prazo, colocando em primeiro lugar a boa vontade, em detrimento do lucro imediato; é outro comportamento ligado ao comprometimento.

O conjunto de planejamento agrupa características comportamentais, relacionadas a seguir:

a) Busca de informações, que reúnem as ações na busca de informações sobre clientes e concorrentes, a dedicação pessoal do indivíduo para obter dados sobre como

fabricar, comercializar ou fornecer um serviço e a solicitação de auxílio de especialistas para decisões técnicas ou comerciais;

b) Estabelecimento de metas, que reúne os comportamentos e atitudes no sentido de fixar as metas de forma que tenham um significado pessoal e que sejam desafiantes, específicas, claras e mensuráveis;

c) Planejamento e o monitoramento sistemático, que pressupõe as ações dos indivíduos para dividir tarefas em partes menores com prazos definidos, o acompanhamento e a revisão de seus planos, realizando as mudanças necessárias com base em informações sobre o seu desempenho ou em novas circunstâncias, como também a manutenção de registros e a sua utilização para tomada de decisão.

Por último, o conjunto de poder, agrupa característico comportamento, como descrito na sequência:

a) Persuasão e rede de contatos: envolve a adoção de estratégias deliberadas para influenciar ou persuadir pessoas, procurar a obtenção de apoio de pessoas para atingir objetivos próprios, no sentido de desenvolver ou manter relações com outras pessoas, especialmente comerciais.

b) Independência e autoconfiança: reúne as ações de busca de autonomia em relação a normas e controle de outros, como também o hábito de manter decisões, mesmo diante de oposição de outros ou de resultados iniciais desanimadores e mostrar-se confiante na própria capacidade de realizar tarefas difíceis ou enfrentar desafios.

Fillion (1999) demonstra as algumas críticas feitas aos estudos de McClelland, sobre as necessidades de realização feitas por autores tais como, Gunter, Kunkel, Gass e Brockhaus, entre outros. No entanto, Cooley (1991, p. 61), argumenta que:

[...] por mais crítica que tenha recebido, a pesquisa de McClelland continua sendo a mais ampla e mais rigorosa pesquisa empírica sobre as características associadas com empreendedores de sucesso em países em desenvolvimento [...].

Para Barros (2005), as empresas com características empreendedoras possuem uma estrutura simplificada, focada nas atividades operacionais que exigem uma gama maior de recursos e de pessoas. Essas empresas não possuem uma única liderança, com uma visão definida e com objetivos claros e estruturam essa organização de forma a possibilitar a consecução de seus intentos pessoais. A sobrevivência e o sucesso sustentável de um

empreendimento requerem uma combinação de criatividade e de capacidade de execução do dirigente.

É importante ressaltar que não basta ter um empreendimento, existe um conjunto de características que devem ser consideradas dentro desse contexto para que se possa efetivar a prática do empreendedorismo.

Segundo o autor citado, dentre as características comportamentais singulares, deve-se observar que na sua trajetória de vida e de seus empreendimentos, os empreendedores têm que lidar com múltiplas responsabilidades de líder único e com um grande número de influências, muitas vezes conflitantes, que resultam de suas relações sociais e profissionais (BARROS, 2005).

Na visão de Antonello (2005), a competência empreendedora pode ser dividida em um conjunto de conhecimento, habilidades e atitudes. Já Baron e Shane (2007) apresentam cinco competências sociais que podem contribuir com os empreendedores que são: a) percepção social, b) expressividade, administração da imagem, d) persuasão e influência e adaptabilidade social. Isso demonstra s vários olhares e perspectivas que podem contribuir para o conceito de competência empreendedora.

Zampier et al (2011) apresenta nova vertente em seu estudo e um modelo conceitual de pesquisa que integra modelos de competências empreendedoras e de processos de aprendizagem empreendedora. Entender-se por aprendizagem empreendedora: ‘[...] em um processo social contínuo de aprendizagem individual em que as pessoas aprendem com suas próprias experiências e com as dos outros, desenvolvendo as próprias teorias, as quais são aplicadas, adaptadas e aprendidas por outros, em virtude do sucesso que proporcionam”

(ZAMPIER et al, 2011,p. 571)

A partir da teoria de Zampier et al (2011) foi descrito para esta pesquisa a propositura do modelo conceitual teórico e o modelo conceitual e relação entre os construtos, produzido para demonstrar a existência da relação entre os construtos, bem como a sua importância.

a. Modelo conceitual teórico

Para facilitar ainda mais o entendimento das relações dos constructos e definição das hipóteses, as teorias utilizadas para fundamentar a pesquisa pode ser representada pela Figura 8 com o modelo conceitual das teorias.

Figura 6: Modelo conceitual das teorias.

Fonte: Elaborado pela autora.

b. Modelo conceitual e relação entre os construtos

Com objetivo de melhorar o entendimento das relações entre os constructos:

liderança, competência empreendedora e inovação social, o modelo conceitual do estudo procura demonstrar as interligações. Figura 8

Figura 7: Modelo conceitual e relação entre os constructos.

Fonte: Elaborado pela autora (2014)

A nota que reflete o processo de Inovação Social é formada pela percepção dos respondentes a respeito das ações apresentadas de acordo com as dimensões utilizadas na pesquisa: trabalho e emprego e condições de vida, conforme expresso na qualitativa.

2.3.1.1 Hipóteses

Baseado no referencial teórico apresentado, as seguintes hipóteses foram testadas:

Hipótese 1 – As práticas de Liderança se correlacionam positivamente.

Hipótese 2 – As competências empreendedoras influenciam positivamente o processo de inovação.

Hipótese 3 – As práticas de Liderança influenciam positivamente o processo de inovação.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos utilizados no desenvolvimento desta pesquisa, cujo objetivo é analisar o processo de inovação social, a partir das práticas de liderança e de competências empreendedoras exercidas pela equipe gestora envolvida no Concerto de Natal da SEC. Para isso, foi mantido o foco específico nos projetos relacionados com a preparação e execução do Concerto Natalino, realizado pela Secretaria de Estado e Cultura do Amazonas, na cidade de Manaus, no período de 2003 a 2013, totalizando dez anos de atividades.

Para esta investigação, tomou-se como base o desenho metodológico defendido por Vergara (2003), conforme apresentado a seguir: