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2.2 A COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA E O PODER DE POLÍCIA

2.2.2 O Poder de Polícia

2.2.2.2 Conceito

Busca-se estabelecer agora o conceito de poder de polícia, como integrante do conceito de taxa em razão do poder de polícia, para tanto

será tomado por apoio a doutrina pátria e legislação vigente.

Segundo Meirelles [2002, p. 127]:

Poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou

do próprio Estado.

No entanto para Di Pietro [2006, p. 128] “Pelo conceito moderno, adotado no direito brasileiro, o poder de polícia é a atividade do Estado

consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público”.

No ordenamento jurídico, tem-se como conceito de poder de polícia o disposto no artigo 78 do Código Tributário Nacional:

Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade,

regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem,

aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão

ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

Ante os supramencionados conceitos, entende-se como fator preponderante dentro do conceito e, por conseguinte como limitador da

discricionariedade dos atos do poder de polícia, ater-se em especial aos relacionados com a ordem pública, tranqüilidade e salubridade pública.

Dentre as modalidades de poder de polícia, duas merecem especial atenção, a saber, a administrativa e a judiciária.

Meirelles [2002, p. 127] lembra que “a polícia administrativa incide sobre os bens, direitos e atividades, ao passo que as outras atuam sobre

as pessoas, individualmente ou indiscriminadamente”.

O mesmo autor alerta que “a polícia administrativa é inerente e se difunde por toda a Administração Pública, enquanto as demais são privativas

de determinado órgãos (Polícias Civis) ou corporações (Polícias Militares)”.

Assevera Di Pietro [2006, p. 129] que:

A principal diferença que se costuma apontar entre as duas está no caráter preventivo da polícia administrativa e no repressivo da

polícia judiciária. A primeira terá por objetivo impedir as ações anti-sociais, e a segunda, punir os infratores da lei penal.

A diferença não é, no entanto, absoluta, pois a polícia administrativa tanto pode agir preventivamente (como, por

exemplo, proibindo o porte de arma ou a direção de veículos automotores), como pode agir repressivamente (a exemplo do que

ocorre quando apreende a arma usada indevidamente ou a licença do motorista infrator). No entanto, pode-se dizer que, nas

duas hipóteses, ela está tentando impedir que o comportamento individual cause prejuízos maiores à coletividade; nesse sentido, é

certo dizer que a polícia administrativa é preventiva. Mas, ainda assim, falta precisão ao critério, porque também se pode dizer que

a polícia judiciária, embora seja repressiva em relação ao indivíduo infrator da lei penal, é também preventiva em relação ao

interesse geral, porque, punindo-o, tenta evitar que o indivíduo volte a incidir na mesma infração.

Conforme Álvaro Lazzarini (in RJTJ-SP, v. 98:20-25), a linha de diferenciação está na ocorrência ou não de ilícito penal. Com efeito, quando atua na área do ilícito puramente administrativo

(preventiva ou repressivamente), a polícia é administrativa.

Quando o ilícito penal é praticado, é a polícia judiciária que age.

A primeira se rege pelo Direito Administrativo, incidindo sobre bens, direitos ou atividades; a segunda pelo processual penal,

incidindo sobre pessoas.

Pode-se definir, consoante a doutrina supra, que poder de polícia administrativa como àquele que incide sobre os bens, direitos e atividades,

restringindo principalmente o exercício de atividades lícitas, seja individualmente ou em grupo. Difundindo-se por toda a Administração Pública quer preventiva ou

repressivamente, regido pelo Direito Administrativo.

Enquanto o poder de polícia judiciária é privativo de determinados órgãos ou entidades por missão, normalmente constitucional,

atuando sobre pessoas, individualmente ou em grupo, quer preventiva ou repressivamente, pressupondo ilícito penal, sendo regido pelos Direitos Penal e

Processual Penal. [MEIRELLES, 2002, p. 127]

Prevalecendo o interesse coletivo estatal, sobre o individual, o poder de polícia regularmente aplicado pela Administração Pública, dispõe, via

de regra de duas formas de atuação, os atos normativos, podendo em sentindo amplo compreender àqueles praticados pelo Legislativo, e os atos materiais,

normalmente àqueles que propõem a fiscalização ao cumprimento dos

dispositivos normativos, seguidos ou não de medidas repressivas que visam coagir o infrator a se adequar às disposições normativas eventualmente não observadas ou cumpridas na sua totalidade ou em parte. [MEIRELLES, 2002, p.

129].

Os atos normativos, amplamente compreendidos, são os emanados tanto do Executivo quanto do Legislativo, abrangendo Leis, Decretos,

Portarias, Regulamentos, Ordens, entre outros, que impliquem limitação administrativa ao pleno exercício dos direitos e das atividades, individuais ou

coletivas, a todos que se encontrem em idêntica situação, pois é vedado o tratamento diferenciado conforme o artigo 5º da Constituição Federal.

[MEIRELLES, 2002, p. 131].

Face o poder de polícia do Estado, os atos administrativos propriamente ditos, são compreendidos pelas operações materiais que visam o cumprimento dos dispositivos normativos, conforme verificado anteriormente,

excetuados os atinentes a ilícito penal, onde a atuação é própria de polícia judiciária.

Tais medidas podem ser preventivas como por exemplo fiscalização, licenças, alvarás, autorizações, vistorias, entre outras, que tem por escopo verificar a adequação da conduta aos limites regularmente impostos por

ato normativo. Bem como podem ser medidas repressivas, visando coagir o infrator ao cumprimento do dispositivo normativo, como por exemplo, interdição da atividade desenvolvida, fechamento de estabelecimento, interdição e, ou, até demolição de edificação, suspensão de alvará, entre outras. [DI PIETRO, 2006, p.

130; 131]

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