A CRFB, no seu artigo 145, II, prevê a possibilidade dos Estados instituírem taxas em razão do exercício do poder de polícia, ressalvando no § 2º que é vedado às taxas a utilização de base de cálculo própria de imposto.
Consoante Meirelles [2002, p. 127], “poder de polícia é a faculdade que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou
do próprio Estado”.
Sobre o poder de polícia, dispõe o artigo 78 do CTN:
Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade,
regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem,
aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão
ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Dispõe o artigo 144 da CFRB sobre os Corpos de Bombeiros Militares:
A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes
órgãos:
[...]
§ 6º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com
as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
A respeito da inserção dos Corpos de Bombeiros Militares na CFRB, assevera Lazzarini [1992, p.191]:
Os Corpos de Bombeiros Militares, com efeito, em princípio, não exercem atividades de segurança pública, porque, como anteriormente examinado, segurança pública é uma atividade que
diz respeito às infrações penais, com típicas ações policiais preventivas em relação a tais ilícitos e repressivas, na apuração
desses mesmos ilícitos.
[...]
Exercem, isto sim, os Corpos de Bombeiros Militares, nessas unidades federadas, atribuições que dizem respeito à tranqüilidade pública e à salubridade pública, ambas integrantes
do conceito maior de ordem pública, onde se insere, ao lado daquelas, a segurança pública.
Com efeito, aos Corpos de Bombeiros Militares cabem competências atinentes à tranqüilidade e à salubridade pública, inseridas no contexto do poder de polícia consoante inclusive a previsão do artigo 78 do CTN.
Como visto anteriormente os Corpos de Bombeiros Militares, em especial o CBMSC, exercem o poder de polícia, principalmente, nas atividades de prevenção de incêndios, pois conforme dispõe o inciso III do artigo
108 da Constituição Estadual compete ao CBMSC:
Analisar, previamente, os projetos de segurança contra incêndio em edificações, contra sinistros em áreas de risco e de armazenagem, manipulação e transporte de produtos perigosos,
acompanhar e fiscalizar sua execução, e impor sanções administrativas estabelecidas em lei.
Importante frisar, que o exercício do poder de polícia pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina não é pleno, pois mesmo com a possibilidade estabelecida da parte final do dispositivo, ainda não existe previsão
legal de sanções a serem impostas pelo CBMSC aos infratores às normas de segurança contra incêndios.
Desde o final da década de 80 são analisados projetos preventivos de incêndios no Estado, inicialmente utilizando por base as Normas Brasileiras, NBR, posteriormente através do Decreto 4.909 de 18 de outubro de 1994, foram instituídas as Normas de Segurança Contra Incêndios (NSCI), com
aplicação em todo o território estadual.
Conforme previsão no seu artigo 1º, as NSCI “têm por finalidade fixar os requisitos mínimos nas edificações e no exercício de atividades,
estabelecendo Normas e Especificações para a Segurança Contra Incêndios, no Estado de Santa Catarina, levando em consideração a proteção de pessoas e
seus bens”.
O artigo 2º do Decreto 4.909/94, confere certa discricionariedade ao CBMSC:
Quando se tratar de tipo de ocupação das edificações ou de atividades diferenciadas das constantes nas presentes Normas, o
Corpo de Bombeiros do Estado de Santa Catarina poderá determinar outras medidas que, a seu critério, julgar convenientes
à Segurança contra Incêndios.
No tocante às competências para fiscalizar o cumprimento das NSCI, dispõe o artigo 3º do Decreto 4.909/94:
No Estado de Santa Catarina, compete ao Comando do Corpo de Bombeiros, por meio do seu órgão próprio, CENTRO DE ATIVIDADES TÉCNICAS (CAT), normatizar e supervisionar o
cumprimento das disposições legais relativas às medidas de Segurança Contra Incêndios.
§ 1º - As Seções de atividades Técnicas (SAT) supervisionarão o cumprimento das disposições legais baixadas pelo CAT, nas
áreas dos SGI (Subgrupamentos de Incêndio).
§ 2º - As Seções de combate a Incêndio (SCI), fora da Sede do respectivo SGI, deverão proceder ao exame dos dispositivos de Segurança Contra Incêndios, expedir certificado de aprovação de
vistorias em edificações no que se refere às condições de Segurança Contra Incêndios e supervisionar a rede de hidrantes
públicos.
Convém ressaltar que com a emancipação do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina da Polícia Militar, através da emenda
constitucional n.º 33/03, a estrutura administrativa sofreu consideráveis alterações, sendo o CAT substituído pela Diretoria de Atividades Técnicas, a estrutura foi redefinida em batalhões, companhias, pelotões e grupamentos em
substituição à estrutura anterior, permanecendo nas companhias, pelotões e grupamentos as Seções de Atividades Técnicas (SAT), porém tais alterações administrativas não trouxeram qualquer prejuízo para a aplicação e fiscalização
das NSCI.
Já em 1988, através da lei n.º 7.541, artigo 1º, IV, foi instituída a taxa de fiscalização de projetos de construção e vistoria, com o intuito
de ressarcir os custos da Administração Pública com as atividades de prevenção de sinistros em razão do exercício do poder de polícia, em especial os incêndios.
A lei n.º 10.058 de 1995 deu nova redação ao inciso supra, passando a ser denominada taxa de prevenção contra sinistros, mais apropriada
a amplitude devida a atividade desenvolvida pelo CBMSC.
Esta é a taxa a analisar-se, atendo-se principalmente, às atividades de prevenção de incêndio, quais sejam: análise de projetos e vistorias
de habite-se e funcionamento.