químicos, petróleo etc, refletindo então um grau de satisfação na gestão atual de seus processos, na maioria dos casos estudados, quanto ao entendimento dos possíveis problemas ambientais, sociais e econômicos (que estão presentes em qualquer setor produtivo) pelos gestores e acionistas do ramo industrial em questão.
Contudo, os clientes do setor de beneficiamento de cacau em nível nacional e internacional, em dois dos casos estudados, vem de maneira sistemática verificando as ações de seus fornecedores no campo da responsabilidade sócioambiental dos direitos humanos e da saúde e segurança do trabalhador e na área ambiental estabelecendo como condição de comercialização de produtos e serviços.
O principal limitante observado nas indústrias beneficiadoras de cacau quanto ao cumprimento sistemático da legislação, em alguns casos, dá-se devido a desinformação, a não sistematização em avaliar as legislações em vigor ou a postergação por deferimento do órgão ambiental na postergação de prazos para cumprimento de variáveis legais. Em outros casos há o comprometimento e planejamento estabelecido para o atendimento da exigência.
A criação de legislação específica para o tema gestão integrada e quanto à obrigatoriedade da realização de auditorias sistemáticas, e que estas fossem reportadas aos órgãos ambientais, seria de suma importância para o Estado e para conservação do meio ambiente, convergindo para o que teoriza Porter e Linde (1999).
As pesquisas descritas de gestão ambiental realizada pelo BNDES em 1998 e a pesquisa sobre Competitividade da Indústria Brasileira, realizada por CNI, SEBRAE e BNDES em 2001, com 1.158 empresas refletem ainda hoje o perfil
parcialmente semelhante às empresas pesquisadas, principalmente ao que tange a legislação.
Podemos verificar comparativamente com a pesquisa do BNDES em 1998 que após cerca de 10 anos de realização desta pesquisa os aspectos levantados quanto a acidentes ambientais e sua relevância na região Nordeste, atualmente, são aspectos mitigados, caracterizando então uma evolução no comportamento empresarial.
Quando se confronta a pesquisa da FIEB em 2004 (ver página 47) e os resultados dessa pesquisa, observa-se que refletem similarmente as empresas estudadas, quanto aos aspectos ambientais (de maior relevância como consumo de água, energia elétrica). No que tange as práticas adotadas para a melhoria do desempenho ambiental o uso das boas práticas operacionais é ação comum, mas divergindo quando apenas 33,33% as empresas pesquisadas pela FIEB adotam estação de tratamento de efluentes, sendo que todas as empresas de beneficiamento de cacau apresentam tratamento de seus efluentes líquidos.
Mesmo com a adoção de sistemas de gestão integrados ou não, que a metade das empresas reconhecem seus benefícios, a zona de entrave que o setor empresarial levanta é a falta de recursos regionais disponíveis e a pouca disponibilidade de instituições de educação em fornecer serviços para tratamento de resíduos, análises laboratoriais, auxílio quanto às legislações ambientais e suporte a questões de educação ambiental que na sua essência pouco se tem realizado para aplicá-la. Nesse aspecto é de grande relevância o processo de fornecimento de serviços e consultorias pelas instituições de ensino em parceria com o poder público úteis em prol da comunidade empresarial conforme defende Müller (2002, apud LAGES e LOPES, 2003).
Pode-se dizer que na maioria das indústrias moageiras de cacau no eixo Ilhéus e Itabuna, a princípio, que o Sistema de Gestão Ambiental, é um sistema reativo ao surgimento de regulamentações, mas tem a sensibilidade na maioria dos casos quanto a efetiva e sistemática utilização de ferramentas que se aproximam ou não do pacote ISO, ou de qualquer outro tipo de acordo de adesão voluntária presente no mercado, sendo esse um caminho que as empresas pesquisadas estão perseguindo.
A adoção de procedimentos sistematizados se tornam mais viáveis, por essas empresas serem multinacionais e já possuir, em duas delas, implementado ferramentas dos sistemas de segurança e saúde ocupacional, gestão ambiental e gestão da qualidade. Sendo detectado este último de maior relevância na atualidade regional na conquista de novos mercados.
Uma das empresas pesquisadas o sistema apresenta com um passo a frente, pois já busca integração dos sistemas de qualidade, segurança, meio ambiente e responsabilidade social de forma a atender um ambiente de clientes mais restritivos, ou seja, em busca de um maior espaço no mercado.
Nessa pesquisa foi possível verificar que não existe intencionalidade do universo pesquisado em adotar a certificação dos padrões ISO de gestão ambiental, mundialmente conhecido ou qualquer outro tipo de certificação de caráter voluntário.
Nesse universo empresarial em estudo, não apresenta um limitante mercadológico.
Estar alinhado as ferramentas de gestão solicitadas pelos seus clientes, declarações de comportamentos ambientais dessas empresas para os seus clientes, qualidade de produto e condições econômicas viáveis para compra, são na atualidade das indústrias moageiras de cacau a mola propulsora de seus negócios. Deixando o meio ambiente e as questões sociais, na prática em um plano abstrato e teórico.
As ferramentas de gestão adotadas pelas empresas, quando comparado ao pacote ISO 14000, apresenta diretrizes básicas como confecção e declaração de política ambiental, por exemplo, mas na maioria do universo pesquisado está estabelecido de maneira não-sistemática.
Entretanto, é claro o posicionamento do empresariado quanto à adoção de sistemas de gestão integrados ou não, se tais sistemas apresentarem-se como exigências na conquista de novos mercados eles estarão sempre prontos para mudar suas posições quando forem consideradas desvantajosas. Enfim, no setor de beneficiamento de cacau as Normas ISO são apenas norteadores, pois o que define certificações ou não é o mercado que na atualidade adota a padrões não compulsórios de SGA´s, restringindo-se na maioria dos casos aos padrões legislados.
5 CONCLUSÕES
Os temas ligados às questões ambientais têm constantemente tomado dimensões e proporções em nível planetário. A busca de soluções passíveis e viáveis para minimizar os impactos relativos às atividades humanas e especialmente as atividades industriais sem afetar as estruturas e econômicas, ambientais e sociais, tem se tornado objeto de pesquisa da maioria das academias.
Na indústria regional local de beneficiamento de cacau, objeto do estudo, apresenta a qualidade de seus produtos e serviços como fator primordial para a competitividade levando os empresários à busca de melhorias contínuas e de inovações tecnológicas em seus processos. O desempenho nas áreas de saúde e segurança, responsabilidade social e ambiental não apresentam a mesma correspondência na filosofia da maioria das empresas avaliadas.
A ligação entre a gestão ambiental (NBR ISO 14001) e as indústrias beneficiadoras de cacau, dentro do contexto de estudo, ficou evidente. Verifica-se que as indústrias adotam as ferramentas do sistema de gestão ambiental no
gerenciamento de seus processos, entretanto não é percebido uma sistematização, na maioria das empresas estudadas.
Não se percebe aderência em algumas empresas quanto à adoção de processos de gestão integrados. A influência dos processos de gestão ambiental e principalmente de gestão integrados dá-se pela competitividade do mercado e depende de fatores pela cadeia de fornecimento, partes interessadas, bancos financiadores - o preço de suas ações em bolsa valores, fornecedores/ clientes na qual está inserida.
É possível colocar em uma escala decrescente de adoção de práticas de sistemas de gestão e adoção de códigos voluntários de conduta, a seqüência é estabelecida: sistema da qualidade, sistema ambiental, saúde e segurança do trabalhador, responsabilidade social e a integração dos sistemas.
Mostra-se ainda uma passividade por parte de algumas empresas quando no cumprimento de legislações, posicionando-se comodamente frente à possibilidade de melhoria frente os aspectos ambientais de seu processo produtivo. Este comportamento é alterado, ou seja, impulsionado para o campo da ação imediata, quando o mercado ou acionistas o percebam como uma ação que gere uma imagem rentável e/ou uma nova possibilidade comercial para seus negócios. Embora observe-se tal comportamento, as empresas estão propostas a mudanças em qualquer momento, mesmo que estas lhes gerem custos. Ou seja, mesmo que de maneira reativa o meio ambiente é passível de ser beneficiado e os impactos sofridos sejam eliminados ou minimizados.
As legislações existentes em nível Federal, Estadual e Municipal não exigem de maneira compulsória que as empresas reavaliem seus processos, através de auditorias ou auto-avaliações sistematizadas.
Por meio do estudo visualizou-se a relação não cooperativa entre universidade e empresa. Por sua vez ambas estão dentro de seus contextos de atuação voltada a serviço da comunidade juntamente com o poder público. Este último como agente fiscalizador das empresas quanto aos seus serviços, produtos, ações lesivas ao meio ambiente, ao trabalhador etc e quanto ao cumprimento de normas, sendo que não existem instrumentos públicos e incentivos para a busca de melhorias no desempenho ambiental. Em paralelo o poder público oferece subsídio às universidades para pesquisa em prol da sociedade. Entretanto, tais agentes não se interagem de maneira construtiva em prol do bem comum; resulta-se ai o surgimento de práticas pouco sustentáveis. Conseqüentemente possibilitando as reações restritivas das empresas quanto à aplicação de instrumentos de pesquisa provenientes das instituições de ensino, vislumbrando possíveis restrições futuras ou fiscalizações mais severas.
Apesar de algumas resistências e limitações, observa-se que a tendência ao atendimento de sistemas integrados ou sistemas distintos como de gestão ambiental de maneira sistemática (ou de futuros sistemas impostos pelo mercado) acompanhado pelo surgimento de legislações é algo que as empresas estão inexoravelmente fadadas.
Assim, esta pesquisa recomenda:
• O surgimento de políticas públicas visando cooperação entre as instituições de ensino e empresa e que essas políticas públicas se completem;
• Uma legislação ambiental local de modo a sistematizar auditorias nas empresas na qual as instituições de ensino e pesquisa possam contribuir o poder público de modo a auxiliar na instrumentalização e paralelamente agregando incentivos na adoção de tais requerimentos legais;
• Avaliação das potencialidades de uso de resíduos graxos do processo de obtenção da manteiga de cacau como biocombustível, aliada a busca de tecnologias inovadoras (através de pesquisa) para os problemas ambientais críticos;
• E como proposta para futuros trabalhos avaliar o sistema de gestão adotado em empresas regionais com alto potencial poluidor.
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7 APÊNDICE
APÊNDICE A
APÊNDICE A– Questionário aplicado às empresas aos seus dirigentes.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ
DEPARTAMENTO DE CIENCIAS AGRÄRIAS E AMBIENTAIS
PESQUISA SOBRE GESTÃO AMBIENTAL NAS INDÚSTRIAS DE CACAU QUESTIONÁRIO
NOME DA EMPRESA: ________________________________________________________
SETOR PRODUTIVO: _________________________________________________________
ENDEREÇO: ________________________________________________________________
RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES DA PESQUISA: ___________________________
CARGO OCUPADO PELO RESPONSÀVEL PELAS INFORMAÇÕES: __________________
TEL/FAX: _____________________
Dados sociais do Dirigente:
Nacionalidade: ; Sexo: Masc. Fem.;
Idade: ; Profissão / área de formação:_________________________________;
Escolaridade: Pós-graduação, Graduação, Nível médio , Outro nível.
Gestão Ambiental
1. Quais os aspectos ambientais mais vulneráveis com a produção de sua empresa? Assinale em ordem de prioridade, sendo a maior prioridade 1, a segunda prioridade 2, etc.
Consumo de água
Consumo de energia elétrica
Consumo de outros recursos naturais (madeira, minerais, etc) Áreas degradadas
Resíduos sólidos Efluentes líquidos Emissões atmosféricas Odor
Vibração, Ruídos Saúde Ocupacional Comunidade do entorno
Aos consumidores e usuários dos produtos/ serviços gerados pela empresa Aos fornecedores de matéria prima
Outros:
_____________________________________________________________________
Da Empresa e seu Dirigente
2. Que alternativas são adotadas visando à melhoria do desempenho ambiental da empresa?
Estação de tratamento de efluentes Análise do ciclo de vida
Aterro industrial
Precipitadores eletrostáticos Filtros
Reciclagem interna (uso dos resíduos/subprodutos gerados na própria empresa)
Reciclagem externa (aproveitamento de resíduos/subprodutos gerados/para outro empresas) Mudança de matéria-prima/insumo (para outro ecologicamente mais correto)
Mudança no produto principal (para outro ecologicamente mais correto)
Boas práticas operacionais (mudança de procedimentos e condições operacionais, substituição / adequação de equipamentos)
Modificação tecnológica (extração, filtração, centrifugação, recirculação de correntes de efluentes) Utilização da Bolsa de Resíduos
Benchmarking (Troca de informações) Nenhuma
Outros:
___________________________________________________________________________
3. Que procedimentos de gestão ambiental são utilizados por sua empresa?
Levantamento dos Aspectos Ambientais relacionados ao processo produtivo Redução de Consumo: água e/ou energia elétrica
Análise de Riscos Ambientais
Implantação de Programa de produção mais limpa/tecnologias limpas Gerenciamento de resíduos
Educação/Treinamento ambiental para os funcionários Monitoramento Ambiental
Licenciamento Ambiental
Estabelecimento de Comissão Técnica de Garantia Ambiental- CTGA Declaração de Política Ambiental
Acompanhamento e monitoramento preventivo de legislação ambiental/outros requisitos legais
Estabelecimento de Termo de Conduta Ambiental – TCA
Implantação de Sistema de Gestão Ambiental com objetivos e metas Certificação Ambiental pela Norma ISO 14001
Balanço de Sustentabilidade Ambiental Auditorias Ambientais sistemáticas Adesão a Protocolos Ambientais. Quais?
___________________________________________
Plano de Contingência - PC